{"id":8652,"date":"2022-01-03T18:30:55","date_gmt":"2022-01-03T18:30:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sindilat.com.br\/site\/?p=8652"},"modified":"2022-01-03T18:35:17","modified_gmt":"2022-01-03T18:35:17","slug":"03-01-2022","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sindilat.com.br\/site\/2022\/01\/03\/03-01-2022\/","title":{"rendered":"03\/01\/2022"},"content":{"rendered":"<figure class=\"wp-block-image\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/dl.dnzdns.com\/v\/uuURf8ABF0257\" alt=\"Newsletter Sindilat_RS\" width=\"1159\" height=\"207\"><\/figure>\r\n<p style=\"text-align: justify;\"><!-- \/wp:post-content -->\r\n\r\n<!-- wp:paragraph --><\/p>\r\n<p style=\"text-align: justify;\">Porto Alegre, 03 de janeiro de 2022&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Ano 15 - N\u00b0 3.567<\/p>\r\n<hr>\r\n<div style=\"text-align: justify;\"><b>\u201cPrecisamos democratizar as boas pr\u00e1ticas\u201d<br><\/b><br>Desafio do pa\u00eds para tornar a agropecu\u00e1ria mais eficiente passa por acesso ao cr\u00e9dito e, principalmente, a novas tecnologias de emiss\u00e3o<br><br>POT\u00caNCIA MUNDIAL NA PRODU\u00c7\u00c3O de alimentos, o Brasil acaba de assumir novos compromissos com o planeta. Durante a COP26, realizada em Glasgow, na Esc\u00f3cia, em meados de novembro, o pa\u00eds e outras mais de 100 na\u00e7\u00f5es firmaram um papel importante no atingimento dessa meta, considerada crucial no combate ao aumento da temperatura terrestre. Para chegar l\u00e1, por\u00e9m, h\u00e1 um longo trecho a ser percorrido pelos produtores rurais, e isso inclui sobretudo, facilitar o acesso de pequenos e m\u00e9dios ao cr\u00e9dito e as novas tecnologias de baixa emiss\u00e3o de gases do efeito estufa. Na vis\u00e3o da ministra da agricultura, Tereza Cristina, esse \u00e9 um dos maiores desafios do agro brasileiro. Na entrevista a seguir, ela fala sobre o futuro do cr\u00e9dito no Brasil e do papel que o governo e a iniciativa privada, al\u00e9m da pesquisa, devem ter para conduzir a agropecu\u00e1ria a uma produ\u00e7\u00e3o 100% sustent\u00e1vel.<br><br><b>GLOBO RURAL:&nbsp;<\/b>&nbsp;<i>O cr\u00e9dito rural de hoje \u00e9 suficiente para financiar a agricultura moderna brasileira?<\/i><br><b>TEREZA CRISTINA:<\/b>&nbsp;Desde que cheguei ao minist\u00e9rio, a gente vem trabalhando, porque os recursos oficiais n\u00e3o s\u00e3o suficientes para suprir as necessidades. Isso porque o agro cresceu muito. E esse crescimento fez com que, mesmo aumentando, todos os anos, o cr\u00e9dito oficial, que \u00e9 o Plano Safra, a gente sabe que \u00e9 insuficiente. Ent\u00e3o, n\u00f3s tomamos a decis\u00e3o de atender aos pequenos produtores, aumentando o Pronaf muito mais do que era antes. Criamos a Lei do Agro, porque a\u00ed o grande vai ao mercado buscar recursos. Antes, s\u00f3 com CPR e CRA, t\u00ednhamos seis produtos que podiam ter CRA. Quando n\u00f3s fizemos a Lei do Agro, aumentamos para 60 produtos que cobrem e que podem tomar dinheiro atrav\u00e9s desses t\u00edtulos. Enfim, voc\u00ea tem a\u00ed uma s\u00e9rie de melhorias, e agora o CPR Verde.&nbsp;<br><br><b>GR:<\/b>&nbsp;<i>Sobre isso, os especialistas dizem que ainda faltam crit\u00e9rios para calcular quanto cada \u00e1rea geral de servi\u00e7os ambientais.<\/i><br><b>TC:&nbsp;<\/b>Essas regulamenta\u00e7\u00f5es agora v\u00e3o come\u00e7ar a acontecer com agilidade, e a\u00ed esses mercados v\u00e3o se formar. Eu ainda n\u00e3o sei como isso vai ser na pr\u00e1tica, mas vai acontecer muito rapidamente, at\u00e9 porque o brasileito gosta mesmo de tecnologia. Voc\u00ea viu o pix, n\u00e9? Foi um sucesso em pouqu\u00edssimo tempo.&nbsp;<br><br><b>GR:&nbsp;<\/b><i>O cr\u00e9dito oficial a senhora acredita que vai ficar concentrado e direcionado para os pequenos produtores?<\/i><br><b>TC:<\/b>&nbsp;Sim, acho que com as dificuldades de or\u00e7amento, enquanto a gente n\u00e3o tiver reformas mais profundas e que deixem o governo menos engessado nessas despesas obrigat\u00f3rias de or\u00e7amento, cada vez mais vamos ter ferramentas financeiras para os grandes e os pequenos v\u00e3o ter mais cr\u00e9dito oficial.&nbsp;<br><br><b>GR:<\/b>&nbsp;<i>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s metas que o BR assumiu na COP26, como vamos fazer as boas pr\u00e1ticas ganharem escala para diminuir as emiss\u00f5es?<\/i><br><b>TC:<\/b>&nbsp;O problema do BR \u00e9 que n\u00f3s temos um universo muito grande de produtores em um pa\u00eds continental. Temos v\u00e1rias boas pr\u00e1ticas de manejo diferentes e temos tecnologia para mitiga\u00e7\u00e3o de gases de efeito estufa, seja metano e carbono, mas precisamos democratizar isso, ter mais gente utilizando. A Embrapa j\u00e1 tem muitas tecnologias que podem ser usadas pelos pequenos. N\u00f3s precisamos capacitar nossa assist\u00eancia t\u00e9cnica para que fa\u00e7a essas tecnologias, essa inova\u00e7\u00e3o que j\u00e1 temos, chegar at\u00e9 o pequeno produtor. N\u00e3o quer dizer que n\u00f3s temos a solu\u00e7\u00e3o para tudo, mas acho poss\u00edvel cumprir a meta com o que n\u00f3s j\u00e1 temos e com o que estamos fazendo na pesquisa por meio das nossas universidades e da Embrapa. No pr\u00f3ximo plano safra, n\u00f3s temos de colocar mais recursos para que mais gente tenha acesso e fazer com que essas tecnologias cheguem at\u00e9 os produtores m\u00e9dios e pequenos.<br><br><b>GR:&nbsp;<\/b><i>E como ser\u00e1 o \u201cPlano Safra totalmente verde\u201d, que o minist\u00e9rio pretende anunciar al\u00e9m do programa ABC+?<\/i><br><b>TC:&nbsp;<\/b>Na verdade o ABC \u00e9 um programa com muitas a\u00e7\u00f5es em diversos segmentos da agropecu\u00e1ria. O Plano Safra n\u00e3o. Ele \u00e9 financiamento, mas vai financiar prioritariamente essas a\u00e7\u00f5es do ABC. Ent\u00e3o, no ABC fazendo recupera\u00e7\u00e3o de pastagens, lavoura e pecu\u00e1ria integrada, fazendo qualquer tipo de integra\u00e7\u00e3o, ou seja com floresta ou sem floresta. Ou alguma coisa nova de tecnologia sustent\u00e1vel, como biog\u00e1s e biomassa. N\u00f3s j\u00e1 temos contemplado nesse ano no Plano Safra e queremos colocar mais recursos com o ABC.&nbsp;<br><br><b>GR:<i>&nbsp;<\/i><\/b><i>O ABC+ vai dobrar ou triplicar os recursos? Existe essa inten\u00e7\u00e3o?<\/i><br><b>TC:<\/b>&nbsp;Isso n\u00e3o d\u00e1 pra dizer porque isso n\u00e3o depende s\u00f3 do governo. O que vamos trabalhar agora \u00e9 na meltofologia de aferi\u00e7\u00e3o. \u00c9 importante a gente saber o que emite. O BR tinha uma meta colocada em 2015&nbsp; que tinha carbono e metano equivalente e n\u00e3o especificava. Agora o que vamos fazer \u00e9 medir cada g\u00e1s.&nbsp; (Revista Globo Rural)<\/div>\r\n<hr>\r\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Aspectos bioqu\u00edmicos da matura\u00e7\u00e3o de queijos<br><\/b><br>O queijo \u00e9 um produto bioquimicamente din\u00e2mico e passa por mudan\u00e7as significativas durante a matura\u00e7\u00e3o. A matura\u00e7\u00e3o \u00e9 a parte final da fabrica\u00e7\u00e3o de queijos e sua dura\u00e7\u00e3o pode variar de quatro semanas at\u00e9 dois anos ou mais, dependendo do queijo.<br><br>\u00c9 nesta etapa que ocorrem transforma\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00f3 qu\u00edmicas e bioqu\u00edmicas, mas tamb\u00e9m microbiol\u00f3gicas que resultam no desenvolvimento de sabor, aroma, apar\u00eancia e textura, t\u00edpicos de cada variedade de queijo (McSWEENEY; SOUSA, 2000).<br><br>As principais rea\u00e7\u00f5es bioqu\u00edmicas que ocorrem na matura\u00e7\u00e3o de queijos s\u00e3o: metabolismo residual da lactose e do citrato (tamb\u00e9m conhecidos como glic\u00f3lise), libera\u00e7\u00e3o de \u00e1cidos graxos livres e glicerol (lip\u00f3lise) e degrada\u00e7\u00e3o da matriz de prote\u00edna em pept\u00eddeos e amino\u00e1cidos, fen\u00f4meno conhecido por prote\u00f3lise (FOX et al., 2012).<br><br><i>Metabolismo da lactose e do citrato (glic\u00f3lise)<br><\/i>Durante o processo de fabrica\u00e7\u00e3o de queijos, a lactose \u00e9 convertida em \u00e1cido l\u00e1tico pela a\u00e7\u00e3o das bact\u00e9rias l\u00e1ticas. J\u00e1 o \u00e1cido l\u00e1tico pode ser metabolizado e dar origem a outros compostos, conforme ilustrado na Figura 1. Com a produ\u00e7\u00e3o de \u00e1cido, ocorre redu\u00e7\u00e3o do pH da massa que pode alcan\u00e7ar valores que variam de 4,5 a 5,2, dependendo do tipo de queijo (FOX et al., 2012).<br><br>Figura 1. Fermenta\u00e7\u00e3o da lactose em queijos.<br><br><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/dl.dnzdns.com\/v\/NQdz62ABF0213\" alt=\"\" data-cke-saved-src=\"https:\/\/dl.dnzdns.com\/v\/NQdz62ABF0213\">&nbsp;<br><br>A fermenta\u00e7\u00e3o da lactose em \u00e1cido l\u00e1tico promove mudan\u00e7as no pH da massa de queijo ainda no tanque e nas primeiras 48 horas de matura\u00e7\u00e3o. A velocidade da fermenta\u00e7\u00e3o depende da concentra\u00e7\u00e3o de sal, da temperatura do processo e do n\u00famero de bact\u00e9rias l\u00e1cticas ativas presentes (FOX et al., 2012).<br><br>Esta produ\u00e7\u00e3o de \u00e1cido pode afetar algumas caracter\u00edsticas do queijo de forma direta ou indireta, por meio da influ\u00eancia na: sin\u00e9rese do gr\u00e3o (e tamb\u00e9m teor de umidade do queijo); reten\u00e7\u00e3o de c\u00e1lcio\/desmineraliza\u00e7\u00e3o (que pode afetar a textura do queijo e possibilitar alguns defeitos como o aparecimento de trincas, se n\u00e3o controlado); reten\u00e7\u00e3o de coalho\/coagulante na massa e mudan\u00e7a da sua atividade (que pode influenciar na prote\u00f3lise do queijo) e, por fim, influ\u00eancia na multiplica\u00e7\u00e3o de bact\u00e9rias contaminantes (a acidez do queijo pode inibir alguns tipos de bact\u00e9rias n\u00e3o desej\u00e1veis durante a matura\u00e7\u00e3o) (FOX et al., 1990).<br><br>A maior parte da lactose (98%) \u00e9 perdida no soro durante a fabrica\u00e7\u00e3o do queijo. A lactose residual da massa \u00e9 metabolizada em lactato nos primeiros est\u00e1gios da matura\u00e7\u00e3o, em circunst\u00e2ncias normais. O completo e r\u00e1pido metabolismo dos res\u00edduos de lactose na massa \u00e9 essencial para a produ\u00e7\u00e3o de um queijo de boa qualidade (FOX et al., 2012).<br><br>Em alguns tipos de queijo, o lactato pode ser substrato de outros microrganismos, como \u00e9 o caso dos queijos com olhaduras propi\u00f4nicas (ou queijos tipo Su\u00ed\u00e7os, por exemplo, queijo Emmental). Nesses queijos, o lactato \u00e9 convertido em propionato, acetato e CO2 pelas bact\u00e9rias propi\u00f4nicas \u2014Propionibacterium freudenreichii subsp. freudenreichii e Propionibacterium freudenreichii subsp. shermanii. Estes compostos s\u00e3o respons\u00e1veis pelo gosto adocicado dos queijos tipos su\u00ed\u00e7os e tamb\u00e9m pela forma\u00e7\u00e3o das olhaduras (FOX et al., 1990).<br><br>A produ\u00e7\u00e3o de lactato tamb\u00e9m \u00e9 fundamental para produ\u00e7\u00e3o de queijos maturados por fungos filamentosos (popularmente conhecidos como queijos mofados), como os queijos tipo Brie e Camembert (com mofos brancos) e Roquefort e Gorgonzola (mofos azuis). Nestes queijos, o lactato \u00e9 metabolizado pelos fungos a CO2 e H2O, contribuindo para o desenvolvimento dos fungos e tamb\u00e9m para um aumento no pH do queijo, o que possibilita mudan\u00e7as na sua textura (FOX et al., 1990).<br><br>Por fim, alguns queijos apresentam, al\u00e9m do metabolismo da lactose e do lactato, a degrada\u00e7\u00e3o do citrato, e, apesar do baixo teor deste componente na massa de queijo, o citrato \u00e9 de grande import\u00e2ncia no metabolismo realizado pelos cultivos mesof\u00edlicos aromatizantes.<br><br>O citrato pode ser consumido pelas bact\u00e9rias Lactococcus lactis subsp lactis biovar diacetylactis e Leuconostoc spp. (conhecidas tamb\u00e9m como fermento tipo LD), produzindo diacetil e g\u00e1s, que possibilita pequenas olhaduras e sabor caracter\u00edstico destas variedades de queijo (FOX et al., 2012).<br><i><br>A lip\u00f3lise na fabrica\u00e7\u00e3o de queijos<br><\/i>A rea\u00e7\u00e3o de lip\u00f3lise \u00e9 a degrada\u00e7\u00e3o da gordura do leite ou do queijo por meio de uma enzima, denominada lipase e pode gerar sabores desej\u00e1veis (picante) ou causar defeitos, como sabores indesej\u00e1veis (sabor de ran\u00e7o) nos queijos (COLLINS et al., 2003).<br><br>Por serem enzimas, as lipases possuem condi\u00e7\u00f5es de temperatura e pH ideais de atividade. Geralmente apresentam atividade \u00f3tima a 37 \u00b0C, em pH entre 7 e 8,5 (concentra\u00e7\u00e3o de NaCl de 2%) (FOX et al., 2012).<br><br>Em alguns tipos de queijos, como os maturados por fungos azuis e tamb\u00e9m nos queijos duros italianos como o queijo parmes\u00e3o, a lip\u00f3lise \u00e9 desejada e pode alcan\u00e7ar altos n\u00edveis de atividade, influenciando positivamente e proporcionando o sabor e aroma t\u00edpicos destas variedades de queijo (COLLINS et al., 2003).<br><br>Os mofos dos queijos azuis como o Penicillium roqueforti produzem grandes quantidades de lipases exocelulares, j\u00e1 as bact\u00e9rias l\u00e1ticas dos fermentos tamb\u00e9m produzem lipases, todavia em pequenas quantidades, tendo car\u00e1ter pouco lipol\u00edtico (FOX et al., 2012).<br><br>Na rea\u00e7\u00e3o de lip\u00f3lise, a gordura presente na massa do queijo, tamb\u00e9m chamada de triacilglicerol, \u00e9 degradada em \u00e1cidos graxos livres, por meio da a\u00e7\u00e3o das lipases (Figura 2). Os \u00e1cidos graxos livres (AGL) e de cadeia curta liberados, como os \u00e1cidos but\u00edrico, caproico, capr\u00edlico, c\u00e1prico, s\u00e3o arom\u00e1ticos e contribuem para o sabor.<br><br>Os AGL podem ser convertidos em outros compostos arom\u00e1ticos, como lactonas e metil cetonas. O limite de concentra\u00e7\u00e3o e percep\u00e7\u00e3o dos AGL podem contribuir positivamente ou negativamente para o aroma dos queijos (SOBRAL et al., 2017).<br><br>Figura 2. Lip\u00f3lise em queijos.<br><br><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/dl.dnzdns.com\/v\/O6vY67ABF0218\" alt=\"\" data-cke-saved-src=\"https:\/\/dl.dnzdns.com\/v\/O6vY67ABF0218\"><br>&nbsp;<br>Os tipos de lipases que podem estar presentes na fabrica\u00e7\u00e3o de queijos s\u00e3o: lipases naturais do leite cru (inativadas pela pasteuriza\u00e7\u00e3o); lipases pr\u00e9-g\u00e1stricas de alguns tipos de coalhos (principalmente coalhos italianos em pasta); lipases de cabrito e ovelha comerciais adicionadas ao leite para fabrica\u00e7\u00e3o de queijos e lipases de microrganismos (Lactococcus, Lactobacillus, Lb. casei subsp. pseudoplantarum, microrganismos psicrotr\u00f3ficos e fungos) (FOX et al., 2012).<br><br>Quando a lip\u00f3lise em queijos n\u00e3o \u00e9 desejada, recomenda-se trabalhar com leite de boa qualidade microbiol\u00f3gica, obtido por uma higiene adequada durante a ordenha. Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 recomendado o excesso de bombeamento ou turbul\u00eancia do leite.<br><br>Com a turbul\u00eancia do leite, seja por intensa mexedura, queda por gravidade de grandes alturas ou por meio de bombeamento, pode ocorrer rompimento do gl\u00f3bulo de gordura. O gl\u00f3bulo de gordura rompido fica mais suscet\u00edvel ao ataque das lipases e, assim, aumenta as chances de ocorrer o sabor de ran\u00e7o no queijo, por isso deve ser evitado.<br><br>Outro fator importante \u00e9 que os queijos de leite cru s\u00e3o mais propensos para o aparecimento do sabor de ran\u00e7o, devido \u00e0 a\u00e7\u00e3o das lipases naturais do leite, inativadas nos queijos de leite pasteurizado (SOBRAL et al., 2017).&nbsp;<br><br><i>A prote\u00f3lise na fabrica\u00e7\u00e3o de queijos<br><\/i>A prote\u00f3lise \u00e9 o evento bioqu\u00edmico mais complexo e importante na matura\u00e7\u00e3o de queijos. Ocorre por meio da degrada\u00e7\u00e3o das prote\u00ednas pela a\u00e7\u00e3o de enzimas denominadas proteases, resultando na produ\u00e7\u00e3o de fragmentos menores de prote\u00edna, denominados pept\u00eddeos que podem ser de alto, m\u00e9dio e baixo massa molecular, bem como na produ\u00e7\u00e3o de amino\u00e1cidos, aminas e am\u00f4nias (SOUZA et al., 2001). As proteinases envolvidas na matura\u00e7\u00e3o de queijos podem ter origem no coalho\/coagulantes residuais, em enzimas end\u00f3genas do leite e enzimas de microrganismos (FOX et al., 2012).<br><br>Na prote\u00f3lise, as mudan\u00e7as no sabor dos queijos podem ocorrer de forma direta, pela forma\u00e7\u00e3o de amino\u00e1cidos e pept\u00eddeos (alguns deles amargos) e indireta, pelo catabolismo de amino\u00e1cidos em aminas, \u00e1cidos, ti\u00f3is, tio\u00e9steres etc, devido a mudan\u00e7as secund\u00e1rias como transamina\u00e7\u00e3o, desamina\u00e7\u00e3o e descarboxila\u00e7\u00e3o (SOUZA et al., 2001; FOX et al., 2012).<br><br>J\u00e1 as mudan\u00e7as de textura devido \u00e0 prote\u00f3lise ocorrem pelo rompimento da rede proteica, diminui\u00e7\u00e3o da atividade de \u00e1gua (por meio da liga\u00e7\u00e3o da \u00e1gua livre com grupos carbox\u00edlicos e amino\u00e1cidos) e aumento do pH (Figura 3) (SOUZA et al., 2001).<br><br>Figura 3. Prote\u00f3lise em queijos.<br><br><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/dl.dnzdns.com\/v\/2UBWbdABF0271\" alt=\"\" data-cke-saved-src=\"https:\/\/dl.dnzdns.com\/v\/2UBWbdABF0271\"><br><br>Fonte: Souza et al., 2001.<br>&nbsp;<br>A prote\u00f3lise durante a matura\u00e7\u00e3o se divide em duas fases: a prote\u00f3lise prim\u00e1ria e a prote\u00f3lise secund\u00e1ria. Na prote\u00f3lise prim\u00e1ria, a quimosina residual do coalho ou coagulante, que permanece na massa durante a fabrica\u00e7\u00e3o, hidrolisa a as1-case\u00edna nas liga\u00e7\u00f5es Phe23-Phe24.<br><br>Esta hidr\u00f3lise \u00e9 respons\u00e1vel pela altera\u00e7\u00e3o da textura do queijo, deixando-o mais macio, \u00e0 medida que as cadeias de prote\u00ednas s\u00e3o segmentadas em fra\u00e7\u00f5es menores. A velocidade de prote\u00f3lise dos queijos \u00e9 diretamente afetada por fatores como temperatura de matura\u00e7\u00e3o, atividade de \u00e1gua e conte\u00fado de sal dos queijos (ANDREWS; VARLEY, 1994).<br><br>J\u00e1 nos queijos que s\u00e3o cozidos a altas temperaturas (como exemplo, cozimento de aproximadamente 55 \u00b0C no queijo Su\u00ed\u00e7o) este fen\u00f4meno n\u00e3o acontece da mesma forma, pois a quimosina perde a maior parte da sua atividade devido ao calor do cozimento.<br><br>Nesses queijos a b-case\u00edna \u00e9 hidrolisada mais rapidamente do que as1- case\u00edna, com um aumento na g- case\u00edna, indicando o papel da plasmina (uma enzima natural do leite) como o principal agente proteol\u00edtico.<br><br>Portanto, em queijos cuja massa \u00e9 cozida em altas temperaturas, a plasmina \u00e9 a principal enzima proteol\u00edtica, pois al\u00e9m de ocorrer ativa\u00e7\u00e3o do plasminog\u00eanio em plasmina nestas temperaturas, ela resiste \u00e0s altas temperaturas enquanto que a atividade da quimosina \u00e9 perdida (McSWEENEY, 2004).<br><br>O pept\u00eddeo formado as1-case\u00edna (f24-199) n\u00e3o deixa de ser produzido, no entanto \u00e9 formado de lentamente nestes casos, sugerindo a sobreviv\u00eancia de alguma atividade quimosina durante o cozimento ou talvez a atividade de catepsina D (outra proteinase do leite).<br><br>O mesmo mecanismo acontece em queijo mu\u00e7arela, que passa por altas temperaturas no processo de filagem. No queijo mu\u00e7arela, a as1-case\u00edna \u00e9 produzida vagarosamente e g- case\u00edna \u00e9 produzida mais rapidamente, como resultado da fraca atividade da quimosina e elevada atividade da plasmina (ANDREWS; VARLEY, 1994).<br><br>A prote\u00f3lise prim\u00e1ria \u00e9 atribu\u00edda principalmente \u00e0 a\u00e7\u00e3o do coagulante residual e as proteases naturais do leite, que degradam a prote\u00edna em pept\u00eddeos de alta massa molecular. Nos laborat\u00f3rios de f\u00edsico-qu\u00edmica a prote\u00f3lise prim\u00e1ria \u00e9 estimada por meio de um m\u00e9todo anal\u00edtico denominado extens\u00e3o da prote\u00f3lise, em que se determina a forma\u00e7\u00e3o de compostos nitrogenados sol\u00faveis a pH 4,6, sendo feita sua rela\u00e7\u00e3o com o nitrog\u00eanio total do queijo (Figura 4). Esta raz\u00e3o entre o nitrog\u00eanio sol\u00favel em pH 4,6 e o nitrog\u00eanio total da amostra \u00e9 denominado \u00edndice de extens\u00e3o da matura\u00e7\u00e3o (WOLFSCHOON-POMBO; LIMA, 1989).<br>&nbsp;<br>Figura 4. \u00cdndice de extens\u00e3o da matura\u00e7\u00e3o de queijos.<br><br><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/dl.dnzdns.com\/v\/HZ8b06ABF0212\" alt=\"\" data-cke-saved-src=\"https:\/\/dl.dnzdns.com\/v\/HZ8b06ABF0212\"><br><br>J\u00e1 a prote\u00f3lise secund\u00e1ria \u00e9 a degrada\u00e7\u00e3o dos pept\u00eddeos de alto peso molecular em pept\u00eddeos menores, de baixa massa molecular, devido \u00e0 a\u00e7\u00e3o das enzimas produzidas principalmente por microrganismos, sejam eles bact\u00e9rias l\u00e1ticas do fermento, do leite cru, do pingo, do soro fermento ou das NSLAB (do ingl\u00eas non starter latic adid bacteria), ou seja, bact\u00e9rias n\u00e3o oriundas do fermento l\u00e1tico (ANDREWS; VARLEY, 1994).<br><br>Para se medir ou monitorar a prote\u00f3lise secund\u00e1ria, ou seja, verificar a atua\u00e7\u00e3o das bact\u00e9rias l\u00e1ticas do fermento ou de fontes de contamina\u00e7\u00e3o, existe o \u00edndice da profundidade da prote\u00f3lise. \u00c9 um m\u00e9todo anal\u00edtico em que se mede o teor de nitrog\u00eanio sol\u00favel em \u00e1cido tricloroac\u00e9tico (TCA) 12%, e este teor \u00e9 comparado ao nitrog\u00eanio total da amostra (WOLFSCHOON-POMBO; LIMA, 1989) (Figura 5).<br>&nbsp;<br>Figura 5. \u00cdndice de profundidade da matura\u00e7\u00e3o de queijos.<br><br><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/dl.dnzdns.com\/v\/rK3L41ABF0215\" alt=\"\" data-cke-saved-src=\"https:\/\/dl.dnzdns.com\/v\/rK3L41ABF0215\"><br><br>Refer\u00eancias:<br><br>ANDREWS, A. T.; VARLEY, J. Biochemistry of milk products. 1st ed.: Royal Society of Chemistry,1994. 181 p.<br><br>COLLINS, Y. F. et al. Lipolysis and free fatty acid catabolism in cheese: a review of current knowledge. International Dairy Journal, v. 13, p. 841\u2013866, 2003.<br><br>FOX, P. F. et al. Glycolysis and related reactions during cheese manufacture and ripening. Food Science and Nutrition, v. 29, n. 4, p.237-253, 1990.<br><br>FOX, P. F. et al. Chemistry, Physics and Microbiology. 3. ed. [s.l.]: Elsevier, 2012.<br><br>McSWEENEY, P. L. H.; SOUSA, M. J. Biochemical pathways for the production of flavor compounds in cheese ripening: a review. Lait, n.80, p.293-324, 2000.<br><br>McSWEENEY, P. L. H. Biochemistry of cheese ripening. International Journal of Dairy Technology, Huntingdon, v.57, n.2\/3, p. 127-144, 2004.<br><br>SOBRAL et al. Principais defeitos em queijo Minas artesanal: uma revis\u00e3o. Revista do Instituto de Latic\u00ednios C\u00e2ndido Tostes, v. 72, n. 2, p. 108-120, abr\/jun, p. 108-120, 2017.<br><br>SOUZA, M. J.; ARD\u00d6, Y.; McSWEENEY, P. L. H. Advances in the study of proteolysis during cheese ripening. International Dairy Journal, n.11, p. 327-345, 2001.<br><br>WOLFSCHOON-POMBO, A. L.; LIMA, A. Extens\u00e3o e profundidade da prote\u00f3lise em queijo Minas Frescal. Revista do Instituto de Latic\u00ednios C\u00e2ndido Tostes, v. 44, n. 261-266, p. 50-52, 1989.<br><br><br><br><br><br><br><b>Dois eventos podem favorecer ocorr\u00eancia de chuvas nos pr\u00f3ximos dias<br><\/b><br>Para os pr\u00f3ximos dias, h\u00e1 previs\u00e3o de ocorrer dois tipos de circula\u00e7\u00f5es que possivelmente favorecer\u00e3o a ocorr\u00eancia de chuvas no Estado. \u00c9 o que aponta o Boletim Integrado Agrometeorol\u00f3gico 52\/2021, elaborado pela Secretaria da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Desenvolvimento Rural (Seapdr), a Emater\/RS-Ascar e o Irga.&nbsp;<br><br>O primeiro ser\u00e1 um fluxo de calor e umidade transportado pela corrente de jato de baixos n\u00edveis (JBN), que deve chegar ao Estado nesta quinta-feira (30\/12) e trar\u00e1 ar quente e \u00famido da regi\u00e3o Centro-oeste do Brasil em dire\u00e7\u00e3o ao Rio Grande do Sul. Caso esta circula\u00e7\u00e3o ocorra, pode auxiliar na forma\u00e7\u00e3o de pequenos sistemas convectivos de mesoescala (aglomerados de nuvens) e gerar chuvas nas regi\u00f5es Noroeste, Norte e Nordeste do Estado.<br><br>O segundo sistema previsto pelos modelos num\u00e9ricos ser\u00e1 uma frente fria, que dever\u00e1 chegar ao Rio Grande do Sul na ter\u00e7a-feira (4) e permanecer atuando durante toda a quarta-feira (5) da pr\u00f3xima semana. Caso esta frente fria chegue ao Estado, os modelos indicam chuvas acumuladas de mais de 30 mil\u00edmetros para a regi\u00e3o Nordeste e acumulados maiores do que 20 mm para as regi\u00f5es do Litoral e Central.<br><br>O documento tamb\u00e9m aborda a situa\u00e7\u00e3o atual das culturas de soja, milho, oler\u00edcolas, frut\u00edcolas e bovinocultura de leite. Acompanhe todos os Boletins Integrados Agrometeorol\u00f3gicos&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.agricultura.rs.gov.br\/agrometeorologia\" data-cke-saved-href=\"http:\/\/www.agricultura.rs.gov.br\/agrometeorologia\">clicando aqui.<\/a><\/p>\r\n<div style=\"text-align: justify;\"><hr><\/div>\r\n<p style=\"text-align: justify;\"><!-- \/wp:paragraph -->\r\n\r\n<!-- wp:paragraph --><\/p>\r\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>&nbsp;Jogo R\u00e1pido <\/strong><\/em><\/p>\r\n<div style=\"text-align: center;\"><b><\/b>\r\n<div><b><\/b><i><b>Novo prazo para o leite a granel<\/b><br>O Minist\u00e9rio da Agricultura prorrogou at\u00e9 30 de junho de 2022, de forma excepcional, o prazo de autoriza\u00e7\u00e3o para o recebimento, por ind\u00fastrias fiscalizados pelo Servi\u00e7o de Inspe\u00e7\u00e3o Federal (SIF), de leite a granel de estabelecimentos registrados nos Servi\u00e7os de Inspe\u00e7\u00e3o Estadual e Inspe\u00e7\u00e3o Municipal. autoriza\u00e7\u00e3o est\u00e1 em vigor desde mar\u00e7o de 2020, quando o isolamento social levou ao fechamento de food services e feiras, o que diminuiu a demanda por produtos l\u00e1cteos. Quando o prazo terminar, os estabelecimentos que desejarem continuar com essas opera\u00e7\u00f5es dever\u00e3o buscar ades\u00e3o ao Sistema Brasileiro de Inspe\u00e7\u00e3o de Produtos de Origem Animal (Sisbi-POA). A prorroga\u00e7\u00e3o atende pedido da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira dos Produtores de Leite. O presidente da entidade, Geraldo Borges, diz que o objetivo \u00e9 ajudar os pequenos estabelecimentos, que t\u00eam dificuldade para vender produtos com valor agregado para as classes m\u00e9dia e baixa em momentos de crise. (Correio do Povo)<\/i><\/div>\r\n<\/div>\r\n<hr>\r\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Porto Alegre, 03 de janeiro de 2022&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Ano 15 - N\u00b0 3.567 \u201cPrecisamos democratizar as boas pr\u00e1ticas\u201dDesafio do pa\u00eds para tornar a agropecu\u00e1ria mais eficiente passa por acesso <a href=\"https:\/\/www.sindilat.com.br\/site\/2022\/01\/03\/03-01-2022\/\" class=\"more-link\">...continuar lendo<span class=\"screen-reader-text\"> \"03\/01\/2022\"<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[28],"tags":[],"class_list":{"0":"post-8652","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","6":"category-newsletter","7":"h-entry","8":"hentry","9":"h-as-article"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sindilat.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8652","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sindilat.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sindilat.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sindilat.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sindilat.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8652"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/www.sindilat.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8652\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8660,"href":"https:\/\/www.sindilat.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8652\/revisions\/8660"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sindilat.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8652"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sindilat.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8652"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sindilat.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8652"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}