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Porto Alegre, 14 de dezembro de 2018                                              Ano 12 - N° 2.880

Sindilat participa de reunião da Comissão Estadual do Leite 

O Sindicato da Indústria de Laticínios do Rio Grande do Sul (Sindilat) participou, na manhã desta sexta-feira (14/12), de reunião do Conselho Estadual do Leite, realizada na sede da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Rio Grande do Sul (Fetag) em Porto Alegre. O grupo foi criado pela entidade e reúne produtores, indústria e setor público para discutir medidas e alternativas para sanar as dificuldades dos produtores de leite no Rio Grande Sul.

Em documento a ser enviado ao Ministério da Agricultura, as entidades pontuaram medidas consideradas emergenciais para atender à principal demanda dos produtores gaúchos: o preço do leite. "O sofrimento é de todos, não existe produtor forte se a indústria não estiver forte", salientou o secretário-executivo do Sindilat, Darlan Palharini. Ele reiterou o compromisso da indústria com os produtores e defendeu a necessidade de manter a mobilização em prol de preços melhores durante o ano todo. Também apontou a necessidade de criar uma agenda que discuta amplamente o assunto e busque alternativas para os momentos de excesso de oferta, como a inclusão do leite em pó, queijos e leite UHT nos leilões de Prêmio de Escoamento da Produção (PEP).

A primeira demanda pontuada no documento pede que o Governo Federal efetue a compra pública de 30 mil toneladas de leite em pó do Rio Grande do Sul. A segunda solicita imediata suspensão da importação de produtos lácteos de outros países para a discussão das políticas de cotas. E a terceira requer um rebate de 30% nas parcelas dos custeios e investimentos da atividade leiteira. O secretário de Agricultura do Estado, Odacir Klein comprometeu-se, diante dos mais de cem produtores presentes no evento, em auxiliar nas negociações junto com Governo Federal para viabilizar a compra dos produtos. (Assessoria de Imprensa Sindilat) 


Fotos: Camila Silva

 

IBGE: captação formal cai 0,3% no trimestre

Na última quarta-feira (12/12/2018) IBGE divulgou os dados oficias de captação formal brasileira de leite no 3º trimestre de 2018, com 6,26 bilhões de litros captados, volume 0,3% inferior na comparação com o 3º trimestre de 2017 (observe o gráfico 1). Anteriormente, o IBGE havia realizado uma divulgação preliminar dos dados relativos ao terceiro trimestre do ano, que mostravam um aumento da produção em relação ao mesmo período de 2017, da ordem de 0,3%.

Gráfico 1. Variação da captação formal de leite em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado baseado em dados do IBGE.
 
 
O dado do terceiro trimestre do ano ainda reflete, no volume produzido de leite, a ruptura gerada pela greve dos caminhoneiros (observe na variação mensal da produção, mostrada no gráfico 2) e não mostra ainda o impacto do aumento de preços ao produtor verificado no campo.
 
Gráfico 2. Captação formal de leite mensal. Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado baseado em dados do IBGE.
 
 
Por fim, avaliando a variação da produção entre as principais bacias leiteiras do Brasil, tanto a Região Sul quanto a Sudeste tiveram queda no volume de captação formal na comparação anual do 3º trimestre de 2018 vs. 2017, de 1,9% e 1,3% respectivamente. Ao mesmo tempo, o Centro-Oeste elevou em 6,4% no mesmo período, impedindo um recuo mais acentuado na captação brasileira. (MilkPoint)

Consumo interno de carne e leite terá demanda extra

Representantes de criadores de bovinos de corte e de leite e indústrias são unânimes no otimismo quanto ao aumento do consumo de carne e em derivados do leite no mercado doméstico em 2019. A confiança vem de perspectivas de recuperação de renda e emprego no País, parte motivada pela expectativa de que reformas fiscais sejam feitas pelo novo governo federal, o que estimularia a economia nacional. 

Presidente da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), Gedeão Pereira explica que a criação gaúcha fica praticamente toda no Estado, e, por isso, ao produtor local o que mais afeta compra e venda são índices de desemprego, inflação, taxas de juros e recuperação de renda. "O consumo doméstico tem tudo para se expandir no próximo ano. O governo tende a ter seu peso reduzido com privatizações e com as reformas necessárias, e isso estimula economia", opina Gedeão. 

Assim como o prato brasileiro deve receber mais carne de gado, o copo igualmente deve ficar mais cheio de leite em 2019, avalia o presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Rio Grande do Sul (Sindilat), Alexandre Guerra. O setor lácteo do Brasil espera, além do aumento do consumo, que não se repita a invasão de leite em pó do Mercosul para desestabilizar o setor. "O problema não é nem a quantidade de leite que ingressa. O dano ocorre porque há um ingresso concentrado demais, o que faz os estoques nacionais subirem e os preços desabarem", explica Guerra. 

Para o executivo, a tendência segue de retração no número de famílias na atividade, o que teria seu lado positivo. Guerra ressalta que para melhorar a competitividade do setor o ideal seria que as empresas façam a coleta em menos propriedades, e em propriedades melhores estruturas. Com mais tecnologia, as propriedades produzem mais leite por hectare e por animal. "Aumentar a produtividade segue sendo nosso maior desafio, mais do qualquer o pro¬blema do leite que ingressa do Mercosul", resume o presidente do Sindilat. (Jornal do Comércio) 

Volta das multas gera mais insegurança sobre os fretes

A Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) solicitou urgência ao Supremo Tribunal Federal (STF) para a análise da decisão do ministro Luiz Fux de manter as multas pelo descumprimento da tabela de preços mínimos de fretes. Segundo o chefe da assessoria jurídica da entidade, Rudy Ferraz, a decisão do ministro trouxe ainda mais insegurança jurídica para o agronegócio. "Não podemos passar o recesso de fim de ano com essa incerteza sobre um tema tão importante para o setor". Na quarta-feira, o ministro Fux recuou da sua própria decisão da semana passada, que suspendia a cobrança de multa por quem não respeitasse a tabela, após recurso da Advocacia-Geral da União (AGU). No pedido de reconsideração da AGU, a ministra Grace Mendonça alegou que o novo governo deverá retomar a negociação com os setores envolvidos no tabelamento. Ferraz disse que pedirá ao plenário do STF que avalie com urgência ou o mérito da ação de inconstitucionalidade impetrada pela CNA contra a lei que criou a tabela ou a própria decisão de ontem de Fux. "Vamos tentar sensibilizar o relator e o plenário para analisar a lei, que é claramente inconstitucional, ou pelo menos a medida cautelar do ministro Fux", afirmou. O problema, observou, é o tempo curto até o recesso - ontem houve sessão e haverá outra na próxima quarta-feira, cujas pautas já foram publicadas. Assim, é grande a chance de os ministros julgarem o tema só em 2019. 

O presidente do STF, Dias Toffoli, que será o ministro de plantão, até poderá proferir uma decisão sobre as liminares durante o recesso, que termina em 31 de janeiro. Mas Fux já havia comunicado às partes do processo que poderá analisar as liminares só em fevereiro, quando o STF retornará di recesso e acabará o prazo para que ele receba informações das entidades envolvidas. Para a CNA a tabela da Associação Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) desrespeita a lei em vigor, porque foi feita com base na Medida Provisória 832 e não ouviu os setores envolvidos. "A própria ANTT já reconheceu publicamente que fez a tabela às pressas, surpreendida pela MP. E a lei exige base técnica e audiência para ouvir os envolvidos", disse Ferraz. Para a Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais (Abiove), a revogação da suspensão das multas traz mais incertezas em relação ao escoamento da safra de soja 2018/19, que começará a ser colhida nas próximas semanas "Já existem muitas incertezas com relação à disputa comercial entre China e EUA, e agora temos também de prestar atenção ao comportamento do STF", disse André Nassar, presidente da entidade, a jornalistas em São Paulo. "Não sabemos direito o que vai acontecer, mas a modalidade de fretes CIF (entrega no porto) tem aumentado. No fim, o valor pago ao produtor pode cair", afirmou. Enquanto o STF não julga se o tabelamento de frete é ou não inconstitucional, o futuro governo do presidente eleito Jair Bolsonaro e a ANTT já preparam uma nova tabela, que deve revisar os valores de piso mínimo e incluir no cálculo custos de transporte que não estão contemplados nas tabelas atuais.

A Organização das Cooperativas do Brasil (OCB), que representa 13 setores do cooperativismo e reúne tanto cooperativas de produção agrícola quanto de caminhoneiros, já apresentou à ANTT uma proposta de tabela que, na média, resulta em redução de até 30% no piso mínimo de frete para transporte de grãos em relação à primeira tabela, vigente desde fim de maio. O estudo engloba um levantamento feito nos últimos cinco meses pela Esalqlog, que prestou consultoria para a OCB. E os cálculos levam em conta diferentes distâncias - de 50 a 3,5 mil quilômetros - e custos em geral como combustíveis, consertos e depreciação do veículo, usados no transporte de todas as cargas. No caso das outras cargas (frigorificada, geral, neogranel e perigosa), a proposta da OCB sugere reduções ou valores próximos aos de mercado. Do lado dos caminhoneiros, um dos líderes da greve de maio, Wallace Landim, o Chorão, publicou em redes sociais ontem um vídeo comemorando a decisão do ministro Fux, mas recomendou aos colegas que não façam "nenhuma paralisação". (Valor Econômico)

LEITE/CEPEA: VALOR DO UHT SINALIZA RECUPERAÇÃO; MUÇARELA SEGUE EM QUEDA
Leite UHT - O preço do leite UHT deu sinais de recuperação na primeira semana de dezembro, conforme levantamento do Cepea. Com a normalização dos estoques e a produção reduzida, laticínios conseguiram manter estáveis os preços pedidos pelo produto no mercado atacadista. Entre 2 e 8 de dezembro, o preço médio do leite longa vida fechou a R$ 2,0163/litro, praticamente estável (+0.02%) frente à média da semana anterior (nov. 26 a 30). Para o queijo muçarela, no entanto, o cenário foi de queda, visto que o consumo segue enfraquecido e os estoques de laticínios, elevados. O preço médio do produto na primeira semana de dezembro, de R$ 16,9736/kg, foi 1,69% menor na mesma comparação. (Cepea)

 

 

 

Porto Alegre, 13 de dezembro de 2018                                              Ano 12 - N° 2.879

Sindilat revela vencedores do 4º Prêmio de Jornalismo e entrega troféus aos Destaques 2018 

Crédito Dudu Leal 

Pelo 4º ano consecutivo, o Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Rio Grande do Sul (Sindilat) reconheceu o trabalho de jornalistas que, ao longo do ano, se debruçaram sobre pautas importantes do setor lácteo nacional. Profissionais de veículos de Porto Alegre foram os grandes vencedores conhecidos na noite desta quarta-feira (12/12), em Porto Alegre. A Band TV, o jornal Correio do Povo - com duas premiações -, e o jornal Zero Hora, conquistaram as primeiras colocações nas categorias Eletrônico, Online, Fotografia e Impresso, respectivamente, e receberam como prêmio um iPhone.
 
Na categoria Impresso, o 1º lugar foi para o repórter Fernando Soares, do jornal Zero Hora, com a matéria "Soberanas da produtividade". Na categoria Eletrônico, o ganhador foi Juliano Zarembski e equipe da TV Bandeirantes, com o trabalho "Aumenta consumo de leite de ovelha no Brasil". Na categoria Online, o 1º lugar ficou com os repórteres Danton Júnior e Cintia Marchi, do Correio do Povo, com a reportagem "Novos tempos do leite".  E na categoria Fotografia, a vencedora foi Alina de Souza, do Correio do Povo.  A premiação deste ano recebeu volume recorde de inscrições e contou com o trabalho da Comissão Julgadora formada pela Associação Riograndense de Imprensa, Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado, Associação dos Repórteres Fotográficos e Cinematográficos do Estado, Farsul, Fetag e Sindilat.   

Crédito Dudu Leal 

Na noite de homenagem aos jornalistas que aconteceu junto a festa de final de ano do Sindilat, também foram entregues os troféus aos vencedores do Prêmio Destaques 2018, iniciativa que consagra personalidades e empresas que se distinguiram ao longo do ano em prol do setor lácteo, dividida em 10 categorias: Agronegócio Nacional - Luiz Carlos Heinze; Agronegócio Estadual - Antonio Cettolin; Liderança Política - Onyx Lorenzoni; Personalidade - Roberto Tavares; Servidor Público - Karla Pivato; Setor Público - Bernardo Todeschini; Inovação - Lactalis do Brasil; Pesquisa - Tetra Pak; Responsabilidade Social - Colégio Teutônia; e Indústria - Rasip. 

Crédito Dudu Leal  

O presidente do Sindilat, Alexandre Guerra, saudou todos os vencedores que nas suas áreas de atuação tiveram participação importante para a divulgação e propagação de ações que culminaram no desenvolvimento do setor lácteo em 2018. Vislumbrando 2019, Guerra prevê que será um ano de muitos desafios e também de muitas oportunidades, dado o potencial de expansão do setor no Brasil. Uma das grandes bandeiras, será dar continuidade ao projeto que visa colocar a Região Sul como exportadora de lácteos. "Acreditamos que a grande virada de mesa virá com o fomento à exportação, e o Sindilat tem sido um agente de negociações em Brasília e em grupos de trabalho para garantir a abertura de mercados", afirmou o presidente do Sindilat, reforçando que a conquista do mercado externo é fundamental para estabilizar a produção no Sul do país. 

Crédito Dudu Leal  

Presente na cerimônia, o secretário de Agricultura do Rio Grande do Sul, Odacir Klein, exaltou o empenho de todos os agentes da cadeia láctea, que diariamente assumem riscos mas mantêm paixão pelo o que fazem. "São produtores que assumem riscos ao não saberem como estará o preço do leite nos próximos dias, e indústrias, que decidem por investimentos apostando no cenário econômico", afirmou. Também o secretário de Agricultura de Santa Catarina e presidente da Aliança Láctea Sul Brasileira, Airton Spies, brincou que a cadeia do leite "tem muitos bons problemas" porque são "problemas que têm solução". Segundo Spies, quando todos os principais gargalos forem superados, o Brasil será o mais competitivo em leite em todo o mundo. "Estamos diante de grandes oportunidades e o leite, sem dúvida, tem tudo para se tornar a estrela do agronegócio nacional."
 
Prestigiando a cerimônia que levou outros tantos representantes de indústrias gaúchas ao evento, o presidente da Federação das Indústrias do RS (Fiergs), Gilberto Petry, destacou a importância do leite como fonte de alimento e como fonte de renda principal. "Por ser um setor com atividades diversificadas acaba reunindo milhares de famílias gaúchas", afirmou o dirigente, que se mostrou mais otimista com o cenário econômico em 2019, que deve contribuir para a melhoria de resultados de diversos segmentos do setor industrial como um todo.

O evento do Sindilat, realizado nas dependências do Hotel Plaza São Rafael, em Porto Alegre, contou com a participação dos vice-presidentes do Sindilat, Guilherme Portella e Caio Vianna, dos diretores Angelo Sartor e Jéferson Smaniotto e do secretário executivo Darlan Palharini. 
 
Confira os vencedores do 4º Prêmio Sindilat de Jornalismo
 
IMPRESSO
 
1º lugar
Fernando Soares / Zero Hora - Reportagem: Soberanas da produtividade
2º lugar
Cristiano Vieira / Revista Press Agrobusiness - Reportagem: Renda baixa com o tarro cheio
3º lugar
Carlos Guimarães Filho / Revista Boletim Informativo - Reportagem: Mercado Internacional na mira do leite sulista
 
 
ELETRÔNICO
 
1º lugar
Juliano Zarembski e equipe / Band TV - Reportagem: Aumenta o consumo de leite de ovelha no Brasil
2º lugar
Bruna Essig / Canal Rural - Reportagem: Censo Agropecuário - Há cada vez mais mulheres na produção rural
3º lugar
Alessandra Bergmann / SBT - Reportagem: Pesquisa muda lei sobre colostro
 
 
ONLINE
1º lugar
Danton Júnior e Cintia Marchi/ Correio do Povo - Reportagem: Novos Tempos do Leite
2º lugar
Giseli Furlani / Destaque Rural - Reportagem: Tecnologia avançada na produção leiteira
3º lugar
Fernando Soares /Pioneiro - Reportagem: O robô tira o leite
 
FOTO
1º lugar
Alina de Souza / Correio do Povo
2º lugar
Lidiane Mallmann / O Informativo do Vale
3º lugar
Leandro Augusto Hamester / Jornal Informativo Languiru
 
Confira a lista dos Destaques 2018
Agronegócio Nacional
Luis Carlos Heinze
 

Agronegócio Estadual
Antonio Cettolin
 
 
Liderança Política
Onyx Lorenzoni
 
 
Personalidade
Roberto Tavares
 
 
Servidor Público
Karla Oliz
 
 
Setor Público
Bernardo Todeschini 
 
 
Inovação
Lactalis
 
 
Pesquisa
Tetra Pak
 
 
Responsabilidade Social  
Colégio Teutônia
 
 
Industrial
Rasip (Assessoria de Imprensa Sindilat)

 

Reunião anual do Sindilat debate perspectivas do setor lácteo

O Sindicato da Indústria de Laticínios no Rio Grande do Sul (Sindilat) promoveu, nessa quarta-feira (07/12), a reunião anual de análises e projeções para o mercado de lácteos. O ciclo de palestras, realizado da Sala Juá, no Hotel Plaza São Rafael, em Porto Alegre, contou com a presença de representantes de entidades ligadas ao setor.

As mudanças no perfil do consumidor e as tendências mercadológicas para 2019 foram os assuntos centrais da palestra de Luís Eduardo Ramirez, representante da empresa Tetra Pak. Responsável pela abertura do evento, Ramirez destacou que a ampliação do acesso à internet no Brasil aproximou os consumidores das marcas, instigando as empresas a transformar a sua forma de se comunicar com o cliente.  "Mais do que um produto com bom sabor, os consumidores desejam uma experiência. É preciso desenvolver um vínculo emocional" afirmou.

De acordo com os dados apresentados por ele, para 2019, a expectativa no mercado brasileiro é positiva. Estima-se que 97% das indústrias brasileiras devam investir no próximo ano, 60% lançarão novos produtos e 69% irão ampliar suas vendas. Entretanto, essas empresas só chegarão próximo ao consumidor se houver o entendimento de que a sociedade está cada vez mais multicanal. Outra novidade é que os atacarejos - estabelecimentos que mesclam suas vendas em atacado e varejo - tendem a crescer cada vez no gosto dos consumidores, já que os clientes estão prezando pelo preço mais barato.

Quanto às novidades específicas para o setor lácteo, Ramirez destacou o interesse global pelos iogurtes ambientes - que ainda não estão inseridos no mercado brasileiro - estima-se que, puxado pelo mercado chinês, o consumo desses produtos (que não precisam ser refrigerados) cresça 5% até 2020.

O Chefe Geral da Embrapa Gado do Leite, Paulo Martins, apresentou os trabalhos desenvolvido pelo centro de pesquisa. Com sede em Juiz de Fora (MG), a Embrapa Gado do Leite possui um corpo técnico formado por 597 pessoas, sendo 78 pesquisadores e 76 analistas, onde são desenvolvidos projetos, artigos e soluções tecnológicas relacionadas ao setor, entre eles, o aplicativo GisleiteApp, pensado para auxiliar os produtores na gestão zootécnica e econômica de sistemas de produção de leite. Para Martins, as empresas que investirem em tecnologia ditarão o ritmo do mercado. Pensar novas maneiras da produção de leite é uma marca do Centro de Pesquisa que, nesse ano, desenvolveu a 3° edição do projeto Ideas for Milk, evento que contou com a presença do presidente do Sindilat, Alexandre Guerra e do secretário-executivo, Darlan Palharini. O Ideas foi realizado na sede da instituição e consiste em dois grandes eventos: Vacathon e Desafio das Startups que visam fomentar soluções tecnológicas na cadeia produtiva.

De acordo com Martins, a Embrapa Gado do Leite está estudando a possibilidade de realizar uma edição do evento no Rio Grande do Sul, se adequando às características locais. No Estado, a Embrapa Gado do Leite conta com a parceria de diversas instituições, incluindo a Embrapa Clima Temperado, a Cooperativa Santa Clara e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

O consumo de leite UHT no mercado brasileiro foi o assunto abordado por Nilson Muniz, da Associação Brasileira de Leite Longa Vida (ABLV). Em 2017, o setor lácteo cresceu 2,8% e a previsão para 2018 é de crescimento zero. "A produção de leite está perto da estagnação. No caso do UHT, podemos até recuar a produção", destacou. Para 2019, estima-se que o setor expanda 2,5%. Para Muniz, os principais desafios das indústrias é manter o consumo do produto, proteger a reputação do leite em relação às fake news, evitar a banalização das inovações e buscar rentabilidade. 
 
De acordo com o secretário-executivo Darlan Palharini, o setor lácteo está em um momento de maturidade. "É, sendo indispensável abordar de maneira mais específica pautas gerais do mercado, tendo em vista que, produtores, indústrias e entidades formam uma grande rede mercadológica.
 
Exportação será pauta prioritária em 2019
A palestra comandada por Marcelo Martins, diretor-executivo da Viva Lácteos, foi encabeçada pela exportação de lácteos, que ganhou força ao longo de 2018 e deve pautar a indústria do leite em 2019.  De acordo com ele, um dos principais gargalos para a exportação de commodities é a balança comercial. Para exemplificar, o executivo analisou o caso das exportações de leite em pó "Existe demanda para o produto, entretanto, o preço é descolado do mercado externo. Esse fator impossibilita as negociações com outros países", lamentou. Por outro lado, o queijo segue sendo o destaque no exterior. "De 2015 a 2017 as exportações do produto cresceram 42%", destacou.

A Viva Lácteos desenvolve um projeto de exportação em parceria com a ApexBrasil e o Ministério da Agricultura (Mapa). O plano estratégico para a exportação é composto por cinco fatores: acesso ao mercado, promoção às exportações, inteligência comercial e qualificação. De acordo com Martins, as 12 empresas que integram o grupo eram responsáveis por 14,6% da exportação de produtos lácteos. Atualmente representam 50% dessa fatia.

Quanto ao mercado interno, Martins destacou a necessidade de ampliar a demanda de produtos lácteos sempre atento aos marcos regulatórios do leite e derivados. Entre os fatores que precisam ser observados pelas indústrias estão níveis de processamento dos alimentos, rotulagem nutricional das embalagens, redução de açúcar, sódio e gorduras em alimentos industrializados e restrição à publicidade e propaganda.

A inserção no mercado externo voltou a ser debatida pelo secretário de Agricultura de Santa Catarina e presidente da Aliança Láctea Sul Brasileira, Airton Spies, que abordou especificamente o ingresso das indústrias brasileiras no mercado lácteo da China. "Os consumidores chineses desejam produtos com qualidade e leite longa vida mais barato do que o comercializado pela Nova Zelândia." Nesse ano, Spies foi à China para analisar as possibilidades de entrada naquele mercado "As indústrias brasileiras ainda não estão preparadas para inserção nesse mercado, por isso, é preciso instalar nas empresas uma cultura exportadora", afirmou. Além disso, Spies também explicou as atividades realizadas pela Aliança Láctea durante o ano de 2018. O grupo foi criado com o intuito de fortalecer a produção nos três estados do Sul. Atualmente, a região produz 40,1% do leite brasileiro, mas, até 2025, estima-se que o Sul produzirá 50%.

Rafael Borin, do escritório Rafael Pandolfo Advogados Associados, comandou a última palestra do evento que abordou questões jurídicas relacionadas ao tabelamento de frete, medida adotada pelo governo Federal após a greve dos caminhoneiros. No final do evento, o presidente do Sindilat, Alexandre Guerra, e os palestrantes compuseram uma mesa redonda para alinhar pontos comentados durante os paineis. Para Guerra, o evento  possibilitou a avaliação de gargalos de 2018 e os projeções para 2019. (Assessoria de Imprensa Sindilat) 


Fotos: Carolina Jardine

 

Projetos beneficiados pelo Fundopem trarão mais de 660 empregos diretos

O Rio Grande do Sul vai ter 663 novas vagas de emprego direto nos próximos meses. A boa notícia se deve ao decreto assinado nesta quarta-feira (12) pelo governador José Ivo Sartori, em cerimônia no Palácio Piratini. Por meio do Fundo Operação Empresa do Estado do Rio Grande do Sul, o Fundopem/RS, 24 projetos de empresas privadas vão receber incentivo para implantar ou expandir unidades industriais em 25 municípios.

O Fundopem é um instrumento de parceria entre o governo do Estado e a iniciativa privada, com o objetivo de promover o desenvolvimento socioeconômico, integrado e sustentável. Não se trata de uma liberação de recursos às empresas. O apoio vem por intermédio do financiamento parcial do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) devido e gerado pelas mesmas. O investimento aproximado para os projetos deste decreto é de R$ 684,7 milhões.

Segundo o governador, o papel do Estado é criar condições para quem quer investir em solo gaúcho: "Não podemos atrapalhar os empreendedores. Nosso papel é criar as condições para o desenvolvimento, valorizando nosso potencial econômico e estratégico. Precisamos fazer com que o Rio Grande do Sul passe a ser um grande receptor de investimentos futuros. Precisamos de novas empresas e empreendimentos. Só assim teremos mais empregos para toda a nossa gente".

A secretária de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, Susana Kakuta, acrescentou que o Fundopem é uma ferramenta estratégica pela capacidade de descentralizar o desenvolvimento: "Um dos grandes ganhos desse programa é que 49% dos municípios beneficiados tem o Idese (Índice de Desenvolvimento Socioeconômico) abaixo da média estadual. Isso tem uma importância absoluta na medida em que temos que espalhar as oportunidades pelo Estado".

Impulsionar empregos
A secretária apresentou um balanço do Fundopem entre 2015 e 2018. Até agora, foram 109 projetos beneficiados, que representam 3.506 vagas de emprego direto. O investimento total foi de R$ 4,1 bilhões. Entre os parceiros, está uma empresa de laticínios de Aratiba, a Deale Laticínios. Segundo o diretor Alexandre dos Santos, o fundo tem sido decisivo para manter e criar novos empregos: "O Fundopem nos alavancou. Ele deixa que aquele valor que você iria pagar de ICMS no mês seja investido novamente na indústria. Isso gera mais receita pro Estado e mais trabalho também. Já fomos incluídos em três decretos e estamos perto de 200 empregos hoje", explica Alexandre dos Santos. Assista a reportagem da TV Piratini (Governo RS) 

 
Créditos fotos: Governo RS - Governador Ivo Satori, Deise dos Santos 
e Alexandre dos Santos - diretores do Laticínios Deale  

Fux volta atrás e multa vigora
Brasília - O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luiz Fux revogou, na noite de ontem, liminar concedida por ele na semana passada que havia suspendido as multas e punições para quem descumprisse a tabela do frete. A liminar de Fux, da última quinta, gerou um princípio de movimentação entre os caminhoneiros, porque, na prática, esvaziava o tabelamento do frete. Com a reconsideração de Fux, as multas para as empresas que descumprirem a tabela voltam a vigorar. O ministro revogou a sua decisão após pedido da AGU (Advocacia-Geral da União) chegar ao STF na segunda-feira. (Correio do Povo)

 

 

 

Porto Alegre, 12 de dezembro de 2018                                              Ano 12 - N° 2.878

Startup australiana desenvolve dispositivo que detecta rapidamente lactose e leite estragado

Uma ferramenta de diagnóstico que pode detectar rapidamente a lactose e o leite estragado deverá ser lançada por uma startup australiana. O dispositivo foi desenvolvido pela CSIRO, agência independente do governo federal australiano responsável pela pesquisa científica.

A Cybertongue (ciber-língua), como é conhecida, usa sensores biológicos de proteína para medir com precisão os componentes específicos do leite, como a lactose, e comunica mudando a cor da luz que emite. Quando os sensores são conectados a uma máquina de leitura (que é do tamanho de uma caixa de sapatos) para análise, os sinais de luz são convertidos em números significativos. O dispositivo também pode ser aplicado em vários campos, como segurança alimentar, monitoramento ambiental e saúde humana.

A tecnologia PPB, que obteve licença para comercializar o dispositivo e sediada em Camberra, inicialmente se concentrará no potencial de diagnóstico da Cybertongue na indústria de lácteos, detectando enzimas de deterioração no leite, bem como os níveis de lactose, o que está se tornando um grande problema entre os consumidores australianos. "Para os processadores de leite, os métodos atuais de diagnóstico de lactose são caros e podem levar até uma semana para receber resultados, causando custos e atrasos para os processadores, além de aumentar os preços para os consumidores", disse o fundador do PPB, Stephen Trowell, ex-cientista do CSIRO.

"Ao usar um biosensor especial para lactose, a tecnologia Cybertongue fornece medições precisas e próximas do tempo real em qualquer lugar da linha de produção, o que significa que os produtos podem ser distribuídos mais rapidamente sem o risco de qualidade do produto."

Livre de lactose
Estima-se que 4% dos australianos sejam intolerantes à lactose. Mais amplamente, o problema pode afetar até dois terços da população humana mundial. Pesquisas sugerem que um número crescente de pessoas na Austrália e em todo o mundo estão começando a preferir alternativas lácteas sem lactose, com o mercado global para esses produtos podendo crescer para mais de US$ 10 bilhões nos próximos seis anos.

Um estudo com 1.184 adultos australianos pela Universidade de Adelaide descobriu que um em cada seis está escolhendo evitar o leite e os alimentos lácteos. Cerca de três quartos destes estão fazendo isso sem procurar aconselhamento médico.

A pesquisa constatou que mais de três quartos das pessoas que evitam leite estão seguindo este caminho em uma tentativa de aliviar sintomas gastrointestinais adversos, como cólica e inchaço. Uma pequena parcela citou não gostar do sabor dos laticínios ou achavam que eram alimentos calóricos.

Entre 2011 e 2015, o número de adultos australianos relatando que eram intolerantes à lactose cresceu pouco mais de 240.000 pessoas - um aumento impulsionado quase inteiramente por mulheres, descobriu a Roy Morgan Research. "A intolerância à lactose ocorre quando o corpo de uma pessoa não produz o suficiente da enzima lactase para decompor a lactose encontrada no leite e em alguns alimentos", explicou a diretora executiva da empresa, Michele Levigne.

"Embora as pesquisas médicas e de saúde não tendam a identificar as mulheres como mais suscetíveis à doença do que os homens, nossos dados mostram que ela é consideravelmente mais prevalente entre as mulheres australianas", completou. Ela disse que as marcas de alimentos e bebidas que desejam atingir os consumidores intolerantes à lactose com produtos que atendam às suas limitações alimentares precisam de um conhecimento profundo para garantir que o marketing ressoe com o público certo.

"Além da discriminação de idade e sexo, uma compreensão mais holística de como os australianos com intolerância à lactose se sentem sobre a alimentação e a saúde pode fazer toda a diferença quando se trata de atraí-los", acrescentou Levigne.

Medições precisas
Trowell disse que é importante que medições precisas da composição do leite sejam tomadas em cada elo da cadeia do leite. Por exemplo, os produtores de leite precisarão gerenciar a fertilidade de seus rebanhos, receber alertas antecipados de quaisquer problemas de saúde que possam estar ocorrendo e acompanhar sua produtividade e eficiência.

Em seguida, os processadores devem medir substâncias regulamentadas, como antibióticos, e avaliar a qualidade e adequação de cada carga do tanque para o uso pretendido. Eles também precisam ter confiança nas especificações de seu produto final. "Onde quer que você esteja na cadeia de valor, você quer que suas medições sejam confiáveis, fáceis de fazer e rápidas", disse Trowell.

"O leite é um alimento familiar, mas do ponto de vista de um analista é uma 'matriz' complexa e difícil. É por isso que a maioria das medições de leite ainda é feita em um laboratório central, e não no local, no laticínio ou na fábrica."

Um dos pontos fortes da Cybertongue é que ela é personalizável e futuramente pode medir qualquer componente de alimento ou contaminante de interesse. Para isso, a CSIRO vem desenvolvendo sensores futuros para aplicações mais amplas do dispositivo, como parte de sua parceria estratégica com a tecnologia PPB. "A maneira única como construímos a tecnologia significa que podemos desenvolver sensores que detectam uma ampla gama de substâncias, incluindo toxinas, alérgenos e enzimas", disse a pesquisadora sênior do CSIRO, Alisha Anderson.

Na saúde humana, essa tecnologia pode levar ao diagnóstico de condições de saúde potencialmente fatais, como a sepse, em apenas alguns minutos, em vez dos métodos atuais, que levam algumas horas, levando a um tratamento mais rápido e eficaz. "Também pode ser usada para o diagnóstico precoce de alguns tipos de câncer". Este é um ótimo exemplo de como iniciar e levar a ciência e a inovação desenvolvidas dentro da CSIRO para a comunidade australiana ", finalizou Anderson. (As informações são do Dairy Reporter, traduzidas e adaptadas pela Equipe MilkPoint)

QUAL A IMPORTÂNCIA DE SE DIAGNOSTICAR ATRISTEZA PARASITÁRIA BOVINA?

Quando se fala em tristeza parasitária bovina (TPB) os produtores rurais do nosso estado já ficam de cabelo em pé. Há um tempo que a vacina congelada não está disponível no mercado e as melhores estratégias de controle de tristeza estão relacionadas ao manejo adequado das infestações pelo carrapato. Mas, será que o pecuarista sabe ao certo o tamanho do problema? Quantos animais o estado perde anualmente para esta doença, transmitida por carrapatos e causada por Babesia bovis, Babesia bigemina ou Anaplasma marginale? Eis aí um grande problema, porque nem nós, profissionais da área, que trabalhamos diretamente com a doença, podemos quantificar com certeza. Estima-se que haja cerca de 150 mil mortes anuais de bovinos por tristeza no RS, mas apenas cerca de 10 mil são notificadas oficialmente, embora, de acordo com o Ministério da Agricultura, a notificação de casos confirmados de tristeza seja obrigatória. A subnotificação é um fator crítico e colabora para a subestimação da importância
econômica da doença pelas autoridades. Mas existe algo que o produtor rural prejudicado por perder animais por tristeza pode fazer, que é ajudar a construir o mapa da situação da doença no estado. 

A notificação dos casos é feita nas inspetorias veterinárias dos municípios e não acarreta ônus para o produtor. As mortes notificadas comporão as estatísticas oficiais, podendo contribuir para chamar a atenção do poder público. Embora casos suspeitos possam já ser notificados, o ideal é que haja a confirmação da tristeza para a notificação. Existe um método de diagnóstico bem simples, que pode ser feito por qualquer veterinário treinado. Só requer coletar uma gota de sangue da ponta da cola ou orelha e fazer um esfregaço sanguíneo. O próprio veterinário pode corar a lâmina e observar a presença dos parasitos ao microscópio ou enviar as lâminas para a inspetoria veterinária ou para um laboratório que faça o exame. É importante também enviar sangue coletado da cola, com anticoagulante, como garantia, caso a qualidade do esfregaço impossibilite o diagnóstico. É desejável que o sangue para o esfregaço seja coletado da ponta da cola ou de pequenos vasos da orelha, para aumentar a chance de observação do parasito em casos de infecção por Babesia bovis, pois estes parasitas ficam acumulados nos pequenos vasos sanguíneos. Confirmada a TPB como causa do óbito, é imprescindível a notificação junto ao Serviço Veterinário Oficial, pelo produtor ou pelo técnico responsável pelo exame, até mesmo para que o problema seja visualizado pelo Estado em sua real magnitude, auxiliando chamar a atenção do governo para a elaboração de políticas públicas. (Correio do Povo)

RS- Projeto ajuda pecuarista a produzir mais leite gastando menos

Produção - Na região noroeste do Rio Grande do Sul, um projeto ajuda produtores rurais a melhorar a gestão do negócio. Em uma das propriedades atendidas, a mudança no manejo das pastagens aumentou a produção de leite e reduziu custos. Trata-se da propriedade de Remy e Zelaine Castanho. Cada vaca na fazenda está produzindo mais de 26 litros de leite por dia. Essa média é considerada boa para a época do ano, mas eles querem mais.

"Tá bom, mas a gente quer mais, quer aumentar a produção a pasto. Ela é melhor, tem o custo mais baixo e fica mais viável", afirma Zelaine.

A propriedade fica em São Miguel das Missões. Para aumentar a rentabilidade do negócio, o casal entrou no Programa de Produção Integrada em Sistemas Agropecuários, o Pisa. O projeto resulta de uma parceria entre Sebrae, Farsul e Senar do estado. Nos últimos quatro anos, 140 famílias foram atendidas na região das Missões.

"É importante que o produtor se entenda também como empresário, que ele tenha sua propriedade rural como uma empresa agrícola. Então a parte de gestão é extremamente importante. O agricultor é obrigado a entender os custos da produção, despesas, e saber quanto tá rendendo, saber se tem que fazer algum tipo de mudança na sua gestão", afirma Armando Pettinelli, gerente regional do Sebrae.

Para ele, esses quatro anos permitiram que o agricultor tivesse um profundo conhecimento do seu negócio. Com isso, conseguiu aumentar a produtividade e ter mais rentabilidade.

O consultor do Sebrae que atende a propriedade é Fábio Seibt. Ele ajudou a melhorar o manejo das pastagens com soluções simples.

A fazenda trabalha com seis tipos de pasto ao longo do ano. Cultiva capim-sudão, uma gramínea de verão. A altura ideal para o pastejo é de 35 cm. O segredo é controlar o tempo de pastejo. As vacas só podem comer até a metade, assim as plantas rebrotam mais rápido. E isso gera economia de ração e silagem.

"Os produtores não devem deixar o animal rebaixar demais essa pastagem, que baixem em torno de até 20 cm para ter maior recuperação desse pasto e para elas darem o giro mais rápido nessas áreas. Eu sempre forneço folha, pasto de qualidade e com boa qualidade de proteína nessa pastagem", diz Seibt.

O resultado foi uma redução de 15% nos gastos com alimentação. Por causa do Pisa, os produtores também estão implantando o sistema silvipastoril, que integra lavoura, pecuária e floresta. No ano que vem, as vacas já vão poder pastar à sombra dos eucaliptos, o que, segundo estudos, aumenta a produtividade de leite.

"Isso vai ficar melhor porque elas vão ter pasto e sombra. A gente vai poder aproveitar mais o dia, pelo menos no verão, com calor. Vai aumentar a produtividade? Não sei. Mas pelo menos reduz os custos", diz o produtor Remy Castanho.

"Tudo que tu der para elas de melhor vai ser retribuído em leite", completa sua mulher, Zelaine. Vídeo (Canal Rural)

Fonterra lança ferramenta financeira para ajudar os agricultores
Preços/NZ - Fonterra anunciou que irá introduzir uma nova ferramenta financeira para ajudar os produtores a terem mais certeza sobre o que receberão pelo leite durante a temporada. O novo Fixed Milk Price (Preço Fixo do Leite) pode ajudá-los a fazer o orçamento, planejar e gerenciar a rentabilidade da fazenda. Esta é mais uma ferramenta, dentre outras que a cooperativa lançou. Robert Spurway, chefe de operações globais disse, "como a Cooperativa pertence a 10.000 famílias de agricultores, nós estamos comprometidos em fazer a diferença para os produtores da Fonterra e disponibilizar opções flexíveis que ajudem nossos acionistas a investir em suas fazendas, orientando o gerenciamento financeiro". "Esta temporada nos lembra a volatilidade do mercado global e o impacto que isso tem sobre o preço do leite. Enquanto a cooperativa gerencia essa volatilidade da melhor forma possível na venda de nossos produtos, reconhecemos que os produtores sentem o impacto disso. Ao disponibilizar uma ferramenta que permite analisar com maior precisão os preços e a rentabilidade, estamos colocando todos em uma situação mais vantajosa", afirma Spurway. (interest.co.nz - Tradução livre: www.terraviva.com.br)

 

 
 
 

 

 

Porto Alegre, 11 de dezembro de 2018                                              Ano 12 - N° 2.877

Como desenvolver a cadeia produtiva do leite com vistas a torna-la um importante exportador mundial de lácteos.

Cadeia de lácteos - O Brasil tem se consolidado como um importador líquido de lácteos. Todavia, o país tem condições excepcionais de produção de leite como a disponibilidade de fontes de alimento e o vasto rebanho, mas os custos que incidem sobre a cadeia como um todo, tem tornado o país pouco ou nada competitivo.

Assim, à luz da teoria econômica quais variáveis da demanda e da oferta podem ser manuseadas tendo a indústria como agente para o desenvolvimento da cadeia de lácteos brasileira? A demanda é dirigida pelos preços do produto e do substituto ou complementar, pela renda, pelas expectativas futuras, pelo hábito alimentar e pelo tamanho da população. Dessas variáveis, a indústria pode trabalhar a questão do preço e também o hábito alimentar. Para tanto precisa aumentar a escala e a eficiência produtiva para permitir baixar preços dos produtos. Precisa ainda conhecer e atender o mercado, influenciando-o via ferramentas de marketing. Nesse sentido, trabalhar as questões de diferenciação e novos produtos, nichos, marcas e hábitos alimentares é o caminho recomendável.

A oferta, por sua vez, é dirigida notadamente pelo custo dos fatores de produção, tecnologia e objetivos corporativos. O custo dos fatores de produção, no caso da matéria prima leite, indica a necessidade de uma estratégia de longo prazo para a fidelização dos fornecedores - produtores de leite. A questão da fidelização do fornecimento do leite é condição sine qua non de sobrevivência à medida que o processo de concentração na indústria e na produção primária toma corpo. Uma estratégia de fidelização requer fornecimento de serviços especializados, assistência técnica continuada e pagamento diferenciado pela fidelidade. Deve-se pagar ainda por volume, qualidade e sólidos; sendo esse último, essencial para a produtividade dos processos industriais. A outra variável é a da tecnologia, que promove qualidade e produtividade. Estar atendo às mudanças tecnológicas e estabelecer parceria com instituições de ensino e pesquisa de forma a manter sua tecnologia atualizada, e promover a capacitação do pessoal se torna especial para o desenvolvimento. Outra variável relevante são os objetivos corporativos de longo prazo. Deve-se explicitar o Market share desejado e como será obtido. O mercado doméstico está afeito à renda, sua distribuição e aumento, todos fora da alçada da indústria; sendo uma variável independente. Para uma expansão robusta há de se buscar a demanda externa, via comércio internacional. Uma estratégia vitoriosa considera as características do mercado e variáveis como preço, padrão de qualidade, mix de produtos e relações comerciais de longo prazo. Vendas esporádicas atendem a objetivos conjunturais, mas não contribuem para o share no mercado internacional.

Nesse contexto, um trabalho integrado entre as industrias criando, caracterizando e divulgando uma marca brasileira, como o Goodairy Brazil, que é uma parceria Viva Lácteos e APEX, são de grande importância para o fortalecimento da imagem do Brasil no exterior e promoção das exportações. Por fim, o governo precisa agir no "custo brasil" e nas ações diplomáticas para tornar a cadeia produtiva do leite exportadora líquida de lácteos. O nosso enorme potencial produtivo não pode ficar atrelado ao avanço da demanda no País; o caminho é a exportação. (Embrapa) 

 

UE - O ritmo de crescimento da produção de leite na UE poderá cair pela metade na próxima década

Produção/UE - Haverá maior demanda de exportações de produtos lácteos europeus tradicionais, como queijo, já que a população mundial e a renda aumentarão, segundo as previsões do boletim de projeção dos Mercados Agrícolas Europeus - 2018 a 2030 da Comissão Europeia.
É esperado o crescimento na demanda de produtos lácteos. No entanto, o comércio mundial nesse setor aumentará a um ritmo muito mais lento do que na última década, com a União Europeia (UE) e a Nova Zelândia dominando o mercado. Para 2030, a UE poderá abastecer cerca de 35% da demanda mundial, concentrando-se, cada vez mais, em produtos de alto valor agregado, como orgânicos e aqueles com Indicação Geográfica Protegida. A perspectiva é de que as exportações de queijo, manteiga, leite em pó desnatado, leite em pó integral e soro de leite da UE aumentem para a média de 330.000 toneladas de equivalente leite ao ano. E o mercado europeu precisará de 900.000 toneladas de leite adicional por ano para satisfazer o crescimento dos produtos lácteos tradicionais, principalmente queijo. Por outro lado, é esperado que o consumo europeu de leite fluido continuará diminuindo na UE.

 

A produção de leite na UE deverá ter um aumento moderado entre 2018-2030, com a média de 0,8% anual. Este crescimento é quase a metade do que foi registrado entre 2008-18, como pode ser verificado no gráfico. A produção estimada de 167 milhões de toneladas em 2018, deverá atingir 182 milhões de toneladas em 2030. Finalmente, a rentabilidade do leite também deverá aumentar 17% em 2030, em relação a 2017. O ritmo de crescimento será mais lento que em décadas anteriores devido às restrições ambientais adicionais sobre a produção de leite.

As campanhas que promovem menor ingestão de produtos lácteos devido à pegada ambiental dos produtos pecuários, assim como o aumento das declarações de intolerância à lactose terão uma influência negativa no consumo de laticínios. Entretanto, o consumo crescente de comidas preparadas, hambúrgueres e alimentos congelados aumentará o uso de ingredientes lácteos, como o queijo. (Agrodigital - Tradução livre: www.terraviva.com.br)

Argentina - Pequenos produtores de leite precisarão de apoio governamental para manterem a atividade

Comercialização/AR - O secretário de Governo da Agroindústria, Luís Miguel Etchevehere, junto com autoridades dos mercados integrados pela MATba e ROFEX, apresentaram a produtores e distintos representantes da indústria de laticínios, o Mercado Futuro do Leite que entrará em operação no dia 17 de dezembro, beneficiando produtores e indústrias.

"Graças ao trabalho que fizemos na Secretaria conseguimos desenvolver uma ferramenta que dará previsibilidade e transparência na produção e industrialização do leite. Em poucos dias os produtores poderão projetar o preço do leite e antecipar-se às variações nos custos de produção, e as indústrias começarão a comercializar com previsibilidade porque poderão se proteger em relação a variações futuras", assegurou o Secretário.

Acrescentou que "isto significa um grande passo para o setor porque a criação do mercado futuro permite tomar decisões com o objetivo de fazer crescer a cadeia, favorecendo a criação de emprego e o trabalho rural". Cabe destacar que os futuros, que também contam com o apoio da Comissão Nacional de Valores (CNV), funcionarão como uma ferramenta que possibilitará ter certeza do preço do leite, e será uma garantia para os contratos de comercialização realizados pelas indústrias. Os contratos serão de 5.000 litros e podem ser firmados em pesos ou em dólares.

Por outro lado, a liquidação será sem a entrega física e calculada pela diferença de valor em relação ao preço da SIGLeA, que será informada pelo setor agroindustrial dentro de um calendário estipulado. Os produtores serão beneficiados por isto, já que poderão assegurar e decidir um valor para parte de sua produção. (Infortambo - Tradução livre: www.terraviva.com.br)

CERTIFICAÇÃO TRAZ GANHOS
A principal atividade da propriedade de Airton Schlindwein, em São Valério do Sul, na Região Celeiro do Estado, é a produção de leite. Com um plantel de 80 vacas e um volume diário de entrega para a indústria de 1,6 mil litros de leite, o agricultor se beneficia da certificação como área livre de brucelose e tuberculose há quatro anos. Segundo Schlindwein, embora o processo seja mais complexo no primeiro ano, ele oferece vantagens inegáveis para o empreendimento. "Eu recebo de R$ 0,02 a R$ 0,03 centavos a mais por litro de leite, pela qualidade que ofereço. Além disso, tenho a segurança de ter um rebanho sadio que pode ser comercializado sem riscos, se eu precisar", aponta. O produtor acredita que o gasto anual de cerca de R$ 30,00 por animal para a aplicação dos testes - o custo inclui a contratação de um veterinário credenciado da iniciativa privada, já que a Seapi fornece os antígenos, mas não faz a aplicação - é pequeno se forem contabilizados os ganhos. "Até para vender localmente o leite é mais vantajoso", diz Schlindwein, ao garantir que no comércio a origem do produto tem cada vez mais importância e quem tem a certificação larga na frente. O mesmo vale para a venda das vacas, "consigo um preço muito melhor sem o risco de doenças", completa. (Correio do Povo)

 

 

 

Porto Alegre, 10 de dezembro de 2018                                              Ano 12 - N° 2.876

Leite tipo exportação

Até outubro, o Brasil exportou próximo a 18 mil toneladas de leite em pó para cerca de 50 países. Nas vendas externas do agronegócio este volume é considerado insignificante e mais de 20% inferior à quantidade registrada no mesmo período de 2017. Desde o início de 2018, representantes da cadeia leiteira nacional, como a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a Aliança Láctea (que representa os estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul) e o Sindicato das Indústrias de Laticínios (Sindilat/RS) buscam alternativas para mudar esse cenário e fazer da exportação de lácteos uma aliada no equilíbrio do setor no mercado interno. As entidades elaboraram um projeto que visa ampliar as exportações brasileiras de lácteos dos atuais 1% da produção para 10% até 2025. Entre os principais entraves a serem enfrentados está a questão do preço do leite em pó brasileiro, bem mais caro do que o oferecido no mercado internacional. 

O secretário-executivo do Sindilat, Darlan Palharini, explica que, hoje, o quilo do leite em pó no mercado internacional oscila entre R$ 11 e R$ 12, enquanto que no mercado interno chega a R$ 15. "O problema maior está nas dificuldades logísticas que precisam ser racionalizadas para diminuir o frete do produto até o porto e no custo de produção, muito alto", reclama. Palharini salienta que o setor tentou encaminhar com o governo, no início deste ano, a possibilidade de realização de leilões na modalidade Prêmio de Escoamento da Produção (PEP), mas não obteve sucesso. "Com o PEP compensaria o frete e se conseguiria vender com preço mais atrativo. Vamos tentar retomar o assunto quando assumir a nova ministra da Agricultura", adianta. A pesquisadora da Equipe Leite do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP), Nathália Grigol, diz que a dificuldade do setor leiteiro de colocar seu produto no mercado externo tem origens na história da cadeia no Brasil. 

"O preço pouco competitivo do produto brasileiro se deve à desorganização do setor leiteiro e à falta de políticas de Estado que respaldem a atividade", analisa. Nathália aponta que para entrar na briga pelo mercado externo são necessárias atitudes desde dentro da porteira - como assistência técnica, gestão da propriedade e medidas sanitárias - e fora dela, com o fortalecimento das relações entre produtor e indústria. "Só com estes dois entes caminhando juntos, e o apoio correto do governo, é que se poderá competir com nações que têm tradição neste comércio", pontua. 

SANIDADE É RESTRIÇÃO. A Associação Brasileira de Laticínios (Viva Lácteo) esclarece que, além da questão dos preços, o produto nacional enfrenta restrições na União Europeia, na Turquia e na Bielorrússia, regiões onde é exigido o Certificado Sanitário Internacional, de comprovação de zona/região livre de brucelose e tuberculose. A Viva Lácteo ressalta que estes mercados embargam o leite em pó brasileiro pelo princípio de precaução em detrimento da análise de risco, uma vez que, do ponto de vista sanitário, inexiste o risco de se contrair brucelose e tuberculose pelo consumo de leite em pó, condensado, queijos maturados e outros derivados. "Alguns países preferem desconsiderar as alegações científicas, afim de manter barreiras não tarifárias", salienta a assessoria da associação.

Os três estados da região Sul respondem por um terço da produção nacional de leite, o que representa cerca de 12 bilhões de litros. De acordo com a Aliança Láctea, essa produção poderá chegar a 50% do total do país até 2025, num território que detém apenas 15% da população, o que leva a um excedente de matéria - prima. Tiago Rodrigues, assessor técnico da Comissão Nacional de Bovinocultura de Leite da CNA, lembra que facilitar as exportações é o caminho para manter a balança comercial mais forte e evitar que o preço interno se deteriore, como ocorreu em 2016 e 2017 com a importação de volumes expressivos do Mercosul. "Os Estados do Sul têm o potencial necessário para impulsionar as exportações, pois produzem com muita qualidade e muito profissionalismo", afirma Rodrigues. O assessor conta que no início de novembro a CNA levou empresas de lácteos nacionais a uma feira em Xangai, para mostrar a qualidade da produção. "A China representa hoje 40% do mercado importador de lácteos e o Brasil precisa ingressar neste segmento", completa. Os principais mercados importadores de lácteos brasileiros são Arábia Saudita, Bolívia, Chile, Colômbia, Estados Unidos, Paraguai, Peru e Rússia. Estão em fase de abertura a África do Sul, a China e o México. (Correio do Povo) 

 

Cooperativa exporta há oito anos, mas aponta instabilidade

O alinhamento das variáveis de sanidade, preço e políticas públicas para o setor leiteiro, que estão sendo defendidas pela CNA, Aliança Láctea Sul Brasileira e Sindilat/ RS e que visam dar competitividade aos produtos lácteos brasileiros, é esperado pelas empresas gaúchas que já exportam para o mercado internacional. No Rio Grande do Sul, a Lactalis, empresa de matriz francesa com plantas instaladas na região de Santa Rosa, iniciou suas operações de exportação a partir deste ano, com as primeiras cargas de leite achocolatado, creme de leite e leite condensado embarcadas para o Uruguai. Já a Cooperativa Central Gaúcha Ltda. (CCGL) exporta, desde 2010, leite em pó, creme de leite e achocolatados para países africanos, do Oriente Médio e da América do Sul. De acordo com a diretora comercial da CCGL, Michele Muccillo Selbach, não há regularidade nos volumes embarcados para o exterior, o que leva as operações a serem realizadas pontualmente. "No ano de 2015, as exportações de leite em pó participaram em 24% do volume total de lácteos comercializado pela empresa, mas no ano seguinte, as exportações não foram viabilizadas. Em 2017, as vendas externas representaram em torno de 4% e neste ano estão por volta de 1%", exemplifica a diretora. Michele diz que o carro - chefe das vendas da cooperativa para o exterior é o leite em pó, cujo volume diário processado na unidade de Cruz Alta chega a 2,2 milhões de litros em duas torres de secagem. "Os esforços em promover a exportação de produtos lácteos são essenciais para que se articule junto às empresas, entidades, órgãos governamentais e se construa um projeto para melhorarmos a competitividade frente aos concorrentes internacionais", salienta a diretora. Segundo ela, em todas as fases de expansão da CCGL, a análise do mercado internacional foi prioridade. "Nossa unidade industrial (inaugurada em 2016) foi projetada com a finalidade de atender aos mercados mais exigentes em termos de qualidade e controle de processos", relata. No quesito sanidade, a cooperativa executa um programa próprio de certificação da brucelose e da tuberculose, divido em três fases e que já chega a 40% dos 4,2 mil produtores associados à cooperativa. "Esses produtores representam 80% do nosso rebanho fornecedor. Na fase atual, 50% dos animais testados já foram negativados para as duas doenças", garante Michele. (Correio do Povo)

Nova referência para preço do leite em MG

Maior produtor de leite do Brasil, Minas Gerais terá a partir do próximo ano um novo sistema de preços de referência para o alimento. O cálculo será feito por um grupo de acadêmicos e deverá nortear laticínios em relação aos valores a serem pagos aos produtores no Estado. A expectativa de quem está no campo é que a indústria passe a pagar mais pelo leite, sem que esse aumento chegue ao consumidor. O cálculo dos preços de referência - dos leites de qualidade intermediária, superior e inferior - será feito por uma entidade que será oficialmente formada esta semana, o Conseleite. Será um conselho com representantes dos criadores de gado leiteiro, de cooperativas de leite e dos laticínios que operam no Estado. Dois professores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e um professor aposentado da Universidade de São Paulo (USP) terão a tarefa de analisar mensalmente os custos dos laticínios e os custos de produtores de distintos perfis. Vão agregar essas informações a dados do mercado e calcular preços referenciais para o leite a ser pago ao produtor. Os preços devem começar a ser anunciados em fevereiro ou março do próximo ano. Será um valor de referência para o mês corrente e outro para mês seguinte. 

O primeiro Conseleite do país foi criado no Paraná em 2003, e depois vieram os do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. A ideia foi motivada por suspeitas constantes dos fazendeiros de que laticínios os exploravam, pagando preços aviltantes pela matéria prima. Para a instalação do Conseleite em Minas Gerais, duas dezenas de laticínios do Estado, com portes e produtos variados, já repassaram, sob condição de sigilo, seus números para o grupo de acadêmicos. A ideia é que essa amostra reflita a realidade dos aproximadamente 800 laticínios mineiros. Nenhum laticínio estará obrigado a pagar aos criadores de gado leiteiro os valores apontados como referência. Mas Celso Costa Moreira, diretor executivo da entidade que representa a indústria em Minas, o Silemg, diz que certamente todos passarão a levar os números em conta e que serão preços que a indústria poderá suportar. De acordo com ele, o Conseleite terá um impacto na qualidade do produto mineiro. "Hoje muitos laticínios que não são tão exigentes pagam pelo leite com mais ou menos qualidade o mesmo valor", afirma Moreira. "Com o Conseleite, teremos o preço do leite padrão e o produtor com leite de melhor qualidade receberá um valor maior, e vice-versa." Ele aposta que isso será um estímulo decisivo para o aumento da qualidade de toda a cadeia leiteira em Minas Gerais. E que abrirá mais portas do mercado externo para derivados de leite do Estado. Minas Gerais produz ao ano cerca de 9 bilhões de litros de leite - quase um terço de toda a produção nacional. São 223 mil produtores. O faturamento anual dos laticínios é de R$ 10,5 bilhões. O que tem servido de referência para os preços pagos aos produtores mineiros é o índice calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq), da USP. O Cepea usa informações de cooperativas e laticínios. Mas produtores de Minas Gerais afirmam muitas vezes que o índice é insuficiente como fonte de referência. 

Um dos objetivos do Conseleite em Minas é que produtores, cooperativas e laticínios passem a ter uma referência calcada em informações mais detalhadas do Estado e que todos referendem. "Acredito que os novos preços de referência no Conseleite serão acima dos preços que o Cepea tem publicado", diz Eduardo Pena, presidente da Câmara Técnica da Pecuária de Leite da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg). "Vamos poder cobrar preços melhores da indústria, mas vamos também que cumprir contrapartidas", afirma referindo-se à qualidade. Os acadêmicos que estão envolvidos na implementação do Conseleite mineiro são José Roberto Canziani e Vânia Guimarães - ambos professores do Departamento de Economia Rural da UFPR - e Fernando Curi Peres, professor aposentado da USP. Canziani disse ao Valor que avalia que no curto prazo, os novos preços de referência poderão fazer com que os milhares de pequenos produtores de Minas, que hoje não têm muita informação nem muitos argumentos para discutir com laticínio para o qual fornece, passem a receber um valor maior pelo seu leite. Para ele, nesse primeiro momento, a indústria talvez reduza um pouco o valor pago ao grande produtor - remunerando de forma mais equilibrada seus fornecedores. São ajustes na cadeia, mas que nada afetam o preço ao consumidor, afirma. No médio prazo o que se espera é que todo o setor de leite em Minas ganhe e que a produção possa aumentar", afirma o acadêmico. (Valor Econômico) 


Bolsonaro anuncia Ricardo Salles como novo ministro do Meio Ambiente
O presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), usou o Twitter na tarde deste último domingo (9) para anunciar o advogado Ricardo Aquino Salles como futuro ministro do Meio Ambiente. Com esse anúncio, o primeiro escalão da Esplanada está fechado com 22 ministérios. Filiado ao Partido Novo, Salles concorreu sem sucesso ao cargo de deputado federal por São Paulo. Foi secretário estadual do Meio Ambiente no governo de Geraldo Alckmin, de quem também foi secretário particular. (As informações são do jornal Folha de São Paulo)

 

 

Porto Alegre, 07 de dezembro de 2018                                              Ano 12 - N° 2.875

Liminar suspende aplicação de multas em razão do tabelamento de fretes
 

A liminar foi concedida pelo ministro Luiz Fux para evitar dano irreparável e terá efeitos até que o Plenário do STF julgue a questão. Para o ministro, a imposição de multas gera impacto na economia e é preocupante diante do cenário de crise econômica.

O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), deferiu liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 5956, na qual a Associação do Transporte Rodoviário de Carga do Brasil (ATR Brasil) questiona a política de preços mínimos do transporte rodoviário de cargas. O relator suspendeu a aplicação das medidas administrativas, coercitivas e punitivas previstas na Lei 13.703/2018 e, por consequência, os efeitos da Resolução 5.833/2018 da Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT), que estabeleceu a aplicação de multas em caso de inobservância dos preços mínimos por quilômetro rodado e por eixo carregado, bem como das indenizações respectivas. Fux determinou ainda que a ANTT e outros órgãos federais se abstenham de aplicar penalidades aos embarcadores, até o exame do mérito da ADI pelo Plenário do STF.

O tema foi objeto de audiência pública no Supremo convocado pelo ministro Fux em agosto deste ano. Por determinação do ministro estão suspensos desde junho todos os processos judiciais, individuais ou coletivos, em curso nas demais instâncias do Judiciário, que envolvam a inconstitucionalidade ou suspensão de eficácia da Medida Provisória (MP) 832/2018, que institui a Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas, e da Resolução 5.820 da ANTT, de 30 de maio de 2018, que regulamentou a MP. A medida provisória foi convertida na Lei 13.703/2018.

Na ação, a ATR Brasil alega que a política de preços mínimos vinculantes derruba a atividade econômica exercida pelas empresas de transporte que atuam no segmento de granéis, que recrutam serviços dos motoristas autônomos em larga escala. Afirma ainda que o tabelamento de preço fere a economia de mercado e abre perigoso precedente para que outros grupos de pressão coloquem em risco a segurança do país. Diz ainda que o "paternalismo estatal" fez com que os motoristas autônomos não se preparassem para enfrentar os custos reais da atividade. Alega que o governo não adotou medidas alternativas para a solução do problema verificado no mercado de fretes, como fiscalização, incentivo e planejamento da atividade econômica.

Ações semelhantes foram ajuizadas pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil - CNA (ADI 5959) e pela Confederação Nacional da Indústria - CNI (5964). Em petição apresentada ao ministro Fux esta semana, a CNA pediu urgência na apreciação da liminar, informando que a ANTT, a pretexto de regulamentar dispositivos da Lei 13.703/2018, editou a Resolução 5.833, de 9 de novembro de 2018, que instituiu mais sanções aos transportadores de cargas que utilizam o modal rodoviário.

Em sua decisão, o ministro Fux afirma que o quadro fático revelado aponta que a imposição de sanções derivadas do tabelamento de fretes tem gerado grave impacto na economia nacional, o que se revela particularmente preocupante diante o cenário de crise econômica atravessado pelo País. "Inocorrente qualquer pronunciamento desta Corte sobre o mérito das Ações Diretas de Inconstitucionalidade, por razões de segurança jurídica (artigo 5º, caput e XXXVI, da Constituição), impõe-se a concessão da cautelar para suspender a aplicação de multas, por órgãos e agências federais, em razão do tabelamento de fretes retratado na [petição] inicial, evitando-se, assim, o perigo de dano a que alude o artigo 300 do Novo Código de Processo Civil", concluiu Fux ao deferir a liminar. Leia a íntegra da decisão. (STF) 

 
 

Método Lean é o novo conceito para administrar a cadeia do leite

Método Lean - Não basta tirar leite, é preciso entender sobre esse negócio. Estou em um lugar do Brasil que tem a atividade leiteira mais desenvolvida do país. Fica no Paraná, em Carambeí.

Participo de uma grande reunião com a Clínica do Leite, uma instituição sem fins lucrativos que atua para a melhoria da pecuária de leite, por meio de serviços analíticos, da geração de conhecimento e da formação de pessoas. Está presente a Frísia e muitos convidados de diversas organizações.

Em Carambeí, está sendo aplicada uma filosofia de organização baseada no método Lean, que foi desenvolvido pela Toyota, no Japão. O método Lean é uma filosofia de gestão focada na redução dos sete tipos de desperdícios, como a super-produção, tempo de espera, transporte, excesso de processamento, inventário, movimento e defeitos. Eliminando esses desperdícios, acaba-se diminuindo o tempo e o custo de produção. O professor Paulo Fernando Machado, um dos maiores especialistas na gestão do leite, desenvolveu o método Master Dairy Administration (MDA), que significa uma Maestria na Administração do Leite.

A educação para o sucesso nessa nobre arte da atividade leiteira passa por vários incômodos. É preciso dar um significado ao trabalho, ter missão, visão e valores, engajar funcionários, solucionar problemas e inovar. Então, vir a ser um ótimo produtor de leite, não basta apenas entender de vacas e de nutrição das vacas, ou saber tirar o leite, precisa estar atuando sobre uma filosofia de administração, como o método MDA, iniciado em 1996 na Esalq-USP, com a Clínica do Leite. É hora de saber administrar com uma filosofia de propósitos e sentidos. Tudo começa no próprio pensamento de quem faz. (Canal Rural)

Como tratar vacas leiteiras durante o período de transição

O período de transição - intervalo que corresponde a três semanas antes e três semanas após o parto de um animal -, é considerado um dos momentos mais importantes e críticos durante o ciclo produtivo, uma vez que os animais passam por diversas alterações metabólicas e fisiológicas, preparando-se para a futura lactação.

De acordo com a analista técnico e comercial da Quimtia Brasil, Lidiane Maciel, empresa especializada na fabricação de insumos para nutrição animal, no caso das vacas, por exemplo, o pré-parto é um período de grande atenção. Segundo ela, é o estágio de maior demanda de nutrientes para a síntese de colostro, leite e primordial para que ocorra regeneração da glândula mamária. "É a fase em que poderá garantir que se alcance o máximo potencial produtivo", diz Lidiane. Ela explica ainda que durante essa etapa de transição há aumento das exigências energéticas e declínio no consumo alimentar dos animais. "Desta forma, deve-se monitorar o escore de condição corporal que pode variar de 1 a 5, sendo que vacas muito magras são classificadas como um (01) e vacas muito gordas como cinco (05)", complementa.

"Em situações onde as vacas estão com escore elevado (superior ou igual a 4,0), os animais tendem a ter maior queda de consumo alimentar, além de maior probabilidade de apresentarem problemas durante o parto e doenças metabólicas, como cetose, febre do leite, deslocamento do abomaso e falhas reprodutivas no pós-parto. "O mesmo pode ocorrer com vacas com escore muito baixo, pois é no terço final da gestação que ocorre 80% do crescimento fetal, sobrando assim, pouca proteína e energia para recuperação do peso", acrescenta Lidiane. Para a especialista, a recomendação é que os animais estejam com um escore entre 3,0 a 3,75 no momento do parto", comenta.

Para chegar a um peso ideal e garantir uma produção animal de excelência também neste período [o de transição], a alimentação adequada é um ponto crucial. Segundo a analista, a adoção de um balanceamento de nutrientes na dieta do pré-parto, também auxiliam na prevenção das doenças metabólicas durante o pós-parto.

"A recomendação atende a uma dieta com maior concentração de cálcio e com Diferença Catiônica-Aniônica da Dieta (DCAD) negativa, ou seja, é importante fornecer sais aniônicos ao núcleo mineral (principalmente cloro e enxofre), que tendem a acidificar o pH sanguíneo e consequentemente reduzir a incidência de febre do leite", aconselha. Ela afirma também que outro manejo de grande importância nesta etapa é substituir alimentos com teores de potássio elevado, como as leguminosas, remover fontes de cátions - bicarbonato de sódio -, limitar o consumo de concentrado de 0,5 a 1,0% PV e garantir o fornecimento de silagem de ótima qualidade.

"Após o parto as vacas tendem a aumentar a quantidade de produção de ácidos, devido a maior ingestão de concentrado da dieta, portanto é primordial que seja fornecido uma dieta com DCAD positivo, para que ocorra o tamponamento do sangue. Portanto é importante que sejam formuladas dietas a base de forragens de alta qualidade associadas a concentrados que evitem a ocorrência de acidose ruminal, mantenha a produtividade e a saúde do animal", finaliza. (DBO) 

 
 
EFEITO MANADA
O tema da retirada da vacina contra a febre aftosa ganhará força com a entrada do novo ano. A pressão criada pela decisão do Paraná de deixar de imunizar já no segundo semestre de 2019 empurra o Rio Grande do Sul para um momento de tomada de decisão. Ou segue os mesmos passos e evita o isolamento em relação aos outros dois Estados, ou mantém a vacinação que garante a sanidade, mas impede o acesso a determinados países. - Isso realmente levaria o Brasil a outros mercados. Mas a pergunta é: temos condições de fazer isso? - questionou o presidente da Farsul, Gedeão Pereira, em relação ao posicionamento da entidade sobre a retirada da vacina. Técnicos da superintendência regional do Ministério da Agricultura fizeram recentemente auditoria para verificar itens de plano de ação traçado após a identificação de carências no ano passado. O relatório é esperado para embasar a solicitação de uma visita ao Estado de profissionais de Brasília, com o objetivo de, posteriormente, deixar de vacinar. - O RS avançou muito em 2018, e tem sim possibilidade de receber essa auditoria específica do Programa Nacional de Erradicação de Febre Aftosa - afirma Rogério Kerber, presidente do Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal (Fundesa). Ele ressalta que eventual isolamento do RS - Santa Catarina já é livre da doença sem vacinação - traria dificuldades logísticas para as indústrias de leite, de aves e de suínos. Um dos efeitos seria a necessidade de trafegar pelos chamados corredores sanitários, que "têm hora para entrada, trajeto definido e horário de saída". Para poder deixar de imunizar ainda no próximo ano, a auditoria teria de sair ainda no primeiro trimestre de 2019. (Zero Hora)
 
 

 

 

Porto Alegre, 06 de dezembro de 2018                                              Ano 12 - N° 2.874

Custo de produção cresceu 1,59% em outubro

ICPLeite/Embrapa - Em outubro o Índice de Custo de Produção de Leite - ICPLeite / Embrapa apresentou variação de 1,59%. Os grupos que possuem maior peso na ponderação do índice - Concentrado, Produção e compra de volumosos e Mão-de-obra, foram os que apresentaram maior variação. A ração para vaca em lactação puxou o grupo Concentrado, que voltou a crescer, apresentando alta de 2,99%. Já Produção e compra de volumosos registrou aumento nos preços de 1,61% e Mão-de-obra, 1,52%. O grupo Reprodução não variou. Os demais grupos tiveram variação inferior a uma unidade ou, ainda, variação negativa, a saber: Energia e combustível, 0,29%; Sanidade, 0,13%; Sal mineral 0,07% e Qualidade do leite -8,08%. O resumo dos dados encontra-se na Tabela 1.

 
Nos dez meses de 2018, o ICPLeite/Embrapa acumulou 14,58% de elevação de custos. À exceção do grupo Qualidade do leite que apresentou pequena variação negativa, -0,02%, as variações são positivas nos demais grupos. Concentrado e Energia e combustível lideram as altas registrando variações próximas: 22,57% e 22,25%, respectivamente, e Sal mineral apresentou alta de 14,59%. As altas verificadas nos outros grupos não chegaram a dois dígitos. Produção e compra de volumosos, registrou 9,89% de aumento, Sanidade 7,47%, Mão de obra, 5,95%, e Reprodução, 0,09%. Os dados encontram-se na Tabela 2.


 
Nos últimos 12 meses, o custo de produzir leite aumentou em 16,87%. Todos os grupos apresentaram variações positivas quando comparados a outubro de 2017. Merecem atenção as altas dos grupos Concentrado e Energia e combustível, ambas superiores à do índice, registrando, respectivamente, 26,24% e 22,57%. Sal mineral também apresentou alta considerável, 14,76%. %. Por ordem decrescente, as demais variações foram nos grupos Sanidade, 7,75%; Mão-de-obra, 5,95%, Qualidade do leite, 2,90% e, por fim, Reprodução: 0,09%. Os dados no acumulado de dozes meses para cada um dos grupos que compõem o índice encontram-se na Tabela 3. (Embrapa)
 
CNA pede suspensão de multa por descumprimento de tabela do frete 
 
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF), como medida cautelar, a suspensão de multas a transportadores pelo descumprimento da tabela obrigatória de fretes rodoviários. O pedido foi incorporado à ação da entidade que tramita no STF e que pede a inconstitucionalidade da lei do tabelamento. "Se questionamos a inconstitucionalidade não faz sentido o pagamento de multas", disse Rudy Ferraz, chefe da assessoria jurídica da CNA. A expectativa da entidade é de que essa demanda pontual seja julgada pelo relator do processo, ministro Luiz Fux, antes do dia 20, quando começa o recesso no Judiciário. Não há previsão para o julgamento do mérito da ação. 
 
O presidente da CNA, João Martins, afirmou que a tabela de fretes foi criada "por uma ex-crescência de política errada", com aumentos mensais dos preços do diesel que causaram a greve de caminhoneiros, em maio deste ano, e, posteriormente, a legislação. 
 
"Com correções devidas e anulação de impostos, o diesel vai chegar a um preço que a ta-bela não tem razão de existir. Mas vamos continuar a bater que não concordamos", afirmou Martins. (J ornal do Comércio)
 
 

Tetra Pak traz a realidade aumentada para suas embalagens

A Tetra Pak, empresa global de soluções para processamento e envase de alimentos, inicia projeto de realidade aumentada em suas embalagens. Os mercados do Brasil e dos Estados Unidos são os primeiros a adotar a tecnologia que visa  estabelecer novos canais de interação com os consumidores e, de forma lúdica, esclarecer sobre a tecnologia contida nas embalagens cartonadas. Aqui, a partir deste mês, a novidade poderá ser conferida nas caixinhas de suco das marcas Maratá e Tial.

O projeto dá continuidade à campanha "Não é mito, é tecnologia", criada pela Heads Propaganda com o objetivo de esclarecer, por meio das embalagens, como é possível conservar bebidas e alimentos, sem colocar na geladeira ou usar conservantes.

Para vivenciar a experiência do novo projeto, o consumidor deve baixar o aplicativo "Tetra Pak - Mitos", desenvolvido pela ROAR para as plataformas iOS e Android. Para baixá-lo, o usuário pode ler o Qrcode da embalagem, utilizando a câmera do celular ou digitar "Tetra Pak - Mitos" na Apple Store ou Google Play. Em seguida, é preciso scanear a lateral da embalagens por meio do app para dar início à animação. São personagens mitológicos como dragões e sereias projetados como se estivessem saindo da embalagem para dar acesso, de forma divertida, a parte interna da caixinha. Imagens de frutas são visualizadas neste momento junto a botões interativos que levam para conteúdos de diferentes canais digitais da empresa, todos para reforçar a proteção alimentar oferecida pelas embalagens, fabricadas para impedir a entrada de oxigênio, luz e umidade, o que permite a preservação do sabor, da qualidade e dos nutrientes das bebidas.

"Em pesquisas que realizamos no mundo todo sobre tendências e perfis de consumo, identificamos o potencial das embalagens como vetor de comunicação. Para transformar as tendências em projetos, buscamos suportar nossos clientes para aderirem à inovação em suas linhas. As animações que serão projetadas em realidade aumentada chamam atenção e conseguem criar uma experiência diferenciada e informativa para os consumidores. Esta é a primeira de outras iniciativas focadas em digitalização que temos em nossos projetos", ressalta Vivian Leite, diretora de Marketing da Tetra Pak Brasil.

"O projeto de realidade aumentada vem de encontro com toda a nova comunicação que adotamos este ano para o nosso portfólio desenvolvida com o apoio da Tetra Pak. Agregar esta tecnologia aos nossos produtos é mais uma frente para consolidar nosso compromisso em trazer opções de qualidade e inovadoras ao consumidor", reforça Victor Wanderley, diretor da marca Sucos Tial.

Conteúdo integrado à tecnologia
Entre as informações presentes nas embalagens digitalizadas da campanha Não é mito - é tecnologia, a Tetra Pak destaca as seis camadas de proteção da caixinha, formadas por plástico, papel e alumínio. Responsáveis por preservar o alimento, elas impedem a entrada de oxigênio, luz e umidade e permitem preservar o sabor, a qualidade e os nutrientes dos produtos mesmo sem refrigeração. Os consumidores também poderão conhecer a importância do envase asséptico, realizado sem contato manual ou com o meio externo, o que permite que os alimentos fiquem livres de microrganismos.(Assessoria de Imprensa Tetra Pak)

Nestlé lança linha de iogurtes Nestum Go

A Nestlé lançou a gama Nestum Go, uma linha que alia iogurte aos cereais e que, de acordo com a marca, chega ao mercado em embalagens que não têm necessidade de refrigeração. "Nestum Go pode ser levado para qualquer lugar e consumido durante o dia em lanches da manhã ou da tarde", acrescenta ainda a marca.

Disponível em embalagens de 80 gramas, a gama Nestum Go está disponível nos habituais canais de distribuição nas referências Mel, Bolacha Maria e Morangos e Aveia. (Distribuição Hoje)

Lançamento Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do Estado de MG terá transmissão ao vivo
Conseleite/MG - O Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do Estado de Minas Gerais - CONSELEITE/MG entra em funcionamento nesta sexta-feira (7/12). O lançamento oficial será às 9h, na sede do Sistema FAEMG (av. Contorno, 1771, Floresta), em BH. O objetivo do trabalho é manter a transparência na formação de preços do mercado lácteo, com indicação de valores de referência em uma plataforma digital. Participam do lançamento representantes de sindicatos e de cooperativas de produtores rurais e de indústrias de laticínios. Para acompanhar o lançamento pela internet basta acessar o portal do SISTEMA FAEMG:www.sistemafaemg.org.br (Faemg)

 

 

Porto Alegre, 05 de dezembro de 2018                                              Ano 12 - N° 2.873

Importações voltam a crescer!
 

Na última terça-feira (04/12/2018) a Secex divulgou os dados de comércio internacional de lácteos no Brasil. Em novembro, o Brasil importou 148,9 milhões de litros em equivalente leite, 4,3% a menos em relação aos 155,6 milhões importados em outubro, mas, ainda assim, quase o dobro (+94,3%) na comparação com novembro de 2017. Enquanto isso, as exportações tiveram leve aumento mensal, ficando em 11,5 milhões de litros em equivalente leite, contra 9,3 milhões em outubro, o que reduziu um pouco nosso déficit comercial lácteo em 8,9 milhões de litros, como mostra o gráfico 1. No entanto, comparado ao saldo da balança no mesmo mês de 2017, estamos numa situação pior, com saldo de -137 milhões de litros contra -47 milhões de litros no ano passado.

Gráfico 1. Saldo da balança comercial de lácteos no Brasil. Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado com base em dados da Secex.
 
Na comparação anual (janeiro-novembro), em 2018 o volume de lácteos importado ainda é 7,5% inferior a 2017. Entretanto, isso ainda ocorre por conta do 1º semestre "fraco", uma vez que, considerando apenas o 2º semestre (julho-novembro), as importações brasileiras foram 38% maiores de que em 2017 (621 milhões de litros vs. 449 milhões no ano passado). Observe o gráfico 2.

Gráfico 2. Importações brasileiras em equivalente leite - 2017 vs. 2018. Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado com base em dados da Secex.
 
Este forte crescimento nas importações lácteas do segundo semestre é basicamente pautado pelo aumento na compra de leite em pó dos nossos vizinhos Argentina e Uruguai (especialmente do primeiro). Entre julho e novembro, o Brasil importou 52,3 mil toneladas de leite em pó (desnatado e integral), 58,7% a mais do que no mesmo período de 2017. Deste volume, 60,8% foram originados na Argentina e 33,8% vieram do Uruguai (uma alteração no "mix" de origem em relação a 2017, quando 44,6% do volume importado foi argentino e 46% uruguaio). Observe a evolução mensal no gráfico 3.

Gráfico 3. Importação brasileira de leite em pó e participações da Argentina e Uruguai. Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado com base em dados da Secex.
 
Em novembro, o Brasil importou 8,5 mil toneladas de leite em pó integral, a um preço médio de US$ 2.872/tonelada, equivalente a R$ 10.875/tonelada - a cotação média para o leite em pó industrial no mercado brasileiro no mês de novembro de 2018 foi de R$ 13.237/tonelada segundo levantamento semanal do MilkPoint Mercado. Apesar de ser um preço 3,4% mais baixo do que em outubro (-US$ 100/tonelada), Vale destacar também o incremento nas importações de gorduras. Em novembro foram 676,8 toneladas entre manteiga e butter oil, contra 481,6 toneladas em outubro. No acumulado de 2018 (janeiro-novembro), as importações são 12,9% mais altas contra 2017, muito por conta das desvalorizações internacionais e dos preços elevados da gorduras lácteas no mercado interno. Por fim, a tabela 1 mostra um detalhamento da balança comercial em novembro por produto transacionado, bem como seus preços de importação/exportação.

Tabela 1. Balança comercial láctea em novembro de 2018. Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado com base em dados da Secex.
 

 

Itamaraty deve reforçar foco agrícola

Sob apelos do setor produtivo, o futuro chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, tem sinalizado que deverá criar um departamento exclusivo no Itamaraty para tratar de negociações e acordos comerciais de interesse do agronegócio. Na segunda-feira, em reunião na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a deputada Tereza Cristina (DEM-MS), indicada pelo presidente eleito Jair Bolsonaro para assumir o Ministério da Agricultura, confirmou a notícia a empresários e dirigentes de entidades setoriais. "É uma forma de demonstrar que o Itamaraty, neste governo, vai dar atenção especial para o agronegócio", disse Tereza ao Valor. A iniciativa de Araújo partiu de uma queixa do setor de que o Itamaraty não tem priorizado o agronegócio nas pautas de comércio exterior, até por hoje contar com uma estrutura menor para tal. A missão do Brasil de melhorar sua imagem perante países importadores de produtos agropecuários - sobretudo carnes, que enfrentam embargos em países como Rússia, Estados Unidos e China - também reacende, segundo fontes, a necessidade de uma área específica voltada para a agenda internacional do setor. (Valor Econômico) 

Santa Clara adere ao Aprendiz Cooperativo do Campo

Pensando em oportunizar espaços de aprendizado para os jovens e estimulá-los a dar continuidade à atividade leiteira, a Cooperativa Santa Clara adere ao Programa Aprendiz Cooperativo do Campo. A primeira turma é composta por cinco alunos e é formada por filhos de associados da região do Alto Jacuí. As aulas iniciaram no início deste mês.

O programa tem por objetivo incentivar a permanência dos jovens no campo, além de promover a sucessão familiar profissionalizada, o empreendedorismo cooperativo, profissionalizar a gestão de pequenas e médias propriedades rurais e proporcionar às cooperativas agropecuárias o incremento do quadro social.

Durante 17 meses eles irão participar de aulas práticas e teóricas, sendo divididas em duas semanas cada, com foco na atividade rural. A proposta é que os participantes não percam o vínculo com o campo e nem fiquem distante da família.

Para participar do programa os alunos devem ter entre 14 e 24 anos e possuírem carteira de trabalho. A iniciativa é desenvolvida através de uma parceria da Cooperativa com o Sescoop/RS.

Desde o mês de novembro, a rotina de cinco jovens será um pouco diferente do que estão habituados. Iasmin Eduarda Schwaab, Silvana Eduarda Lubnow, Morgana Oliveira da Silva, Naiane Dierings e Diego dos Santos irão organizar o seu tempo entre a propriedade, a escola e a frequência no programa Aprendiz Cooperativo do Campo.

O grupo irá frequentar aulas teóricas e práticas, de acordo com o cronograma. Os encontros práticos terão como laboratório as propriedade rurais modelo, o tambo familiar, a estrutura da Cooperativa, dias de campo, feiras e visitas técnicas.

Novas perspectivas
É de conhecimento geral que a perspectiva de continuidade da agricultura familiar depende de uma série de fatores, e isso não é diferente para os jovens. O incentivo de inscrever-se no Aprendiz Cooperativo Campo veio dos pais de Morgana Oliveira da Silva, 15 anos. "Na época deles não tiveram essa possibilidade, por isso me apoiaram para participar. Além disso, é uma forma de aprendizado que vai auxiliar no meu futuro", comenta a estudante do 9º ano do Ensino Fundamental. A adolescente auxilia os pais, Helena e Valdomiro Ferreira da Silva, na propriedade que conta com dez vacas, localizada no município de Selbach.

Dar sequência à atividade leiteira é o desejo de Silvana Eduarda Lubnow, 16 anos. Ela é uma das jovens que aderiram ao projeto. Desde pequena, a estudante do 1º ano do Ensino Médio ajuda os pais, Neocilda e Nilton Lubnow, no tambo, localizado em Selbach. "A expectativa é que o aprendizado contribua no trabalho em casa. Hoje temos 12 vacas", afirma. Para ela, o programa é uma forma de incentivar a sucessão familiar. (Sistema Ocergs-Sescoop/RS) 

Novas regras para leite cru preocupam setor produtivo
Os novos regulamentos técnicos divulgados pelo Ministério da Agricultura para leite cru refrigerado e leite pasteurizado vão provocar mudanças no sistema produtivo atual, tanto para o produtor quanto para as indústrias. O presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Rio Grande do Sul (Sindilat-RS), Alexandre Guerra, fala sobre o que está preocupando o produtor. Assista a reportagem na íntegra (Canal Rural)
 

 

Porto Alegre, 04 de dezembro de 2018                                              Ano 12 - N° 2.872

GDT
 
Os produtores de leite da Nova Zelândia contam com esse resultado para projetarem sua renda. Até aqui não houve qualquer ganho nas cotações dos lácteos na temporada 2018/19. O principal produto negociado na plataforma, o leite em pó integral (WMP) perdeu 12% de seu valor desde o primeiro leilão de agosto de 2018, até o último leilão de novembro de 2018. Faltando pouco mais de 20 dias para encerrar o ano a interrupção das quedas é uma esperança de que o preço do leite ao produtor não seja tão forte. (GDT/Terra Viva)
 
 
 

Saiba por que o preço do leite está caindo e veja dicas de receitas para aproveitar o alimento

Preço do leite - Se o fim de ano é sinônimo de despesas extras, a boa notícia é que pelo menos um item básico da alimentação está com o preço em queda. Parceiro do café ou do achocolatado no café da manhã e de variadas receitas de doce, o leite longa vida está mais barato na prateleira.

Levantamento da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas) mostra que, depois de custar R$ 3,26 (preço médio) em julho, o valor médio do litro chegou a R$ 2,93 na terceira semana de novembro, um recuo de 10,1%. O relatório do Instituto de Estudos e Pesquisas Econômicas da UFRGS (IEPE-UFRGS) também mostra praticamente a mesma redução em período semelhante: 10,4% de julho a outubro (os dados de novembro só são disponibilizados em dezembro).

O motivo da queda nos preços é o aumento da oferta do produto no mercado brasileiro. O excesso de produção em Minas Gerais, principal Estado leiteiro do país, ajudou a derrubar o valor nas gôndolas.

- As interferências do clima aumentaram a produção e houve necessidade de baixar os preços em função do excesso. Leite é perecível: ou vende ou joga fora - destaca o presidente da Agas, Antônio Longo.

Economia na prática

Na prática, essa redução pode representar uma economia de cerca de R$ 20 por mês, em uma família de quatro pessoas, considerando o consumo de dois litros diário.

- Em famílias com crianças em idade escolar, o consumo médio é de dois a dois litros e meio por dia. Em casas com crianças menores, o consumo aumenta - indica a nutricionista Cláudia Marchese Strey.

Além da folga no orçamento familiar, a baixa do preço também dá uma mãozinha para os comerciantes, principalmente aqueles que usam o leite como insumo para outras preparações, como Luís Fernando de Oliveira, proprietário de uma padaria no bairro Menino Deus, em Porto Alegre.

- Tudo vem aumentando, a luz, a farinha... A baixa no leite está dando uma ajuda. A gente trabalha muito com o leite longa vida na produção de doces, salgados, tudo praticamente usa leite - comenta.

Redução não deve impactar nos derivados

A expectativa tanto da indústria quanto dos supermercadistas é de que os preços se mantenham no mesmo patamar nos meses de verão enquanto a produção estiver alta e o consumo menor. Bom para o consumidor e para parte do comércio. Contudo, os valores mais baixos podem não chegar até o outono.

- Não é salutar ficar nesse patamar de preço, há necessidade de valor superior em função de custos do produtor e da indústria. O leite é um dos itens com menor margem no supermercado - avalia Longo.

Ainda que a matéria-prima esteja mais em conta, os derivados não devem sofrer grandes alterações, estima secretário executivo do Sindicato da Indústria de Laticínios do RS (Sindilat), Darlan Palharini. Queijo, leite em pó, nata e manteiga devem manter-se na mesma faixa de preço.

- O custo da manteiga e da nata não caem porque são a gordura, como se fosse a "picanha" do gado: é pequena e o mercado absorve todo o consumo - diz o secretário.

Por que sobe tanto?

Os períodos de safra e entressafra têm grande impacto sobre o valor final do produto, como explica Palharini.

- Normalmente, se compararmos com anos anteriores, a lógica acontece nesse mesmo período. Na safra, o preço cai e, na entressafra, sobe. O produto falta em todo o Brasil e não compensa trazer de fora para fazer a manutenção do mercado - diz.

Em geral, o período intermediário entre uma safra e outra se estende de maio a setembro, no entanto, isso também depende das variações climáticas.

Dá para estocar?
Para uma vida útil adequada, ele deve ser transportado e conservado em temperatura ambiente, em lugar arejado e sem umidade. Normalmente, após aberto, o leite deve ser conservado sob refrigeração em até 48 horas, ou conforme orientações do fabricante, presente na embalagem. Na prateleira do mercado, a vida útil do produto é de quatro meses. (Diário Gaúcho)

 

Rede Leite avalia resultados de 15 anos de atividade e prospecta futuro

Em um momento de desafios para a atividade leiteira gaúcha, integrantes da Rede Leite reuniram-se nesta quinta-feira (29), em Ijuí (RS), para debater seus principais resultados e avanços, assim como as perspectivas para o futuro do trabalho, que completou 15 anos em 2018. A 4ª edição do Fórum da Rede Leite foi realizada no campus da Universidade Regional do Noroeste do RS (Unijuí) e contou com a participação de cerca de 150 pessoas, entre produtores rurais, pesquisadores, técnicos da assistência técnica e extensão rural, professores e estudantes. Durante o Fórum, uma série de exposições apresentou como a integração organizada entre as instituições e os produtores pode gerar ganhos para todos. No âmbito institucional, por exemplo, o avanço do conhecimento é facilmente percebido com a diversificação e fortalecimento da pesquisa científica, qualificação da assistência técnica e extensão rural e incremento da produção e formação acadêmica. Tudo isso tendo sempre como foco de trabalho e estudo os diversos aspectos que envolvem a atividade leiteira.

Mas o resultado mais vultoso e pragmático é visto, sem dúvidas, no campo, com famílias produzindo mais leite e com melhor qualidade. E se isso poderia ser o suficiente para muitos grupos organizados, para a Rede Leite é apenas uma das partes importantes. Temas como qualidade de vida, melhoria do ambiente, diversificação produtiva, saúde do trabalhador e sucessão rural, por exemplo, são tratados como fundamentais e são tão caros quanto a produtividade do sistema.

"Abrindo as porteiras para essas pesquisas, os maiores lucradores somos nós produtores. O conhecimento que chegou na nossa propriedade nos ajuda a ter mais renda, nos facilita muito o trabalho no campo, melhora o rebanho, a qualidade do leite", destacou a produtora Renita Cavalini, durante a apresentação do primeiro painel do evento intitulado "Como a Rede Leite fortalece o trabalho dos agricultores, dos extensionistas, dos professores e dos pesquisadores".

O relato da produtora Renita é reforçado com a constatação de que aspectos cruciais para todo o sistema produtivo funcionar em harmonia avançaram muito nas propriedades integrantes da Rede Leite ao longo dos 15 anos de trabalho. Passo importante para dar conta de abranger tantos assuntos do cotidiano rural foi a criação de Grupos de Trabalho (GT), que funcionam como guarda-chuva de grandes temas, mas que ainda assim conseguem perceber as especificidades de cada realidade. A diversificação forrageira, melhoria das condições de oferta de água e melhoria das pastagens e da fertilidade do solo são pautas constantemente abordadas com os produtores através dos GTs das áreas de forrageiras e ambiental. O GT de qualidade do leite e sanidade animal, por outro lado, levanta temas como contagem de células somáticas (CCS) e contagem bacteriana total (CBT), higiene da ordenha e doenças reprodutivas, entre outros. O grupo Econômico e Fora da Porteira apresenta novas possibilidades para a organização da propriedade e acesso aos mercados.

Mas como já dito, os assuntos técnico-econômicos são parte de um trabalho que sempre tenta olhar o todo. O GT Social, nesse sentido, dá conta de abordar assuntos que muitas vezes são esquecidos no meio rural. "Quando pensamos em um trabalho com produtores logo se imagina o uso de disciplinas como agronomia ou medicina veterinária. No caso do Grupo de Trabalho Social da Rede Leite, muitas vezes englobamos disciplinas da área da saúde, como enfermagem, nutrição, fisioterapia, biomedicina, entre outros", destacou a professora da Unicruz, Rosane Félix, durante a apresentação do segundo painel do evento, intitulado "Impactos positivos gerados na Agricultura Familiar: perspectiva social; ambiental e de alimentação animal; qualidade do leite e sanidade animal; econômica e de mercado". Exemplo claro disso foi o trabalho que envolveu 124 produtores, 42 extensionistas e 91 estudantes em dez municípios do Noroeste Colonial e Alto Jacuí, e que tratou de avaliar como estava a postura dos produtores antes, durante e após a ordenha, com a posterior indicação de alongamentos e práticas físicas para auxiliar no trabalho diário dos agricultores.

Desafios
Nos últimos três anos, o número de produtores de leite reduziu cerca de 20% no Rio Grande do Sul. Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Ijuí, que abrange 44 municípios dos Coredes Celeiro, Noroeste Colonial e Alto Jacuí e onde está situada maior parte do trabalho da Rede também houve diminuição. Em 2015, havia nessa região 13.659 produtores vendendo leite para a indústria. Em 2018, o número caiu para 10.029 produtores. A produção, no entanto, não sofreu grandes oscilações no período, devendo fechar o ano em aproximadamente 787 milhões de litros, contra 800 milhões de litros produzidos no ano de 2015. Com o cenário se postam também os desafios para o setor e para a Rede. De acordo com o engenheiro agrônomo da Emater/RS-Ascar e coordenador do Comitê Gestor da Rede Leite, João Schommer, surgem novas provocações e a Rede deve encontrar soluções criativas e inovadoras. "Uma das questões que se levantou para enfrentar esses desafios é a diferenciação desse produto, agregar valor, de forma a manter esses produtores na atividade. Temos um grupo qualificado, com instituições com grande potencial", ressaltou.

"Considero que houve avanços significativos em diversos aspectos relativos à produção de leite e ao processo de gestão conduzido pelos agricultores familiares. Avanços que foram sistematizados pela equipe da Rede Leite e socializados nesse Fórum. Mas sabemos que novos desafios já estão postos, destacando-se a oportunidade de agregar valor em função da qualidade do leite e das possibilidades de transformar em outros produtos diferenciados com potencial de inserção em mercados específicos. Outro aspecto que motiva preocupação da Rede Leite é a saída de milhares de famílias da atividade leiteira, e as consequências desse processo", destacou o pesquisador da Embrapa Pecuária Sul Gustavo Silva.

O professor do Departamento de Estudos Agrários da Unijuí (DEAG) e integrante da Rede, Roberto Carbonera, também comentou sobre o futuro da Rede. "Já estamos trabalhando na renovação do convênio entre as instituições parceiras. Além disso, foi tratado de perspectivas de Projetos entre essas Instituições, para alavancar recursos e desenvolver projetos na região", observa. O produtor do município de Nova Ramada, Neri Foguesatto, integrante da Rede Leite desde o início, observa que o grupo deve cada vez mais se fortalecer, com a participação ativa das instituições e dos produtores. "O programa é um incentivo para nós produtores, e cada vez temos de participar mais, para trocar conhecimentos, construir ideias. A gente vai buscando informações e vai melhorando a administração de toda a propriedade, com resultados excelentes não só na renda como na qualidade de vida da família", disse.

Abertura do evento
Durante a abertura do evento, a reitora da Unijuí, Cátia Maria Nehring, destacou a importância da Rede para o universo acadêmico-científico e para os produtores da região, todos envolvidos em um ambiente de discussão e proposição sobre desenvolvimento sustentável. "Envolver diferentes sujeitos, a partir do pensamento que podemos fazer pesquisa e extensão com quem efetivamente está no campo, os agricultores, que estão fazendo a atividade principal", destacou. O prefeito de Ijuí, Valdir Heck, também reforçou a relevância dos trabalhos desenvolvidos pela Rede para que os produtores se mantenham na atividade. "Vamos seguir trabalhando pesquisa e desenvolvimento para abastecer nossas indústrias através da produção. Esse é nosso desafio, cada vez com mais leite de qualidade e renda para o produtor", disse.

Compuseram a mesa de abertura de evento, também, o chefe-adjunto de Administração da Embrapa Pecuária Sul, Daniel Montardo, a pesquisadora da Embrapa Clima Temperado Lígia Pegoraro, a reitora da Unicruz, Patrícia Bianchi, o gerente regional de Ijuí da Emater/RS-Ascar, Carlos Alberto Turra, o pró-reitor de Extensão da UFSM, Rudiney Pereira, o representante da Agel, Carlos Denis de Lima, o representante da Cooperfamiliar, Valmor Machado Soares e o representante do Instituto Federal Farroupilha Campus Santo Augusto, Francisco Flores. (Embrapa Gado de Leite) 

 

Setor vê alta de preços e de captação

Lácteos - Diante da perspectiva de aquecimento da economia e queda dos custos de produção, o mercado espera um 2019 mais positivo para produtores e indústria de laticínios, estimam especialistas.

"O ano de 2019 parece promissor", disse o chefe-geral da Embrapa Gado de Leite, Paulo do Carmo Martins, durante o evento Ideas for Milk, ocorrido na sexta-feira (30).

Ele destaca que o valor pago ao produtor está muito ligado à renda da população e que a perspectiva nesse sentido é de melhora. O preço médio pago ao produtor deve encerrar este ano entre R$ 1,20 e R$ 1,25 o litro, em média, em um período marcado por oscilações.
"Acredito que esse patamar deve se elevar no ano que vem, especialmente de maio a setembro", ponderou, referindo-se ao período de entressafra na produção.

Do ponto de vista de custos - que neste ano foram elevados pelo câmbio e transporte -, ele projeta uma manutenção nos patamares atuais e uma oferta de milho maior.

Martins destaca, ainda, que 2018 foi um ano atípico. "Começamos o ano muito bem, mas tivemos a greve dos caminhoneiros que gerou um impacto profundo na receita tanto para produtor, que continuou produzindo e não pode entregar, quanto para a indústria, que não pode receber o leite", pondera.

Captação
O gerente nacional de leite e ingredientes lácteos da Danone, Bernardo Araujo, projeta um 2019 mais otimista. "Esperamos que no ano que vem haja uma expansão e a volta do consumo de produtos de maior valor agregado. Se isso se concretizar, a captação deverá crescer", projeta.

No ano passado, a captação de leite no Brasil somou 33,5 bilhões de litros, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para 2018, a perspectiva dos especialistas é de que esse volume se mantenha. Para o diretor de marketing ruminantes da DSM, Juliano Acedo, o cenário é otimista, com aumento de demanda e recuperação de preço ao produtor, o que deve estimular a busca por insumos para a pecuária leiteira no ano que vem.

"Estamos animados. Esperamos um crescimento de 10% nas vendas do segmento em 2019. Para este ano, projetamos um número muito parecido com o de 2017." ( DCI)
 
No Radar
Diante da informação de que a de vacinação contra a febre aftosa foi ampliada pela falta de doses, o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal emitiu comunicado em que afirma que "foram produzidas e colocadas à disposição do mercado vacinas contra aftosa em volume suficiente". E diz ter "estoque emergencial superior a 5 milhões de doses". (Zero Hora)

 

 

Porto Alegre, 03 de dezembro de 2018                                              Ano 12 - N° 2.871

Conhecidas as três agtechs vencedoras da competição Ideas for Milk

O Sindilat foi um dos patrocinadores e avaliadores dos sete projetos de inovação finalistas do Ideas for Milk, evento que reuniu no Espaço Cubo, em São Paulo, empreendedores à frente de suas agtechs. O desafio das startups voltado à busca de soluções para o setor lácteo é realizado pela Embrapa Gado de Leite e começou em Juiz de Fora (MG) com diversas palestras e maratonas de aprendizado sobre a cadeia do leite.

O projeto que conquistou o primeiro lugar no Desafio das Startups foi o do jovem empreendedor e zootecnista Cristian Martins. À frente da OnFarm, de Pirassununga (SP), desenvolveu um kit de tecnologia para identificar as principais bactérias causadoras da mastite, doença que afeta cerca de 10% da população de vacas em período de lactação. A agtech, lançada há apenas 3 meses durante o Interlete (Uberaba/MG), apresentou as ferramentas que permitem a detecção da doença na própria fazenda e com diagnóstico em 24 horas: o SmartKit, com todos os materiais necessários para a aplicação dos testes; o SmartLab, uma espécie de cabine portátil; e o OnFarmApp, aplicativo de gestão que controla todas as etapas da análise. De acordo com o sócio-fundador da OnFarm, a solução está sendo aplicada em diversas fazendas atualmente.

A 2ª colocação no Desafio das Startups foi conquistada pela gaúcha Cowmed (Santa Maria/RS), que idealizou uma coleira com chip capaz de medir os principais parâmetros comportamentais dos animais (tempo de ruminação ou ócio, de forma individual e coletivamente). Os dados são enviados para um servidor virtual e capturados pelo sistema de Inteligência Artificial denominado VIC. A ferramenta analisa os animais e faz alertas aos produtores sobre períodos importantes, como cio, melhor momento para a inseminação, doenças e outras alterações no rebanho. De acordo com o secretário-executivo do Sindilat, Darlan Palharini, que acompanhou as avaliações in loco, a inovação apresentada pela Cowmed se mostra viável. "A solução pode ser aplicada de imediato nas propriedades", pontuou Palharini. O sócio-fundador da agtech, Leonardo Guedes, que participou pela segunda vez do desafio, afirma que a competição focada em pecuária de precisão deixou sua contribuição para a inovação nacional no setor leiteiro.

A Z2S Sistemas Automáticos, pré-incubada da Agência de Inovação Tecnológica da Universidade de Passo Fundo (UPF), tirou o 3º lugar na competição, apresentando um sistema automático de limpeza de ordenhadeiras canalizadas. A solução possui três sistemas que podem ser usados individualmente ou integrados. Com alguns toques, a limpeza é realizada de forma automática e inclui controle e monitoramento de temperatura e dosagem dos produtos químicos. A invenção do engenheiro eletricista e eletrônico Elias Sgarbossa nasceu de uma demanda pessoal: vindo de família com propriedade leiteira, sempre percebeu o tempo gasto no processo de limpeza dos equipamentos. Foi quando decidiu levar o 'problema' para o curso de conclusão da Faculdade de Engenharia Elétrica da UPF. "A solução reduz consideravelmente a Contagem de Bacteriana Total do leite, algo que pode ser visualizado nas análises do leite cru antes e pós uso do sistema, ficando somente dúvidas em relação ao investimento necessário, já que é possível alcançar os índices apresentados com as boas práticas de produção", explica Darlan Palharini, lembrando que o sistema fará com que o produtor possa dedicar mais tempo para outras atividades na propriedade rural. (Assessoria de Imprensa Sindilat)

 
Foto: Angela Balen
 
 
 
Mudanças provocam apreensão 

As novas regras para produção e padrão de qualidade do leite cru foram publicadas na sexta- feira, no Diário Oficial da União, pelo Ministério da Agricultura (Mapa). As instruções normativas (INs) 76, 77 e 78 entram em vigor em 180 dias. Alguns itens não contemplaram pleitos das entidades, que puderam fazer sugestões ao Mapa enquanto as minutas ficaram em consulta pública, entre abril e junho deste ano. Há receio de que parte dos produtores não consiga se adequar no prazo estabelecido. Uma das alterações fixadas na IN 77, que revogou a IN 62, de 2011, refere-se à temperatura do leite cru refrigerado no ato de sua recepção pelo estabelecimento, que passou de 10 graus Celsius para 7. A indústria tinha reivindicado que a temperatura ficasse em 9 graus, mas isso será admitido apenas excepcionalmente. "Entendemos que a exigência dos 7 graus, em termos de qualidade, será positiva, mas isso exigirá mudanças profundas no campo e em todo o sistema de coleta do leite", avalia a veterinária e consultora em Qualidade do Sindilat, Letícia Vieira. Para ela, os laticínios terão que reformular rotas e talvez investir em mais caminhões, para fazer com que o leite chegue mais rapidamente à indústria.

 Isso sugere que poderá haver exclusão de produtores que residem distante dos laticínios e dos que ainda utilizam sistemas antigos de resfriamento. A professora de Medicina Veterinária da Unijuí Denize Fraga comenta que as publicações geraram apreensão no Noroeste gaúcho. "Muitos produtores vão ter que comprar novos resfriadores, mas isso não se resolve do dia para a noite e exige investimentos", observa. Outra regra que causou estranheza entre os laticínios é a que estabeleceu que o leite cru refrigerado deve apresentar limite máximo para Contagem Padrão em Placas de até 900 mil unidades formadoras de colônia por mililitro antes do processamento. "Esse padrão, para a indústria, ainda é desconhecido", diz Letícia, ao informar que o Sindilat já iniciou uma pesquisa para avaliar se este padrão é compatível com a realidade, já que o controle não era rotina na indústria. Em relação à qualidade do leite cru refrigerado foi mantida a contagem bacteriana máxima de 300 mil unidades por ml e 500 mil células somáticas por ml. O Mapa, por sua vez, alega que as novas normas permitirão "avanço significativo nos índices de qualidade, aumento da produtividade leiteira, oferta de alimentos mais seguros à população e queda de barreiras comerciais para exportação". (Correio do Povo) 

 

Tabela do frete

O futuro ministro de Infraestrutura do governo Jair Bolsonaro, Tarcísio Freitas, disse ontem que "nesse momento, é importante" manter a tabela de preço mínimo do frete rodoviário. Segundo ele, o frete mínimo é importante "para prestigiar essa categoria que é tão importante para nós e, a partir daí, vamos começar a trabalhar outras pautas", disse Freitas. Ele acrescentou que a "solução definitiva" para a categoria virá "com crescimento econômico e a geração de demanda", quando haverá "um novo reequilíbrio do mercado". Freitas falou após solenidade do Programa de Parcerias de Investimentos. (Valor Econômico)

No radar
Pecuaristas do Estado com bovinos e bubalinos de até 24 meses ganharam mais tempo para imunizar os animais. Na sexta-feira, o Ministério da Agricultura confirmou a prorrogação até o dia 10. A ampliação se deu por conta da falta de doses nas revendas credenciadas. As agropecuárias do Estado montaram lista de produtores que ainda precisam fazer a imunização para adquirir somente a quantidade solicitada (informações no site agricultura.rs.gov.br/aftosa). (Zero Hora)


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