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A 15ª edição do Fórum Estadual do Leite, realizado na manhã desta quarta-feira (13), na Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque, começou com clima de otimismo e esperança após o discurso do secretário da Agricultura do Rio Grande do Sul, Covatti Filho. Os integrantes da cadeia produtiva leiteira, que lotaram o auditório central do Parque de Exposições, escutaram o compromisso e o engajamento do secretário, que saiu em defesa das demandas do setor com o Mercosul, da ampliação do uso de forrageiras pelos produtores e com relação ao fim do subsídio sobre a energia elétrica utilizada pelos produtores rurais. “Conversamos com a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, que nos sinalizou que o subsídio será mantido e prorrogado por um ano. Após esse prazo, serão feitas algumas adequações”, afirmou o representante do executivo gaúcho no evento.

As mudanças no cenário produtivo do leite dos últimos anos e a necessidade de implementação de tecnologias de produção para que os pequenos produtores não sejam engolidos pelos grandes, e para que consigam produzir para multinacionais, norteou a manhã de palestras no Fórum Estadual do Leite. O chefe-geral da Embrapa Gado de Leite, Paulo do Carmo Martins, foi o responsável por abordar esse novo tempo para o setor leiteiro, comparando a cadeia produtiva do passado com a que pode se transformar a partir do uso da Tecnologia da Informação (TI), dos jovens e suas ideias criativas e de grandes players que já perceberam a importância da cadeia produtiva do leite, a exemplo de Microsoft, Cisco, IBM, TOTVS, entre outras gigantes.

Chefe geral Embrapa gado de leite, Paulo do Carmo Martins, em fala durante o evento

“É essencial que haja uma adequação às novas demandas dos clientes. Não podemos nos acomodar”, destacou Martins, ao apontar que o mundo atual é o do compartilhamento – de conhecimentos, de produtos e de serviços. “O novo mundo e a nova economia mudaram a lógica da produção”, frisou, chamando a atenção para a transformação que se avizinha também ao setor do leite. Citou o Ideas for Milk, desafio de startups que vem ao longo dos anos destacando grandes inovações voltadas exclusivamente ao setor leiteiro. “O mundo digital veio para resolver grande parte dos nossos problemas”, afirmou Martins.

O economista da Embrapa Gado de Leite, Glauco Carvalho, lembrou que o setor, em 2017, pagou fortemente pelo ‘preço’ da crise, quando em apenas um ano foram perdidas conquistas equivalentes a oito anos em termos de consumo. “Estamos, porém, na terceira posição na produção mundial e não figuramos entre os maiores importadores, nem exportadores”, afirmou o economista. No período 2000-2017, destacou Carvalho, o Brasil foi o país que apresentou o segundo maior crescimento em produção do mundo. “Crescemos 65% e só perdemos para a Nova Zelândia”, afirmou. Metade desse crescimento ocorreu nos estados da Região Sul (35,7%). De acordo com Carvalho, a área agricultável do Brasil equivale ao território de 33 países do continente europeu. Esse fato demonstra que a produção agrícola e pecuária do país ainda tem muito a crescer, mas é preciso ampliar a eficiência para melhorar a competitividade.

O economista da Embrapa Gado de Leite, Glauco Carvalho

Uma das idealizadoras do movimento #bebamaisleite, Ana Paula Menegatti, falou sobre as ações realizadas pelo Brasil em prol da conscientização de crianças e adultos sobre os benefícios da ingestão de leite. Para isso, por meio de parcerias com indústrias, ela e a sócia Flávia Fontes utilizam diversas ferramentas que vão desde eventos próprios até promoção de palestras e debates com celebridades que também apreciam a bebida, além de médicos e especialistas na área.

Para o presidente do Sindilat, Alexandre Guerra, as palestras do Fórum Estadual do Leite evidenciaram a necessidade de adoção de atitudes rápidas e concretas por parte do setor para seja possível melhorar a competitividade da cadeia produtiva. “Isso é fundamental para que possamos continuar neste mercado competitivo e globalizado”, disse, chamando a atenção para a necessidade de que a produtividade por animal seja ampliada. Como consequência, pontua Guerra, os custos de logística e de operação reduzem, permitem uma readequação da indústria e possibilitam que o país deixe de ser importador para se tornar uma nação exportadora de lácteos. “Temos muito trabalho a ser feito e esses desafios devem ser encarados como oportunidades”.

O Fórum Estadual do Leite é uma promoção da Cotrijal e da CCGL, com apoio do Sindilat, da Sementes Adriana e do Senar/RS.

Fotos: Thaise Teixeira

O trabalho das indústrias de laticínios foi reconhecido pelos consumidores gaúchos na pesquisa Marcas de Quem Decide, promovida pelo Jornal do Comércio e realizada pela Qualidata. Os entrevistados indicaram nas categorias Produtos lácteos e queijos aquelas marcas mais lembradas e preferidas. Em ambas as categorias, as empresas associadas ao Sindicato da Indústria de Laticínios do Rio Grande do Sul (Sindilat), Cooperativa Santa Clara, Piá e Elegê ficaram entre as cinco primeiras. O resultado foi divulgado no dia 12/03 (terça-feira), no Centro de Eventos da Fiergs, em Porto Alegre.

Assim como no ano passado, a Cooperativa Santa Clara liderou o segmento de produtos lácteos, com 27% dos votos, como a marca preferida dos gaúchos, o que representa um crescimento de 3,3 pontos percentuais em relação à pesquisa do ano passado, quando obteve 23,7% dos votos. A Piá ficou em segundo lugar, com 21,3% dos votos. A Elegê se manteve em terceiro lugar com 9,8% da preferência dos entrevistados, o que representa um crescimento de 3,0 pontos percentuais em comparação à pesquisa de 2018. A Santa Clara também foi a marca mais lembrada pelos gaúchos com 26,4% dos votos, seguida da Piá, com 19,0%, e da Elegê, com 10,3%.

Assim como no segmento de produtos lácteos, a Santa Clara dominou a categoria dos queijos tanto como marca mais lembrada quanto preferida dos gaúchos. Ao todo, 46,3% dos entrevistados apontaram a Cooperativa de Carlos Barbosa como a mais lembrada e 38,5% têm a marca como sua preferida. A RAR se manteve em segundo lugar em lembrança e preferência, totalizando 4,0% e 6,3% dos votos, respectivamente. A Elegê assumiu o terceiro lugar de marca mais lembrada, com 2,3% dos votos, e a Piá de marca preferia com 3,4% dos votos. No ano passado, a colocação havia sido dominada pela marca Santa Rosa. A Santa Clara também se destacou na categoria Cooperativa, obtendo o segundo lugar como marca mais lembrada com 6,3% dos votos e terceiro lugar como marca preferida com 5,7% dos votos. A 21° edição da pesquisa ouviu 348 gestores em 47 municípios gaúchos, entre novembro de 2018 e janeiro de 2019.

Crédito: Camila Silva

No ano em que completa 50 anos de sua fundação, o Sindicato da Indústria de Laticínios do Rio Grande do Sul (Sindilat) integra, pela primeira vez, a lista das cinco marcas mais lembradas e preferidas na categoria Sindicato Patronal, da pesquisa Marcas de Quem Decide. Promovida pelo Jornal do Comércio e realizada pela Qualidata, a pesquisa visa a premiação das empresas e entidades que são referências em seus setores. O resultado foi divulgado nessa terça-feira (12/03), no Centro de Eventos da Fiergs, em Porto Alegre.  

Presente no evento, o presidente do Sindilat, Alexandre Guerra considera que o reconhecimento está diretamente ligado ao trabalho inovador, ético e diferenciado realizado por cada associado. Se hoje, o Sindicato está em evidência os associados têm um papel fundamental nesse processo. Além disso, Guerra destaca as atividades promovidas pelo Sindilat. "As ações desenvolvidas pelo sindicato como assessor dos interesses do setor junto aos governos federal e estadual, os eventos para promover o setor, como os fóruns estaduais, contribuem para esse reconhecimento".

Entre as ações, o presidente do Sindilat cita a Leiteria/Pub do Queijo, projeto realizado pelo Sindilat durante a Expointer também foi destaque entre as realizações da Entidade. Destaca ainda o posicionamento do Sindicato na greve dos caminheiros em 2018. "Fomos pioneiros no pedido de desbloqueio das estradas", recorda.

Projetando 2019, Guerra considera que o Sindicato será ainda mais atuante, uma vez que mudança de governo gera alterações de legislação. "Ainda está em aberta a retirada da taxa de antidumping para o leite em pó da União Europeia e a Nova Zelândia; as instruções normativas (INs) 76 e 77 entrarão em vigor em maio; e a obrigatoriedade das embalagens de produtos lácteos destacarem o teor de sal e açúcar contidos estão entre os temas que serão acompanhados de perto pelo Sindicato", alerta.

 

Crédito: Camila Silva

A vigésima edição de uma das mais tradicionais feiras do agronegócio brasileiro e gaúcho, a Expodireto Cotrijal, abriu os portões nesta segunda-feira (11/3), em Não-Me-Toque. Com a presença do vice-presidente da República, general Hamilton Mourão, da ministra da Agricultura, Tereza Cristina, do governador do Estado, Eduardo Leite, do secretário da Agricultura do Rio Grande do Sul, Covatti Filho, e do presidente da Cotrijal, Nei Mânica, dentre outras autoridades, a cerimônia foi marcada pelo orgulho do trabalho gaúcho no campo. “Nossa política de governo está alicerçada em três pontos: redução da burocracia, dos custos logísticos e da carga tributária”, afirmou Leite. O Sindicato das Indústrias de Laticínios do Rio Grande do Sul (Sindilat) esteve representado por Darci Hartmann.

Embora os representantes do governo federal não tenham anunciado a tão esperada suplementação de crédito para o Moderfrota, os representantes do presidente Jair Bolsonaro não afastaram essa possibilidade. “Nosso governo tem o compromisso com as senhoras e os senhores responsáveis por parte significativa do PIB do país e, particularmente, 40% do nosso Estado”, destacou Mourão, que também é gaúcho. Tereza Cristina afirmou que há grandes desafios a serem superados. “Venceremos todos. A agricultura brasileira é moderna, está na frente, e não tem páreo para nós no mundo”, disse.

 Após a abertura da Expodireto Cotrijal e acompanhados da ministra da Agricultura Tereza Cristina, Leite e Covatti Filho inauguraram o pavilhão da Agricultura Familiar na feira. O espaço abriga 186 empreendimentos, oferecendo aos visitantes a diversidade de produção das agroindústrias gaúchas, além de artesanato, plantas e flores. “Assim como na Expointer, o Pavilhão da Agricultura Familiar na Expodireto é uma vitrine incrível da agroindústria, que cada vez mais amplia suas linhas de produtos, sempre com qualidade e um sabor incomparável”, disse o secretário Covatti Filho.

A Expodireto Cotrijal estende-se até a próxima sexta-feira (15/3). A expectativa é receber 250 mil visitantes de mais de 70 países na área que conta com 534 expositores.

Foto: Itamar Aguiar/Palácio Piratini

Os produtores brasileiros de leite precisam entrar na era da produção de leite 4.0. O modelo é composto por novos sistemas de produção de leite, baseados na adoção de tecnologia de ponta para aumento de produtividade, redução de custos e bem-estar animal. O assunto será tema da 15ª edição do Fórum Estadual do Leite, tradicional palco de debates do setor leiteiro na Expodireto Cotrijal. O encontro ocorrerá na próxima quarta-feira (13/3), a partir das 9h, no Auditório Central da feira que acontece em Não-Me-Toque (RS). Em sua palestra, o chefe-geral da Embrapa Gado de Leite, de Juiz de Fora (MG), Paulo do Carmo Martins, abordará as perspectivas com relação à tecnologia do campo e seus impactos na produção leiteira.

Durante a programação, o economista da Embrapa Gado de Leite, doutor Glauco Carvalho, falará sobre as lições que ainda precisam ser aprendidas para que o pecuarista brasileiro se torne mais competitivo. “As indústrias lácteas gaúchas precisam trabalhar por mais competitividade, enxugando custos e adotando processos produtivos cada vez mais eficientes”, completou o secretário-executivo do Sindilat, Darlan Palharini. Apoiador do evento, o Sindilat atua em políticas voltadas ao desenvolvimento do setor em âmbito local e nacional.

Alinhado com esse objetivo, explica Palharini, ao fim do evento, as demandas do setor lácteo serão reunidas em um documento a ser remetido às empresas, entidades representativas e órgãos públicos nas esferas estadual e federal. “Precisamos levar nossas demandas ao Poder Público e à iniciativa privada, pois, sem união, não conseguiremos avançar”, frisou Palharini.

Estímulo ao Consumo

O aumento no consumo de lácteos também estará em pauta no Fórum, visto o potencial produtivo e exportador da cadeia leiteira brasileira. O assunto será tratado pela coordenadora do programa “Beba Mais Leite”, Flávia Fontes.

Painel traz agtechs vencedoras do Ideas for Milk

A programação do 15º Fórum Estadual do Leite continua no estande da CCGL, uma das realizadoras do evento, às 15h, com a realização de painel com as agtechs vencedoras do Ideas for Milk, competição tecnológica que revelou soluções para o setor lácteo ao final de 2018. Segundo o gerente de Suprimento de Leite da CCGL, Jair Mello, o encontro encerra a programação traçando formas de aproximar as tecnologias vencedoras do campo. “São ideias possíveis de serem aplicadas, porém, requerem infraestrutura para funcionamento. Muitos produtores de leite estão localizados em áreas carentes de energia elétrica, telefonia e internet”, lembra Mello.

Agtechs vencedoras Ideas for Milk 2018

Primeiro lugar – O empreendedor e zootecnista Cristian Martins da OnFarm, de Pirassununga (SP), desenvolveu um kit de tecnologia para identificar as principais bactérias causadoras da mastite. A agtech apresentou as ferramentas que permitem a detecção da doença na própria fazenda e com diagnóstico em 24 horas: o SmartKit, com todos os materiais necessários para a aplicação dos testes; o SmartLab, uma espécie de cabine portátil; e o OnFarmApp, aplicativo de gestão que controla todas as etapas da análise.

Segundo lugar - A gaúcha Cowmed (Santa Maria/RS) idealizou uma coleira com chip capaz de medir os principais parâmetros comportamentais dos animais (tempo de ruminação ou ócio, de forma individual e coletivamente). Os dados são enviados para um servidor virtual e capturados pelo sistema de Inteligência Artificial denominado VIC. A ferramenta analisa os animais e faz alertas aos produtores sobre períodos importantes, como cio, melhor momento para a inseminação, doenças e outras alterações no rebanho.

Terceiro lugar - A Z2S Sistemas Automáticos, pré-incubada da Agência de Inovação Tecnológica da Universidade de Passo Fundo (UPF), apresentou um sistema automático de limpeza de ordenhadeiras canalizadas. A solução possui três sistemas que podem ser usados individualmente ou integrados. Com alguns toques, a limpeza é realizada de forma automática e inclui controle e monitoramento de temperatura e dosagem dos produtos químicos. A solução reduz consideravelmente a Contagem de Bacteriana Total do leite, algo que pode ser visualizado nas análises do leite cru antes e pós uso do sistema.

Mobi Milk – O projeto conquistou o terceiro lugar na edição de 2017 no Ideas for Milk. A proposta é de uma ordenhadeira móvel, que tem um conceito construtivo para a sala de ordenha e sala de leite, em módulo tipo container, que chega pronto na propriedade, dispensando outras obras. O projeto foi desenvolvido pelo engenheiro agrícola Andrew Jones, da AJAGRO.

 

Foto destaque: Mayra Dalla Libera/Assessoria Expodireto Cotrijal

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, assegurou, nesta terça-feira (26), à comitiva formada por representantes da cadeia produtiva do leite do Rio Grande do Sul, que o governo estuda a adoção de uma medida compensatória para que as importações de leite em pó da Europa e da Nova Zelândia não prejudiquem o setor lácteo brasileiro. A informação é do presidente do Sindicato das Indústrias de Laticínios do Rio Grande do Sul (Sindilat), Alexandre Guerra, que participou do encontro realizado em Brasília. “Saímos convictos de que esta medida compensatória deva ser anunciada em até 30 dias, pois ela garantiu que a mesma está sendo desenhada pelo governo”, revela. 
 
A ministra Tereza Cristina também se comprometeu a repassar os pleitos da cadeia produtiva do leite gaúcho quanto às instruções normativas 76 e 77 à Câmara Setorial do Leite e afirmou que recebeu pedidos semelhantes de outros estados. De acordo com Guerra, produtores e indústria solicitaram que a aplicação da nova legislação não exclua ninguém do processo produtivo.  “Demonstramos que somos favoráveis às melhorias contínuas, mas que há pontos que precisam ser trabalhados e implementados de forma gradativa”, relata.
 
A Câmara Setorial do Leite será acionada em breve segundo garantiu a ministra, já que as INs estão previstas para vigorar a partir de 30 de maio. “Ela entendeu que a implementação dos novos índices precisa ser gradual, mas precisa consultar o corpo técnico do ministério para avaliar como isso pode ser ajustado”, diz Guerra. Os pleitos foram entregues oficialmente em documento, idealizado por Sindilat, Fetag, Apil, Emater, IGL, Fecoagro, Farsul, SEAPDR, Fundesa, Famurs, Asamvat e Avat. Sobre as compras governamentais de leite em pó com objetivo de retirar excedente do mercado, assunto que não estava na pauta da reunião, a ministra garantiu que o tema está em discussão. 
 
Também participou do encontro o presidente da cooperativa Languiru, Dirceu Bayer, associado ao Sindilat, que manifestou da importância das mudanças nas INs para que produtores não sejam excluídos da atividade leiteira. “Só nós, teremos mais de 50% dos produtores afetados”, declara. A reunião foi marcada pelo deputado federal Heitor Schuch e contou com a presença de outros parlamentares, como Afonso Hamm, Dionilso Marcon e o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária da Câmara dos Deputados, Alceu Moreira.
 
Crédito foto: Noaldo Santos/Ministério da Agricultura

Reunidos na tarde desta terça-feira (26/02) em Porto Alegre, representantes das indústrias associadas ao Sindilat avaliaram os impactos da implementação das Instruções Normativas (INs) 76 e 77, que regulam a qualidade da produção. O diretor do Sindilat, Jeferson Smaniotto, explicou que há negociação em Brasília pedindo a prorrogação da data para entrada em vigor dos textos, assunto que está sendo acompanhado in loco pelo presidente do sindicato Alexandre Guerra. “Acreditamos na importância dessas medidas, mas é preciso prazo para que, principalmente os produtores, possam se adaptar”, citou Smaniotto, que comandou os trabalhos na sede do sindicato.

O secretário-executivo do Sindilat, Darlan Palharini, frisou os ganhos que o setor lácteo obteve no advento do programa Mais Leite Saudável e detalhou os dados apresentados na manhã desta terça-feira no Conseleite. Segundo os números, o leite começa o ano com tendência de alta e maior rentabilidade ao produtor.

Durante a reunião, os associados também acompanharam apresentação dos advogados Rafael Pandolfo e Rafael Borin sobre as ações judiciais encaminhadas e em avaliação pelo Sindilat. Eles relataram as movimentações de processos em tramitação e apresentaram dados sobre novas ações que podem sem ajuizadas de forma coletiva ou individual por parte das empresas. A fiscal agropecuária da Secretaria da Agricultura Karla Pivato também participou do encontro, relatando atualizações sobre a Lei do Leite e o treinamento dos transportadores.

Foto em destaque: Carolina Jardine 

Depois de cinco meses de queda, o valor de referência do leite voltou a subir no Rio Grande do Sul. O indexador projetado para fevereiro de 2019 pelo Conseleite é de R$ 1,1142, 0,77% acima do consolidado de R$ 1,1057 de janeiro e bem acima do projetado (R$ 1,0574/janeiro). “Começamos o ano com patamares elevados em relação ao mesmo período de anos anteriores”, pontuou o professor da UPF Eduardo Finamore. Entre os produtos que puxaram o movimento de recuperação, cita ele, está o leite em pó (0,89%) e o leite UHT (2,47%), dois dos principais itens que compõem a cesta de produtos lácteos gaúcha. Segundo ele, a expectativa é que o setor trabalhe com preços mais elevados no início de 2019. “O primeiro semestre será um período de melhor rentabilidade ao produtor, movimento puxado pela volta às aulas e pela redução de custos no campo”, frisou.

O que se observa ao analisar o valor de referência ao longo dos anos é que a taxa de remuneração ao produtor está acima da praticada nos produtos de forma isolada. Levantamento realizado pelo Conseleite, explica o professor, indica que o leite, em 2018, teve valorização acima da inflação do período, o que reflete custos menores de produção, sendo próximo de 50% para pagamentos de insumos e 50% para pagamentos de mão de obra, máquinas e infraestrutura. “A inflação ao produtor ficou abaixo da média que se vê para a dona de casa”, completou. Quanto aos custos, Finamore informou que o mercado do milho e soja com preços mais baixos deve ajudar o produtor, barateando o custo da ração.

Segundo o presidente do Conseleite, Pedrinho Signori, o otimismo traz alento ao setor uma vez que o segundo semestre de 2018 foi de apreensão no campo e baixa rentabilidade. “Vivemos um divisor de águas no setor leiteiro no Brasil. Há muita preocupação com a posição que será adotada pelo governo sobre as taxas antidumping e em relação à implementação das novas INs que regulam a qualidade da produção. São duas decisões que impactarão diretamente no futuro de milhares de produtores que se dedicam à atividade”, salientou Signori.

O secretário-executivo do Sindilat, Darlan Palharini, pontuou que os próximos 30 dias serão decisivos para alinhar como o mercado se comportará em 2019. Apesar dos dados que indicam boa remuneração no campo, Palharini informa que, no varejo, os preços mantiveram-se, esmagando a rentabilidade do setor industrial.

Participaram da reunião do Conseleite desta terça-feira (26/2) na sede da Farsul as seguintes entidades: Farsul, Fetag, Fecoagro, Sindilat, Emater, Camatec/UPF, Cepan/UFRGS, Stefanello, Piá, RAR, Santa Clara, Senar, Languiru, Latvida e Dielat.

Tabela 1: Valores Finais da Matéria-Prima (Leite) de Referência1, em R$ – Janeiro de 2018.

Matéria-prima Valores Projetados Janeiro/18 Valores Finais

Janeiro /18

Diferença

(Final – projetado)

I – Maior valor de referência 1,2161 1,2716 0,0555
II – Valor de referência IN 621 1,0574 1,1057 0,0483
III – Menor valor de referência 0,9517 0,9951 0,0434

(1)    Valor para o leite “posto na propriedade” o que significa que o frete não deve ser descontado do produtor rural. Nos valores de referência IN 62 está incluso Funrural de 1,5% a ser descontado do produtor rural

Tabela 2: Valores Projetados da Matéria-Prima (Leite) de Referência1 IN 62, em R$ – Fevereiro de 2018.

Matéria-prima Fevereiro*/18
I – Maior valor de referência 1,2813
II – Valor de referência IN 62 1,1142
III – Menor valor de referência 1,0028

* Previsão

Tabela 3: Valores de referência dos últimos três meses

Matéria-prima Dezembro /18 Janeiro / 19 Fevereiro / 19*
I – Maior valor de referência 1,2143 1,2716 1,2813
II – Valor de referência 1,0559 1,1057 1,1142
III – Menor valor de referência 0,9503 0,9951 1,0028

Foto em destaque: Carolina Jardine 

Parlamentares gaúchos e integrantes de entidades ligadas à cadeia produtiva do leite assinarão documento conjunto pedindo a presença em peso dos deputados e senadores da bancada gaúcha no encontro com a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, no próximo dia 26, às 15h30min, em Brasília. Na pauta, temas de grande importância para o setor, como a vigência das INS 76 e 77 em maio próximo, e a derrubada da medida antidumping que penaliza produtores brasileiros. A mobilização foi definida na manhã desta quinta-feira (21), durante reunião do Grupo de Trabalho do Leite (GTL), na Comissão de Agricultura da Assembleia Legislativa.  O encontro com a ministra foi intermediado pela Fetag e terá continuidade na manhã de quarta-feira (27), na Secretaria Nacional da Agricultura Familiar. 

O presidente do GTL, deputado estadual Zé Nunes (PT), criticou a derrubada da medida antidumping que beneficiava a produção nacional ao limitar a entrada em massa de leite em pós proveniente da União Europeia e da Nova Zelândia, com taxações de 3,9% e 14,9% respectivamente nas importações. Segundo ele, a decisão do governo federal foi equivocada e lembrou que a reversão da medida não é simples e pode levar até 12 meses, uma vez que envolve vários aspectos técnicos que incluem até mesmo a Organização Mundial do Comércio (OMC). O parlamentar, assim como os demais representantes do setor, ainda aguarda a solução do impasse pelo ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, que prometeu editar um decreto com medidas compensatórias ao setor, o que ainda não ocorreu. Além de promover a concorrência desleal, a derrubada da medida antidumping trouxe reflexos imediatos ao produtor de leite. 

Segundo o deputado Edson Brum (MDB), “apenas a divulgação do fim da barreira tributária levou à queda de 12% a 13% no preço do leite”, afirmou.  Para o parlamentar, o leite não é apenas uma atividade relevante do ponto de vista econômico. “Sua importância acaba sendo maior pelo aspecto social, e agora estamos diante de um desafio de ordem mercadológico”, pontuou.  O deputado Elton Weber (PSB) lembrou que grandes potências protegem seus produtores de leite, a exemplo de Estados Unidos (16%), União Europeia (37%), Canadá (218%) e Noruega (128%). “A União Europeia banca R$ 6 bilhões em subsídios aos produtores, enquanto isso, o Brasil abre a possibilidade de entrada desses produtos no mercado nacional”, criticou Weber, classificando a atitude próxima a um ‘tiro no pé”.  Os integrantes do Grupo de Trabalho do Leite foram unânimes em admitir os efeitos negativos da retirada da medida antidumping e afirma que o cenário entre os produtores de leite pode se agravar e ampliar ainda mais a evasão do setor, que já perdeu 25 mil produtores nos últimos três anos somente no Rio Grande do Sul.

As novas regras das INS 76 e 77, que passam a vigorar em maio, também preocupam o setor produtivo. As entidades que representam os produtores temem que a vigência após um curto espaço de tempo – foi aprovada em dezembro passado – possa retirar mais produtores da atividade. Segundo Pedrinho Signori, secretário-geral da Fetag/RS, entre 50% e 60% dos produtores do Estado não estão aptos a fazer a entrega do leite a temperatura de 7°C no prazo estipulado pelas instruções normativas editadas pela União. “As regras propostas de forma geral são positivas, buscam qualificar todo o processo, no entanto, o tempo de adequação é muito curto. Exige muito mais prazo e investimentos em infraestrutura rural. Se um produtor precisar comprar outro resfriador, terá que desligar a ordenhadeira, pois a eletrificação no campo é precária”, afirma o dirigente.

Foto: Luciana Radicione

A cadeia produtiva do leite do Rio Grande do Sul pedirá ao Ministério da Agricultura mais tempo para a adequação a pontos das instruções normativas (INs) 76 e 77, que trazem novas regras para a produção e a industrialização de leite no Brasil. Com a previsão de valer a partir de 30 de maio, o temor do setor é que as exigências possam afastar da atividade muitos produtores gaúchos de leite.
De acordo com o presidente do Sindicato das Indústrias de Laticínios do Rio Grande do Sul (Sindilat), Alexandre Guerra, as indústrias defendem a flexibilização, principalmente, do prazo de cumprimento dos indicadores de temperatura, de contagem bacteriana e de células somáticas do leite. “Entendemos a necessidade da melhoria contínua da qualidade do leite, mas precisamos que isso seja feito de forma gradativa para termos êxito na aplicação de atualização da INs sem excluir ninguém da atividade", afirma.
O assunto será levado à ministra da Agricultura, Tereza Cristina, no próximo dia 27 de fevereiro (27/2), às 11h, em Brasília, pelo grupo de trabalho formado nesta segunda-feira (18/2), em Porto Alegre, após reunião de diversas entidades que compõem a cadeia produtiva leiteira do Estado, na sede da Federação dos Trabalhadores da Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag).  Segundo o diretor do Sindilat, Jeferson Smaniotto, que participou do encontro, a sugestão do Sindilat é que haja um trabalho conjunto entre o governo e a extensão rural, já que os produtores precisam tanto de crédito para adquirir novos equipamentos, como da ampliação da estrutura de energia elétrica para que os mesmos funcionem. 
Diretor do Sindilat, Jeferson Smaniott, participou da reunião em Porto Alegre
As sugestões serão discutidas nesta terça-feira (19/02), às 14h, na sede da Fetag, pela equipe composta pela própria federação mais Fecoagro, Famurs, Codevati, Emater, IGL, Fundesa, Seapi, Cosuel, Corede Vale do Rio Pardo e Associação de Vereadores do Vale.
 
Aliança Láctea Sul também discute INs
 
O tema foi pauta do primeiro encontro da Aliança Láctea Sul Brasileira, realizado em Curitiba (PR), também nesta segunda-feira (18/2), e que contou com a presença do presidente do Sindilat, Alexandre Guerra. “Os três estados do Sul irão enviar um documento ao Ministério da Agricultura, elencando alguns pontos que irão levar mais tempo para serem cumpridos nas novas instruções normativas”, revela. A transformação de RS, PR e SC em referência para, futuramente, abrirem as portas para exportação também foi debatida. “Nosso objetivo é unificar os estados para trabalharmos, juntos, focados em diferenciais competitivos para o desenvolvimento contínuo do setor", explica Guerra. 
 
Foto: Alexandre Branco