Porto Alegre, 28 de janeiro de 2026 Ano 20 - N° 4.563
Embrapa CiLeite: Leite em 2025: alimento segura custos de produção em 3,0%
Os custos de produção de leite cresceram 3,0% em 2025, após uma variação de 0,2% em dezembro, de acordo com o ICPLeite/Embrapa. Estes resultados colocam a inflação dos custos de produção de leite menor que a inflação oficial brasileira, medida pelo IPCA/IBGE, que foi de 4,3%. A baixa variação do custo da alimentação do rebanho (produzida e comprada) foi fundamental para este desempenho, enquanto que os custos da Mão de obra e da energia elétrica e do combustível (gasolina e diesel) cresceram três vezes mais que o custo total, em 2025.
Em dezembro, alimentação comprada e remédios fizeram custo de produção crescer O custo do grupo Concentrado cresceu 1,6% no último mês de 2025, puxado por caroço de algodão e polpa cítrica. Mas houve queda do preço de farelo de soja. Portanto, para aqueles produtores que não usam estes itens com preços altistas para alimentar o rebanho, o custo de produção certamente foi menor que 0,2%, variação do custo de produção apurado para dezembro. Também o grupo que engloba remédios, sêmen e outros, representado por Sanidade e reprodução, teve acréscimo restrito, de 0,6%.
Em sentido contrário, três grupos apresentaram deflação no mês. A redução de preços da energia elétrica e óleo diesel fizeram com que o grupo Energia e combustível apresentasse queda de -1,8%, mesmo percentual apresentado pelo grupo Volumosos. Qualidade do leite também registrou retração de -0,2%. Os dados constam do Gráfico 1.
Gráfico 1. ICPLeite/Embrapa. Variação em dez/25, por grupos de custos de produção, em %.
Fonte: Embrapa, 2025.
No acumulado de 2025 a inflação de custos atingiu 3,0%, com destaque para a elevação em Minerais (17,1%), Energia e combustível (7,2%), Qualidade do leite (7,0%,) e Mão de obra (6,3%). O grupo Sanidade e reprodução, com elevação de custos de 4,3%, também cresceu acima do custo total. Já o grupo Concentrado, com variação de 2,9%, e Volumosos, com variação negativa de -4,2% ajudaram a conter a alta acumulada no ano. Os dados constam do Gráfico 2.
Gráfico 2. ICPLeite/Embrapa. Variação acumulada por grupos de custos de produção, de jan/25 a dez/25, em %.
Fonte: Embrapa, 2025.
A inflação de custos de produção de leite em 2025 mostrou-se bem comportada, sem sobressaltos. Em janeiro a inflação anual cresceu para o patamar de 3,0% e, ao longo de todo o ano, oscilou entre 2,3% e 4,0%. Portanto, no que diz respeito a custos, não foram registradas variações que tenham trazido sobressaltos aos produtores, conforme gráfico 3.
Gráfico 3. ICPLeite/Embrapa. Variação de custos de produção entre dez/24 e dez/25, em
números-índices, dez/24=100.
Fonte: Embrapa, 2025.
Embrapa Cileite
Paulo do Carmo Martins
Manuela Sampaio Lana
Samuel José de Magalhães Oliveira
Alziro Vasconcelos Carneiro
Whey Protein cresce 8% ao ano e consolida liderança no Brasil
Com 58% do mercado sul-americano, Whey Protein reforça o Brasil como polo estratégico
O mercado brasileiro de Whey Protein registrou crescimento médio anual de 8% entre 2020 e 2025, consolidando o país como o principal polo da categoria na América do Sul, segundo dados da Mordor Intelligence.
O Brasil respondeu por mais de 58,53% do mercado regional, posição sustentada pela expansão da nutrição esportiva, pela difusão da cultura de academias e pela crescente demanda por alimentos com benefícios funcionais.
Esse desempenho posiciona o Whey Protein como um dos vetores mais consistentes de valor agregado dentro da cadeia láctea, com impacto direto sobre estratégias industriais, mix de produtos e investimentos em processamento de soro de leite.
De acordo com o relatório, a influência de padrões de consumo ocidentais tem acelerado a procura por produtos associados à saúde, desempenho físico e bem-estar.
Nesse contexto, suplementos proteicos assumiram protagonismo no mercado brasileiro de nutrição esportiva, com as proteínas representando 74% dessa categoria, impulsionadas principalmente pelos produtos à base de soro de leite.
O dado estrutural mais relevante vem do comportamento do consumidor: o Brasil manteve, nos últimos três anos, a segunda posição mundial em número de academias, fator diretamente associado ao crescimento da demanda por Whey Protein.
Em 2015, cerca de 3,5% da população brasileira estava matriculada em academias, com destaque para a participação feminina e de pessoas acima de 60 anos, que juntas representavam mais de 40% do público.
Essa composição etária e de gênero amplia o alcance do Whey Protein para além do público tradicional de atletas e fisiculturistas, reforçando seu posicionamento como suplemento funcional associado à saúde, manutenção muscular e recuperação física.
Outro vetor destacado pela Mordor Intelligence é o papel dos profissionais de educação física e treinadores. As orientações desses agentes influenciam diretamente os hábitos alimentares dos consumidores, direcionando a adoção regular de suplementos proteicos. A projeção é de que o mercado de nutrição esportiva cresça, em média, 9% ao ano, sustentando a trajetória positiva do Whey Protein no médio prazo.
Para o setor lácteo, o movimento não é apenas comercial, mas estrutural. O avanço do Whey Protein redefine o valor do soro de leite, historicamente tratado como subproduto, e eleva sua importância estratégica dentro da indústria. Empresas com capacidade de concentração, isolamento e padronização proteica passam a operar em uma lógica de maior margem e diferenciação.
Em termos nutricionais, o Whey Protein é extraído do soro do leite e composto principalmente por alfa-globulina e beta-globulina. É reconhecido pela alta digestibilidade e rápida absorção, além de fornecer todos os aminoácidos essenciais necessários para a construção e reparação dos tecidos musculares.
Em uma porção padrão de 30 gramas, o produto entrega, em média, 24 gramas de proteína, com baixo teor de gorduras e carboidratos. Também é fonte natural de aminoácidos de cadeia ramificada — leucina, isoleucina e valina — fundamentais para a síntese proteica muscular e a recuperação pós-exercício.
O que está em jogo para decisores do setor é a capacidade de capturar esse crescimento de forma eficiente. A expansão do Whey Protein pressiona investimentos em tecnologia, qualidade industrial, rastreabilidade e adequação regulatória.
Não agir implica risco de perda de competitividade, especialmente diante da consolidação do Brasil como referência regional e do avanço de players internacionais.
Ao mesmo tempo, o cenário habilita decisões estratégicas claras: ampliação de portfólio de ingredientes funcionais, integração entre laticínios e marcas de nutrição esportiva, e reposicionamento do soro de leite como ativo central — e não residual — da cadeia.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Guia da Farmácia
Jogo Rápido
ARGENTINA: A produção de leite cresceu, mas o mercado não consegue absorvê-la
O volume de produção nas fazendas leiteiras aumentou, mas a demanda interna e as exportações não cobrem os custos do setor. A produção leiteira apresentou uma forte recuperação, mas as condições de mercado não são favoráveis. Representantes do setor alertam que, embora haja financiamento disponível, as taxas de juros permanecem muito altas em um contexto de inflação elevada e margens apertadas, o que limita a capacidade de sustentar e investir no setor. Segundo Pablo Villano , presidente da Associação de Pequenas e Médias Empresas de Laticínios, o crédito está disponível, mas requer uma queda significativa nas taxas de juros para ser viável na atual conjuntura de mercado. (Portalechero)