Porto Alegre, 09 de janeiro de 2025 Ano 20 - N° 4.550
Governo gaúcho arrecadou R$ 53,8 bilhões de ICMS em 2025
O Rio Grande do Sul voltou a registrar em 2025 uma arrecadação anual de ICMS superior a R$ 50 bilhões, após ter alcançado este feito de forma inédita no ano anterior. Apesar disso, o registro de crescimento real, quando leva-se em conta o resultado da inflação no período, foi pouco expressivo, de 1,69%. Ainda assim, o governo gaúcho obteve uma arrecadação recorde de ICMS em valores nominais, isto é, sem considerar a inflação, e registrou o segundo ano seguido de aumento real na receita do imposto. O recolhimento deste tributo representou um total de R$ 53,82 bilhões em 2025, ante os R$ 50,75 bilhões de 2024.
Na comparação com 2024, ano marcado pelas históricas cheias de maio e em que os esforços econômicos para a reconstrução do Estado resultaram em aumento na arrecadação, o crescimento nominal – quando se desconsidera a inflação registrada no período – foi de 6%. Já o aumento real de 1,69% se dá por conta da previsão inflacionária para 2025 afirmada no último Boletim Focus, de 4,31%. Apesar do crescimento real acima de 1 ponto percentual em relação ao ano anterior, a Secretaria Estadual da Fazenda (Sefaz) destacou, em nota enviada à reportagem, que cerca de R$ 2 bilhões do total arrecadado de ICMS no ano passado são provenientes do Refaz Reconstrução, um programa estadual de renegociação de débitos tributários de empresas gaúchas. Se não fosse por esta iniciativa, o aumento arrecadatório nominal seria de apenas 2%, com uma queda real de 3% no resultado do recolhimento de 2025 em relação ao ano anterior.
O impacto do Refaz Reconstrução fica evidente naquele que foi o mês de maior arrecadação de ICMS na história do Rio Grande do Sul: em abril de 2025, foram recolhidos R$ 5,54 bilhões do imposto, única vez que o registro mensal superou R$ 5 bilhões. Deste total, cerca de R$ 1,1 bilhão – ou 20% – tiveram origem no programa estadual. Sobre as comparações entre as arrecadações de 2025 e do ano anterior, a Sefaz ponderou que 2024 foi um exercício atípico em termos de recolhimento tributário, justamente em razão da catástrofe que atingiu o Estado e demandou investimentos para a sua recuperação, que por consequência foram revertidos em um resultado arrecadatório maior que o estimado para o período. “Essa condição excepcional tende a distorcer as comparações entre os períodos”, disse a pasta sobre os resultados pós-enchentes. A excepcionalidade na arrecadação de 2024 pôde ser observada na diferença com o ano anterior. Em 2023, foram recolhidos R$ 44,73 bilhões de ICMS, o que significa que o resultado do ano seguinte registrou um crescimento nominal de 13% e real de 9%.
Vale destacar, porém, que o resultado de 2023 foi impactado negativamente por conta de legislações federais que alteraram o cálculo de tributação de combustíveis – Lei Complementar (LC) nº 192/2022 –, em que muitos artigos foram posteriormente revogados e beneficiaram as arrecadações estaduais, e pelo Rio Grande do Sul ter deixado de arrecadar naquele ano a Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição (TUSD) e a Tarifa de Uso do Sistema de Transmissão (TUST) da energia elétrica, algo que voltou à base do cômputo do ICMS em 2024, após decisão do Supremo Tribunal de Justiça (STJ). (Jornal do Comércio)
Emater/RS: Informativo Conjuntural 1901 de 08 de janeiro de 2026
BOVINOCULTURA DE LEITE
Os períodos de temperaturas elevadas e de elevada umidade exigiram ajustes no manejo dos rebanhos e maior atenção aos aspectos sanitários e de higiene na ordenha, visando à preservação da qualidade do leite e à prevenção de problemas sanitários. Em diversas regiões, houve necessidade de adoção de estratégias para a redução do estresse térmico, como adequação dos horários de pastejo, uso de ventilação e aspersão, além de suplementação alimentar nas horas mais quentes do dia. A oferta de forragem de boa qualidade contribuiu para a manutenção da produção e da saúde dos animais em parte das regiões. Porém, houve alguns registros de redução na produção em situações de estresse térmico mais intenso.
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Caxias do Sul, em propriedades com sistema à base de pasto, os produtores optaram por ajustar os horários de pastejo, priorizando as primeiras horas da manhã e o final da tarde. Houve atraso da ordenha matinal e antecipação da ordenha da tarde, e nos períodos mais quentes as vacas receberam suplementação com silagem e ração em cochos cobertos.
Na de Frederico Westphalen, a produção teve leve incremento. A sanidade do rebanho leiteiro segue satisfatória, apesar do aumento nos casos de infestação por moscas, especialmente mosca-dos-chifres, além de alguns relatos de presença de carrapatos.
Na de Ijuí, o período de elevada umidade dificultou as atividades de higiene dos animais durante a ordenha e o deslocamento dos rebanhos nos sistemas de produção a pasto. Nos sistemas confinados, houve leve aumento da umidade do material orgânico utilizado como substrato para a absorção dos dejetos, mas sem comprometer sua qualidade ou demandar substituição. Foram relatados problemas pontuais de falta de energia, que afetaram o resfriamento do leite, mas já foram solucionados.
Na de Pelotas, as altas temperaturas provocaram estresse térmico nos animais, levando à redução do consumo alimentar e da produção, o que exigiu maior atenção ao manejo de sombra, à disponibilidade de água e à alimentação dos rebanhos.
Na de Passo Fundo e na de Santa Maria, a oferta de forragem de boa qualidade tem favorecido a produção de leite e a manutenção da saúde dos animais.
Na de Santa Rosa, foram intensificados os cuidados com a higienização dos tetos antes da ordenha, visando à manutenção da qualidade do leite e à prevenção de mastite. Em razão das condições de elevada umidade e de calor, ocorreram problemas pontuais de casco no rebanho, especialmente em áreas de várzea.
Em Cândido Godói, as temperaturas altas reduziram o tempo de pastejo dos animais, e houve registros de queda de até 18% na produção diária, tornando necessária a suplementação alimentar para evitar maiores perdas. (Fonte: Emater/RS)
BOLETIM INTEGRADO AGROMETEOROLÓGICO No 02/2026 – SEAPI
Nos próximos dias, a formação de um ciclone extratropical ao sul do Rio Grande do Sul deverá provocar instabilidade e contribuir para a reposição da umidade do solo na Região Sul. Em 09/01 (sexta-feira), um sistema de baixa pressão manterá o tempo instável em todo o RS. Em razão da temperatura e da umidade elevadas, há possibilidade de temporais isolados, com queda de granizo e ventos fortes. A chuva ocorrerá principalmente na Metade Oeste e na faixa de fronteira com o Uruguai pela manhã, espalhando-se ao longo do dia para as regiões Central, Norte e Leste. As temperaturas máximas atingirão 34 °C na Região Metropolitana e Norte.
Em 10/01 (sábado), áreas de instabilidade se espalharão pelo Rio Grande do Sul, associadas à formação de um ciclone extratropical sobre o Uruguai. Haverá rajadas de vento de até 80 km/h no Litoral Sul e na faixa continental adjacente durante a madrugada, e chuva ao longo do dia na Região Sul. Há possibilidade de tempestades isoladas, com ventos fortes e queda de granizo, nas regiões Norte, Nordeste e Leste. A temperatura máxima deve chegar a 32 °C na Região Metropolitana. Em 11/01 (domingo), um sistema de baixa pressão atuará no RS, mantendo nebulosidade e condições favoráveis à chuva no Norte, Nordeste e Litoral Norte. As temperaturas máximas atingirão 23 °C no Sul e na Serra, e 28 °C na Região Metropolitana.
A previsão indica uma próxima semana ensolarada, com pouca nebulosidade e aumento gradual das temperaturas, beneficiando os trabalhos rurais. Em 12/01 (segunda-feira), o dia amanhecerá com sol e poucas nuvens no Estado; ao longo do dia, a nebulosidade aumenta e áreas de instabilidade favorecem pancadas de chuva fracas e isoladas no Norte e no Nordeste do RS. A temperatura máxima deve atingir 30 °C no Oeste.
Em 13/01 (terça-feira), um sistema de alta pressão garantirá o predomínio do sol pela manhã; à tarde, o aquecimento e a umidade disponível favorecerão o desenvolvimento de nebulosidade. A temperatura máxima deve chegar a 33 °C na Região Central e no Noroeste. Em 14/01 (quarta-feira), o sistema de alta pressão seguirá atuando, mantendo sol e poucas nuvens pela manhã; à tarde, o céu deve ficar nublado, sem chuva no Estado. As temperaturas máximas devem atingir 35 °C no Oeste e na Metade Sul. (Boletim Agrometerologico/SEAPI)
Jogo Rápido
Produtores do Norte do RS investem em leite A2A2 no RS
Mudança genética no rebanho permite bebida mais leve e digestiva. CLIQUE AQUI para assistia a reportagem. (Jornal do Almoço/RBSTV)