Porto Alegre, 11 de agosto de 2026 Ano 20 - N° 4.690
CCGL amplia de 30% para 40% participação dos sólidos no pagamento pelo leite
A mudança aumenta o peso dos quilos de gordura e proteína na composição do pagamento e reforça a estratégia de valorização da qualidade do leite produzido pelos fornecedores.
A CCGL atualizou o programa Mais Sólidos, Mais Valor, ampliando a participação do pagamento por sólidos na remuneração do leite entregue pelos produtores. A partir de 1º de agosto de 2026, o percentual passou de 30% para 40% do valor total do leite. A mudança aumenta o peso dos quilos de gordura e proteína na composição do pagamento e reforça a estratégia de valorização da qualidade do leite produzido pelos fornecedores.
A alteração busca ampliar o reconhecimento aos produtores que apresentam melhores resultados nos teores de gordura e proteína do leite. A mudança também reforça a importância de fatores que influenciam diretamente a composição do leite produzido na propriedade. Nutrição do rebanho, qualidade dos alimentos fornecidos aos animais, manejo, sanidade e condições de produção estão entre os aspectos que podem interferir nos níveis de gordura e proteína.
Com uma parcela maior da remuneração vinculada aos sólidos, o programa cria maior incentivo para que o produtor busque eficiência e qualidade, além do volume produzido.
A lógica é valorizar não apenas a quantidade de litros entregues, mas também a composição desse leite. Dessa forma, melhores indicadores de gordura e proteína podem representar maior valorização dentro do modelo de pagamento.
A atualização do Mais Sólidos, Mais Valor reforça, assim, a importância crescente da qualidade na remuneração do leite e coloca os componentes do produto — especialmente gordura e proteína — ainda mais no centro da relação entre produção, eficiência e retorno ao produtor.
As informações são da Cotrisoja e Cotrijuc, adaptadas pela Equipe MilkPoint.
Além da prateleira: o que os lácteos revelam sobre os hábitos de consumo no Brasil
Estudo sobre o comportamento nos lares brasileiros revela como a constância de compra, a inovação no portfólio e a expansão digital sustentam a liderança na categoria de lácteos.
Entender o comportamento de compra nos lares brasileiros é um desafio constante para o mercado de bens de consumo. A frequência de compra e a presença constante no dia a dia das famílias costumam contar muito mais para a força de uma marca do que picos pontuais de vendas. Nesse cenário, a categoria de lácteos continua ocupando um papel central na rotina alimentar do país, impulsionando empresas consolidadas a adaptarem constantemente suas rotas de distribuição e portfólios.
Segundo os dados do relatório Brand Footprint Brasil 2026, elaborado pela Worldpanel by Numerator, a métrica de Consumer Reach Points (CRP) ilustra bem essa dinâmica. Ao cruzar a taxa de penetração nos lares com a frequência de compra, o estudo mede a presença real dos produtos no cotidiano. O levantamento reflete como marcas com forte distribuição e tradição conseguem se manter relevantes ao longo dos anos, mesmo em um mercado dinâmico e competitivo.
Dentro do segmento de laticínios, um exemplo dessa consistência é a Italac. Ao completar 30 anos de trajetória, a empresa figura como a marca de lácteos mais presente nas compras dos brasileiros há uma década, ocupando também a sexta posição no ranking geral de marcas de bens de consumo massivo no país. A manutenção dessa posição ao longo do tempo evidencia a relevância de produtos essenciais no carrinho de compras habitual.
A evolução dos hábitos de consumo também tem transformado os canais de venda. O crescimento do e-commerce para itens de supermercado remodelou a forma como o consumidor se abastece, fazendo com que a marca também alcançasse destaque no ambiente digital, ocupando a quinta posição no canal. Esse movimento acompanha uma busca crescente por praticidade e por portfólios mais diversificados, que atendam desde a procura por linhas específicas, como produtos zero lactose, até alternativas voltadas ao bem-estar e à rotina moderna.
As informações são da Assessoria de Imprensa da Italac, adaptadas pela equipe MilkPoint.
O desafio da expansão: Argentina mira protagonismo no mercado lácteo mundial
As projeções internacionais apontam para um crescimento sustentado do consumo e da demanda por produtos lácteos em todo o mundo. Esse cenário representa uma oportunidade para a Argentina ampliar sua produção de leite e voltar a ocupar um papel de destaque no mercado internacional, segundo especialistas reunidos durante a Expo Rural de Palermo.
O tema foi debatido na palestra "O desafio do desenvolvimento do setor leiteiro argentino", que reuniu representantes da cadeia produtiva, pesquisadores e dirigentes do setor. Segundo os analistas, a Argentina tem potencial para aumentar sua oferta de leite, atender à crescente demanda mundial e deixar para trás um modelo "defensivo", marcado por anos de crises, para iniciar um novo ciclo de crescimento.
"Cada vez mais atores internacionais voltam a prestar atenção à Argentina, um dos poucos países com capacidade real de expansão e potencial para aumentar sua produção de leite", afirmou Andrea Lendewig, diretora de Pesquisa e Desenvolvimento da IFCN Dairy Research Network, uma rede global de pesquisa sobre pecuária leiteira. A especialista destacou que a principal oportunidade está no cenário internacional. Segundo ela, até 2035 haverá mais consumidores e maior consumo de produtos lácteos, enquanto o número de fazendas leiteiras e a oferta global deverão diminuir.
O economista-chefe da Sociedade Rural Argentina (SRA), Ezequiel de Freijo, também defendeu que o país deve assumir o desafio de produzir mais leite. Segundo ele, a atividade depende de um ambiente capaz de gerar confiança para investimentos e de avanços em temas históricos, como o reconhecimento da qualidade do leite, sistemas de pagamento que valorizem o mérito, maior transparência nas informações e melhor comunicação ao longo da cadeia.
Ao analisar a competitividade do setor, Andrea Lendewig afirmou que "a Argentina não tem uma indústria quebrada, mas incompleta". Para Freijo, esse cenário é consequência das sucessivas crises de rentabilidade enfrentadas pelo setor e do adiamento da abertura da cadeia leiteira ao mercado mundial. "A produtividade começa muito antes da incorporação de tecnologia: ela começa quando o negócio é rentável. A Argentina passou mais de 20 anos apenas desenvolvendo resiliência e perdeu o foco em resolver questões estruturais, capitalizar-se e tornar-se eficiente", avaliou o economista.
Na mesma linha, Guillermo Pérez Mazás, gerente comercial da Gloria Argentina S.A. — empresa que atualmente controla a Saputo no país — afirmou que o mercado apresenta perspectivas positivas. "Vislumbra-se um mercado limpo e competitivo. É muito positivo que existam players fortes buscando inovar continuamente", disse.
Ao encerrar o debate, Freijo afirmou que a pecuária leiteira argentina vive um momento diferente do observado nos últimos anos. "O modelo mudou e a pecuária leiteira argentina tem uma oportunidade que não tinha há muitos anos. Agora cabe a nós repensar o modelo de negócios e colocar em marcha um processo de modernização que permita a capitalização necessária para aproveitar essa nova etapa", concluiu. (As informações são do Clarín, traduzidas pela equipe MilkPoint)
Jogo Rápido
PROJETO PRÓ LEITE RS É APROVADO NA COMISSÃO
O Projeto de Lei nº 356/2025, de autoria do deputado Elton Weber, que institui o Programa Estadual de Incentivo à Produção Leiteira — PRÓ LEITE RS, foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa, com parecer favorável e emendas. Agora, a proposta segue para a Comissão de Agricultura. Clique aqui e acesse a íntegra da votação e do projeto. (Sindilat com informações da ALRS)