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Crise deve poupar segmento do leite longa vida no país

valorA crise na economia brasileira ¬ que já vive um cenário de aumento do desemprego ¬ não deve afetar o consumo de leite longa vida (ou UHT) no país este ano, avalia Cesar Helou, novo presidente da Associação Brasileira de Leite Longa Vida (ABLV), que acaba de assumir o cargo.

Por se tratar de um produto básico, que está praticamente todos os dias na mesa do brasileiros, e de baixo valor, seu consumo deve ser poupado. Diferentemente de outros itens lácteos mais caros. A expectativa da ABLV é que o crescimento da demanda seja semelhante à vista no ano passado, quando a produção de leite longa vida somou 6,6 bilhões de litros, um aumento de 3,4% sobre 2013. “Deve crescer algo parecido com isso ou perto disso”, projetou, em entrevista ao jornal Valor Econômico. A estimativa é de que esse mercado tenha movimentado cerca de R$ 15 bilhões no ano passado.

De acordo com Helou, que é sócio do Laticínios Bela Vista, o consumo de leite longa vida deve continuar avançando em regiões como o Norte do país, onde os volumes ainda são baixos na comparação com outras áreas do Brasil, pois o produto mais demandado ainda é o leite em pó. Além disso, o consumo deve seguir crescendo nas camadas mais pobres, nas quais ainda há espaço para avançar.

No ano que passou o leite UHT voltou a ganhar terreno sobre o produto pasteurizado, segundo o presidente da ABLV. O consumo desse tipo de produto caiu 9%, para 1,220 bilhão de litros no país. Já a demanda por leite em pó ficou praticamente estável, com 2,920 bilhões de litros.

Cesar Helou afirmou, sem citar números, que as bebidas à base de soja ¬ uma opção para as pessoas com intolerância à lactose ¬ também têm perdido espaço para o leite longa vida. Isso porque aumentou a oferta de leite sem lactose no mercado brasileiro.

Eleito por dois anos em substituição a Cláudio Teixeira, do laticínio Italac, o novo presidente da ABLV disse que sua preocupação é com 2016. “Se o país não conseguir uma virada [na economia] até fim do ano, as pessoas podem não ter dinheiro [para consumo de produtos básicos]”, afirmou. “Se o emprego e o crescimento não voltarem, até o consumo de alimentos será afetado”, acrescentou.

Embora não esconda a preocupação, Helou disse estar “confiante” que o ministro da Fazenda Joaquim Levy conseguirá promover tal “virada”, com a consequente volta do crescimento do país e dos níveis de emprego.

Mesmo com uma certa calmaria no consumo atualmente, a expectativa de Helou é de que os preços praticados pela indústria de leite longa vida subam no primeiro semestre. Isso porque não há grandes estoques nem no varejo nem na indústria e a oferta de leite cru é menor por conta da seca. “O preço da matéria¬prima já está subindo”. Ele considera, porém, que “o consumidor não deve sentir tanto porque a margem do varejo já está alta”. Assim, haveria menos terreno para valorização no varejo.

O último levantamento da Scot Consultoria para os preços do leite ao produtor ¬ referente ao pagamento de março ¬ mostra alta de 1% na cotação, para um valor médio de R$ 0,894 por litro no país. Já o leite longa vida no atacado subiu entre a segunda quinzena de março e a primeira de abril, conforme a pesquisa da Scot, saindo de R$ 2,07 o litro para R$ 2,10. A média é apurada com base em dados dos mercados paulista, goiano e mineiro. No varejo, com dados de São Paulo e do interior paulista, o preço teve leve queda na mesma comparação, segundo a Scot, de R$ 2,76 para R$ 2,75 o litro, em média.

Após a queda na oferta de leite para processamento no primeiro semestre, Helou estima que a disponibilidade deve crescer a partir de julho, principalmente com a perspectiva de uma safra “muito boa” no Sul e “chuvas normais” no fim do ano em Goiás e Minas Gerais, importantes bacias leiteiras do país.

Isso significa pressão sobre as cotações. Mas se o câmbio estiver favorável, poderá estimular as exportações de lácteos, reduzindo a oferta interna, ponderou o presidente da ABLV.

À frente de um setor com margens baixas e presidindo um entidade cujos 31 associados respondem por mais de 80% da produção brasileira de leite longa, Helou disse que sua gestão seguirá três vertentes. Uma delas é a implementação de um trabalho em relação à política de resíduos sólidos, com o objetivo de ampliar a reciclagem das embalagens longa vida.

Além disso, a ABLV buscará melhorias nas estatísticas sobre o setor de lácteos, “para poder adotar políticas alinhadas com a realidade do setor”, segundo o dirigente. Outra vertente é tentar melhorar a imagem do segmento de longa vida. “A imagem do longa vida vem melhorando muito, mas pode melhorar mais, e o Ministério da Agricultura pode ajudar”, afirmou Helou. Em sua avaliação, o ministério poderia tomar medidas para incentivar o consumo de leite e também aprimorar os programas de capacitação de produtores. (Valor Econômico)

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