{"id":1861,"date":"2018-02-01T17:26:09","date_gmt":"2018-02-01T17:26:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sindilat.com.br\/site\/2018\/02\/01\/01-02-2018\/"},"modified":"2018-02-01T17:26:09","modified_gmt":"2018-02-01T17:26:09","slug":"01-02-2018","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sindilat.com.br\/site\/2018\/02\/01\/01-02-2018\/","title":{"rendered":"01\/02\/2018"},"content":{"rendered":"<p>\u00a0<\/p>\n<div style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.sindilat.com.br\" style=\"font-size: 12px; font-family: verdana, geneva, sans-serif;\"><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/cache.mail2easy.com.br\/i\/6186\/5\" style=\"height: 82px; width: 643px;\" \/><\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: center;\">\n<p><strong><em>Porto Alegre, 01 de fevereiro de 2018<\/em><\/strong><strong><em>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Ano 12 - N\u00b0 2.668<\/em><\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12px;\"><span style=\"font-family: tahoma,geneva,sans-serif;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/cache.mail2easy.com.br\/i\/6186\/6\" \/><\/span><\/span><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/cache.mail2easy.com.br\/i\/6186\/7\" style=\"font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12px; height: 16px; text-align: justify; width: 811px;\" \/><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\"><strong><u><span style=\"font-size: 12px;\"><span style=\"font-family: tahoma,geneva,sans-serif;\"><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/cache.mail2easy.com.br\/i\/6186\/8\" style=\"float: left; height: 34px; width: 53px;\" \/><\/span><\/span><\/u><\/strong><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong>65% pessoas n\u00e3o tolera a lactose. Mas pint\u00e1-la como vil\u00e3 \u00e9 um exagero, e abandonar os latic\u00ednios sem necessidade pode ser uma roubada para a sua sa\u00fade<\/strong><\/p>\n<p> A primeira coisa que voc\u00ea provou na sua vida foi leite. Foi leite tamb\u00e9m a \u00fanica coisa que voc\u00ea \"comeu\" at\u00e9 os 6 meses de idade, substituindo qualquer outra comida, bebida e at\u00e9 mesmo a \u00e1gua. \u00c9 \"leite que nunca azeda\" o que jorra no para\u00edso mu\u00e7ulmano e \u00e9 ele que existe em abund\u00e2ncia na terra prometida dos judeus. Cle\u00f3patra se banhava em leite para ficar eternamente jovem.\u00a0<\/p>\n<p> Segundo a lenda, R\u00f4mulo, o irm\u00e3o de Remo, s\u00f3 fundou Roma porque foi amamentado por uma loba. Hoje, o leite \u00e9 o segundo alimento mais consumido do planeta - atr\u00e1s apenas do milho - e n\u00f3s brasileiros tomamos 60 litros desse l\u00edquido milagroso por ano. E ele \u00e9 milagroso mesmo: um copo de leite de vaca tem os carboidratos de uma fatia de p\u00e3o, as prote\u00ednas de um ovo, o f\u00f3sforo de uma concha e meia de feij\u00e3o e o c\u00e1lcio de 1,4 kg de espinafre.<\/p>\n<p> Recentemente, por\u00e9m, o leite anda sofrendo de uma estranha m\u00e1 reputa\u00e7\u00e3o. Cada vez mais pessoas est\u00e3o se descobrindo intolerantes \u00e0 lactose - e fazendo cara feia para p\u00e3es de queijo, pizzas e outras del\u00edcias l\u00e1cteas. A intoler\u00e2ncia acontece quando o corpo n\u00e3o consegue metabolizar direito o a\u00e7\u00facar do leite, a lactose. Resultado:\u00a0 \u00a0gases, diarreia, c\u00f3licas, numa intensidade que varia de acordo com o grau da intoler\u00e2ncia. Assim como j\u00e1 aconteceu com o gl\u00faten, o ovo e a gordura animal, a lactose \u00e9 o novo vil\u00e3o da alimenta\u00e7\u00e3o, e est\u00e1 perdendo lugar nas prateleiras dos supermercados. Segundo a Tetra Pak, o mercado de leite sem lactose cresceu 224% nos \u00faltimos tr\u00eas anos no Brasil. Nos EUA, ocupou um nicho de US$ 6,7 bilh\u00f5es em 2015 - e a expectativa \u00e9 que chegue a US$ 8,8 bilh\u00f5es at\u00e9 2020.<\/p>\n<p> Os efeitos da intoler\u00e2ncia n\u00e3o s\u00e3o agrad\u00e1veis, mas o fen\u00f4meno n\u00e3o deveria ser novidade: segundo um estudo da Universidade de Uppsala, na Su\u00e9cia, apenas 35% da popula\u00e7\u00e3o mundial consegue metabolizar normalmente a lactose. Em alguns pa\u00edses asi\u00e1ticos e africanos, como a Tail\u00e2ndia e a Nam\u00edbia, s\u00f3 10% dos habitantes digerem leite. No Brasil, segundo uma pesquisa da Faculdade de Medicina da USP1, 57% dos brancos e pardos, 80% dos negros e 100% dos descendentes de japoneses s\u00e3o intolerantes no Brasil. Ou seja, com base nos crit\u00e9rios de cor e ra\u00e7a do IBGE, temos que 60% da popula\u00e7\u00e3o presenta algum grau de intoler\u00e2ncia.<br \/> Mas, se o intestino de tanta gente n\u00e3o sabe lidar com o leite, como ele ainda \u00e9 t\u00e3o popular? E, se ele faz t\u00e3o mal, por que n\u00e3o \u00e9 cortado de vez da dieta? Para essas respostas, precisamos entender primeiro nossa longa vida de amor e \u00f3dio com esse l\u00edquido branco.<br \/> \u00a0<br \/> \u00a0<img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/cache.mail2easy.com.br\/i\/6186\/2621\" style=\"width: 500px; height: 640px;\" \/><\/p>\n<p> H\u00e1 280 milh\u00f5es de anos, a Terra era um lugar in\u00f3spito. A Pangeia - aquele imenso continente \u00fanico - havia se formado h\u00e1 pouco tempo e a vida longe dos litorais estava cada vez mais quente e seca. Por essa \u00e9poca, caminhava sobre o nosso planeta um estranho tipo de animal. Eles tinham rabos compridos, quatro patas curtas que sustentavam um corpo rechonchudo, e mand\u00edbulas poderosas: se voc\u00ea olhasse hoje, os chamaria de \"dinossauros\", embora os verdadeiros ainda demorassem 50 milh\u00f5es de anos para surgir. Esses bichos ancestrais eram os sinaps\u00eddeos, e tinham o h\u00e1bito de ficar sentados sobre seus ovos. As f\u00eameas chocavam suas crias ainda encapsuladas n\u00e3o s\u00f3 para aquec\u00ea-las, mas para hidrat\u00e1-las. Sim, os ovos desses sinaps\u00eddeos ainda n\u00e3o haviam desenvolvido as cascas duras e calc\u00e1rias que conhecemos hoje em p\u00e1ssaros e r\u00e9pteis: eles eram molengas e cobertos por pel\u00edculas perme\u00e1veis, que permitiam a entrada e a sa\u00edda de l\u00edquidos. Como esses bichos viviam em terra firme (e quente), cada vez que uma m\u00e3e sinaps\u00eddia desse uma voltinha para buscar comida, seus ovos ficavam l\u00e1, debaixo do sol, perdendo \u00e1gua. A solu\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o, era sentar sobre os filhotes e \"suar\" em cima deles para que se enchessem de l\u00edquido de novo. Ao longo de milh\u00f5es de anos de evolu\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, esse \"suor\" foi ficando mais enriquecido: ganhou a\u00e7\u00facares, sais minerais e prote\u00ednas - e os poros que secretavam essa \u00e1gua inicial foram se transformando em gl\u00e2ndulas mam\u00e1rias. Sim, esse protodinossauro gorducho era a sua tatarav\u00f3 - e a de todos os mam\u00edferos que existem hoje em dia: os primeiros animais a alimentar a prole com um l\u00edquido que jorrava de seu pr\u00f3prio corpo.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"> Assim como todos os outros mam\u00edferos do mundo - do ornitorrinco \u00e0 baleia -, excretamos leite: \u00e9 a maneira com a qual mantemos nossos filhotes vivos nos primeiros meses de vida. Mas, ao contr\u00e1rio de todos os outros mam\u00edferos, somos os \u00fanicos que continuam tomando o l\u00edquido depois de adultos - isso porque somos os \u00fanicos que produzem lactase, a enzima que quebra a lactose, depois da inf\u00e2ncia. O leite que alimenta todos os filhotes do planeta (menos os de algumas esp\u00e9cies de le\u00e3o-marinho) cont\u00e9m lactose, o que explica por que \u00e9 raro haver crian\u00e7as intolerantes (h\u00e1 crian\u00e7as al\u00e9rgicas \u00e0 prote\u00edna do leite, o que \u00e9 diferente e pode matar). A dificuldade de digerir leite s\u00f3 aparece a partir dos 7 ou 8 anos, \u00e0 medida que o sistema digestivo se desenvolve - e acomete muita gente, como j\u00e1 vimos. Produzir lactase \u00e9 uma habilidade recente na hist\u00f3ria do Homo sapiens. H\u00e1 11 mil anos, todos os humanos do planeta eram intolerantes. Nessa \u00e9poca, est\u00e1vamos apenas come\u00e7ando a desenvolver a agricultura e a domesticar animais, deixando para tr\u00e1s os h\u00e1bitos ca\u00e7adores-coletores, na chamada Revolu\u00e7\u00e3o Neol\u00edtica. Foi no Oriente M\u00e9dio que nossos antepassados aprenderam que era muito mais f\u00e1cil manter um est\u00e1bulo do que ficar andando de um lado para o outro para encontrar o almo\u00e7o. Come\u00e7amos criando cabras, e logo est\u00e1vamos amarrando ovelhas, porcos e vacas no quintal. Um pouco depois disso, gra\u00e7as ao excedente de leite gerado pela pecu\u00e1ria, j\u00e1 est\u00e1vamos tamb\u00e9m produzindo queijo. Quem descobriu isso foi um grupo de pesquisa internacional chamado Lactase Persistence in the early Cultural History of Europe - ou, espertamente, LeCHE - liderado por Mark Thomas, um geneticista da University College de Londres. O objetivo da equipe era descobrir como os seres humanos come\u00e7aram a digerir a lactose e de que maneira esse tra\u00e7o se espalhou pela popula\u00e7\u00e3o. Os cientistas encontraram cer\u00e2micas de 8.500 anos de idade repletas de furos min\u00fasculos, na Mesopot\u00e2mia, sul do Iraque. Logo surgiu a teoria de que os vasos eram usados para produzir queijo, j\u00e1 que recipientes parecidos s\u00e3o usados at\u00e9 hoje. A certeza final veio quando uma geoqu\u00edmica brit\u00e2nica descobriu que a parte interna das cer\u00e2micas estava coberta de resqu\u00edcios de gordura animal, o que provava que os potes eram usados para separar o soro da parte s\u00f3lida do leite. Ou seja, para fazer queijo. O que \u00e9 mais dif\u00edcil de explicar - e o que justifica um pouco da confus\u00e3o atual sobre a intoler\u00e2ncia - \u00e9 que esses nossos antepassados estavam produzindo queijo antes mesmo de conseguir digerir lactose, o que s\u00f3 aconteceu h\u00e1 7.500 anos.<br \/> \u00a0<br \/> \u00a0<img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/cache.mail2easy.com.br\/i\/6186\/2622\" style=\"width: 500px; height: 640px;\" \/><\/p>\n<p> Mutantes com orgulho<br \/> O pequeno milagre que fez com que voc\u00ea pudesse comer pizza no domingo \u00e0 noite \u00e9 uma muta\u00e7\u00e3o que surgiu entre pastores h\u00fangaros h\u00e1 sete mil\u00eanios. \u00c9 nessa \u00e9poca que viveram os primeiros humanos capazes de produzir lactase em seus intestinos, e que podiam tomar litros de leite sem passar mal depois. Foi uma muta\u00e7\u00e3o fulminante para a esp\u00e9cie humana, que gerou aquilo que cientistas chamam de \"os genes mais fortes j\u00e1 vistos no genoma\". Em pouco tempo, ela tomou o continente europeu. Pudera: um estudo de Harvard calcula que indiv\u00edduos que conseguiam digerir leite deixaram descendentes 19% mais f\u00e9rteis3 do que os outros. Essa vantagem evolutiva \u00e9 consequ\u00eancia direta da composi\u00e7\u00e3o do leite. Ele era muito melhor do que quase todos os alimentos que havia ao redor.<br \/> Gra\u00e7as a ele, o homem passou a n\u00e3o depender apenas da carne para consumir amino\u00e1cidos essenciais, aqueles que nosso corpo n\u00e3o fabrica. Sua alta concentra\u00e7\u00e3o de c\u00e1lcio desenvolveu ossos que fraturavam menos - e permitiu que habit\u00e1ssemos regi\u00f5es com menor incid\u00eancia de sol, como o norte da Europa. L\u00e1, o leite se tornou a principal fonte de vitamina D - n\u00e3o \u00e0 toa, os escandinavos at\u00e9 hoje s\u00e3o o povo mais tolerante \u00e0 lactose do mundo. O leite tamb\u00e9m n\u00e3o dependia do clima e das condi\u00e7\u00f5es do solo para ser cultivado: mesmo que o inverno fosse rigoroso, o gado seguia sendo ordenhado. E o melhor: o leite \u00e9 fonte de prote\u00ednas e gorduras ao longo de toda a vida do animal - n\u00e3o apenas uma \u00fanica vez, no abate. Valia muito mais que um bifinho.<br \/> \u00a0<\/p>\n<p> \u00a0<br \/> Mas eis aqui o maior mito que cerca a intoler\u00e2ncia \u00e0 lactose: nem todo produto feito de leite cont\u00e9m lactose. \u00c9 por isso que aqueles homens mesopot\u00e2mios j\u00e1 comiam queijo antes de carregarem a muta\u00e7\u00e3o. Cientistas acreditam que, antes da muta\u00e7\u00e3o, os humanos tenham tentado tomar leite - e corrido para o banheiro depois. Mas tamb\u00e9m acreditam que alguns tenham tentado tomar um copo de leite depois de deix\u00e1-lo parado por um tempo no calor do Oriente M\u00e9dio, quando j\u00e1 estava meio fermentado. Produtos fermentados, como iogurtes, coalhadas e queijos t\u00eam muito menos lactose do que leite fresco, e podem ser ingeridos mesmo por quem \u00e9 intolerante (ver na p\u00e1gina ao lado). No caso do iogurte, por exemplo, as bact\u00e9rias que s\u00e3o adicionadas ao leite quebram de 25 a 50% do a\u00e7\u00facar que havia antes. Queijos duros e curados por muito tempo, ent\u00e3o, quase n\u00e3o t\u00eam lactose - repasse essa informa\u00e7\u00e3o at\u00e9 chegar \u00e0quela sua tia que paga mais caro pelo parmes\u00e3o zero lactose. Justamente porque a intoler\u00e2ncia n\u00e3o \u00e9 mortal, a muta\u00e7\u00e3o se espalhou de forma irregular pelo planeta - o que explica por que at\u00e9 hoje h\u00e1 tantas pessoas com a condi\u00e7\u00e3o no mundo. E \u00e9 assim que chegamos aos intolerantes modernos.<br \/> \u00a0<br \/> \u00a0<img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/cache.mail2easy.com.br\/i\/6186\/2623\" style=\"width: 500px; height: 640px;\" \/><\/p>\n<p> A era da intoler\u00e2ncia<br \/> \u00a0Desde crian\u00e7a, Flavia Machioni tinha problemas de digest\u00e3o. Sem um diagn\u00f3stico para explicar os constantes enjoos e dores de barriga que sentia, ela seguia uma alimenta\u00e7\u00e3o normal, cheia de brigadeiros, pizzas e doces. A despreocupa\u00e7\u00e3o com o que colocava no prato acabou em 2011, quando, numa visita ao m\u00e9dico, descobriu que era intolerante \u00e0 lactose. A publicit\u00e1ria come\u00e7ou ent\u00e3o a procurar alternativas para uma dieta sem leite, mas n\u00e3o encontrou. Assim, Flavia resolveu ela mesma criar um blog de receitas, o Lactose N\u00e3o. \"S\u00e3o seis anos estudando e mudando meus h\u00e1bitos alimentares. No mercado, voc\u00ea passa a olhar para as prateleiras que nunca olhou\", diz ela. Desde 2011, Flavia foi diagnosticada com outras restri\u00e7\u00f5es alimentares e se especializou em culin\u00e1ria funcional. Al\u00e9m das receitas, ela d\u00e1 cursos para pessoas que sofrem quadros parecidos com o dela - sua p\u00e1gina no Facebook tem 125 mil seguidores; no Instagram, s\u00e3o 105 mil.<br \/> \u00a0<br \/> \u00a0<img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/cache.mail2easy.com.br\/i\/6186\/2625\" style=\"width: 500px; height: 640px;\" \/><br \/> \u00a0<br \/> Assim como Flavia, a maior parte dos intolerantes relata sofrer de enjoos, diarreias e dores de barriga depois de consumir leite. Isso porque a lactose \u00e9 digerida no intestino delgado. \u00c9 ele que produz a lactase, e a quebra em outras duas part\u00edculas menores, a glicose e a galactose, que ser\u00e3o absorvidas pelo sangue. Em uma pessoa intolerante, no entanto, a lactose passa pelo intestino delgado e chega inteira ao intestino grosso. Quando chega inalterada ao c\u00f3lon, ela \u00e9 fermentada por bact\u00e9rias, que fabricam di\u00f3xido de carbono, hidrog\u00eanio e \u00e1cido l\u00e1tico - da\u00ed o mal-estar.<\/p>\n<p> \u00a0A condi\u00e7\u00e3o costuma se agravar \u00e0 medida que as pessoas envelhecem. Imagine o sistema digestivo como um encanamento fino e sens\u00edvel que absorve os nutrientes \u00fateis para o corpo. Se, ao longo do tempo, passarem muitas subst\u00e2ncias corrosivas por l\u00e1, as paredes dos canos v\u00e3o enferrujar e n\u00e3o conseguir\u00e3o reter o que \u00e9 valioso. Essas \"ferrugens\" s\u00e3o as les\u00f5es no intestino que atrapalham a digest\u00e3o da lactose: elas se agravam com o uso frequente de antibi\u00f3ticos, com infec\u00e7\u00f5es repetidas e em quem tem s\u00edndrome do intestino irrit\u00e1vel, por exemplo. \"A forma como nos alimentamos n\u00e3o \u00e9 mais a mesma. Hoje, com tanta comida industrializada, estamos sempre inflamados, o que dificulta a capacidade de metabolizar alimentos\", diz Ana Paula Moschione Castro, imunologista da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Alergia e Imunologia.<\/p>\n<p> Ao contr\u00e1rio da alergia \u00e0 prote\u00edna do leite - que atinge apenas 3,5% dos adultos e que, essa sim, pode gerar sintomas perigosos, como choques anafil\u00e1ticos ou sangue nas fezes - a intoler\u00e2ncia n\u00e3o \u00e9 fatal. \u00c9 inc\u00f4moda, mas n\u00e3o perigosa. Por isso, h\u00e1 quem defenda que o leite n\u00e3o deve ser eliminado da dieta sem crit\u00e9rio. Justamente por ser um alimento t\u00e3o rico e insubstitu\u00edvel, cientistas alertam que cort\u00e1-lo pode fazer mais mal do que bem. Os benef\u00edcios v\u00e3o al\u00e9m do \u00f3bvio. A case\u00edna, a prote\u00edna do coalho, transporta vitaminas e sais minerais dentro do sangue, e o soro ajuda a matar bact\u00e9rias, fungos e v\u00edrus. J\u00e1 as prote\u00ednas do leite liberam horm\u00f4nios que aumentam a massa muscular e saciam a fome - ou seja, at\u00e9 ajudam a controlar o peso.\u00a0<\/p>\n<p> \"O leite \u00e9 um alimento que traz mais benef\u00edcios que riscos. At\u00e9 a vers\u00e3o integral traz vantagens: por ter gordura, \u00e9 uma fonte de vitaminas lipossol\u00faveis, como a A, a D, a E e a K. O leite desnatado tem menos dessas vitaminas\", diz Anna Carolina di Creddo Alves, nutricionista do Hospital das Cl\u00ednicas de S\u00e3o Paulo.\u00a0<\/p>\n<p> Mas o maior argumento a favor do leite est\u00e1 no c\u00e1lcio. Ele \u00e9 o mineral mais abundante do corpo, e funciona como um combust\u00edvel para as c\u00e9lulas. Quem n\u00e3o ingere a quantidade recomendada (1,2 grama\/dia) pode sofrer de osteoporose, insufici\u00eancia card\u00edaca, depress\u00e3o, dem\u00eancia - e 98% dos brasileiros n\u00e3o consomem esse valor. Al\u00e9m disso, o c\u00e1lcio do leite \u00e9 quase insubstitu\u00edvel: um prato cheio de\u00a0 espinafre ou br\u00f3colis n\u00e3o tem o mesmo efeito no corpo que tomar um copo de leite, porque enquanto a lactose e as prote\u00ednas do leite ajudam na absor\u00e7\u00e3o do mineral no intestino, o \u00e1cido f\u00edtico presente em vegetais a diminui.\u00a0 Pesquisas comprovam que a grande maioria dos intolerantes pode consumir at\u00e9 12 gramas de lactose sem consequ\u00eancias graves, o equivalente a um copo de leite ou pouco mais de dois potes de iogurte, sem sintoma algum. A ag\u00eancia de sa\u00fade australiana tamb\u00e9m defende que intolerantes podem consumir at\u00e9 tr\u00eas copos de leite, se a pausa entre eles for de boas horas. Por isso, n\u00e3o \u00e9 recomendado cortar os latic\u00ednios sem aval m\u00e9dico. O diagn\u00f3stico s\u00f3 pode ser feito com testes cl\u00ednicos: exames de sangue, de fezes, de h\u00e1lito ou bi\u00f3psias intestinais. O problema \u00e9 que muita gente acaba se rotulando intolerante mesmo sem fazer os testes - e come\u00e7a a cortar latic\u00ednios por conta pr\u00f3pria.\u00a0<\/p>\n<p> De fato, um estudo4 feito com 200 volunt\u00e1rios em Mil\u00e3o, na It\u00e1lia, mostrou que as pessoas n\u00e3o sabem detectar a condi\u00e7\u00e3o sozinhas: aqueles que achavam que eram intolerantes n\u00e3o necessariamente eram intolerantes. Outra pesquisa5 feita pelo Departamento de Agricultura americano mostrou que pessoas que acreditavam ser intolerantes consumiam menos c\u00e1lcio (obviamente), e j\u00e1 tinham \u00edndices mais altos de diabetes e press\u00e3o alta. Isso n\u00e3o quer dizer, \u00e9 claro, que todo mundo deve tomar leite independente de como se sente depois - mas mostra que \u00e9 melhor fazer os testes antes de mexer na dieta. \"Cada \u00e9poca tem sua v\u00edtima. O ovo era demonizado, depois foi o gl\u00faten, a carne, agora o leite. E a maioria das pessoas n\u00e3o faz os exames para se certificar de que \u00e9 o leite que est\u00e1 fazendo mal e deixa de consumir um \u00f3timo alimento. Antes de entrar na onda da ind\u00fastria zero lactose, \u00e9 necess\u00e1rio fazer os exames cl\u00ednicos\", diz a diretora da Sociedade Brasileira de Alimenta\u00e7\u00e3o e Nutri\u00e7\u00e3o, Olga Amancio.<br \/> \u00a0<br \/> \u00a0<img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/cache.mail2easy.com.br\/i\/6186\/2626\" style=\"width: 500px; height: 375px;\" \/><\/p>\n<p> Mercado branco<br \/> Quem se d\u00e1 bem com a moda da lactose zero s\u00e3o as empresas, que n\u00e3o param de lan\u00e7ar produtos \"zero lactose\". Se fosse hoje, Flavia Machioni n\u00e3o sentiria tanta dificuldade ao passear pelas g\u00f4ndolas do supermercado: elas agora est\u00e3o cheias de queijo, sorvete napolitano, iogurte grego de frutas vermelhas, capuccino instant\u00e2neo e at\u00e9 doce de leite mineiro sem lactose. No Brasil, o primeiro produto l\u00e1cteo para intolerantes foi lan\u00e7ado em 2012, e hoje mais de 20 marcas fabricam sem lactose. Desde 2014, as vendas de leite UHT sem lactose cresceram 224% no Brasil, e representam 4% do mercado de latic\u00ednios. As vers\u00f5es sem lactose costumam ser mais adocicadas: t\u00eam lactase adicionada e a glicose e a galactose j\u00e1 v\u00eam quebradas na caixinha.<br \/> \u00a0<br \/> \u00a0<img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/cache.mail2easy.com.br\/i\/6186\/2627\" style=\"width: 500px; height: 640px;\" \/><\/p>\n<p> O aumento das vendas de produtos sem lactose tamb\u00e9m pode explicar a febre da intoler\u00e2ncia. Se voc\u00ea v\u00ea uma prateleira de mercado lotada de iogurtes zero lactose, \u00e9 natural que comece a se questionar se voc\u00ea tamb\u00e9m n\u00e3o precisa tomar um desses no caf\u00e9 da manh\u00e3. Para Isleide Fontenelle, professora da FGV e autora do livro O Nome da Marca, os produtos sem lactose fazem parte de uma tend\u00eancia que j\u00e1 conhecemos bem: o consumo respons\u00e1vel. A comida n\u00e3o pode apenas alimentar: ela precisa fazer bem, ter uma hist\u00f3ria para contar. \"O consumo respons\u00e1vel pode ser pelo planeta (ambiental), pelo outro (social) ou por si mesmo (individual).\u00a0<\/p>\n<p> No \u00faltimo caso, o consumo precisa ser saud\u00e1vel, algo que forne\u00e7a um equil\u00edbrio f\u00edsico e mental para o consumidor\", diz. \"\u00c9 uma resposta do mercado diante de uma desconfian\u00e7a que temos da ind\u00fastria aliment\u00edcia. A\u00ed o mercado inventa um produto novo.\" Para as empresas, os produtos zero lactose tamb\u00e9m t\u00eam a vantagem de ser 30% mais caros do que os tradicionais - al\u00e9m disso, a margem de lucro sobre mercadorias mais caras costuma ser maior. De fato, n\u00e3o seria de se estranhar se um novo latic\u00ednio invadisse o Brasil nos pr\u00f3ximos anos: o A2 Milk, que j\u00e1 \u00e9 sucesso na Nova Zel\u00e2ndia, o maior exportador de leite em p\u00f3 do mundo. O A2 Milk \u00e9 um leite de ultranicho: ele tem um tipo espec\u00edfico de case\u00edna que \u00e9 parecida com a do leite materno, e que n\u00e3o causa rea\u00e7\u00f5es em algumas pessoas al\u00e9rgicas \u00e0 prote\u00edna do leite - ou seja, n\u00e3o serve nem para todos os al\u00e9rgicos. Ainda assim, esse novo leite corresponde a 12% do mercado neozeland\u00eas.\u00a0<\/p>\n<p> No Brasil, a Embrapa j\u00e1 est\u00e1 selecionando vacas geneticamente para que elas produzam o leite menos alerg\u00eanico. Ou seja, n\u00e3o ser\u00e1 surpreendente se nos pr\u00f3ximos anos cada vez mais pessoas descobrirem que s\u00e3o al\u00e9rgicas \u00e0 prote\u00edna do leite tamb\u00e9m - e que o A2 Milk vire febre no Brasil. Todo esse malabarismo mercadol\u00f3gico, na verdade, s\u00f3 mostra o \u00f3bvio: ningu\u00e9m quer parar de tomar leite - seja sem gordura, sem prote\u00edna, sem lactose. O que faz todo sentido. Sem o leite, n\u00e3o ser\u00edamos nada mesmo. Melhor ainda se n\u00e3o precisarmos pagar mais caro por ele. . (Super Interessante\/Terra Viva)<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/cache.mail2easy.com.br\/i\/6186\/2628\" style=\"width: 500px; height: 1091px;\" \/><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/cache.mail2easy.com.br\/i\/6186\/7\" style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 12px; height: 16px; width: 811px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;\" \/>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: center;\"><em style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/cache.mail2easy.com.br\/i\/6186\/9\" style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 12px; height: 30px; width: 231px;\" \/><\/em><\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div><em>MISS\u00c3O RUMO AO ORIENTE<br \/> O secret\u00e1rio da Agricultura, Ernani Polo, vai integrar miss\u00e3o comercial organizada pelo governo federal que passar\u00e1 por Coreia do Sul, Singapura, Mal\u00e1sia e Emirados \u00c1rabes. A inten\u00e7\u00e3o \u00e9 ampliar o volume de neg\u00f3cios na \u00e1rea de carnes e arroz. A futura retirada da vacina da febre aftosa ser\u00e1 um dos argumentos para prospectar exporta\u00e7\u00f5es na \u00e1rea de prote\u00edna animal. A viagem \u00e9 de 6 a 16 deste m\u00eas. (Zero Hora)<\/em><\/div>\n<div>\u00a0<strong style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/cache.mail2easy.com.br\/i\/6186\/7\" style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 12px; height: 16px; width: 811px;\" \/><\/strong><\/div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 Porto Alegre, 01 de fevereiro de 2018\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Ano 12 - N\u00b0 2.668 \u00a0 65% pessoas n\u00e3o tolera a lactose. Mas pint\u00e1-la como vil\u00e3 \u00e9 um exagero, e abandonar os latic\u00ednios sem necessidade <a href=\"https:\/\/www.sindilat.com.br\/site\/2018\/02\/01\/01-02-2018\/\" class=\"more-link\">...continuar lendo<span class=\"screen-reader-text\"> \"01\/02\/2018\"<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[28],"tags":[],"class_list":{"0":"post-1861","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","6":"category-newsletter","7":"h-entry","8":"hentry","9":"h-as-article"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sindilat.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1861","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sindilat.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sindilat.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sindilat.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sindilat.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1861"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.sindilat.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1861\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sindilat.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1861"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sindilat.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1861"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sindilat.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1861"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}