{"id":18704,"date":"2026-02-10T19:56:37","date_gmt":"2026-02-10T19:56:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sindilat.com.br\/site\/?p=18704"},"modified":"2026-02-10T20:01:25","modified_gmt":"2026-02-10T20:01:25","slug":"10-02-2025-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sindilat.com.br\/site\/2026\/02\/10\/10-02-2025-2\/","title":{"rendered":"10\/02\/2025"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/dl.dnzdns.com\/v\/9wC509ABF0420\" alt=\"\" data-cke-saved-src=\"https:\/\/dl.dnzdns.com\/v\/9wC509ABF0420\"><\/p>\n<div id=\"icpbravoaccess_loaded\">\n<div id=\"icpbravoaccess_loaded\">\n<div id=\"icpbravoaccess_loaded\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Porto Alegre, 10 de fevereiro de 2026&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Ano 20 - N\u00b0 4.571<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<hr>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Estudo tra\u00e7a sistemas t\u00edpicos da pequena produ\u00e7\u00e3o de leite no Rio Grande do Sul em 2025<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Levantamento realizado em workshop com especialistas detalha a realidade de dois sistemas t\u00edpicos da agricultura familiar e aponta tend\u00eancias de concentra\u00e7\u00e3o no setor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Rio Grande do Sul, a produ\u00e7\u00e3o anual de leite tem se mantido est\u00e1vel, na casa dos 4 bilh\u00f5es de litros nos anos recentes. No entanto, a estrutura por tr\u00e1s desses n\u00fameros est\u00e1 mudando: h\u00e1 uma redu\u00e7\u00e3o expressiva do n\u00famero de produtores, acompanhada pelo aumento da produtividade por vaca e do n\u00famero m\u00e9dio de animais por estabelecimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para compreender essas transforma\u00e7\u00f5es, foi realizado em dezembro de 2025 um workshop em Cruz Alta (RS) reunindo especialistas\u00b9, pesquisadores e t\u00e9cnicos. O encontro levantou indicadores de efici\u00eancia de cinco sistemas produtivos. Os dois modelos de menor escala s\u00e3o o foco desta an\u00e1lise: fazem uso de m\u00e3o de obra familiar e a produ\u00e7\u00e3o \u00e9 a base de pasto, e que juntos representam 80% dos estabelecimentos e um quarto da produ\u00e7\u00e3o total do estado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Abaixo, detalhamos o raio-X desses dois sistemas, identificados pelos c\u00f3digos RS15-150 (menor escala) e RS30-500 (escala intermedi\u00e1ria).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sistema de produ\u00e7\u00e3o RS 15-150:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse sistema \u00e9 representativo para 62% dos estabelecimentos do estado, concentrando 33% do rebanho de vacas e s\u00e3o respons\u00e1veis por 11% da produ\u00e7\u00e3o total de leite;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A produ\u00e7\u00e3o total di\u00e1ria \u00e9 de 150 litros, equivalente a 12,5 litros de leite por vaca em lacta\u00e7\u00e3o, de um total de 12 animais. Considerando o rebanho total de 15 vacas, a produ\u00e7\u00e3o m\u00e9dia por animal \u00e9 de 10 litros\/dia. O valor de mercado para uma vaca no in\u00edcio da lacta\u00e7\u00e3o \u00e9 estimado em R$ 6.000;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ocupa 16 ha de terra, sendo 90% em pastagens, dos quais 9 ha s\u00e3o anuais e 4 ha em perenes. As perenes t\u00eam um custo de manuten\u00e7\u00e3o de R$ 400 por ha\/ano, possibilitando uma taxa de lota\u00e7\u00e3o de 2,0 UA por ha. Destinam-se ainda 2 ha de milho para produ\u00e7\u00e3o de silagem.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A idade da novilha ao primeiro parto \u00e9 de 30 meses;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uso exclusivo da m\u00e3o de obra familiar, na base de 0,8 pessoas, que resulta em uma produtividade de 200 litros de leite por dia trabalhado, ao custo equivalente a um sal\u00e1rio bruto de R$ 3.982 por m\u00eas, para um sal\u00e1rio l\u00edquido de R$ 3.000 por m\u00eas por unidade de trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tabela 1 ATIVIDADE LEITEIRA \u2013 Caracter\u00edsticas t\u00e9cnicas, estrutura da produ\u00e7\u00e3o e produtividade de dois sistemas t\u00edpicos da produ\u00e7\u00e3o de leite \u00e0 pasto em base familiar do RS, 2025.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/dl.dnzdns.com\/v\/bredacABF0411\" alt=\"\" data-cke-saved-src=\"https:\/\/dl.dnzdns.com\/v\/bredacABF0411\"><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(*) Identificado por: UF; total de vacas; L\/ faz.\/dia.<br \/>\n(**) Valores monet\u00e1rios em R$\/Dez 2025.<br \/>\nFonte: Dados de levantamento em Workshop realizado em dezembro de 2025, em Cruz Alta, RS.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sistema de produ\u00e7\u00e3o RS 30-500:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Representativo de sistema t\u00edpico de um quarto dos produtores ga\u00fachos que, no agregado respondem por 15% da produ\u00e7\u00e3o estadual de leite;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A produ\u00e7\u00e3o di\u00e1ria \u00e9 de 500 litros, em m\u00e9dia 19,2 litros com 26 vacas em lacta\u00e7\u00e3o. Considerando o total de 30 vacas, a produ\u00e7\u00e3o m\u00e9dia \u00e9 de 16,7 litros por dia.&nbsp; O valor de mercado estimado para uma vaca no in\u00edcio da lacta\u00e7\u00e3o \u00e9 de R$ 8.000;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ocupa 33 ha de terra, com dois ter\u00e7os destinados a pastagens, sendo a metade em pastagens anuais (16 ha), a um custo m\u00e9dio de manuten\u00e7\u00e3o de R$ 3.000 por ha\/ano. As perenes ocupam 6 ha, com um custo de manuten\u00e7\u00e3o de R$ 1.200 por ha\/ano, possibilitando taxa de lota\u00e7\u00e3o de 3,0 UA por ha. A produ\u00e7\u00e3o de silagem de milho ocupa 11 ha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A idade da novilha no primeiro parto \u00e9 de 28 meses;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uso de 2 unidades de m\u00e3o de obra familiar, com produtividade de 276 litros por dia trabalhado. O custo dessa m\u00e3o de obra \u00e9 equivalente a um sal\u00e1rio bruto de R$ 3.982 por m\u00eas, para um sal\u00e1rio l\u00edquido de R$ 3.000 por m\u00eas por unidade de trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Receitas e custos do leite<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para entender a sa\u00fade financeira desses sistemas, o estudo analisou os custos de produ\u00e7\u00e3o considerando apenas a produ\u00e7\u00e3o de leite. A l\u00f3gica usada pelos especialistas foi transformar o pre\u00e7o l\u00edquido recebido pelo leite na \"Receita Total\" (100%) e avaliar quanto cada despesa consome dessa renda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A an\u00e1lise divide as despesas em dois grupos:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Custo Operacional Efetivo (COE): \u00e9 o dinheiro que realmente sai do bolso do produtor para pagar insumos e servi\u00e7os a pre\u00e7os de mercado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Custo Operacional Total (COT): \u00e9 a soma do item anterior com custos que n\u00e3o envolvem desembolso imediato, mas s\u00e3o reais: a deprecia\u00e7\u00e3o (o desgaste das m\u00e1quinas e instala\u00e7\u00f5es) e o valor da m\u00e3o de obra familiar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tabela 2 - Estimativas da renda total e despesas anuais em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 renda total de dois sistemas t\u00edpicos da produ\u00e7\u00e3o de leite \u00e0 pasto em base familiar do RS, 2025.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/dl.dnzdns.com\/v\/fCJEb6ABF0478\" alt=\"\" data-cke-saved-src=\"https:\/\/dl.dnzdns.com\/v\/fCJEb6ABF0478\"><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(*) Identificado por: UF; total de vacas; L\/ faz.\/dia.<br \/>\n(**) Valores monet\u00e1rios em R$\/Dez 2025.<br \/>\nFonte: Dados de levantamento em Workshop realizado em dezembro de 2025, em Cruz Alta, RS.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gastos diretos s\u00e3o parecidos quando olhamos apenas para o dinheiro que sai do caixa (Custo Operacional Efetivo), os dois sistemas s\u00e3o muito parecidos. No sistema menor (RS15-150), esses gastos consomem 58% da receita, enquanto no maior (RS30-500), consomem 54%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O peso da alimenta\u00e7\u00e3o das vacas \u00e9 id\u00eantico proporcionalmente: em ambos os casos, a ra\u00e7\u00e3o (concentrado) \"come\" 25%&nbsp; da renda do leite, e o volumoso (pasto\/silagem) representa 7%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O peso \"invis\u00edvel\" da m\u00e3o de obra e deprecia\u00e7\u00e3o&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As grandes diferen\u00e7as aparecem quando calculamos o Custo Total. O sistema menor sofre mais com o peso da m\u00e3o de obra familiar e da deprecia\u00e7\u00e3o, pois tem menos leite para pagar essas contas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Somando deprecia\u00e7\u00e3o e m\u00e3o de obra, essa fatura representa:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">41% da receita no sistema pequeno (sendo 12% de deprecia\u00e7\u00e3o e 29% de m\u00e3o de obra).<br \/>\n31% da receita no sistema maior (sendo 10% de deprecia\u00e7\u00e3o e 21% de m\u00e3o de obra).<br \/>\nEm resumo, a menor produtividade por vaca e o baixo volume di\u00e1rio tiram a competitividade do pequeno produtor, tornando sua estrutura proporcionalmente mais cara. O resultado final mostra a fragilidade do sistema menor. O RS 15-150 consegue pagar seu Custo Total (que atinge 99% da receita), mas sobra uma margem l\u00edquida de apenas 1%, uma folga financeira perigosamente limitada. J\u00e1 no sistema RS30-500, a efici\u00eancia dilui os custos, garantindo uma margem l\u00edquida de 15%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Receitas e custos da atividade leiteira<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O estudo tamb\u00e9m colocou na ponta do l\u00e1pis os custos para criar as novilhas (as futuras vacas leiteiras). Embora calculados separadamente, esses valores comp\u00f5em o resultado geral da propriedade. A boa not\u00edcia \u00e9 que, em ambos os modelos, a cria\u00e7\u00e3o de animais trouxe retorno positivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Custo de reposi\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No sistema menor (RS15-150): A novilha tem o primeiro parto mais tarde, aos 32 meses. O custo total para cri\u00e1-la \u00e9 de R$ 4.684. Isso representa 78% do seu valor de mercado (estimado em R$ 6.000).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No sistema maior (RS30-500): A novilha \u00e9 mais precoce, parindo aos 30 meses. O custo de cria\u00e7\u00e3o \u00e9 maior, R$ 5.788, mas como o animal \u00e9 mais valorizado (R$ 8.000), esse custo compromete uma fatia menor do valor final: 72%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tabela 3 - ATIVIDADE LEITEIRA \u2013 Estimativa da renda l\u00edquida anual de dois sistemas t\u00edpicos da produ\u00e7\u00e3o de leite \u00e0 pasto em base familiar do RS, 2025.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/dl.dnzdns.com\/v\/um2T1cAB5K40434\" alt=\"\" data-cke-saved-src=\"https:\/\/dl.dnzdns.com\/v\/um2T1cAB5K40434\"><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(*) Identificado por: UF; total de vacas; L\/ faz.\/dia.<br \/>\n(**) Valores monet\u00e1rios em R$\/Dez 2025.<br \/>\nFonte: Dados de levantamento em Workshop realizado em dezembro de 2025, em Cruz Alta, RS.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para concluir, o levantamento consolidou todas as rendas (leite + venda de animais) e descontou todos os custos anuais:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sistema RS15-150: no limite do reinvestimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este modelo gera uma receita anual total de R$ 135 mil. Depois de pagar todas as contas do dia a dia e descontar a deprecia\u00e7\u00e3o, o que sobra para remunerar a m\u00e3o de obra da fam\u00edlia \u00e9 R$ 38 mil por ano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso equivale a um sal\u00e1rio de R$ 3.200 mensais por pessoa (j\u00e1 considerando encargos como 13\u00ba, f\u00e9rias e FGTS).<br \/>\nA \"sobra l\u00edquida\" real, ou seja, o dinheiro livre para a propriedade reinvestir e crescer, \u00e9 de apenas R$ 4 mil por ano.&nbsp;&nbsp;<br \/>\nSistema RS30-500: viabilidade a longo prazo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A escala maior movimenta uma receita bruta de R$ 475 mil por ano. Ap\u00f3s deduzir custos operacionais e deprecia\u00e7\u00e3o (R$ 292 mil), a remunera\u00e7\u00e3o para as duas pessoas da fam\u00edlia que trabalham no local \u00e9 de R$ 95 mil por ano (cerca de R$ 8 mil mensais).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A renda l\u00edquida anual da atividade fecha em R$ 86 mil (18% da receita bruta).<br \/>\nEsse resultado permite uma remunera\u00e7\u00e3o de 2,2% ao ano sobre o capital investido, classificando esses empreendimentos como vi\u00e1veis financeiramente no longo prazo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Escala e produtividade<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os indicadores mostram que sistemas com menor produtividade por vaca e com menor volume de produ\u00e7\u00e3o t\u00eam custos relativos mais altos e percebem pre\u00e7os l\u00edquidos inferiores \u00e0 m\u00e9dia estadual, reduzindo sua competitividade. Nesse contexto, estudos da Emater-RS de 2023 refor\u00e7am essa tend\u00eancia e indicam que a categoria dos estabelecimentos acima de 500 litros por dia foi a \u00fanica que apresentou crescimento em n\u00famero de produtores, cerca de 1% ao ano. Portanto, o Rio Grande do Sul est\u00e1 em uma din\u00e2mica de concentra\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o: menos propriedades, por\u00e9m com maior escala, produtividade animal e efici\u00eancia por \u00e1rea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desafios para permanecer na atividade<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de produtores, principalmente aqueles com menores escalas, tamb\u00e9m \u00e9 observada em outras regi\u00f5es do Brasil. A perman\u00eancia desses produtores na atividade \u00e9 um desafio para a cadeia de l\u00e1cteos, seus atores sociais e para os formuladores de pol\u00edticas p\u00fablicas e para o setor privado. A pol\u00edtica brasileira de pagamento pelo leite, com elevada bonifica\u00e7\u00e3o por volume, tem papel fundamental no direcionamento da atividade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O aumento do volume de produ\u00e7\u00e3o e produtividade requer apropria\u00e7\u00e3o de novas tecnologias e melhorias estruturais, que dependem de investimentos que nem sempre est\u00e3o ao alcance dos produtores com menores escalas. Entretanto, para um produtor, com o sistema RS15-150, passar para o outro patamar, precisaria, por exemplo, ampliar o rebanho em pelo menos 15 vacas para justificar o uso de uma unidade de m\u00e3o de obra adicional. Esse salto esbarra n\u00e3o apenas na limita\u00e7\u00e3o de capital, mas tamb\u00e9m na dificuldade de encontrar m\u00e3o de obra qualificada e disposta a trabalhar no meio rural. Portanto, a mudan\u00e7a de escala implica na amplia\u00e7\u00e3o adequada de todos os recursos da atividade: terra, capital, trabalho, rebanho e gest\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00b9Participantes: Alberto Petiz \u2013 CCGL; Alessandra Bridi \u2013 Pesquisadora RTC\/CCGL; Darlan Palharini \u2013 SINDILAT; \u00c9der Motta \u2013 CCGL; Jarlan Nascimento \u2013 CCGL; Michel Kraemer \u2013 CCGL; Nat\u00e1lia Bastos \u2013 CCGL; N\u00edcolas Petry \u2013 CCGL; Oldemar Weiller \u2013 EMATER\/RS; Renan Faccio \u2013 CCGL; e Silvana Trindade \u2013 CCGL.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<hr>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Indice FAO | Excesso de gordura derruba pre\u00e7os globais dos l\u00e1cteos<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pre\u00e7os globais dos l\u00e1cteos entram em fase de ajuste: gordura perde valor e prote\u00ednas sustentam o com\u00e9rcio em regi\u00f5es deficit\u00e1rias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pre\u00e7os globais dos l\u00e1cteos entraram em trajet\u00f3ria de queda em janeiro, refletindo um cen\u00e1rio de disponibilidade confort\u00e1vel para exporta\u00e7\u00e3o nas principais regi\u00f5es produtoras.<br \/>\nO movimento ocorreu em paralelo \u00e0 quinta retra\u00e7\u00e3o consecutiva do \u00cdndice de Pre\u00e7os de Alimentos da FAO, que atingiu m\u00e9dia de 123,9 pontos \u2014 0,4% abaixo do m\u00eas anterior e 0,6% inferior ao registrado um ano antes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre os componentes do \u00edndice, os l\u00e1cteos apresentaram o ajuste mais intenso. O indicador espec\u00edfico do setor caiu 5,0% frente a dezembro, em um ambiente no qual a oferta superou a demanda sazonal. Para operadores do mercado, o dado refor\u00e7a uma mudan\u00e7a de curto prazo: o equil\u00edbrio deixou de ser determinado por escassez e passou a ser moldado pela abund\u00e2ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Queijo e manteiga lideraram as perdas. A maior disponibilidade export\u00e1vel reduziu o poder de sustenta\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os, especialmente em produtos com alto teor de gordura. O comportamento sugere que estoques adequados \u2014 ou at\u00e9 superiores ao necess\u00e1rio \u2014 est\u00e3o limitando rea\u00e7\u00f5es de alta mesmo em per\u00edodos tradicionalmente mais firmes para o consumo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na dire\u00e7\u00e3o oposta, o leite em p\u00f3 desnatado registrou valoriza\u00e7\u00e3o. A FAO atribui o avan\u00e7o \u00e0 retomada das importa\u00e7\u00f5es por pa\u00edses do Oriente Pr\u00f3ximo, Norte da \u00c1frica e partes da \u00c1sia. O fluxo indica que ingredientes proteicos seguem estrat\u00e9gicos para mercados com d\u00e9ficit estrutural de produ\u00e7\u00e3o, mantendo um vetor de demanda relativamente resiliente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse descolamento entre gordura e prote\u00edna ajuda a explicar a atual configura\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio internacional. Enquanto derivados mais energ\u00e9ticos enfrentam press\u00e3o, ingredientes voltados \u00e0 formula\u00e7\u00e3o industrial continuam encontrando compradores. Para empresas com portf\u00f3lio diversificado, a leitura \u00e9 clara: mix de produtos pode ser determinante para atravessar ciclos de pre\u00e7os mais baixos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ajuste nos l\u00e1cteos tamb\u00e9m ocorreu dentro de um quadro mais amplo de commodities. Carnes e a\u00e7\u00facar recuaram no mesmo per\u00edodo, ao passo que os \u00f3leos vegetais subiram impulsionados por restri\u00e7\u00f5es de oferta e pela demanda ligada a biocombust\u00edveis. O contraste evidencia que, embora os alimentos compartilhem fatores macroecon\u00f4micos, cada cadeia responde a fundamentos pr\u00f3prios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No campo das proje\u00e7\u00f5es, a FAO estima que a produ\u00e7\u00e3o global de cereais alcance um recorde de 3,023 bilh\u00f5es de toneladas em 2025. O resultado seria sustentado por maiores colheitas de trigo na Argentina, Canad\u00e1 e Uni\u00e3o Europeia, al\u00e9m da expans\u00e3o do milho na China e nos Estados Unidos. Uma base robusta de gr\u00e3os tende a favorecer a estabilidade dos pre\u00e7os alimentares, reduzindo riscos inflacion\u00e1rios ao longo da cadeia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o setor leiteiro, o momento \u00e9 descrito como uma fase de conforto pelo lado da oferta, e n\u00e3o de tens\u00e3o pela demanda. Pa\u00edses importadores se beneficiam de condi\u00e7\u00f5es mais previs\u00edveis, potencialmente ampliando sua capacidade de compra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 para exportadores \u2014 sobretudo aqueles com custos de produ\u00e7\u00e3o elevados \u2014 o cen\u00e1rio pode significar compress\u00e3o das margens e maior press\u00e3o sobre os pre\u00e7os pagos ao produtor. Em termos estrat\u00e9gicos, o sinal n\u00e3o \u00e9 apenas conjuntural: indica um mercado mais sens\u00edvel ao volume dispon\u00edvel do que \u00e0 urg\u00eancia por abastecimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A leitura central para tomadores de decis\u00e3o \u00e9 objetiva: quando a oferta dita o ritmo, efici\u00eancia operacional, gest\u00e3o de custos e posicionamento comercial deixam de ser diferenciais e passam a ser requisitos b\u00e1sicos para competir. (Escrito para o eDairyNews, com informa\u00e7\u00f5es de Dairy News Today)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>C\u00e2mara deve votar em maio PEC que acaba com a escala 6x1, diz Motta<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Presidente da C\u00e2mara diz que essa \u00e9 a 'expectativa' da C\u00e2mara para a proposta, que deve ser tratada como uma das prioridades dos deputados para este ano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O presidente da C\u00e2mara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nesta ter\u00e7a-feira (10) que a expectativa \u00e9 votar, em maio, a Proposta de Emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o (PEC) que p\u00f5e fim \u00e0 escala 6x1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\"O mundo evoluiu, as tecnologias se desenvolveram e o Brasil n\u00e3o pode ficar pra tr\u00e1s. Vamos capitanear a discuss\u00e3o ouvindo a sociedade e o setor produtivo, com a expectativa de vota\u00e7\u00e3o em maio\", disse o presidente da Casa, em uma rede social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na segunda-feira (9), Motta anunciou o envio do texto para a Comiss\u00e3o de Constitui\u00e7\u00e3o e Justi\u00e7a (CCJ). Segundo o parlamentar, ap\u00f3s a an\u00e1lise do texto pelo colegiado, a proposta ser\u00e1 encaminhada para debate em uma comiss\u00e3o especial da C\u00e2mara.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Caso seja aprovada pela CCJ e pela comiss\u00e3o especial, a PEC segue para vota\u00e7\u00e3o no plen\u00e1rio. O que deve ocorrer no m\u00eas de maio, conforme a previs\u00e3o de Motta. L<a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/politica\/noticia\/2026\/02\/10\/hugo-motta-diz-que-expectativa-da-camara-e-votar-pec-que-acaba-com-a-escala-6x1-em-maio.ghtml\" data-cke-saved-href=\"https:\/\/g1.globo.com\/politica\/noticia\/2026\/02\/10\/hugo-motta-diz-que-expectativa-da-camara-e-votar-pec-que-acaba-com-a-escala-6x1-em-maio.ghtml\">eia a mat\u00e9ria completa clicando aqui&nbsp;<\/a>(G1)<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<hr>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: center;\"><i><b>Jogo R\u00e1pido<br \/>\n<\/b><\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><i><b>Agroneg\u00f3cio responde por mais de um quarto dos empregos no Brasil<\/b><br \/>\nO agroneg\u00f3cio brasileiro empregou 28,58 milh\u00f5es de pessoas no terceiro trimestre de 2025, um crescimento de 2,0% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo de 2024 \u2014 o equivalente a quase 569 mil novos postos de trabalho. Os dados s\u00e3o de pesquisas do Cepea, da Esalq\/USP, em parceria com a CNA, e representam o maior contingente j\u00e1 registrado para um trimestre desde o in\u00edcio da s\u00e9rie hist\u00f3rica, em 2012. No mercado de trabalho brasileiro como um todo, o avan\u00e7o foi de 1,3% na mesma compara\u00e7\u00e3o, com cerca de 1,37 milh\u00e3o de trabalhadores a mais. Com isso, a participa\u00e7\u00e3o do agroneg\u00f3cio no total de ocupa\u00e7\u00f5es do pa\u00eds chegou a 26,35% no terceiro trimestre de 2025, acima dos 26,15% observados um ano antes. No segmento de insumos, o n\u00famero de pessoas ocupadas cresceu 1,5% na compara\u00e7\u00e3o anual. Com exce\u00e7\u00e3o das ind\u00fastrias de ra\u00e7\u00f5es, todas as atividades do segmento registraram expans\u00e3o, com destaque para as ind\u00fastrias de fertilizantes, defensivos, medicamentos veterin\u00e1rios e m\u00e1quinas agr\u00edcolas. Esse avan\u00e7o reflete o fortalecimento econ\u00f4mico das atividades agropecu\u00e1rias e a crescente demanda por insumos ao longo dos \u00faltimos anos. Nas atividades dentro da porteira, o contingente de trabalhadores aumentou 0,7%, impulsionado tanto pela agricultura quanto pela pecu\u00e1ria. J\u00e1 na agroind\u00fastria, o crescimento foi de 1%. Entre as agroind\u00fastrias de base agr\u00edcola, contribu\u00edram para esse resultado os segmentos de vestu\u00e1rio e acess\u00f3rios, bebidas, m\u00f3veis de madeira e etanol. No caso das agroind\u00fastrias de base pecu\u00e1ria, o desempenho positivo veio principalmente dos setores de abate de animais e latic\u00ednios. O maior avan\u00e7o, por\u00e9m, foi observado nos agrosservi\u00e7os, com crescimento de 4,5% em rela\u00e7\u00e3o ao terceiro trimestre de 2024. Esse movimento reflete tanto o cen\u00e1rio econ\u00f4mico nacional quanto o aumento da relev\u00e2ncia dos servi\u00e7os ligados ao agroneg\u00f3cio. A retomada das atividades agroindustriais, aliada \u00e0s expectativas de safras recordes e \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o de elevados n\u00edveis de abate, ampliou a demanda por m\u00e3o de obra nos servi\u00e7os que sustentam essas cadeias, contribuindo para aquecer o mercado de trabalho. As informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o do Cepea, adaptadas pela equipe MilkPoint.<\/i><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<hr>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Porto Alegre, 10 de fevereiro de 2026&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Ano 20 - N\u00b0 4.571 Estudo tra\u00e7a sistemas t\u00edpicos da pequena produ\u00e7\u00e3o de leite no Rio Grande do Sul em 2025 Levantamento realizado <a href=\"https:\/\/www.sindilat.com.br\/site\/2026\/02\/10\/10-02-2025-2\/\" class=\"more-link\">...continuar lendo<span class=\"screen-reader-text\"> \"10\/02\/2025\"<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[28],"tags":[],"class_list":{"0":"post-18704","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","6":"category-newsletter","7":"h-entry","8":"hentry","9":"h-as-article"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sindilat.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18704","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sindilat.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sindilat.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sindilat.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sindilat.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18704"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/www.sindilat.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18704\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18707,"href":"https:\/\/www.sindilat.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18704\/revisions\/18707"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sindilat.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18704"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sindilat.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18704"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sindilat.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18704"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}