Porto Alegre, 20 de agosto de 2026 Ano 20 - N° 4.697
Mesmo com recuo sazonal, captação de leite atinge recorde para o 2º trimestre
De acordo com dados preliminares da Pesquisa Trimestral do Leite (PTL) do IBGE, a captação formal de leite no Brasil totalizou 6,614 bilhões de litros no segundo trimestre de 2026, volume 1,0% superior ao registrado no mesmo período de 2025. O resultado representa o maior volume captado para um segundo trimestre desde o início da série histórica, em 1997, superando o recorde anterior de 6,55 bilhões de litros, registrado no segundo trimestre de 2025.
Gráfico 1: Variação anual da captação de leite (%)
Na comparação com o primeiro trimestre de 2026, houve queda de 2,5% no volume captado, movimento associado à sazonalidade da produção leiteira e à chegada do período de entressafra. Apesar do recuo frente ao trimestre anterior, a captação permaneceu em um patamar elevado, superando levemente os níveis observados no mesmo período do ano passado.
Gráfico 2: Variação trimestral da captação de leite (%)
Fonte: Pesquisa Trimestral do Leite - IBGE
O avanço de 1,0% na comparação anual ocorreu em um cenário diferente do observado em 2025. No início do ano passado, os preços pagos ao produtor e a rentabilidade da atividade estavam em patamares mais elevados, estimulando a expansão da produção. Esse movimento resultou em um crescimento mais expressivo da captação no segundo trimestre de 2025, quando o volume captado avançou 10,2% frente ao mesmo período de 2024.
Ao longo de 2025, o aumento da oferta contribuiu para a redução dos preços pagos ao produtor e das margens da atividade, resultando na menor competitividade do leite quando comparado aos valores de aquisição da ração e da arroba do boi gordo. Na prática, o produtor de leite precisou de mais litros de leite para adquirir insumos para a produção, e em algumas propriedades, o abate dos animais do rebanho passou a apresentar maior atratividade econômica frente à atividade leiteira.
Gráfico 3: Captação brasileira de leite
Fonte: Pesquisa Trimestral do Leite - IBGE
Desempenho mensal
Analisando os resultados mensais, observa-se que a captação permaneceu acima dos níveis registrados nos mesmos meses de 2025 ao longo de todo o segundo trimestre, embora o avanço tenha sido moderado.
Tabela 1. Captação total mensal de leite no Brasil (Prévia)
Fonte: IBGE - elaborado pelo MilkPoint Mercado
O final do período também marcou a transição para o início da safra de leite em parte da região Sul do Brasil, uma das principais bacias produtoras do país. Com a entrada da safra a partir de junho, as condições mais favoráveis de produção contribuem para a recuperação sazonal da oferta e aumentam a disponibilidade de leite no mercado interno.
Mesmo com a captação em patamar elevado na comparação anual, a demanda por lácteos permaneceu aquecida ao longo do período, contribuindo para a absorção da oferta adicional. Nos meses seguintes, a menor disponibilidade de leite favoreceu a recuperação dos preços pagos ao produtor, com os valores registrados em junho e julho de 2026 superando os observados nos mesmos meses de 2025.
Conclusão
Para os próximos meses, a expectativa é de continuidade da maior disponibilidade de leite, principalmente com o avanço da safra na região Sul do Brasil a partir de junho. A entrada da produção sazonal no Sul deve contribuir para o aumento da captação nos meses seguintes, mantendo a oferta em níveis elevados e sendo um ponto de atenção para o equilíbrio do mercado.
No entanto, a dinâmica esperada para a produção pode ser influenciada pelas condições climáticas, especialmente com a intensificação do fenômeno El Niño, que pode alterar o regime de chuvas e impactar o desempenho da produção nas principais bacias leiteiras.
Por outro lado, a manutenção da demanda aquecida, associada à melhora dos preços pagos ao produtor, indica um cenário mais favorável para a atividade. A expectativa é de que a rentabilidade do produtor nos próximos meses supere os níveis observados no mesmo período de 2025, contribuindo para a manutenção do estímulo à produção ao longo do segundo semestre. (Milkpoint)
CEPEA: leite ao produtor sobe em junho e fecha 1º semestre com alta de 33%
O preço do leite captado em junho subiu pelo sexto mês consecutivo. A alta frente a maio foi de 3,02%, em termos reais, e a “Média Brasil” ficou em R$2,7464/litro. Na comparação com o junho do ano passado, o preço está 0,86% menor. Desde janeiro, o valor pago ao produtor acumula avanço real de 33,1%.
Ainda assim, a média real do primeiro semestre, de R$ 2,4659/litro, ficou 14,0% abaixo da registrada no mesmo período de 2025 (os valores foram deflacionados pelo IPCA de junho). A valorização no campo reflete a firmeza no mercado de derivados e o crescimento da captação mais lento do que o esperado em algumas regiões. O ICAP-L (Índice De Captação de Leite) registrou aumento de 2,76% de maio para junho na Média Brasil; porém, no acumulado do ano, a queda é de 11,4%. Já o Custo Operacional Efetivo (COE), segundo pesquisa do Cepea, recuou 0,31% em julho, na “Média Brasil”.
As quedas observadas em maio e junho podem ter contribuído para a formação de estoques de ração (ver seção Custos de Produção, na página 7). No mercado internacional, houve alta de 9,01% nas importações de lácteos de junho para julho, totalizando 2236,3 milhões de litros em equivalente leite, segundo dados da Secex. Na comparação anual, as compras externas avançaram 33,49%. Os volumes importados de leite em pó e queijos aumentaram 7,54% e 12,7%, respectivamente, frente ao mês anterior, com reflexos nas negociações internas.
As indústrias de laticínios seguiram com dificuldade em garantir margem nas vendas. Pesquisas do Cepea apoiadas pela OCB mostram que, em julho, muçarela e leite em pó tiveram negociações mais lenta, enquanto o UHT avançou 7,35% frente a junho. Parte dessa lentidão foi associada também às importações (ver seção Derivados, na página 4). Com estoques reduzidos e crescimento mais lento da captação, a concorrência pela matéria-prima permaneceu elevada. A expectativa é de viés de alta no próximo mês, seguido pelo aumento gradual da oferta ao longo do terceiro trimestre. (CEPEA)
Expansão da demanda por lácteos no Sudeste Asiático atrai interesse uruguaio
O crescimento contínuo do consumo de produtos lácteos no Sudeste Asiático tem impulsionado a busca da região por novos parceiros comerciais globais. Para prospectar essas oportunidades de mercado e avançar na negociação de protocolos sanitários, representantes governamentais e do setor produtivo do Uruguai cumprem agenda oficial na Indonésia, no Vietnã e na Tailândia.
A Indonésia destaca-se como um dos mercados mais estratégicos da região devido ao forte descompasso entre a produção local e o consumo interno. Com uma população superior a 280 milhões de habitantes, o país produz apenas 20% do leite que consome, o que exige a importação anual de mais de 600 mil toneladas de lácteos. A necessidade de abastecimento externo deve aumentar ainda mais nos próximos anos, impulsionada por políticas públicas locais, como o plano governamental de distribuição diária de leite para 82 milhões de beneficiários até 2029. Diante desse cenário, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos projeta um crescimento de 43% nas compras indonésias de leite em pó desnatado para 2025.
Para viabilizar as trocas comerciais com a Indonésia, a adequação aos padrões religiosos foi um pré-requisito fundamental. As exportações sul-americanas para o país asiático foram autorizadas no início deste ano, após o órgão governamental indonésio responsável pelas garantias Halal credenciar a certificação do setor, com validade emitida até 2028. Os primeiros embarques de leite em pó integral e desnatado partindo do Uruguai para o porto indonésio foram registrados no meio do ano pela cooperativa Conaprole.
Paralelamente, o Vietnã surge como outro destino em expansão na Ásia, apresentando altas de dois dígitos nos gastos com importação de lácteos nos primeiros meses de 2026. Embora o comércio bilateral entre os dois países ainda seja incipiente e restrito a remessas pontuais de manteiga e soro de leite, as reuniões bilaterais visam consolidar parcerias com importadores privados e ampliar as habilitações de produtos na região. (Milkpoint)
Jogo Rápido
Unijuí promove debate sobre geopolítica e impactos no Brasil e no RS
O evento “Geopolítica e Desenvolvimento: Impactos Globais e Reflexos no Brasil e no Rio Grande do Sul” será realizado no dia 27 de agosto, na Unijuí, em Ijuí. A programação propõe um debate sobre o cenário internacional e seus impactos para o Brasil e o Rio Grande do Sul, com a participação de convidados, entre eles o senador Hamilton Mourão. O Sindilat/RS colabora contribuindo com o envio de queijos para a recepção dos participantes e valorizando a presença dos produtos lácteos gaúchos. Serviço: 27 de agosto de 2026, no Centro de Eventos 14-201 – Campus Ijuí/Unijuí. Informações e inscrições estão disponíveis no portal da Unijuí. (Sindilat/RS com informações da Unijuí)