Porto Alegre, 09 de setembro de 2016 . Ano 10- N° 2.348
A indústria láctea acredita que Hong Kong poderá ser a porta para acessar o mercado asiático de lácteos. Mais flexível e sensível às investidas brasileiras do que outros gigantes como a Coreia do Sul, o varejo de Hong Kong é potencial consumidor de queijos e fórmulas infantis brasileiras. Segundo o secretário-executivo do Sindilat, Darlan Palharini, que está na Ásia acompanhando a comitiva governamental, a localização estratégica permite escoar a produção para diferentes regiões do Oriente. "Aqui estamos diante de 60% da população mundial. Mesmo que o leite não faça parte da dieta diária, esse é um desafio interessante quando nos defrontamos com 3,5 bilhões de pessoas", pontuou, lembrando que o principal motivo para esse consumo retraído é o preço que os derivados chegam ao consumidor final.
Basta ir ao supermercado para ver as potencialidades, explica Palharini. As lojas estão concentradas praticamente na mão de três redes supermercadistas e chama a atenção a quantidade de itens provenientes de outros países. "Hong Kong consome produtos vindos basicamente da Nova Zelândia, França, EUA e Suíça, mas eles não dispõem de produtos como o queijo lanche e mussarela com preços competitivos. O que se vê nas gôndolas são queijos mais sofisticados e mais caros", conta o executivo, indicando um novo e potencial nicho a ser explorado. "Existe um mercado para o queijo brasileiro. O que nós precisamos fazer agora é estudar o custo e a logística e quais são as quantidades mínimas que podem ser colocadas aqui em Hong Kong", completou.
Com relação às fórmulas infantis, o potencial está nos altos preços dos rótulos no Oriente. Além da aquisição estar limitada a 4 latas de 800g por consumidor, o preço é de US$ 32 dólares, ou seja, R$ 102,00. No Brasil, o valor médio do produto ficaria em R$ 36,00, praticamente um terço do praticado em Hong Kong.
Outro aspecto interessante diz respeito à diferenciação de preço entre produtos nacionais e importados, o que retrata bem a preferência do consumidor local pelo que vem de fora. "O leite UHT enriquecido produzido localmente vale 40% a menos do que o similar vindo de outros países", compara Palharini. (Assessoria de Imprensa Sindilat)
A Lactalis deixou de produzir queijo em sua unidade de Juruaia, em Minas Gerais, em julho passado, e transferiu a operação para a fábrica de Pouso Alto, no mesmo Estado. Com isso, segundo a empresa, a planta de Juruaia "passou a focar totalmente suas atividades no resfriamento do leite captado na região". De acordo com o diretor de relações institucionais da Lactalis do Brasil, Guilherme Portella, a produção de 60 toneladas por mês de queijo minas frescal da planta de Juruaia passou, desde 20 de julho, a ser feita em Pouso Alto, onde a empresa já fabrica o mesmo tipo de queijo e outras variedades do produto. A unidade pôde absorver o volume que era feito em Juruaia pois tem capacidade quatro vezes maior de produção só para essa variedade de queijo. Sem produção, a unidade de Juruaia ficou apenas com operação de recepção e resfriamento de leite. A Lactalis pretende quadruplicar o volume de captação de leite recebido na planta, que era de 20 mil litros por dia. Segundo Portella, a captação deve alcançar 40 mil litros até dezembro e 80 mil até junho do ano que vem.
A fábrica de Juruaia foi uma das primeiras adquiridas pela Lactalis no Brasil. Pertencia à Balkis, comprada pela companhia francesa em 2013. Portella afirma que a mudança não se deve à queda de demanda por lácteos no país, mas que visa à otimização da estrutura da empresa, com o aumento da capacidade de recepção e melhoria da logística de captação de leite. "É parte do processo de crescimento da companhia", observa. A Lactalis espera ampliar a captação de leite em Minas Gerais, principalmente na região de Juruaia, por meio do aumento da produtividade de fornecedores. Por isso está iniciando um projeto de fomento agropecuário para a melhoria da produtividade e da qualidade do leite na região. O programa inclui a venda de animais da raça girolando aos pecuaristas a preços subsidiados, segundo Portella. O número de produtores que fornece leite à Lactalis na região, cerca de 150, também deve aumentar para que a empresa consiga ampliar a captação. "É uma decisão para produzir mais", reforça ele. A planta de Juruaia tinha 53 empregados. Desses, 15 foram transferidos para Pouso Alto, que fica a 300 quilômetros, e oito ficaram na unidade. Segundo a companhia, os empregados "que não se enquadraram no perfil exigido para esta nova operação" tiveram acesso a um programa de apoio à recolocação profissional. A francesa Lactalis entrou no Brasil em 2013, com a aquisição da Balkis. Em 2014, comprou os ativos de lácteos da BRF e no mesmo ano unidades da LBR ¬ Lácteos Brasil ¬ em leilão do processo de recuperação judicial da empresa. A companhia francesa tem, atualmente, 15 unidades de produção de lácteos no Brasil. (Valor Econômico)
Como o McDonald's promove o leite nos EUA com a ajuda dos produtores
Se não fosse o McDonald´s, o leite talvez não seria um produto presente em quase todos os cardápios infantis das redes de fast food dos Estados Unidos atualmente. E se não fosse a organização Dairy Management Inc. (DMI) a maior rede de fast food dos Estados Unidos (McDonald´s) talvez nunca teria percebido que o leite pode ser bom para os seus clientes e para a sua imagem.
Desde 2009, o DMI vem trabalhando com redes nacionais, como McDonald's, Pizza Hut, Taco Bell e Domino's Pizza para colocar mais lácteos em seus cardápios. O McDonald's está presente em todo o país. Ter uma companhia tão expansiva como o McDonald's dedicada aos lácteos está funcionando - desde que a parceria começou, o DMI disse que o McDonald's está usando 14% mais lácteos. Isso é mais de 680 milhões de quilos de leite, queijos e manteiga. Além disso, o DMI aconselha o McDonald's sobre nutrição, sustentabilidade e preocupações com os consumidores.
A promoção dos lácteos por meio do marketing do McDonald's em seu cardápio se mostrou bem mais eficaz do que qualquer campanha de marketing direta feita pelo programa Dairy Checkoff - motivo pelo qual o DMI não mais faz anúncios de leite e queijos, como fazia até o começo do ano 2000. Isso faz sentido: no ano passado, o McDonald's gastou quase US$ 719 milhões em publicidade. Isso é quase nove vezes o orçamento anual de marketing do DMI, de US$ 80 milhões.
O DMI abriu a porta do McDonald's com o Happy Meal (McLanche Feliz, no Brasil). Um estudo do Conselho Nacional de Lácteos de 2002 descobriu que quando as escolas mudavam de caixas de leite para embalagens que poderiam ser fechadas novamente, reduziam o desperdício e os alunos bebiam de 35% a 40% mais leite. O DMI levou esse estudo ao McDonald's e, em 2004, o restaurante começou a servir leite em novas embalagens.
O McDonald's também removeu o refrigerante do cardápio infantil, resultando em um aumento de 9% nas vendas de leite e suco desde 2014. Em 2008, o McDonald's introduziu os lattes nos McCafés e cafés gelados. Embora o café seja o principal ingrediente dessa bebida, cada latte tem uma porção de leite.
Mc Café - McDonals´s
Em 2009, o DMI expandiu seu papel no desenvolvimento do cardápio do McDonald's incluindo uma equipe de cientistas de alimentos, conselheiros nutricionais e especialista em sustentabilidade nas lojas do McDonald's fora de Chicago. A chef, Jessica Foust, diretora de inovações culinárias do McDonald's, disse que as novas criações têm muito sabor. "Nossos fornecedores de lácteos passaram a nos entregar novos ingredientes - novos queijos, novos iogurtes, novas coisas para experimentar e nós simplesmente começamos a cozinhar", disse ela.
Assim que um novo item do menu é desenvolvido na cozinha, ele passa por um rigoroso processo de grupos focados e testes dentro dos restaurantes para identificar os desafios e garantir o sucesso. Um obstáculo que o DMI trabalha para resolver é ajudar as companhias a se qualificar como fornecedores do McDonald's. Somente para sorvetes, o McDonald's conta com 10 fornecedores em todos os Estados Unidos.
Um exemplo recente disso foi a mudança de margarina para manteiga. Foust disse que o retorno à manteiga foi melhor para a companhia e para os consumidores, que estavam pedindo uma opção mais natural e saudável. O McDonald's estima que a mudança requererá quase 227 milhões de quilos de leite fluido anualmente, grande parte disso servido no cardápio de café da manhã. Isso é quase quatro vezes as exportações de manteiga dos Estados Unidos em 2015. Cerca de 90% do cardápio de café da manhã do McDonald's contém lácteos, comparado com 80% de seu menu diário. O McDonald's foca na construção da confiança dos consumidores.
"Eles querem ter certeza de que as pessoas saibam que seu alimento é bom, real e natural e eu acho que isso é apenas um reflexo de onde os consumidores estão indo hoje", disse a vice-presidente executiva de parcerias globais de inovação do DMI, Amy Wagner. "Os lácteos podem ter um importante papel em trazer mensagens de alimentos de verdade aos consumidores".
O DMI pode ser um recurso para quando o McDonald's quiser resolver as preocupações dos consumidores. Quando houve uma pressão para a redução dos níveis de gordura e açúcar no leite das crianças, foram pesquisadores do DMI que desenvolveram uma receita de leite com chocolate sem gordura.
O DMI continuará impulsionando refeições com lácteos no McDonald's, embora também defenda mudanças sustentáveis que façam sentido para a indústria de lácteos. Wagner disse que a próxima evolução em sua parceria com o McDonald's é compartilhar mensagens de nutrição, qualidade e frescor. Ele disse que essa missão levará a parceria para um próximo nível: "Uma das melhores formas de fazer isso é trabalhar com parceiros que também querem ser muito confiáveis para os consumidores". (www.milkbusiness.com, traduzidas pela Equipe MilkPoint)
Em junho, a produção de leite na União Europeia (UE) caiu para seu nível mais baixo, desde o fim das cotas. Essa é a segunda queda mensal consecutiva no ajuste sazonal de produção de leite. Os dados oficiais de julho da UE28 ainda não estão disponíveis, mas espera-se uma forte desaceleração. O Reino Unido, a Polônia, e, a Dinamarca registraram reduções na comparação anual em julho e, também, é esperada queda na produção de leite nos dois Estados Membros que são os maiores produtores, Alemanha e França. A produção na Irlanda e nos Países Baixos continua subindo em relação a julho do ano passado, mas ambos desaceleraram bastante nos últimos meses. A União Europeia acaba de finalizar os detalhes do programa para pagar os fazendeiros que reduzirem a produção de leite, o que deve levar a maiores reduções no inverno. (AHDB Dairy - Tradução livre: Terra Viva)