Porto Alegre, 21 de setembro de 2026 Ano 20 - N° 5.018
Alerta no campo: como novas chuvas podem afetar a produção de leite no Rio Grande do Sul
Novas tempestades ameaçam agravar o excesso de umidade no solo, dificultando o manejo, o acesso às pastagens e aumentando riscos sanitários no rebanho.
A previsão de uma onda de tempestades no Rio Grande do Sul nesta semana pode agravar a situação nas áreas rurais que já apresentam excesso de umidade e formação de barro. O último Informativo Conjuntural, divulgado pela Emater/RS-Ascar na última semana, indicou que há dificuldades para o acesso às pastagens na bovinocultura de leite, além do aumento dos riscos de mastite e de doenças no casco em determinadas regiões.
Em algumas propriedades da região de Santa Rosa, o excesso de umidade das semanas anteriores ocasionou danos pontuais por pisoteio e dificultou o manejo, mas não comprometeu a alimentação dos animais. Segundo a Emater/RS-Ascar, os produtores seguem realizando suplementação alimentar com silagem e concentrados, especialmente para vacas em pico de lactação.
O informativo mostrou pequena redução na produção de leite nos sistemas de produção a pasto na região de Ijuí. Já nos sistemas confinados, não houve alterações. Nos sistemas estabulados, persiste a dificuldade para reduzir a umidade da cama dos animais, embora o conforto térmico esteja satisfatório.
Por outro lado, a redução do encharcamento em algumas áreas têm favorecido a movimentação dos animais e o acesso às forrageiras. Na região de Bagé, por exemplo, as vacas alimentadas em campo nativo apresentam recuperação da condição corporal. Esse cenário marca o retorno dos produtores sazonais à atividade e o aumento da produção dos que efetuam a entrega de leite durante todo o ano, mas não realizam investimentos significativos em pastagens de inverno ou na suplementação com fenos e silagens. (As informações são do Correio do Povo)
Argentina e Uruguai ampliam espaço e já concentram 4,3% do comércio mundial de lácteos
O mapa do comércio mundial de lácteos está mudando, e Argentina e Uruguai estão entre os países que ganharam participação nos últimos anos.
O mapa do comércio mundial de lácteos está mudando, e Argentina e Uruguai estão entre os países que ganharam participação nos últimos anos. Juntos, os dois passaram de representar cerca de 3% do mercado mundial de lácteos em 2017 para 4,3% em 2025, segundo o World Dairy Map 2026, elaborado pelo RaboResearch.
O avanço ocorreu dentro de um mercado que também se expandiu. O comércio internacional passou de 91,1 milhões de toneladas equivalentes de leite líquido em 2017 para 101,2 milhões em 2025, um crescimento acumulado de 11%.
Por trás dessa expansão, porém, também houve uma redistribuição entre os principais exportadores. Enquanto Estados Unidos, Argentina e Uruguai ganharam espaço, a União Europeia reduziu sua participação. Ao mesmo tempo, a China perdeu parte do protagonismo que havia alcançado como grande impulsionadora da demanda mundial.
Argentina e Uruguai passam de 3% para 4,3%
O crescimento sul-americano é especialmente significativo porque ocorreu enquanto alguns dos grandes participantes tradicionais encontraram maiores limitações para expandir sua produção. A União Europeia continua sendo o principal bloco exportador, com 27,5 milhões de toneladas equivalentes de leite comercializadas em 2025, excluindo o comércio entre os próprios países-membros. Sua participação mundial, no entanto, caiu de 30% em 2017 para 27% em 2025.
A Nova Zelândia continua sendo o maior exportador quando considerados países individualmente, respondendo por cerca de 22% do comércio global. Os Estados Unidos também avançaram de forma significativa: sua participação aumentou de 11,3% para 13,5%. Atrás desses gigantes aparece o crescimento dos exportadores do Mercosul. Argentina e Uruguai elevaram conjuntamente sua participação em 1,3 ponto percentual em oito anos.
Queijo se torna o grande motor do comércio
Nem todos os produtos lácteos tiveram o mesmo desempenho nesse período. O grande destaque foi o queijo, cujo comércio mundial aumentou aproximadamente 40% desde 2017, alcançando 8,96 milhões de toneladas em 2025.
A Argentina aparece novamente entre os países que mais avançaram. Segundo o RaboResearch, Argentina e Estados Unidos duplicaram suas exportações de queijo desde 2017. A tendência também revela uma transformação nas estratégias da indústria.
A União Europeia, por exemplo, aumentou sua produção de leite em apenas 5% desde 2017, mas ampliou em 9% a fabricação de queijo e em 12% as exportações do produto. O movimento reflete uma orientação crescente para produtos de maior valor agregado, em comparação com categorias mais tradicionais, como os leites em pó.
Menos leite em pó integral europeu abre espaço para outros exportadores
No mercado de leite em pó integral, o comportamento foi diferente. A Nova Zelândia mantém uma posição dominante, com aproximadamente 53% do mercado mundial. A Europa, por outro lado, reduziu suas exportações do produto em mais de 50% desde 2017, passando de cerca de 387 mil para 172 mil toneladas.
Parte do leite europeu foi direcionada para a fabricação de queijo, manteiga e outros produtos, enquanto Argentina e Reino Unido ocuparam parte do espaço deixado pela redução das exportações europeias. No leite em pó desnatado, o crescimento mundial foi bem mais moderado, com avanço de apenas 0,5% em 2025.
China perde participação e exportadores buscam novos compradores
Outra grande transformação está acontecendo do lado da demanda. A China continua sendo a maior importadora mundial de produtos lácteos, mas suas compras se afastaram dos níveis máximos registrados em 2021. O RaboResearch associa parte dessa redução ao crescimento da produção doméstica chinesa, que diminuiu a necessidade de importação de determinadas categorias de lácteos.
Essa mudança está levando os grandes exportadores a diversificar seus mercados. Oriente Médio e Sudeste Asiático aparecem entre as regiões que ganham importância, enquanto o Brasil também aumentou significativamente suas compras.
As importações brasileiras passaram de 1,3 milhão para 2,3 milhões de toneladas equivalentes de leite desde 2022, impulsionadas principalmente por queijos e leites em pó. Para Argentina e Uruguai, a evolução das compras brasileiras é especialmente relevante devido à proximidade geográfica e à importância histórica do Brasil como destino das exportações da região.
Argentina aparece entre os países com maior potencial de expansão
Um dos pontos de destaque do World Dairy Map 2026 está nas perspectivas para a oferta mundial. O RaboResearch considera que Estados Unidos e Argentina estão entre os países melhor posicionados para ampliar a produção destinada ao mercado internacional nos próximos anos.
A Europa enfrenta maiores restrições regulatórias, uma população de produtores envelhecida e níveis de produtividade que já estão entre os mais elevados do mundo. A Argentina, por sua vez, vem apresentando recuperação da produção.
Depois de uma queda acumulada de 8% entre 2022 e 2024, a produção argentina cresceu 10% em 2025 e mais 7% na comparação anual durante o primeiro trimestre de 2026, segundo os dados reunidos pelo RaboResearch. O relatório considera que o contexto para a atividade se tornou mais favorável, embora também destaque a volatilidade do cenário político e econômico argentino.
Estados Unidos também aceleram
Outro país apontado como candidato a ampliar significativamente a oferta mundial são os Estados Unidos. O país possui um rebanho leiteiro de 9,65 milhões de cabeças, custos competitivos e uma forte expansão da infraestrutura industrial.
Somente em 2025, sua capacidade de processamento de queijo aumentou aproximadamente 6%. Os Estados Unidos também ganharam participação no mercado de manteiga. As exportações praticamente triplicaram, passando de cerca de 45 mil para 123 mil toneladas.
Um comércio mundial de lácteos em redistribuição
Os dados mostram um mercado internacional que continua crescendo, mas com motores diferentes daqueles observados há uma década. A Europa permanece determinante, mas perde participação. A China continua sendo a maior compradora, porém já não impulsiona a demanda com a mesma intensidade. Os Estados Unidos ampliam sua presença e o queijo ganha espaço em relação a categorias tradicionais.
Nesse cenário, Argentina e Uruguai conseguiram elevar de 3% para 4,3% sua participação conjunta no comércio mundial de lácteos. Para a Argentina, o sinal é ainda mais relevante: o RaboResearch identifica o país entre aqueles que apresentam condições para ampliar a oferta exportável em um mercado no qual vários dos grandes produtores tradicionais enfrentam limitações crescentes para expandir a produção. (As informações são do Diário Lechero, traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint)
Consumo dos 40+ cresce 5,3% enquanto compras dos mais jovens recuam
Presentes em 63% dos lares analisados, eles aumentaram em 5,3% as unidades compradas para consumo dentro de casa no segundo trimestre de 2026.
Os consumidores com 40 anos ou mais despontam como uma importante oportunidade de crescimento para o mercado de bens de consumo massivo no Brasil. Presentes em 63% dos lares analisados, eles aumentaram em 5,3% as unidades compradas para consumo dentro de casa no segundo trimestre de 2026. Entre consumidores de até 39 anos, houve retração de 4,9%. O estudo identifica três caminhos principais para marcas que buscam capturar esse crescimento: saudabilidade aliada a sabor, praticidade sem perda de qualidade e soluções capazes de acompanhar as mudanças de hábitos dentro das famílias.
Para os consumidores maduros, saudabilidade não significa apenas restrição. O estudo aponta oportunidades para produtos que combinem benefícios nutricionais e experiência de consumo, incluindo propostas clean label, redução de gordura e sódio e alternativas funcionais sem lactose ou açúcar. Essa busca ocorre em um contexto no qual autocuidado e bem-estar ganham relevância nas escolhas dos brasileiros. Entre as categorias associadas a esse universo estão bebidas funcionais, alternativas aos laticínios, beleza, alimentos saudáveis e produtos premium para cuidados com a casa.
Outro caminho está na conveniência. Para o público 40+, o Consumer Insights aponta oportunidades para soluções de preparo rápido, entre 10 e 30 minutos, adaptadas a equipamentos como air fryer e forno, mas que preservem a percepção de qualidade. Mais do que oferecer rapidez, portanto, o desafio para as marcas está em combinar praticidade com atributos relevantes para um consumidor que busca otimizar sua rotina sem necessariamente abrir mão de qualidade, sabor e bem-estar.
Escolhas que repercutem na família
A influência dos consumidores maduros também pode ultrapassar suas próprias escolhas. Entre shoppers 40+ com filhos, o estudo identifica que hábitos relacionados à saudabilidade e à alimentação podem repercutir na rotina dos filhos, ampliando o impacto desse público sobre o consumo familiar.
Mudanças de comportamento também aparecem fora de casa. Entre consumidores de 50 anos ou mais, o estudo observa uma revisão dos hábitos relacionados a bebidas, com migração de consumidores de cerveja para refrigerantes — movimento que também aparece entre os mais jovens, de até 29 anos.
“O crescimento do público 40+ mostra por que idade, sozinha, já não é suficiente para explicar o comportamento de consumo. Estamos falando de shoppers que ganham relevância no mercado, mas que também têm expectativas específicas sobre saudabilidade, conveniência e qualidade. Para as marcas, a oportunidade está em entender essas necessidades e traduzi-las em portfólio, comunicação e experiências adequadas à rotina desse consumidor”, afirma Daniel Horai, Diretor de Novos Clientes da Worldpanel by Numerator.
Os dados reforçam que o consumidor maduro não deve ser tratado apenas como um recorte demográfico. Em um mercado pressionado, o grupo apresenta crescimento tanto dentro quanto fora de casa e abre oportunidades para marcas capazes de responder a novas necessidades de alimentação, bem-estar e praticidade. (As informações são da Worldpanel by Numerator via Milkpoint)
Jogo Rápido
Cepea/Leite: Preço do leite ao produtor sobe 4,65% em julho, mas mercado já sinaliza acomodação
O preço médio do leite cru captado por laticínios seguiu em alta em julho. Na “Média Brasil” líquida, o valor alcançou R$2,8761/litro, avanço de 4,65% frente a junho. Na comparação com julho do ano passado, o preço está 4,96% maior em termos reais (os valores foram deflacionados pelo IPCA de julho). O mercado de lácteos se estabiliza em agosto, mas perde força na parcial de setembro: Levantamento do Cepea, com apoio da OCB, mostra que o mercado de lácteos no atacado paulista apresentou movimentos distintos entre os produtos acompanhados em agosto. Para o leite UHT, o preço médio avançou 0,45% em agosto, para R$4,89/litro. O movimento esteve atrelado à valorização da matéria-prima: em julho, o preço médio do leite cru pago ao produtor, considerando a "Média Brasil" do Cepea, foi de R$2,87/litro, alta de 4,65% frente a junho. BR aumenta embarques de queijos, mas exportações totais de lácteos recuam: As exportações brasileiras de queijos aumentaram entre julho e agosto, embora os embarques totais de produtos lácteos tenham recuado no período. Segundo dados da Secex, as vendas externas de queijos avançaram expressivos 39,54%, alcançando 2,47 milhões de litros em Equivalente-Leite (EqL), com participação de 47% no volume total de produtos lácteos enviados pelo Brasil em agosto. Frente ao mesmo mês de 2025, por outro lado, os embarques de queijos registraram redução de 4,6%. Altas do concentrado e da suplementação mineral elevam custos em agosto: Os custos da pecuária leiteira apresentaram leve alta em agosto, influenciados pelos aumentos nos preços do concentrado e nos de suplementação mineral. O Custo Operacional Efetivo (COE) registrou elevação de 0,63% na “Média Brasil” de julho para agosto. Dentre as praças acompanhadas pelo Cepea, o Rio Grande do Sul registrou o avanço mais expressivo do COE no período, de 1,38%. (As informações são do CEPEA)
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