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07/07/2016

Porto Alegre, 07 de julho de 2016                                                Ano 10- N° 2.304

 

 Balança comercial de lácteos: em 6 meses, déficit na balança de lácteos supera 2015

A balança comercial de lácteos teve um déficit de 22 mil toneladas em junho, uma leve redução de 1% sobre o déficit apresentado no mês anterior. Em valores, o déficit da balança de lácteos foi de US$ 53,8 milhões.

Tabela 1. Exportações e importações por categoria de produto.
 
Fonte: MDIC

As exportações apresentaram queda de 4,3% em volume e de 12,7% em valor. Em junho, foram exportadas 3,6 mil toneladas de produtos lácteos, contra 3,7 mil toneladas em maio. Na comparação com junho de 2015, há uma queda de 25,4% das exportações. As importações também apresentaram queda (-1,5% em relação a maio). O leite em pó integral apresentou queda de 16% no volume importado, mas ainda assim com o expressivo volume de 15 mil toneladas importadas. Já o leite em pó desnatado teve uma alta relevante, de 38% sobre maio, chegando a 2,4 mil toneladas. Outros itens como soro de leite (+29%) e manteigas (+89%) e queijos (+ 10%) também apresentaram aumentos expressivos nos volumes internalizados. 

As importações de leite em pó (tanto integral quanto desnatado), vieram, em grande parte, do Uruguai, país que foi origem de 73% das compras do produto no mês de junho. Outras 3,3 mil toneladas vieram da Argentina (19,1% do total), mil toneladas do Chile (5,6% do total) e 382 toneladas dos EUA (2,2% do total importado). Analisando as quantidades em equivalente-leite (a quantidade de leite utilizada para a fabricação de cada produto), a quantidade importada foi de 190,5 milhões de litros em junho, queda de 5,4% em relação a maio. No entanto, os níveis continuam elevados: na comparação com junho de 2015, o aumento nas importações em equivalente-leite é de 97%. 

Já as exportações em equivalente-leite seguem sem grandes volumes, com 22 milhões de litros de leite exportados em junho (-8,9% em relação a maio). Devido a isso, o saldo da balança comercial de lácteos foi negativo em 170 milhões de litros. No ano, o déficit da balança comercial de lácteos é de 690,5 milhões de litros, volume maior que todo o déficit do ano de 2015 que havia sido de 563,4 milhões de litros. (MilkPoint, a partir de dados do MDIC)

Gráfico 1. Saldo mensal da balança comercial de lácteos em equivalente-leite (milhões de litros/mês).

 
 
Leite segue em alta no país; lá fora, recuperação só em 2017

Enquanto os preços internacionais de lácteos seguem em níveis historicamente baixos, as cotações domésticas continuam a subir, e ainda não está claro quando a alta dará uma trégua. Levantamento da MilkPoint indicou aumento de 14,3% nos preços médios do leite no mercado spot (negociação entre laticínios) no Brasil, nas transações para entrega do produto na primeira quinzena de julho em comparação ao período anterior. A cotação do leite subiu R$ 0,27, para R$ 2,16 por litro. A valorização no spot reflete as altas do leite longa vida e do queijo mozzarela no atacado, observou Valter Galan, analista da MilkPoint. Em junho, segundo ele, o leite longa subiu R$ 0,66, para R$ 3,79 por litro no atacado de São Paulo. Já o queijo teve alta de R$ 4,39 por quilo no período, para R$ 21,79. 

Os preços no spot e ao produtor têm subido por conta da menor oferta de leite no país. A estimativa da MilkPoint é que tenha havido recuo entre 6% e 7% na produção no semestre em relação a igual período de 2015. Segundo o IBGE, no primeiro trimestre, a retração foi de 4,5%, para 5,86 bilhões de litros. A expectativa de Galan é que o ritmo de queda da produção diminua no semestre atual. "A relação de troca com os insumos para o produtor deve melhorar", disse. Desde a segunda metade de 2015, a alta do milho vinha desestimulando o investimento na alimentação do gado, o que afetou a produção de leite no país. Mas agora os preços do grão começaram a cair com a colheita da safrinha. Embora haja expectativa de que a oferta de leite comece a melhorar neste semestre, o que pode desacelerar a alta, ainda haveria espaço para repasses aos produtos finais no varejo, segundo Galan. 

Isso porque, apesar de terem registrado alta expressiva, subiram menos que no atacado. Entre janeiro e junho, os preços nominais do longa vida no atacado subiram 63,2%, considerando as médias mensais. No varejo, tiveram alta de 35,8%, conforme dados compilados pela MilkPoint. No mercado internacional, que tem registrado estabilidade recentemente, a expectativa é de que os preços dos lácteos comecem a subir no primeiro semestre de 2017, segundo o holandês Rabobank. Mas, em relatório divulgado ontem, o banco admite que os altos níveis de estoques e a demanda global ainda fraca por lácteos podem ameaçar a recuperação prevista. Outro fator que pode afetar a recuperação é a decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia. O enfraquecimento do euro em relação ao dólar por conta do Brexit aumentaria a competitividade dos lácteos europeus na exportação. Isso reduziria o nível dos estoques na UE, mas colocaria pressão sobre as cotações internacionais, já que manteria os preços ao produtor de leite europeu em níveis favoráveis. 

Diante do atual cenário ¬ de oferta ainda crescente de lácteos na União Europeia, EUA e Nova Zelândia e de uma demanda que patina na Rússia e cresce pouco na China ¬, o Rabobank prevê um aperto na oferta no ano que vem. Isso, à medida que os pecuaristas ao redor do mundo ajustem a produção como reflexo dos preços baixos. "Produção menor e aumento estável da demanda nos EUA e Europa irão significar que os excedentes exportáveis na maior parte das regiões exportadoras serão dramaticamente reduzidos". Isso representaria, calcula o banco, uma redução de mais de 1,5 milhão de toneladas nos volumes disponíveis no segundo semestre para atender o mercado global. (Valor Econômico)

 
O faturamento das exportações uruguaias caiu 12% no primeiro semestre do ano
O faturamento do Uruguai foi de US$ 273 milhões, na metade de 2016. As exportações de lácteos no primeiro semestre do ano caíram 12% em valor em relação ao primeiro semestre de 2015. Totalizaram US$ 273 milhões, de acordo com dados da Alfândega, processados pelo Instituto Uruguai XXI, publicados no site lecheriauy.com.
A queda foi registrada "apesar do Brasil, o principal destino das exportações do setor, ter aumentado em 44% as compras quando comparadas com o primeiro semestre de 2015", detalha o boletim mensal de comércio exterior. O Brasil foi de longe, o principal destino dos lácteos locais em valor, totalizando US$ 158 milhões, no acumulado de janeiro a junho. Leite em pó, queijo e manteiga foram os principais produtos exportados. Em segundo lugar ficou a Argélia, com US$ 30 milhões, e em terceiro lugar esteve a Rússia, com US$ 20 milhões. O Brasil foi o principal mercado para os lácteos uruguaios no primeiro semestre do ano. Destinos como México, Argélia, e Venezuela tiveram o maior percentual de retração nas vendas do setor. As compras da Argélia e do México caíram pela metade em relação ao mesmo período do ano passado, e a Venezuela, praticamente não houve alteração. De acordo com o boletim, os preços explicam a retração nas vendas de lácteos, com uma queda inter anual de 16%, ainda que nos casos do leite em pó e queijos as reduções nos preços tenham sido maiores. "Vale lembrar que a perda do mercado venezuelano influenciou a mencionada queda de preços, já que as colocações nesse país eram realizadas a preços médios maiores do que os outros mercados", destacou o Uruguay XXI. (El Observador, Tradução Terra Viva)
 

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