{"id":6512,"date":"2021-03-09T20:36:50","date_gmt":"2021-03-09T20:36:50","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sindilat.com.br\/site\/?p=6512"},"modified":"2021-03-09T20:36:50","modified_gmt":"2021-03-09T20:36:50","slug":"alianca-lactea-sul-brasileira-discute-saidas-para-gargalos-que-pressionam-o-setor-neste-inicio-de-ano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sindilat.com.br\/site\/2021\/03\/09\/alianca-lactea-sul-brasileira-discute-saidas-para-gargalos-que-pressionam-o-setor-neste-inicio-de-ano\/","title":{"rendered":"Alian\u00e7a L\u00e1ctea Sul Brasileira discute sa\u00eddas para gargalos que pressionam o setor neste in\u00edcio de ano"},"content":{"rendered":"<p>A primeira reuni\u00e3o de 2021 da Alian\u00e7a L\u00e1ctea Sul Brasileira trouxe \u00e0 tona os desafios de curto, m\u00e9dio e longo prazo que precisam ser enfrentados pelo setor. Gargalos como a expressiva alta dos custos de produ\u00e7\u00e3o, a volatilidade nos pre\u00e7os do produto, a organiza\u00e7\u00e3o da cadeia com vistas \u00e0 conquista de competitividade e a presen\u00e7a no mercado externo, al\u00e9m do enfrentamento de quest\u00f5es voltadas \u00e0 sanidade animal.<\/p>\n<p>Abrindo a reuni\u00e3o virtual coordenada por Ronei Volpi, o presidente da Farsul, Gede\u00e3o Pereira, lembrou que o agroneg\u00f3cio vive um momento favor\u00e1vel, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o de alguns setores, como o leite. Segundo ele, os custos elevados v\u00eam pressionando a atividade, sobretudo em fun\u00e7\u00e3o do desabastecimento de milho. Uma das sa\u00eddas apontadas por ele \u00e9 reduzir a depend\u00eancia do setor produtivo pelo cereal. Para isso, a Farsul deve iniciar em breve um estudo que estimule a produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os alternativos no inverno com teor nutritivo adequado (cevada, centeio e triticale, por exemplo) em \u00e1reas utilizadas por coberturas verdes. \u201cEssa pode ser uma alternativa \u00e0 importa\u00e7\u00e3o de 4 milh\u00f5es de toneladas de milho pelo Rio Grande do Sul, cujos custos se refletem em outras cadeias tamb\u00e9m, como a de su\u00ednos e a de frangos. No curto prazo n\u00e3o vamos resolver o d\u00e9ficit de milho por meio do plantio\u201d, destacou Gede\u00e3o. O mesmo cen\u00e1rio deficit\u00e1rio com o milho foi relatado por representantes do Paran\u00e1 e de Santa Catarina, estado esse que vem se deparando com a necessidade de compra de at\u00e9 6 milh\u00f5es de toneladas para dar conta de suas cadeias produtivas.<\/p>\n<p>O momento delicado pelo qual atravessa o setor l\u00e1cteo foi confirmado pelo 1\u00b0 vice-presidente do Sindicato da Ind\u00fastria de Latic\u00ednios do Rio Grande do Sul (Sindilat), Alexandre Guerra. \u201cA \u00fanica certeza que temos \u00e9 o aumento do custo ao produtor e ind\u00fastria, com muitos atuando sem margem e outros no negativo\u201d, afirmou. De acordo com ele, no front, est\u00e3o incertezas sobre a sustenta\u00e7\u00e3o do mercado como reflexo do aux\u00edlio emergencial que deve ser liberado em breve, e como ser\u00e1 o comportamento do consumidor diante dos novos cen\u00e1rios, al\u00e9m dos novos custos provocados pelo aumento do pre\u00e7o do combust\u00edvel, que gera infla\u00e7\u00e3o para todos os elos da cadeia. Guerra ainda pontuou que o momento pede a\u00e7\u00f5es que busquem reduzir a press\u00e3o dos custos sobre a cadeia, citando como uma das alternativas, al\u00e9m da importa\u00e7\u00e3o de produtos ligados a agricultura sem imposto e a taxa de importa\u00e7\u00e3o, projetos e pol\u00edticas voltados ao fomento da irriga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cOs custos em n\u00edvel industrial est\u00e3o absurdos, junto a isso, vemos queda no poder de compra dos consumidores'', arrematou Valter Brandalise, do Sindileite (SC). O estado, segundo o secret\u00e1rio da Agricultura, Altair Silva, tem o desafio de buscar no mercado uma quantidade ainda maior de milho neste ano. \u201cVamos produzir apenas 2 milh\u00f5es de toneladas, o que exigir\u00e1 uma compra de 5 milh\u00f5es de toneladas. De onde sair\u00e1 tanto milho?\u201d, questionou. O secret\u00e1rio entende que, diante do quadro, a Conab deveria focar sua atua\u00e7\u00e3o de forma a manter uma pauta comum que atenda \u00e0s necessidades de abastecimento de todos os estados. J\u00e1 o secret\u00e1rio da Agricultura do Paran\u00e1, Norberto Ortigara, refor\u00e7ou que al\u00e9m da estiagem, dos custos e da disparada do d\u00f3lar, o setor ainda concorre com a \u00e1rea de combust\u00edveis, j\u00e1 que 7 milh\u00f5es de toneladas do cereal s\u00e3o direcionadas para a fabrica\u00e7\u00e3o de etanol.<\/p>\n<p>O chefe-geral da Embrapa Gado de Leite, Paulo Martins, elencou alguns pontos que precisam ser trabalhados para garantir efici\u00eancia, competitividade e resultados. Entre eles est\u00e1 a necessidade de pol\u00edticas diferenciadas para os diversos n\u00edveis de produtores hoje em atua\u00e7\u00e3o no pa\u00eds, al\u00e9m de uma pol\u00edtica de automa\u00e7\u00e3o tanto para o produtor como para a ind\u00fastria. Outro ponto se refere ao conhecimento sobre a qualidade da mat\u00e9ria-prima utilizada. \u201cH\u00e1 20 anos o setor l\u00e1cteo ganhou expressividade nacional em termos de mercado, a qualidade melhorou muito. H\u00e1 dificuldades de entendimento sobre a import\u00e2ncia de pol\u00edticas para o leite, assim como h\u00e1 dificuldade de haver uma coordena\u00e7\u00e3o maior entre as cadeias\u201d, destacou Martins, refor\u00e7ando que o setor \u00e9 carente de pol\u00edticas p\u00fablicas, algo que se perdeu em 1980.<\/p>\n<p>Martins defendeu a ideia de que o setor passe a apostar ainda mais na inova\u00e7\u00e3o por meio da entrega de servi\u00e7os\/produtos\/tecnologias de startups. \u201cPrecisamos colocar os jovens juntos nesse processo, caso contr\u00e1rio, n\u00e3o teremos a velocidade necess\u00e1ria para encontrar as solu\u00e7\u00f5es que buscamos\u201d, disse. Para Darlan Palharini, secret\u00e1rio-executivo do Sindilat, o setor precisa buscar o equil\u00edbrio para fazer frente a um potente mercado internacional - s\u00e3o cinco pa\u00edses que det\u00eam 90% do mercado de exporta\u00e7\u00e3o de leite. \u201cComo n\u00e3o h\u00e1 como tributar as importa\u00e7\u00f5es, o setor deve ir em busca de solu\u00e7\u00f5es que garantam esse equil\u00edbrio'', disse, referindo-se a aspectos como aumento de produtividade e custo competitivos tanto no mercado dom\u00e9stico como no mercado internacional.<\/p>\n<p>J\u00e1 o consultor para a cadeia leiteira Airton Spies lembrou que a volatilidade \u00e9 algo frequente no pre\u00e7o do leite brasileiro. Em 2020, o pre\u00e7o saiu de R$ 1,40 o litro em maio para algo pr\u00f3ximo a R$ 2,20 em outubro, uma varia\u00e7\u00e3o de 53% segundo dados do CEPEA. \"Os anos anteriores tamb\u00e9m tiveram a mesma flutua\u00e7\u00e3o, onde certamente predominaram margens muito estreitas em boa parte desse per\u00edodo, o que torna a atividade vulner\u00e1vel a qualquer tipo de planejamento e investimento\u201d, disse.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A primeira reuni\u00e3o de 2021 da Alian\u00e7a L\u00e1ctea Sul Brasileira trouxe \u00e0 tona os desafios de curto, m\u00e9dio e longo prazo que precisam ser enfrentados pelo setor. 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