Porto Alegre, 19 de agosto de 2026 Ano 20 - N° 4.696
Interleite Brasil 2026 abre programação em Uberlândia debatendo o futuro do setor lácteo
A cerimônia de abertura reuniu autoridades e especialistas para discutir inovação no campo, oportunidades de exportação e homenageou lideranças do agronegócio.
A cidade de Uberlândia voltou a ser o epicentro das discussões sobre o futuro da pecuária leiteira nacional com a cerimônia de abertura do Interleite Brasil 2026. O evento, que já foi realizado em outras quatorze edições na cidade, reuniu uma extensa e representativa mesa de honra. Estiveram presentes Marcelo Pereira de Carvalho, CEO da MilkPoint Ventures; o prefeito de Uberlândia, Paulo Sérgio Ferreira; o secretário municipal de Agronegócio, Wiliam Alvorada; além de Thiago Soares Fonseca e Weslley Gomes Rodrigues, Presidente do Sindicato Rural de Uberlândia e Presidente do Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural Sustentável de Uberlândia.
O peso institucional do encontro foi reforçado por líderes de peso, como Marcelo Candiotto (Presidente da CCPR), Guilherme Portella (Diretor de Comunicação e Assuntos Regulatórios e Corporativos na Lactalis Brasil), Ronaldo Scucato (Presidente do Sistema OCEMG) e Alexandre Gatti (Superintendente do Sistema OCEMG), Maurício Silveira Coelho (Vice-Presidente da Abraleite), Jônadan Ma (Presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da CNA), Yago Sartori G. da Silveira (Presidente do SILEMG), a Deputada Federal Ana Paula Junqueira Leão, e Priscilla Magalhães Gomes Lins (Especialista em Desenvolvimento do Agronegócio, Sebrae Minas / Educampo e Origem Minas).
Durante a abertura, Marcelo Pereira de Carvalho destacou que a cadeia do leite vive a sua maior revolução tecnológica. Segundo o executivo, mesmo com a redução no número de produtores no campo, o engajamento e a busca por informação seguem crescendo de forma vertiginosa, que inclusive, se reflete nos altos números de visualizações do portal MilkPoint.
O evento também inova ao adotar um formato com duas salas de conteúdos simultâneos. “Estruturamos este evento com base no que consideramos essencial: uma sala de gestão e uma sala de tecnologia aplicada, ambas com palestras técnicas e cases de sucesso.”, detalhou Marcelo. Ele também celebrou as parcerias: “Acredito que existem três aspectos principais que fazem deste evento um sucesso: o primeiro deles é a nossa rede de relacionamentos, desenvolvida ao longo destes 26 anos. O segundo é a rede de apoio que construímos em torno do evento [...]. E o terceiro ponto é o momento do nosso setor: o leite brasileiro tem suas dificuldades e queixas, como é natural, mas a verdade é que a cadeia do leite está passando pela sua maior transformação tecnológica, estrutural e de gestão”.
A renovação do setor foi o ponto de partida da fala de Jônadan Ma, presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da CNA. Ele celebrou a forte presença de jovens na plateia e aproveitou o palco para reforçar pautas defendidas pela instituição, cobrando ações em relação à investigação antidumping que ainda tramita sob avaliação de interesse público. Convocando os produtores a participarem ativamente desse processo, Jônadan foi categórico ao afirmar as intenções do mercado nacional. “Nós não somos protecionistas, queremos trabalhar em igualdade de competição”. O dirigente também fez um alerta contundente para um desafio sanitário que exige atenção imediata dos pecuaristas: “Nós temos uma tarefa muito grande nos próximos anos. Precisamos erradicar a brucelose bovina no Brasil”.
As dinâmicas internacionais e as perspectivas financeiras foram o foco da palestra do professor sênior e coordenador do Insper Agro Global, Marcos Sawaya Jank. Ao traçar o novo mapa geopolítico do agronegócio mundial, ele abordou a alta volatilidade e o aumento dos custos de produção, impulsionados por conflitos no exterior e tarifas comerciais que afetam insumos como diesel e fertilizantes. Apesar da crise, Jank vislumbra um cenário de grande promessa para o leite, impulsionado por novas tendências farmacológicas e de consumo.
Segundo ele, há uma "explosão do whey" no mercado. "A grande oportunidade que eu vejo hoje é esse ressurgimento das proteínas, no momento em que você tem um forte crescimento das canetas emagrecedoras e remédios hoje que cortam o carboidrato. As pessoas migraram para proteínas, e o leite é extremamente rico em proteína", explicou o especialista. Para capitalizar sobre isso, Jank ressaltou que o Brasil precisa focar em ganhos de produtividade para conquistar o mercado internacional, seguindo o exemplo de sucesso das carnes bovina, suína e de aves, e deixando de ser um país que importa mais lácteos do que exporta.
Coroando a abertura, a cerimônia também foi palco de emoção com a entrega do Troféu Vidal Pedroso de Faria para Priscilla Magalhães Gomes Lins, especialista em desenvolvimento do agronegócio pelo Sebrae Minas, Educampo e Origem Minas. Com décadas dedicadas ao setor, ela agradeceu ao Sebrae, à equipe técnica e aos produtores pela confiança em seu trabalho. Em um discurso marcado pela gratidão e pelo reconhecimento da evolução no campo, Priscilla dimensionou o impacto da premiação em sua vida profissional. (Milkpoint)
GDT 410º registra alta nas cotações mesmo com avanço da oferta internacional
O 410º leilão da Global Dairy Trade (GDT) registrou alta de 2,3% no GDT Price Index, com preço médio negociado de USD 3.873/tonelada. O resultado reforça a continuidade da recuperação nas cotações internacionais dos lácteos, após um período de pequenas variações, indicando uma melhora no ambiente de negociações após um período de pequenas variações.
Gráfico 1: Preço médio leilão GDT
Fonte: Global Dairy Trade (GDT)
Nos leites em pó o movimento foi positivo, com destaque para o leite em pó desnatado (LPD), que liderou as valorizações do leilão. O produto avançou 7,6%, atingindo USD 3.502/tonelada, enquanto o leite em pó integral (LPI) apresentou alta de 3,0%, sendo negociado a USD 3.591/tonelada. O movimento de valorização indica uma demanda mais aquecida por leites em pó.
Gráfico 2. Preço médio LPI
Fonte: Global Dairy Trade (GDT)
Entre queijos e manteiga, o movimento foi misto. A muçarela apresentou valorização de 6,1%, sendo negociada a USD 4.234/tonelada, enquanto o cheddar registrou estabilidade, atingindo USD 3.744/tonelada. A manteiga manteve a trajetória de queda observada nos últimos leilões, com recuo de 2,0%, sendo negociada a USD 5.090/tonelada. Já a gordura anidra do leite apresentou queda mais expressiva, de 6,0%, atingindo USD 5.993/tonelada.
Tabela 1. Preço e variação do índice dos produtos negociados no leilão GDT em 18/08/2026
Fonte: Elaborado pela equipe MilkPoint Mercado com dados do Global Dairy Trade, 2026.
Volume negociado segue em patamares elevados
O volume negociado totalizou 41.054 toneladas, aumento de 1,4% em relação ao leilão anterior, que já havia registrado uma alta significativa nos volumes comercializados. O resultado representa um novo recorde em 2026, superando os patamares observados em 2024 e se aproximando dos maiores volumes registrados em 2025, observados durante os leilões de outubro, período de maior produção na Oceania. Na comparação com o mesmo período de 2025, o volume negociado apresentou alta de 12,3%, reforçando a maior disponibilidade de derivados lácteos no mercado internacional.
Mesmo diante da maior oferta disponível, o avanço do GDT Price Index indica que o mercado segue com capacidade de absorção, sustentado por uma demanda mais firme. Além disso, o leilão registrou novamente o maior número de participantes da série recente, totalizando 176 compradores, sugerindo um ambiente de maior interesse.
Gráfico 3. Volumes negociados nos eventos do leilão GDT.
Fonte: Elaborado pela equipe MilkPoint Mercado com dados do Global Dairy Trade, 2026.
Impacto nos contratos futuros
Na NZX, o mercado futuro de leite em pó integral (WMP) segue apresentando movimentos de valorização. Os contratos indicam uma melhora nas expectativas para os próximos meses, acompanhando a recuperação observada no mercado físico e a maior sustentação das cotações internacionais.
Esse comportamento sugere uma melhora nas expectativas para o mercado internacional após o período recente de ajustes, com os agentes incorporando uma visão mais positiva para as próximas negociações. Ainda assim, a evolução da demanda global seguirá como principal fator para definir a continuidade desse movimento positivo nos contratos futuros.
Gráfico 4. Contratos futuros de leite em pó integral (NZX Futures)
Fonte: NZX Futures, elaborado pelo MilkPoint Mercado, 2026.
E como os resultados do leilão GDT afetam o mercado brasileiro?
O resultado do GDT 410º reforça uma melhora pontual no mercado internacional, especialmente nos leites em pó, com recuperação das cotações após o período recente de ajustes. No entanto, esse movimento ainda não se traduz em uma mudança significativa no mercado brasileiro, que segue condicionado principalmente pela dinâmica doméstica.
A maior disponibilidade de produtos importados e o comportamento do câmbio seguem como fatores importantes para a formação das cotações internas. Mesmo diante da recuperação das referências internacionais, os principais derivados no mercado brasileiro permanecem em um ambiente de estabilidade ou ajustes negativos, em um cenário de maior oferta disponível, que limita movimentos de valorização mais expressivos no curto prazo.
Dessa forma, os efeitos do GDT sobre o mercado brasileiro tendem a ocorrer de forma gradual. A evolução das importações, do câmbio e da demanda interna será determinante para definir o impacto das referências internacionais sobre os preços domésticos nas próximas semanas. (Milkpoint)
Santa Clara na AGAS
Atenta às mudanças no comportamento dos consumidores e às tendências do mercado, a Cooperativa Santa Clara apresenta na ExpoAgas lançamentos voltados à saudabilidade e ao consumo de proteínas, além de preparar novas opções para diferentes perfis de consumidores. A 43ª Convenção Gaúcha de Supermercados (Expoagas) será realizada de 18 a 20 de agosto, no Centro de Eventos da Fiergs, em Porto Alegre.
A Santa Clara participa da ExpoAgas há diversas edições com um espaço personalizado para receber clientes e apresentar seu portfólio. No estande, os visitantes poderão conhecer as novidades como cremes de avelã, queijos, bebidas proteicas e complementos de linha, além de conferir diferentes aplicações para o food service com chefs da Cooperativa presentes no local.
“A Expoagas é um momento estratégico para a Santa Clara, com o objetivo de fortalecer as parcerias com os supermercadistas gaúchos, estreitar relacionamentos e construir novas oportunidades de negócios. Chegamos a este evento com importantes lançamentos e um portfólio ampliado, sempre com foco em qualidade, inovação e geração de valor para nossos clientes e consumidores,” destaca o gerente nacional de vendas, Tomás André Zilli.
PRÉ-LANÇAMENTOS
Entre os pré-lançamentos previstos para os próximos meses estão as bebidas proteicas de 500g, agora também nos sabores morango e açaí com banana. A lista inclui ainda o joelho de porco, iogurte natural, iogurte de morango e o novo sabor pêssego.
Reconhecida e preferida pelos gaúchos na produção de queijos, a Santa Clara incorpora ao portfólio o queijo cottage, apreciado pelo baixo teor calórico e sabor suave. Já o queijo mascarpone passa a integrar a linha da Cooperativa, sendo ingrediente tradicional de receitas como tiramisù e risoto. O portfólio contará ainda com o queijo proosdij, conhecido por seu sabor suave. Com os lançamentos, a marca passará a contar com 51 tipos de queijos, distribuídos em 107 apresentações diferentes.
Além dos novos produtos, a Cooperativa amplia as opções de embalagem com o lançamento do jamón serrano em versão de 500g e da banha em embalagem de 600g. A lista de pré-lançamentos inclui ainda coalhada integral, creme de leite fresco, tábua de frios italiana e torresmo.
Os novos produtos previstos para este semestre elevarão o portfólio da Cooperativa para 419 itens, dos quais 291 pertencem à área de laticínios e 128 à linha de frigorífico. (Santa Clara via Linkedin)
Jogo Rápido
Inscrições gratuitas abertas para o Milk Summit Mercosul 2026
As inscrições para o Milk Summit Mercosul 2026 já estão abertas. A participação no evento é gratuita, mas é obrigatória a inscrição prévia para garantir o acesso à programação. Nos dias 14 e 15 de outubro, em Ijuí (RS), durante a ExpoFest Ijuí, o evento reunirá especialistas nacionais e internacionais, produtores, indústrias, cooperativas, pesquisadores, empresas e lideranças para debater os principais desafios e oportunidades da cadeia leiteira. Com uma programação voltada à inovação, competitividade, sustentabilidade, mercado, gestão e políticas públicas, o Milk Summit Mercosul consolida-se como um dos principais encontros do setor no Brasil e no Mercosul. A participação é gratuita, mas as vagas devem ser garantidas por meio de inscrição antecipada. Inscreva-se clicando aqui: https://milksummitbrazil.com/inscricao/. (Sindilat/RS)