{"id":520,"date":"2015-06-29T17:32:12","date_gmt":"2015-06-29T17:32:12","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sindilat.com.br\/site\/2015\/06\/29\/estudo-nao-foi-principal-motivo-para-deixar-de-buscar-trabalho-sugere-ibge\/"},"modified":"2015-06-29T17:32:12","modified_gmt":"2015-06-29T17:32:12","slug":"estudo-nao-foi-principal-motivo-para-deixar-de-buscar-trabalho-sugere-ibge","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sindilat.com.br\/site\/2015\/06\/29\/estudo-nao-foi-principal-motivo-para-deixar-de-buscar-trabalho-sugere-ibge\/","title":{"rendered":"Estudo n\u00e3o foi principal motivo para deixar de buscar trabalho, sugere IBGE"},"content":{"rendered":"<p>29\/06\/2015<\/p>\n<p>A decis\u00e3o de estudar foi menos relevante que o componente demogr\u00e1fico para explicar o aumento da popula\u00e7\u00e3o que decidiu n\u00e3o trabalhar nos \u00faltimos anos. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlio Cont\u00ednua (Pnad Cont\u00ednua) tem perguntado aos entrevistados porque ele est\u00e1 fora do mercado de trabalho e entre 2012 e 2015 o percentual de pessoas que declarou como principal motivo o fato de \"estar estudando\" se alterou marginalmente, de 19% para 19,9% do total. O motivo que mais cresceu foi o de pessoas que se declararam muito jovens ou muito idosas para trabalhar \u00ac aumento de quase 3 pontos percentuais. Para Naercio Aquino de Menezes Filho, professor e coordenador do Centro de Pol\u00edticas P\u00fablicas do Insper, os dados mostram que os jovens n\u00e3o est\u00e3o necessariamente parando de trabalhar para estudar e melhorar sua qualifica\u00e7\u00e3o. \"O argumento \u00e9 que ele \u00e9 muito jovem, n\u00e3o \u00e9 pelo estudo\", pondera ele.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-519\" src=\"http:\/\/www.sindilat.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/arte29bra-201-denise-a2.jpg\" alt=\"arte29bra 201 denise a2\" width=\"403\" height=\"675\" srcset=\"https:\/\/www.sindilat.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/arte29bra-201-denise-a2.jpg 755w, https:\/\/www.sindilat.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/arte29bra-201-denise-a2-179x300.jpg 179w, https:\/\/www.sindilat.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/arte29bra-201-denise-a2-611x1024.jpg 611w\" sizes=\"auto, (max-width: 403px) 100vw, 403px\" \/><\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, antes da crise atual, levantou-se o debate de que o aumento da renda familiar dos pais permitiu a um n\u00famero maior de jovens parar de trabalhar para estudar e que esse movimento poderia ter um reflexo positivo para a produtividade, pois esse jovem voltaria ao mercado mais qualificado. Para Menezes Filho, a pesquisa refor\u00e7a um cen\u00e1rio menos positivo. A renda dos pais, diz ele, pode ter ajudado o jovem que antes estava trabalhando a ficar em casa. \"Antes, ele se achava jovem, mas mesmo assim ia trabalhar para ajudar a fam\u00edlia. O motivo \u00e9 a idade, n\u00e3o o estudo\", pondera.<\/p>\n<p>Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), que faz a coleta da Pnad, explica que a pesquisa deixa o entrevistado responder qual o motivo pelo qual resolveu n\u00e3o trabalhar ou procurar emprego. Assim, algu\u00e9m que declara \"ser muito jovem\" como raz\u00e3o, tamb\u00e9m pode estar estudando. Para ele, os dados da pesquisa mostram que os motivos demogr\u00e1ficos s\u00e3o os que mais explicam o aumento recente dessa parcela da popula\u00e7\u00e3o ativa, mas que an\u00e1lises melhores poder\u00e3o ser feitas no futuro quando o Instituto conseguir liberar os dados que cruzam motivo e idade.<\/p>\n<p>Regionalmente, a Pnad mostra que no Sudeste o fato de estudar cresceu mais que a m\u00e9dia nacional, passando de 17,8% no primeiro trimestre de 2012 para 19,4% no primeiro trimestre de 2015, enquanto no Norte ele j\u00e1 era mais alto (acima de 25%) e no Sul ele se manteve mais baixo (16,9% em 2015). O t\u00e9cnico em pesquisa e planejamento do Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea), Carlos Henrique Corseuil, observa que no Sul \u00e9 mais forte tanto a presen\u00e7a da agricultura familiar como de pequenas empresas familiares, o que permite ao jovem conciliar mais facilmente estudo e trabalho.<\/p>\n<p>Para ele, contudo, como a pessoa define seu motivo (estudar ou ser jovem), a falta de cruzamento dos dados de idade e escolaridade impede leitura mais clara dos dados apresentados pela Pnad Continua \"A pessoa pode se perceber como jovem e estar estudando. Nesse caso, qual a verdadeira raz\u00e3o [para estar fora do mercado de trabalho]?\", pondera.<\/p>\n<p>No Sul tamb\u00e9m chama aten\u00e7\u00e3o o menor percentual de pessoas (provavelmente mulheres) que declararam que precisavam ficar em casa para cuidar dos filhos e dos afazeres e por isso n\u00e3o estavam trabalhando ou procurando emprego: 18,5% ante uma m\u00e9dia nacional de 23%. Menezes Filho arrisca, num olhar preliminar, que uma explica\u00e7\u00e3o pode estar nos arranjos familiares, que s\u00e3o mais fortes e av\u00f3s ou mesmo creches p\u00fablicas podem dar o suporte necess\u00e1rio para que as m\u00e3es trabalhem.<\/p>\n<p>Tanto Corseuil como Menezes Filho concordam que o aumento da renda nos \u00faltimos anos permitiu que mais pessoas ficassem fora do mercado de trabalho. Da mesma forma, como o aumento da renda j\u00e1 arrefeceu no \u00faltimo ano, isso ajudaria a entender porque entre 2014 e 2015, nenhuma pessoa a mais declarou que o fato de estar estudando era uma raz\u00e3o parar sair do mercado de trabalho. Todo aumento veio dos jovens, idosos ou dos que se declararam incapacitados. A renda, que havia subido 2,5% entre 2012 e 2013 e mais 4% entre 2013 e 2014, estacionou entre 2014 e 2015. A expectativa \u00e9 que mais pessoas voltem a procurar emprego, independentemente do motivo que as tirou do mercado de trabalho, avalia Corseiul. (Valor Econ\u00f4mico)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>29\/06\/2015 A decis\u00e3o de estudar foi menos relevante que o componente demogr\u00e1fico para explicar o aumento da popula\u00e7\u00e3o que decidiu n\u00e3o trabalhar nos \u00faltimos anos. 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