{"id":460,"date":"2015-06-08T16:38:13","date_gmt":"2015-06-08T16:38:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sindilat.com.br\/site\/2015\/06\/08\/plano-nacional-de-exportacao-tem-foco-no-curto-prazo-enquanto-pais-nao-soluciona-deficiencias\/"},"modified":"2015-06-08T16:38:13","modified_gmt":"2015-06-08T16:38:13","slug":"plano-nacional-de-exportacao-tem-foco-no-curto-prazo-enquanto-pais-nao-soluciona-deficiencias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sindilat.com.br\/site\/2015\/06\/08\/plano-nacional-de-exportacao-tem-foco-no-curto-prazo-enquanto-pais-nao-soluciona-deficiencias\/","title":{"rendered":"Plano Nacional de Exporta\u00e7\u00e3o: tem foco no curto prazo enquanto pa\u00eds n\u00e3o soluciona defici\u00eancias"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">08\/06\/2015<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" alignright size-full wp-image-459\" src=\"http:\/\/www.sindilat.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/foto08bra-101-monteiro-a4.jpg\" alt=\"foto08bra 101 monteiro a4\" width=\"160\" height=\"198\" style=\"float: right;\" srcset=\"https:\/\/www.sindilat.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/foto08bra-101-monteiro-a4.jpg 755w, https:\/\/www.sindilat.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/foto08bra-101-monteiro-a4-243x300.jpg 243w\" sizes=\"auto, (max-width: 160px) 100vw, 160px\" \/>Limitado pelo esgotamento de recursos do Tesouro Nacional e sem a bonan\u00e7a externa que ajudou o Brasil at\u00e9 2011, o ministro do Desenvolvimento, Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio, Armando Monteiro, preparou o Plano Nacional de Exporta\u00e7\u00e3o, que ser\u00e1 anunciado pela presidente Dilma Rousseff no dia 23, com cinco pilares de sustenta\u00e7\u00e3o: acesso a mercados mediante acordos comerciais\u037e Facilita\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio\u037e Financiamento, seguro e garantias\u037e Melhora dos regimes tribut\u00e1rios especiais e promo\u00e7\u00e3o comercial. Em s\u00edntese, a base do programa \u00e9 um com\u00e9rcio mais livre. nesse conjunto h\u00e1 medidas espec\u00edficas, como um refor\u00e7o do Proex Equaliza\u00e7\u00e3o, que pode dobrar (hoje \u00e9 R$ 1,5 bilh\u00e3o) \u037e Maior alavancagem do Fundo de Garantia \u00e0 Exporta\u00e7\u00e3o (FGE), que opera de forma muito conservadora\u037e Al\u00e9m de mudan\u00e7as no drawback e flexibiliza\u00e7\u00e3o nas regras do Regime Aduaneiro de Entreposto Industrial sob Controle (Recof), que beneficia pouco mais de 20 empresas, para que possa incorporar companhias de menor porte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A deprecia\u00e7\u00e3o cambial, mesmo com as demais moedas tendo tamb\u00e9m se desvalorizado frente ao d\u00f3lar, por\u00e9m, deixou o pa\u00eds em posi\u00e7\u00e3o relativa melhor. \"Com esse c\u00e2mbio podemos compensar uma s\u00e9rie de desvantagens competitivas que o Brasil tem e que ainda vai carregar por algum tempo, ligadas \u00e0 quest\u00e3o da infraestrutura, baixa produtividade e sistema tribut\u00e1rio\".<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O plano obedece a uma l\u00f3gica de mais curto prazo, at\u00e9 que esses entraves estruturais sejam resolvidos. \"N\u00f3s sab\u00edamos que estar\u00edamos ingressando em um per\u00edodo de severas restri\u00e7\u00f5es fiscais\", disse ele. \"E antev\u00edamos um quadro em que muito provavelmente uma parte substancial dessas desonera\u00e7\u00f5es seria desmontada.\" Monteiro diz acreditar que, nesse contexto, ser\u00e1 poss\u00edvel construir as bases do programa, junto com o setor privado. \"Come\u00e7amos a sentir que v\u00e1rios setores \u00ac alguns, por exemplo, que tinham colocado a exporta\u00e7\u00e3o fora do radar durante algum tempo, por v\u00e1rios problemas, voltaram a olh\u00e1-la\"<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em uma conjuntura recessiva, as exporta\u00e7\u00f5es se apresentam como a alternativa para as empresas operarem e, segundo Monteiro, elas j\u00e1 est\u00e3o se mobilizando para isso. Olhar para o mercado externo, por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 mais uma op\u00e7\u00e3o conjuntural. Deve ser permanente e fundada em uma pol\u00edtica de inser\u00e7\u00e3o global.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A seguir, os principais trechos da entrevista:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Valor: Ministro, o governo anuncia dia 23 o Plano Nacional de Exporta\u00e7\u00f5es. Do que ele consiste?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Armando Monteiro: O Plano est\u00e1 estruturado em cinco pilares. O primeiro deles \u00e9 a pol\u00edtica de acesso a mercados. N\u00f3s temos que ter uma pol\u00edtica comercial ativa, que tenha um olhar sobre as diferentes regi\u00f5es do mundo, mas que n\u00e3o seja uma vis\u00e3o apenas regional. O segundo pilar \u00e9 a facilita\u00e7\u00e3o de com\u00e9rcio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Valor: Como?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Monteiro: J\u00e1 temos o Portal \u00danico de Com\u00e9rcio Exterior, que simplifica os processos e procedimentos administrativos e aduaneiros ligados a opera\u00e7\u00e3o de com\u00e9rcio exterior. O conceito do Portal significa trabalharmos com a janela \u00fanica. O governo passa a interagir com o setor privado com um ente unificado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Valor: Acaba com os v\u00e1rios guich\u00eas?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Monteiro: Isso, fica um guich\u00ea \u00fanico. Hoje o operador, para fazer uma exporta\u00e7\u00e3o, tem que dialogar com tr\u00eas, quatro \u00f3rg\u00e3os diferentes. Nessas interfaces s\u00e3o feitas exig\u00eancias diferentes e muitas ainda em papel. N\u00f3s vamos passar a interagir como um ente s\u00f3. Em uma ferramenta de transpar\u00eancia, chamada de Vis\u00e3o Integrada, o exportador conseguir\u00e1 ver onde est\u00e1 seu processo no governo. Tudo ser\u00e1 eletr\u00f4nico, sem papel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Valor: Isso reduzir\u00e1 o tempo de tramita\u00e7\u00e3o em quanto?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Monteiro: A m\u00e9dia para a importa\u00e7\u00e3o \u00e9 de 17 dias\u037e N\u00f3s traremos para 10 dias\u037e Na exporta\u00e7\u00e3o a m\u00e9dia cair\u00e1 de 13 para 8 dias. Com isso teremos a mesma m\u00e9dia de tempo dos pa\u00edses da OCDE. E ao reduzir os prazos, n\u00f3s estamos falando de redu\u00e7\u00e3o de custos. Esse ser\u00e1 um dos temas que vamos tratar na ida aos Estados Unidos: como o nosso portal vai dialogar com o dos americanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Valor: Qual \u00e9 o terceiro pilar?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Monteiro: Financiamento, seguro e garantia, que \u00e9 important\u00edssimo e muito sens\u00edvel, por causa das restri\u00e7\u00f5es fiscais. Temos o Proex, que \u00e9 o programa de financiamento \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es\u037e e a equaliza\u00e7\u00e3o, que \u00e9 um instrumento importante sobretudo para exportar servi\u00e7os e manufaturas. Ele d\u00e1 as condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas de aproxima\u00e7\u00e3o com os padr\u00f5es dos pa\u00edses concorrentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Valor: A equaliza\u00e7\u00e3o, que \u00e9 um subs\u00eddio, est\u00e1 sob restri\u00e7\u00e3o fiscal?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Monteiro: Nossa vis\u00e3o \u00e9 que se existe um subs\u00eddio que tem rela\u00e7\u00e3o custo benef\u00edcio muito favor\u00e1vel, \u00e9 o Proex\u00ac-Equaliza\u00e7\u00e3o, porque alavanca muito fortemente a exporta\u00e7\u00e3o. A rela\u00e7\u00e3o entre o que voc\u00ea gasta no Proex e o que voc\u00ea faz de exporta\u00e7\u00e3o \u00e9 impressionante e alcan\u00e7a algo como 1 para 40.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Valor: Qual o or\u00e7amento do Proex-\u00acEqualiza\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Monteiro: A dota\u00e7\u00e3o \u00e9 de R$ 1,5 bilh\u00e3o, mas queremos ampli\u00e1-\u00acla. \u00c9 evidente que para fazer um plano de exporta\u00e7\u00e3o \u00e9 preciso recalibrar os instrumentos, e h\u00e1 demanda. N\u00f3s queremos quase dobrar esse valor. Isso est\u00e1 em discuss\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Valor: E na parte das garantias?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Monteiro: Esse \u00e9 outro ponto important\u00edssimo! Voc\u00ea n\u00e3o exporta sem um sistema robusto de garantia. Tem o FGE, o Fundo de Garantia \u00e0 Exporta\u00e7\u00e3o, que tem uma posi\u00e7\u00e3o ultraconservadora. A exposi\u00e7\u00e3o do FGE \u00e9 m\u00ednima. O fundo tem patrim\u00f4nio de mais de US$ 16 bilh\u00f5es e exposi\u00e7\u00e3o que, agora, com a varia\u00e7\u00e3o do c\u00e2mbio \u00e9 de 1 para 5. Pelos par\u00e2metros prudenciais internacionais podemos dobrar essa exposi\u00e7\u00e3o, e temos essa expectativa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Valor: Para completar, ministro, e o quarto pilar?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Monteiro: \u00c9 algo tamb\u00e9m sens\u00edvel nessa hora, mas est\u00e1 caminhando muito bem: o aperfei\u00e7oamento de alguns regimes tribut\u00e1rios especiais na \u00e1rea de exporta\u00e7\u00e3o. Tem o drawback, que \u00e9 a desonera\u00e7\u00e3o de todos os insumos importados ou adquiridos no mercado interno (o verde\u00ac amarelo) utilizados no produto que vai ser exportado. Hoje, as opera\u00e7\u00f5es de drawback s\u00e3o feitas mediante registro de um ato concess\u00f3rio por produto, por opera\u00e7\u00e3o, junto \u00e0 Secretaria de Com\u00e9rcio Exterior. Queremos fazer o controle por empresa, em uma esp\u00e9cie de d\u00e9bito \u00accr\u00e9dito. Isso vai facilitar tremendamente sua utiliza\u00e7\u00e3o. O drawback ampara 25% das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras e \u00e9 uma ferramenta poderos\u00edssima. E tem o Recof [Regime Aduaneiro de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado], que \u00e9 um primo rico do drawback, porque ele \u00e9 mais seletivo e coloca as empresas numa esp\u00e9cie de linha azul. O que a gente quer fazer no drawback j\u00e1 \u00e9 autom\u00e1tico no Recof.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Valor: Mas ter\u00e1 alguma mudan\u00e7a nele tamb\u00e9m?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Monteiro: Vamos flexibilizar um pouco a regra de modo a alcan\u00e7ar empresas de menor porte. Hoje o Recof \u00e9 muito seletivo e nele s\u00f3 se enquadram vinte e poucas empresas. E o \u00faltimo pilar \u00e9 a promo\u00e7\u00e3o comercial e, a\u00ed, temos uma estrutura j\u00e1 relativamente bem montada, que \u00e9 a da Apex, e temos a quest\u00e3o da intelig\u00eancia comercial, pois precisamos ter informa\u00e7\u00f5es sobre os mercados, ter capacidade de entender algumas tend\u00eancias, certo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Valor: Voltando ao primeiro ponto, do livre com\u00e9rcio, do acesso a mercados, o governo agora est\u00e1 empenhado em fazer acordos comerciais. O que mudou?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Monteiro: O que mudou s\u00e3o as dores do processo [de ajuste] e a necessidade de procurar mercado. Demos os primeiros passos para os Estados Unidos, M\u00e9xico e Uni\u00e3o Europeia. Tem a discuss\u00e3o de amplia\u00e7\u00e3o dos acordos de livre com\u00e9rcio, ou obter, por exemplo, espa\u00e7o para se ter uma maior margem de prefer\u00eancia tarif\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Valor: Esse \u00e9 o caso da negocia\u00e7\u00e3o com o M\u00e9xico, n\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Monteiro: No caso do M\u00e9xico essa \u00e9 uma quest\u00e3o presente. N\u00f3s temos um acordo de 2002, que s\u00f3 confere prefer\u00eancia tarif\u00e1ria a 800 produtos. \u00c9 pouco, porque h\u00e1 pelo menos 6 mil produtos identificados para ampliar a corrente de com\u00e9rcio. N\u00f3s fomos ao M\u00e9xico discutir esse acordo de complementa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e a nossa disposi\u00e7\u00e3o \u00e9 considerar um universo de mais ou menos 3 mil produtos logo num primeiro momento. O objetivo \u00e9 o com\u00e9rcio integral. Agora, temos \u00e1reas em que n\u00e3o precisamos discutir tarifa. Por exemplo: o mercado americano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Valor: As barreiras s\u00e3o outras?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Monteiro: A primeira viagem que fiz como ministro foi aos Estados Unidos. Quis traduzir, nessa iniciativa, a vis\u00e3o de que o mercado americano \u00e9 extraordinariamente importante para o Brasil. O que importa n\u00e3o s\u00e3o tarifas, que j\u00e1 s\u00e3o baixas, mas barreiras n\u00e3o\u00ac tarif\u00e1rias, de car\u00e1ter regulat\u00f3rio. \u00c9 uma agenda que a gente chama de converg\u00eancia regulat\u00f3ria ou de harmoniza\u00e7\u00e3o de normas t\u00e9cnicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Valor: Essas negocia\u00e7\u00f5es v\u00e3o avan\u00e7ar na visita da presidente aos EUA?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Monteiro: Vamos exatamente fazer avan\u00e7ar essa agenda de facilita\u00e7\u00e3o de com\u00e9rcio. O que eu estou querendo dizer \u00e9 que o acesso ao mercado est\u00e1 ligado tamb\u00e9m ao reposicionamento da pol\u00edtica comercial. Queremos ter uma postura mais agressiva, queremos nos integrar a uma rede de acordos comerciais e aos fluxos comerciais que t\u00eam mais dinamismo. Diz-\u00acse muito, e em parte \u00e9 verdade, que o Mercosul \u00e9 uma certa trava, mas para o M\u00e9xico e para os pa\u00edses da Alian\u00e7a do Pac\u00edfico n\u00e3o temos nenhum problema com o Mercosul. Com o M\u00e9xico n\u00f3s temos absoluta abertura para fazer um acordo de livre com\u00e9rcio. Com o Chile, o Peru e a Col\u00f4mbia j\u00e1 temos um cronograma de desgrava\u00e7\u00e3o. Com o Chile temos al\u00edquota zero, praticamente, e com Peru e Col\u00f4mbia, podemos ter em 2018 ou 2019.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Valor: Ent\u00e3o o acordo do Mercosul e Uni\u00e3o Europeia sai?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Monteiro: A posi\u00e7\u00e3o do Brasil, agora, \u00e9 ofensiva. Estamos muito empenhados em dizer \u00e0 Uni\u00e3o Europeia \"N\u00f3s queremos trocar as ofertas\". Pelos dados anteriores, a UE considera que devemos fazer algo pr\u00f3ximo de 90% da corrente de com\u00e9rcio e que vai se desgravando [reduzindo gradualmente as tarifas] em um horizonte de 15 anos. Temos, por\u00e9m, alguns ajustes para fazer intrabloco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Valor: Com a Argentina?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Monteiro: Sobretudo com a Argentina que, por ter ind\u00fastria, \u00e9 algo mais sens\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Valor: O sr. disse que \"as dores\" do processo de ajuste da economia mudaram a disposi\u00e7\u00e3o do governo para um com\u00e9rcio mais livre. O c\u00e2mbio tamb\u00e9m d\u00e1 uma m\u00e3o, n\u00e3o \u00e9?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Monteiro: Os anos de aprecia\u00e7\u00e3o cambial produziram um efeito terr\u00edvel, especialmente na ind\u00fastria. Agora o c\u00e2mbio est\u00e1 nos oferecendo uma situa\u00e7\u00e3o melhor \u00ac n\u00e3o que voc\u00ea tenha algo extraordin\u00e1rio, porque as outras moedas tamb\u00e9m se desvalorizaram perante o d\u00f3lar. Mas a nossa posi\u00e7\u00e3o relativa melhorou com a flutua\u00e7\u00e3o. Com esse c\u00e2mbio podemos compensar uma s\u00e9rie de desvantagens competitivas que o Brasil tem e que ainda vai carregar por algum tempo, na infraestrutura, na queda da produtividade, no sistema tribut\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Valor: Nesse contexto, o papel do plano de exporta\u00e7\u00e3o se torna relevante?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Monteiro: O plano tem um efeito mobilizador do setor empresarial. Para constru\u00ed\u00aclo fomos conversar com o setor privado e come\u00e7amos a sentir que v\u00e1rios setores \u00ac alguns que j\u00e1 haviam colocado a exporta\u00e7\u00e3o fora do radar por algum tempo \u00ac voltaram a olhar o mercado externo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Valor: Por exemplo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Monteiro: Setores tradicionais, por exemplo o t\u00eaxtil, de bens de capital, de cer\u00e2mica. O \u00fanico crescimento que a Abimaq registrou o ano passado foi exatamente na exporta\u00e7\u00e3o. O Brasil exportou quase US$ 2,4 bilh\u00f5es de m\u00e1quinas e equipamentos para os EUA. O setor automotivo, que ficou amparado nas altas tarifas de importa\u00e7\u00e3o...<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Valor: J\u00e1 foi mais exportador no passado, n\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Monteiro: No passado a ind\u00fastria automobil\u00edstica chegou a vender 800 mil unidades no mercado externo. Hoje restou a exporta\u00e7\u00e3o de umas 250 mil unidades para a Argentina. Olhando o cen\u00e1rio atual, se o setor automotivo \u00e9 mais moderno, se tem produtos de padr\u00e3o mundial, o que falta para a ind\u00fastria exportar? Faltava ela entender que a demanda dom\u00e9stica caiu. Os n\u00fameros est\u00e3o a\u00ed: queda de 27% no \u00faltimo m\u00eas\u037e e de mais de 20% na m\u00e9dia no acumulado de um ano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Valor: N\u00e3o seria o caso de exportar da base industrial daqui?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Monteiro: H\u00e1 decis\u00f5es que se d\u00e3o intrafirma. Por exemplo: o EcoSport, da Ford, era vendido para o mercado mexicano a partir da base brasileira e, ao longo do tempo, essa equa\u00e7\u00e3o mudou. Poder\u00edamos suprir parte da demanda do mercado americano a partir da planta da Fiat no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Valor: Essa \u00e9 a sa\u00edda para as montadoras no curto prazo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Monteiro: Acho que a exporta\u00e7\u00e3o \u00e9 um canal \u00f3bvio. Agora, o Brasil tem que fazer muita coisa nessa perspectiva. Primeiro, ter um olhar sobre o com\u00e9rcio exterior mais permanente. O com\u00e9rcio exterior no Brasil sempre foi uma v\u00e1lvula conjuntural. H\u00e1 vendas associadas a servi\u00e7os e \u00e9 precisa estruturar o canal de comercializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Valor: O plano tem metas?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Monteiro: N\u00e3o. Pretendemos ampliar a base de empresas exportadoras, que \u00e9 muito concentrada. S\u00f3 20 mil empresas brasileiras exportam e, dessas, 40 empresas respondem por mais de 50% do com\u00e9rcio exterior. O desafio \u00e9 fazer com que a m\u00e9dia empresa brasileira industrial \u00ac e a pequena, numa certa medida \u00ac entre na exporta\u00e7\u00e3o. Na discuss\u00e3o do plano, queremos valorizar a participa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m das m\u00e9dias e pequenas empresas comerciais exportadoras (tradings).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Valor: Com a taxa de c\u00e2mbio mais depreciada \u00e9 poss\u00edvel produzir super\u00e1vit comercial este ano?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Monteiro: Temos esse objetivo e j\u00e1 estamos identificando algumas coisas. Por exemplo: h\u00e1 certo surto de substitui\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00f5es j\u00e1 pelo efeito do c\u00e2mbio em algumas \u00e1reas. \u00c9 como se a ind\u00fastria estivesse recuperando espa\u00e7os no mercado dom\u00e9stico, porque as importa\u00e7\u00f5es ficaram mais caras. Na balan\u00e7a comercial o resultado que vir\u00e1 primeiro \u00e9 esse, de substitui\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Valor: Definido o Plano de Exporta\u00e7\u00e3o, quais os seus pr\u00f3ximos passos, ministro?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Monteiro: Pol\u00edtica industrial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Valor: Outra?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Monteiro: Eu defendo e vou continuar a defender a ideia do que \u00e9 pol\u00edtica industrial. N\u00e3o \u00e9 um pacto com a inefici\u00eancia e n\u00e3o \u00e9 reclamar prote\u00e7\u00e3o e subs\u00eddios. Acho que \u00e9 preciso fazer uma alian\u00e7a clara do setor privado com o governo com o objetivo de fortalecer a ind\u00fastria, porque em \u00faltima inst\u00e2ncia todos reconhecem que a ind\u00fastria \u00e9 um ativo importante. Se voc\u00ea olhar a experi\u00eancia do que aconteceu l\u00e1 fora, na Coreia, por exemplo, foi uma alian\u00e7a muito forte dos governos com o setor privado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Valor: H\u00e1 uma sequ\u00eancia de pol\u00edticas industriais no pa\u00eds...<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Monteiro: Sim. N\u00f3s tivemos tr\u00eas gera\u00e7\u00f5es de pol\u00edtica industrial mais recentemente que tiveram l\u00e1 a sua l\u00f3gica, mas o fato \u00e9 que agora n\u00f3s estamos desafiados a repensar a pol\u00edtica industrial \u00e0 luz das novas condi\u00e7\u00f5es internacionais. Nesse momento estamos discutindo amplamente com entidades, com o ambiente acad\u00eamico, com os setores, porque n\u00f3s precisamos oferecer isso. As gera\u00e7\u00f5es de pol\u00edtica industrial que n\u00f3s tivemos estavam muito presas a resultados macro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Valor: E o que seria micro?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Monteiro: Por exemplo, um grande programa para elevar a produtividade da ind\u00fastria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Valor: Como?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Monteiro: Tem uma s\u00e9rie de coisas a\u00ed, desde programas de extens\u00e3o industrial e tecnol\u00f3gica, a ideia de criar uma esp\u00e9cie de Pronatec \u00acEmpresa, para focar os programas de capacita\u00e7\u00e3o na verdadeira demanda, olhando a produtividade da empresa. Tem setores da ind\u00fastria mais tradicional que est\u00e3o muito envelhecidos. A idade m\u00e9dia das m\u00e1quinas em alguns setores alcan\u00e7a mais de 20 anos, 25 anos, enquanto que os padr\u00f5es internacionais s\u00e3o de oito anos, alguma coisa assim. Precisamos reduzir o custo dos insumos para criar pela base a competitividade da ind\u00fastria. E a\u00ed, se houver espa\u00e7o para alguma desonera\u00e7\u00e3o \u00ac porque m\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o para os pr\u00f3ximos seis meses, vamos ter processos horizontais de desonera\u00e7\u00e3o, associados \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os da ind\u00fastria. E a\u00ed voc\u00ea lembra logo do custo da energia e de alguns insumos tamb\u00e9m, que a gente precisa ver.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Valor: A redu\u00e7\u00e3o das tarifas de energia foi-\u00acse embora com os aumentos mais recentes e ainda deixou uma conta pesada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Monteiro: Foi\u00ac-se embora, houve a\u00ed todo esse processo, mas n\u00e3o se pode deixar de olhar a quest\u00e3o do custo da energia, se voc\u00ea quiser ter uma ind\u00fastria competitiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Valor: Agora s\u00f3 para a gente terminar, sei que o sr. est\u00e1 com compromisso\u037e Pol\u00edtica industrial vai ser o pr\u00f3ximo passo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Monteiro: Eu acho que o pr\u00f3ximo passo \u00e9 a gente explicitar as linhas da nova pol\u00edtica industrial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(Valor Econ\u00f4mico)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>08\/06\/2015 Limitado pelo esgotamento de recursos do Tesouro Nacional e sem a bonan\u00e7a externa que ajudou o Brasil at\u00e9 2011, o ministro do Desenvolvimento, Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio, Armando Monteiro, preparou o Plano Nacional de Exporta\u00e7\u00e3o, que ser\u00e1 anunciado pela presidente Dilma Rousseff no dia 23, com cinco pilares de sustenta\u00e7\u00e3o: acesso a mercados mediante acordos <a href=\"https:\/\/www.sindilat.com.br\/site\/2015\/06\/08\/plano-nacional-de-exportacao-tem-foco-no-curto-prazo-enquanto-pais-nao-soluciona-deficiencias\/\" class=\"more-link\">...continuar lendo<span class=\"screen-reader-text\"> \"Plano Nacional de Exporta\u00e7\u00e3o: tem foco no curto prazo enquanto pa\u00eds n\u00e3o soluciona defici\u00eancias\"<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":459,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[18],"tags":[],"class_list":{"0":"post-460","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-noticias","8":"h-entry","9":"hentry","10":"h-as-article"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sindilat.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/460","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sindilat.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sindilat.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sindilat.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sindilat.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=460"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.sindilat.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/460\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sindilat.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/459"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sindilat.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=460"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sindilat.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=460"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sindilat.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=460"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}