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12/01/2026

Porto Alegre, 12 de janeiro de 2025                                                        Ano 20 - N° 4.551


O que esperar do mercado em 2026 depois dos preços em 2025?

Esta análise encerra a série de retrospectivas de 2025, consolidando e contextualizando os principais pontos discutidos nas análises anteriores sobre oferta, demanda e conjuntura internacional do mercado lácteo.

Em síntese, após um ano de forte crescimento da produção, o mercado lácteo brasileiro encerrou 2025 marcado por um expressivo desequilíbrio entre oferta e demanda.

A expansão produtiva, estimulada pelos preços atrativos do primeiro semestre, superou o ritmo de crescimento da demanda, que avançou de forma mais contida, mesmo diante de um ambiente macroeconômico relativamente favorável no âmbito de consumo. Como resultado, houve acúmulo de estoques, pressão sobre os preços dos derivados e quedas significativas no preço ao produtor, sobretudo ao longo do segundo semestre.

No cenário internacional, a ampla oferta global e a demanda mais contida intensificaram a competição entre exportadores e reforçaram o movimento de queda dos preços, enquanto as importações seguiram em patamar elevado, ainda que com leve recuo.

É a partir desse contexto que se coloca a questão central para essa análise: O que esperar do mercado em 2026 depois do mergulho de preços no segundo semestre de 2025?

Perspectivas para a oferta em 2026
O final de 2025 foi marcado por uma queda na rentabilidade do produtor de leite, influenciada principalmente pelo recuo dos preços do leite pagos ao produtor, especialmente no último trimestre do ano, enquanto os preços dos grãos permaneceram relativamente estáveis.

RMCA - Receita menos custo da alimentação (R$/vaca/dia)
Considerando-se a produção de 20 litros/vaca/dia e consumo de 7,2 kg de matéria seca de concentrado/vaca/dia e 10,2 kg de matéria seca de volumoso/vaca/dia.

Essa compressão da rentabilidade em 2025 tende a resultar em um menor crescimento da produção em 2026, especialmente porque a base produtiva brasileira é majoritariamente composta por pequenos e médios produtores, que sentem esse impacto de forma mais intensa.

Segundo o levantamento Quem Produz o Leite Brasileiro 2025, dentro da amostra analisada, 93% dos produtores estavam enquadrados em estratos de até 1.000 litros por dia, respondendo por cerca de 44,9% da produção nacional.


Mesmo assim, 2026 deve seguir apresentando oferta em patamares elevados, impulsionada principalmente pelo crescimento dos sistemas de confinamento nos estratos de maior escala. Esse movimento tende a manter a produtividade em níveis altos, uma vez que esses produtores precisam sustentar volumes elevados de produção para diluir investimentos já realizados, mesmo em um cenário de compressão da rentabilidade.

Assim, nesse contexto em que cerca de metade da base produtiva brasileira está concentrada nos estratos mais sensíveis à redução das margens, 2026 tende a apresentar um ritmo de crescimento da captação inferior ao observado em 2025.
 
Perspectivas para a demanda em 2026
Ao contrário do cenário que marcou o início de 2025, 2026 começa com os preços dos derivados lácteos em patamares mais baixos, inclusive no varejo, segmento que tradicionalmente reage de forma mais lenta aos ajustes. Como referência, o ano se inicia com deflação aproximada de 9,9% no leite UHT e 9,5% na muçarela, segundo os preços da Fipe.

Essa conjuntura, marcada por preços em patamares mais baixos e por um ano eleitoral, no qual historicamente há estímulos à atividade e à renda, seja por meio da ampliação de programas de transferência de renda ou de outras medidas econômicas, tende a sustentar uma demanda ao menos em níveis semelhantes aos de 2025, ou até superiores.Esse movimento pode contribuir para um melhor equilíbrio entre oferta e demanda em 2026, especialmente em um cenário no qual a oferta não cresça em ritmo tão expressivo quanto o observado em 2025.
 
Perspectiva Internacional
No cenário internacional, a conjuntura de preços também aponta para um momento semelhante, marcado por redução da rentabilidade dos produtores. Como evidência dessa tendência, o compilado dos preços do leite pagos ao produtor, em dólar por litro, mostra que, no segundo semestre de 2025, os valores passaram a recuar. 

A ação dessa compressão da rentabilidade também aparece nas perspectivas de outros relatórios internacionais. A divulgação mais recente do Quarterly Dairy Q4, do Rabobank, referente ao último trimestre de 2025, indica um cenário global no qual a queda dos preços internacionais tende a se refletir nos preços pagos ao produtor nos principais mercados exportadores, reduzindo o ritmo de crescimento da produção também no mercado internacional.


Completando a perspectiva do cenário internacional, assim como no Brasil, o mercado global também registrou redução nos preços dos principais derivados lácteos. Conforme apresentado na retrospectiva sobre demanda, a análise do índice de preços médios de lácteos da FAO indica uma expectativa de entrada em 2026 com preços em patamares mais baixos, o que tende a favorecer uma retomada gradual do consumo ao longo do ano.

Uma primeira resposta a esse movimento já pode ser observada nos contratos futuros negociados na SGX, que, entre o final de 2025 e a divulgação após o primeiro leilão do GDT deste ano, passaram a sinalizar uma reversão da tendência de queda do LPI, com o mercado projetando um viés mais altista para 2026.

Conclusão e perspectivas de 2026
Após o expressivo ajuste de preços na reta final de 2025, o mercado lácteo tende a iniciar 2026 em busca de maior equilíbrio entre oferta e demanda. A forte redução da rentabilidade ao longo do segundo semestre sustenta a expectativa de um crescimento mais moderado da oferta em 2026.

Aliado a isso, a demanda deve se manter estável ou levemente estimulada pelos preços mais baixos dos derivados, favorecendo a construção de um cenário mais equilibrado ao longo do ano.

Essa perspectiva, contudo, não elimina as incertezas e os desafios estratégicos do setor. Ao mesmo tempo, surgem oportunidades relevantes ligadas à consolidação da indústria, à rentabilidade, ao financiamento da cadeia, ao potencial exportador do Brasil e ao crescimento do consumo em segmentos como proteínas lácteas e queijos.

Nesse ambiente, marcado por desafios de curto prazo e decisões estruturais de longo prazo, a discussão qualificada sobre mercado, eficiência e estratégia torna-se fundamental. É nesse contexto que chega o 20º Fórum MilkPoint Mercado. Afinal, a virada do ano não muda o mercado da noite para o dia, mas redefine o ponto de partida das decisões. (E 2026 começa oficialmente onde o mercado lácteo sempre começa: no Fórum MilkPoint)


Sindilat destaca parceria de Ernani Polo nas pautas do leite gaúcho

Homenageado com o troféu Destaques 2025 do Sindilat, o secretário Ernani Polo, da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec), se despediu nesta  segunda-feira (12) do cargo no Executivo gaúcho fazendo uma prestação de contas. Ele volta a assumir sua cadeira na Assembleia Legislativa.

Com o Salão Negrinho do Pastoreio lotado de autoridades, lideranças empresariais e representantes de diversos setores produtivos do Rio Grande do Sul, Guilherme Portela, presidente do Sindilat, destacou a parceria construída. “Sempre foi um grande parceiro do setor, mantendo a porta aberta no governo, ao longo dos três exercícios em que esteve, na busca pela melhoria da competitividade do leite gaúcho”, afirmou o dirigente que esteve acompanhado do secretário executivo do sindicato, Darlan Palharini. 

Em sua manifestação, Polo agradeceu ao governador Eduardo Leite e ressaltou que a secretaria avançou na condução de projetos estratégicos para o desenvolvimento do Estado. “Foi, de fato, um trabalho de desenvolvimento, tocando em frente todos os projetos. Investidor aqui não fica sem resposta”, destacou, ao defender a continuidade dos investimentos no fortalecimento dos municípios, ressaltando a importância de políticas que estimulem o consumo de produtos locais e valorizem as cadeias produtivas. “Colocamos a casa em ordem e agora dá para olhar para a frente”, afirmou. (Assessoria de Imprensa Sindilat/Crédito: Gisele Ortolan)

Clima colabora para o bom desenvolvimento da safra

As principais culturas de verão das lavouras gaúchas estão com as semeaduras concluídas ou em vias de finalização e o clima tem colaborado para a arrancada e o desenvolvimento dos cultivos. O boletim Informativo Conjuntural, elaborado pela Emater/RS-Ascar, da semana passada, apresenta uma descrição positiva para a evolução dos dois principais grãos de sequeiro do verão, soja e milho, assim como para o arroz irrigado. E a previsão é que as precipitações sigam atendendo às necessidades das plantações nas próximas semanas.

“O que temos observado é, já desde meados de dezembro e, agora, no início de janeiro, a ocorrência de chuvas mais frequentes e com volumes bastante significativos em muitas regiões, num comportamento menos típico do La Niña e mais típico da influência de condições neutras, mas de uma situação de chuvas bastante volumosas”, descreve Loana Cardoso, pesquisadora da Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária, Desenvolvimento Sustentável e Irrigação e coordenadora do Conselho Permanente de Agrometeorologia Aplicada do Rio Grande do Sul (Copaaergs).

“A partir da metade de dezembro teve esse retorno das chuvas e uma probabilidade, um prognóstico, de que se deve ter uma continuidade nessa situação de chuvas frequentes, com intensidades variáveis, mas com uma frequência relativamente alta”, explica. “Temos um prognóstico, uma perspectiva, de uma safra seguindo muito boa”, projeta.

“Algumas áreas têm essa variabilidade muito característica do clima, da condição do Rio Grande do Sul de precipitações irregulares. Então, tem áreas onde vai ter mais volume e áreas onde vai ter menos volumes, mas de uma chuva mais regular em ocorrência, não de volume, que deve assim manter uma expectativa de safra boa para o Estado”, estima. Conforme ela, as lavouras de soja se mostram em bom desenvolvimento e uma expectativa positiva para a produção. (Correio do Povo)


Jogo Rápido
Leite
Para o setor lácteo gaúcho, que já soma crises devido à depreciação no preço do leite pago aos produtores, a aprovação do acordo UE-Mercosul é preocupante, já que foram preservados subsídios aos agricultores europeus que os brasileiros não têm (caso da Itália, que retirou impostos sobre fertilizantes após pressão do ramo), avalia o secretário-executivo do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados (Sindilat), Darlan Palharini, que defende uma política setorial. (Zero Hora)