Porto Alegre, 15 de janeiro de 2026 Ano 20 - N° 4.554
Mercado do Leite: atualização de preços quinzenal 15/01
Com intuito de atualizar nossos leitores sobre o cenário do mercado do leite, o MilkPoint, em parceria com o MilkPoint Mercado, trará um panorama geral sobre os acontecimentos mais relevantes da quinzena no setor lácteo.
Confira abaixo a última atualização:
Leite Spot - Na primeira quinzena de janeiro, o preço médio nacional do leite spot foi de R$ 1,74 por litro, registrando uma estabilidade em relação à quinzena anterior, segundo dados do MilkPoint Mercado.
Preços Internacionais -O 395º leilão da plataforma Global Dairy Trade (GDT), realizado no dia 06 de janeiro, apresentou ajustes positivos para todos os produtos, fazendo com que o preço médio (price index) dos produtos negociados aumentasse 6,3%, chegando a USD 3.533/tonelada — revertendo a queda vista no último evento do ano.
Leite UHT - na primeira semana de janeiro o mercado de leite UHT apresentou maior movimentação, impulsionado pelo início do ano, que trouxe aquecimento da demanda. Diante desse cenário, os preços reagiram e seguiram apresentando ajustes positivos, na média São Paulo o avanço foi de R$0,07/litro,fechando a média em R$3,19/litro.
Muçarela - o mercado de muçarela demonstra sinais de reação, com aumento na procura pelo produto, ainda que os compradores sigam cautelosos. A maioria das regiões registrou reajustes positivos, em São Paulo a média foi de R$24,4/kg.
Leite em Pó - No mercado de leites em pó o comportamento foi distinto, o LPI apresentou sinalização de início de maior procura, possibilitando aumentos tímidos nos preços praticados, sendo negociado a R$23,2. Já o mercado de LPD permaneceu estável, enquanto o LPF leve registrou recuo de R$0,01 na semana, fechando em R$28,4.
Milho – O milho na praça de Campinas apresenta leves recuos nos preços, segundo o Cepea, com média parcial de janeiro em R$ 69,1 por saca, queda de 0,8% em relação a dezembro, em um mercado marcado por negociações pontuais e compradores cautelosos neste início de ano, à espera de maior oferta com o avanço da colheita da safra de verão no Sul do país. Esse cenário de pressão também se reflete no mercado internacional, onde os preços do milho na Bolsa de Chicago recuam diante das expectativas de safra recorde e ampla disponibilidade do grão.
Soja – A soja na praça de Paranaguá apresenta queda nos preços, segundo o Cepea, com a média parcial de janeiro em R$ 134,8 por saca, recuo de aproximadamente 5% em relação à média de dezembro, em um mercado marcado por negociações cautelosas e ritmo lento de compras. A pressão está associada ao avanço inicial da colheita da safra 2025/26 no Brasil, que ocorre sob expectativa de boa produtividade, além do cenário externo mais pressionado, com ampla oferta global e recuos nas cotações internacionais, o que limita a reação dos preços nos portos brasileiros.
Oferta – A oferta de leite no primeiro trimestre deve permanecer elevada, ainda refletindo o cenário de forte produção observado em 2025. No entanto, o ritmo de crescimento tende a ser menor do que o registrado no ano passado, influenciado pelas questões de rentabilidade no campo, que podem reduzir os incentivos à produção.
Demanda – Em função da expressiva deflação dos preços dos lácteos no varejo no final do ano passado, os preços ao consumidor iniciam o ano mais atrativos, o que pode estimular e fortalecer a demanda no curto prazo. (Vivian Batista Padilla/MilkPoint)
Trump assina lei para devolver leite integral à merenda escolar
Leite integral está voltando Cantina escolar O presidente Donald Trump está em todo o país na quarta-feira depois de assinar um projeto de lei que revoga os limites da era Obama para substitutos do leite com alto teor de gordura.
Bebidas não lácteas, como leite de soja fortificado, poderão permanecer no cardápio nos próximos meses. Lei do Leite Integral para Bebês Saudáveisque liberou o Congresso no outono.
A medida permite que as escolas participantes do Programa Nacional de Merenda Escolar sirvam leite integral e com 2% de gordura, além de produtos desnatados e com baixo teor de gordura, conforme exigido desde 2012.
“Seja você um democrata ou um republicano, o leite integral é uma coisa ótima”, disse Trump em um evento de assinatura na Casa Branca com a presença de legisladores, produtores de leite e seus filhos.
A lei permite que as escolas sirvam leite não lácteo que atenda aos padrões nutricionais do leite e exige que as escolas ofereçam alternativas ao leite não lácteo se as crianças declararem suas restrições alimentares apenas mediante aviso dos pais.
Assinado depois de alguns dias liberar As Diretrizes Dietéticas para Americanos 2025-2030, que enfatizam Consumo de laticínios integrais Como parte de uma dieta saudável. Versões anteriores recomendavam que os consumidores com mais de 2 anos de idade consumissem produtos lácteos com baixo teor de gordura ou sem gordura.
No início desta semana, enviado do Departamento de Agricultura Postagens em mídias sociais Mostre a Trump um copo de leite e um “bigode de leite” que proclama: “Beba o leite integral”.
A mudança poderá entrar em vigor já neste outono, embora responsáveis da nutrição escolar e da indústria de lacticínios tenham afirmado que poderá demorar mais tempo para algumas escolas avaliarem a procura de leite gordo e ajustarem a cadeia de abastecimento.
Há muito procurado pela indústria de laticínios, o retorno do leite integral e 2% às refeições escolares reverte as disposições da Lei para Crianças Saudáveis e Livres de Fome, defendida pela ex-primeira-dama Michelle Obama. Promulgada há mais de uma dúzia de anos, a lei visava reduzir a obesidade e promover a saúde, reduzindo a ingestão de gordura saturada e calorias no leite com alto teor de gordura pelas crianças.
Especialistas em nutrição, legisladores e a indústria de laticínios argumentaram que o leite integral é um alimento delicioso e nutritivo que tem sido injustamente difamado, e alguns estudos demonstraram que as crianças que o bebem têm menos probabilidade de desenvolver obesidade do que aquelas que bebem alternativas com baixo teor de gordura. Os críticos também dizem que muitas crianças não gostam do sabor do leite desnatado e não o bebem, levando ao desperdício de nutrientes e alimentos.
As novas regras vão alterar a alimentação servida aos quase 30 milhões de alunos matriculados no Programa Nacional de Merenda Escolar.
O secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., descreveu a nova lei como “uma revisão há muito esperada da política de nutrição escolar”. A secretária de Agricultura, Brooke Rollins, disse que isso corrigiu a “campanha míope de Michelle Obama para abrir o leite integral”.
As escolas devem fornecer aos alunos uma variedade de opções de leite fluido, que agora podem incluir leite integral orgânico ou convencional com sabor e incomum, leite com 2%, 1% e sem lactose, bem como opções de laticínios que atendam aos padrões nutricionais.
As novas diretrizes dietéticas exigem “produtos lácteos integrais sem adição de açúcares”, o que proibiria o leite com sabor de chocolate e morango. Sob uma atualização recente Qualidade da alimentação escolar. As autoridades agrícolas devem traduzir essa recomendação em requisitos escolares específicos para eliminar o leite aromatizado.
A nova lei isenta a gordura do leite de ser considerada parte da exigência federal de que a gordura saturada média represente menos de 10% das calorias na merenda escolar.
Um importante nutricionista da Tufts University, Dr. Dariush Mozaffarian, diz que “não há benefício significativo” em escolher alimentos com baixo teor de gordura em vez de laticínios com alto teor de gordura. Os ácidos graxos saturados lácteos têm uma composição diferente de outras gorduras, como a gordura da carne bovina, e vários compostos benéficos que poderiam compensar as perdas teóricas, acrescentou.
“A gordura saturada dos produtos lácteos não foi associada a quaisquer resultados adversos para a saúde”, disse Mozaffarian numa entrevista.
O estudo encontrou mudanças nos programas federais de nutrição após a promulgação da legislação da era Obama O crescimento da obesidade é lento Entre as crianças dos EUA, incluindo adolescentes.
Mas alguns especialistas em nutrição apontam para novas pesquisas que sugerem que os bebés que bebem leite integral podem ter menos excesso de peso ou mais obesidade do que as crianças que bebem leite com baixo teor de gordura. Um 2020 Uma revisão de 28 estudos sugeriram que o risco era 40% menor para bebês alimentados com leite integral, embora os autores tenham notado que não podiam dizer se o consumo de leite era um fator.
O Departamento de Saúde e Ciência da Associated Press recebe apoio do Departamento de Educação Científica do Howard Hughes Medical Institute e da Fundação Robert Wood Johnson. A AP é a única responsável por todo o conteúdo. (Jornal Metropolitano/ABC News)
O leite diante do novo consumidor: o que muda em 2026
A cadeia láctea global entra em 2026 diante de uma combinação rara de forças estruturais: mudanças profundas no comportamento do consumidor, avanços científicos aplicados à nutrição e uma pressão crescente para que alimentos entreguem mais do que calorias. O leite e seus derivados, historicamente posicionados como alimentos básicos, passam agora por um processo de reposicionamento estratégico, deixando de ser commodities nutricionais para assumir o papel de plataformas de valor, saúde e diferenciação.
Essa transição não ocorre de forma isolada. Ela está ancorada em três grandes eixos que vêm redesenhando o mercado global de alimentos: premiumização, saúde como proposta central de valor e reconfiguração do consumo impulsionada por novas abordagens de redução de peso, como os medicamentos baseados em GLP-1.
Premiumização: valor percebido em um mundo de escolhas racionais
A premiumização no setor de alimentos deixou de ser sinônimo de indulgência e passou a representar valor funcional, propósito e conveniência. Nos lácteos, esse movimento é particularmente relevante porque a categoria já carrega atributos naturais de qualidade nutricional, o que facilita a construção de narrativas de maior valor agregado.
Produtos lácteos premium não se destacam apenas pelo preço, mas pela combinação de atributos tangíveis e intangíveis: formulações mais limpas (clean label), ingredientes funcionais, rastreabilidade, bem-estar animal, menor impacto ambiental e experiências sensoriais diferenciadas. Em mercados maduros e/ou aqueles em que buscam alimentação saudável, observa-se que consumidores aceitam pagar mais quando percebem benefícios claros à saúde ou quando o produto se encaixa em um estilo de vida específico, como alimentação ativa, envelhecimento saudável ou controle metabólico.
Esse fenômeno não está restrito a nichos. Estudos em economia do consumo mostram que atributos éticos e funcionais podem gerar prêmios de preço consistentes mesmo em categorias tradicionalmente sensíveis a valor, reforçando que o consumidor moderno avalia o alimento como um pacote de benefícios, e não apenas como um item de necessidade básica.
Saúde deixa de ser promessa e passa a ser exigência
O conceito de saúde evoluiu. Em vez de focar apenas na prevenção de doenças, o consumidor passa a buscar alimentos que ampliem a chamada healthspan, o período de vida com autonomia física, mental e metabólica. Nesse contexto, os lácteos ganham novo protagonismo por sua capacidade de atuar em múltiplas frentes: saúde óssea, muscular, intestinal, imunológica e cognitiva.
Ingredientes como proteínas de alto valor biológico, probióticos, peptídeos bioativos e compostos fermentados estão sendo reposicionados como ativos estratégicos. A fermentação, por exemplo, deixa de ser apenas um processo tecnológico e passa a ser vista como ferramenta de criação de valor funcional, com impactos positivos sobre digestibilidade e microbiota intestinal.
Relatórios recentes da indústria de ingredientes indicam que consumidores buscam soluções nutricionais “integradas”, capazes de oferecer mais de um benefício em um único produto, como proteína associada a fibras ou probióticos, reduzindo a necessidade de suplementação isolada.
GLP-1 e a redefinição do padrão alimentar
Um dos fatores mais disruptivos para o mercado de alimentos nos próximos anos é a popularização de terapias baseadas em agonistas de GLP-1, inicialmente desenvolvidas para diabetes tipo 2 e hoje amplamente utilizadas para controle de peso. Esses medicamentos alteram a fisiologia do apetite, reduzem o consumo calórico total e aumentam a demanda por alimentos densos em nutrientes, saciantes e de fácil digestão.
Esse novo perfil de consumo cria um ambiente particularmente favorável aos lácteos. Produtos como iogurtes, bebidas proteicas e queijos frescos se destacam por oferecer alta concentração proteica em porções menores, algo altamente valorizado por consumidores que comem menos, porém com maior intencionalidade nutricional.
Dados de mercado nos Estados Unidos mostram que domicílios com usuários de GLP-1 aumentaram significativamente o consumo de iogurtes em comparação à média nacional, sinalizando que o lácteo ocupa um espaço estratégico na nova lógica alimentar. Em resposta, a indústria passa a reformular produtos, reduzindo açúcar, simplificando listas de ingredientes e priorizando proteínas completas e fibras funcionais.
Proteína segue no centro, mas não sozinha
A proteína permanece como o principal vetor de inovação no setor lácteo, atravessando faixas etárias e estilos de vida. No entanto, o diferencial competitivo não está apenas na quantidade, mas na qualidade, biodisponibilidade e contexto de consumo.
Paralelamente, cresce o movimento de valorização das fibras alimentares, especialmente aquelas associadas à saúde intestinal e à saciedade. Essa convergência entre proteína e fibra cria uma nova geração de produtos híbridos, capazes de atender tanto objetivos de desempenho físico quanto de equilíbrio metabólico.
Especialistas em tendências alimentares apontam que o futuro da inovação estará menos na criação de categorias totalmente novas e mais na reengenharia de produtos existentes, com foco em funcionalidade clara, conveniência e respaldo científico.
Do produto ao sistema: implicações para a cadeia láctea
Essas transformações extrapolam a prateleira. Elas impactam decisões na origem da cadeia: manejo, genética, qualidade do leite, sustentabilidade, rastreabilidade e comunicação. Produzir leite capaz de sustentar narrativas de saúde, premiumização e inovação exige gestão mais sofisticada, investimento em tecnologia e alinhamento estratégico entre produtores, indústria e mercado.
No novo cenário o leite deixa de ser apenas matéria-prima e passa a ser insumo estratégico para marcas que competem por valor, e não apenas por volume. A competitividade da cadeia passa a depender da capacidade de traduzir demandas do consumidor em práticas produtivas eficientes, escaláveis e economicamente viáveis. (Maria Luíza Terra/MilkPoint)
Jogo Rápido
Frase do dia
“Estamos vivendo uma das piores crises do setor leiteiro. Nesse contexto, é natural que haja redução no número de registros e de N serviços.” Marcos Tang, presiden te da Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando).(Jornal do Comércio)