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28/05/2018

 
 
 

Porto Alegre, 28 de maio de 2018                                              Ano 12 - N° 2.744

 

MPs são publicadas, mas cargas seguem retidas no RS
 
Apesar das Medidas Provisórias (MPs) publicadas ainda na noite de domingo (27/5) pelo presidente Michel Temer com concessões aos caminhoneiros, diversas cargas seguem retidas nas estradas do Rio Grande do Sul, entre elas caminhões tanque de leite cru e insumos para as indústrias. Diante da grave situação, o Conselho Paritário de Produtores e Indústrias (Conseleite/RS) e seus associados manifestam sua consternação com a continuidade dos bloqueios de cargas.

Apesar do acordo que prevê retomada do transporte de produtos, pouco se viu de efetivo na manhã desta segunda-feira (28/5), o que torna crítica a situação financeira de 65 mil famílias que vivem do leite no Rio Grande do Sul. A cada dia, perde-se cerca de 8 milhões de litros de leite, o que é fonte de sustento para 300 mil pessoas sem contar o efeito cascata da falta desses recursos nas economias municipais.

O Conseleite alerta que a demora na retomada da produção industrial e da coleta de leite no campo pode levar ao colapso financeiro centenas de tambos gaúchos que já enfrentavam, desde antes da greve, a pior rentabilidade da atividade em anos. Consciente de seu papel pelo desenvolvimento do setor lácteo e de todo o Rio Grande do Sul, o Conseleite conclama os líderes do movimento grevista e os próprios caminhoneiros a se solidarizem com o setor, viabilizando a chegada, o mais rápido possível, de insumos aos laticínios para que, tão logo as plantas fabris estejam reabastecidas, a captação de leite possa ser retomada a pleno. 

 
Pedrinho Signori, presidente do Conseleite e da Fetag

Alexandre Guerra, presidente do Sindilat

Jorge Rodrigues, coordenador da Comissão de Leite da Farsul

Sergio Luiz Feltraco, diretor executivo da Fecoagro (Assessoria de Imprensa Sindilat)

 
 
Prejuízos milionários
A imagem da foto sintetiza a situação da maior parte das indústrias de leite no Estado. As máquinas estão paradas, sem operar. E não é apenas pela dificuldade de recolher leite nas propriedades. Faltam outros materiais, como embalagens e produtos químicos para a limpeza das instalações. Ao mesmo tempo, os estoques estão abarrotados. Isso significa que, mesmo com a normalização da coleta, só será possível retomar o processamento quando essa carga for despachada. - Enquanto não houver uma solução sistêmica, não conseguiremos captar o leite que está nas propriedades. 
 
A primeira necessidade hoje é tirar estoques de dentro das fábricas. As ações pontuais de liberação são meramente paliativas - afirma Guilherme Portella, diretor de Comunicação Externa, Assuntos Regulatórios e Corporativos da Lactalis do Brasil. Na Cooperativa Santa Clara (foto), a linha de leite UHT segue sem atividade. O volume que precisa ser descartado começa a aumentar. Estimativa do Sindicato das Indústrias de Laticínios e Produtos Derivados (Sindilat-RS), com base na quantidade que deixou de ser recolhida, é de que 32 milhões de litros de leite foram perdidos. - É muito leite fora, muito prejuízo. Cada dia piora, quem tinha condições de segurar a produção, não consegue fazer isso por cinco, seis dias - lamenta Carlos Joel da Silva, presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado (Fetag-RS). Há regiões em que os produtores foram para a frente das indústrias, na tentativa desesperada de conseguir entregar o leite. Mas com outros insumos em falta, nem isso viabiliza a operação. (Zero Hora)
 
 
Rentabilidade negativa nas fazendas

Rentabilidade/AR - Segundo cálculos do Departamento de Economia do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA) divulgados pelo Observatório da Cadeia Láctea Argentina (OCLA), a rentabilidade média ponderada de todas as regiões leiteira foi em fevereiro, março, e abril passados, -0,1%, -0,2%, e -03%, respectivamente, contra 2,4%, 2,5% e 3%, nos mesmos meses de 2017.

Segundo o boletim do INTA, o custo de produção de leite é de 6,27 pesos (média ponderada) para abril de 2018, e o preço pago ao produtor ao nível nacional segundo a agroindústria foi de 6,12 pesos por litro. Deve-se levar em consideração que as condições das forragens, soja e milho não são as ideias na Argentina e no Uruguai, e logicamente impacta diretamente no aumento dos custos. No entanto, a produção de leite continua crescendo em abril, totalizando 776 milhões de litros.

A produção de leite no Brasil diminuiu, em parte devido ao fechamento de pequenas e médias propriedades, principalmente me decorrência de preços baixo do leite e também pela elevação dos custos de produção. No Chile, a produção de leite, não é suficiente para atender as necessidades das indústrias. Consequentemente a importação de lácteos está crescendo, principalmente a procedente dos Estados Unidos, e deve aumentar no segundo trimestre. As importações dos Estados Unidos para o Chile não estão sujeitas a tarifas alfandegárias, graças ao Acordo de Livre Comércio Transpacífico (TPP). Os preços de exportação do leite em pó desnatado aumentaram ligeiramente na América do Sul, permanecendo, significativamente,  mais altos do que os valores da Europa e da Oceania. (ON24 - Tradução Livre: www.terraviva.com.br)

Perspectivas do mercado lácteo - América do Sul - Relatório 21/2018 de 24 de maio de 2018

Leite/América do Sul - A produção nas fazendas está entre estável e aumentando na Argentina, com o clima sendo mais favorável e um melhor conforto animal. 
A produção de janeiro a abril de 2018 subiu 9,38%, de acordo com informações governamentais, quando comparada com o mesmo período de 2017. Ao contrário do que ocorreu no ano passado, a oferta de leite cru é mais do que suficiente para atender as necessidades da indústria. Mesmo com crescimento da oferta de leite cru, os preços também estão elevados incentivando os produtores a manterem a produção em alta. O mercado para a matéria gorda continua firme, mesmo com melhoria da oferta. No Uruguai a produção vem melhorando continuamente, dentro dos padrões sazonais de outono, atendendo adequadamente as necessidades das indústrias. A maior parte do creme já está comprometida para atender contratos já firmados. Assim, várias indústrias estão tendo dificuldades em encontrar manteiga no mercado spot. No entanto, existe boa movimentação na fabricação de queijo e empacotamento de leite fluido.

No Brasil, a chuva voltou nos principais estados produtores de leite, dificultando a produção em muitas fazendas. No entanto, esta humidade está beneficiando a qualidade das pastagens e o milho da segunda safra. De um modo geral, no entanto, a oferta de leite cru está menor do que as necessidades de processamento, exceto para o leite fluido e queijo. As importações brasileiras de lácteos dos países vizinhos voltaram a subir. (Usda - Tradução Livre: Terra Viva)

 
 
 

França reduz suas importações de leite em 45% devido ao programa 'Made in France'
Os consumidores franceses preferem leite que vem da França. Essa preferência permitiu que entre 2015 e 2017, as importações de leite na França caíssem 45%. Este intervalo de tempo é o período em que a rotulagem da origem do leite esteve em vigor, como mostrou a Syndilait, que é uma organização profissional que reúne a maioria dos fabricantes de leite na França. O "Made in France" é um ativo para o leite fluido. Para 8 em cada 10 franceses, a origem francesa é garantia de qualidade, segundo uma pesquisa realizada pela organização francesa, CNIEL em 2017. O logótipo "Leite recolhido e embalado na França" foi lançado em 2014. Atualmente está presente em mais de 60% das garrafas e caixas comercializadas na França. A Syndilait argumentou que o preço mínimo pelo qual um litro de leite deveria ser vendido seria de 1 euro (US$ 1,17), valor que permitiria que a cadeia de produção fosse reavaliada e isso não causaria tanta surpresa ao consumidor como alguns querem fazer crer. (As informações são do Agrodigital, traduzidas pela Equipe MilkPoint)

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