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16/06/2020

  

Porto Alegre, 16 de junho de 2020                                              Ano 14 - N° 3.241

O impacto da pandemia no consumo de leite e derivados

A instabilidade trazida pela pandemia faz o mercado de leite e derivados ser guiado pela volatilidade. O que vale hoje pode não valer amanhã. E a tarefa de projetar um cenário futuro ficou ainda mais complicada. A expectativa da indústria é de que o atual patamar de preços se mantenha pelos próximos meses, o que ajudaria na recuperação do setor. Com oferta e demanda, neste momento, reguladas, a definição virá do apetite.

- Quem vai dizer é o mercado - afirmou Alexandre Guerra, presidente do Sindilat-RS, live de GaúchaZH.

Ao fator covid-19 somam-se questões como a estiagem (e seus impactos sobre a produção de leite) e poder de compra da população brasileira. Segundo Guerra, o pagamento do auxílio emergencial de R$ 600 beneficiou de forma direta o consumo de leite. Pesquisa da Nielsen mostra que houve crescimento. Na comparação com o ano passado, até 10 de maio, o aumento foi de 29,2% nos queijos, 17,6% no leite UHT e de 16,4% no em pó.

- Com o isolamento social, perdemos de início a linha food service (produtos para restaurantes, cozinhas, hotéis), ligada a eventos e turismo. Mas crescemos no consumo dos lares. As pessoas saem menos de casa e investem na qualidade de vida - avalia o dirigente.

O ajuste entre o que se produz e o que se vende veio com a ajuda de ingredientes temporários, como o recuo da importação de leite. O dólar alto tirou a competitividade de produtos vindos de outros países. Isso ao mesmo tempo em que a produção no Brasil estava no período de baixa.

Por outro lado, a falta de chuva impactou a vida dos produtores. A perda em quantidade e qualidade de milho silagem, usado na alimentação do rebanho, amplia os custos, porque exige que seja feita suplementação.

No mês passado, a projeção de recuo no valor de referência do litro de leite esquentou o debate na reunião do Conseleite. Entidades de produtores questionaram o fato de haver repasse do que acontece no mercado só quando há indicativo de baixa. Como o valor é calculado com base nos 10 primeiros dias e depois houve recuperação, o dado consolidado deve trazer mudanças. Que são esperadas por quem está no campo. (Zero Hora)

           
GDT - Global Dairy Trade
 
 
CONSELEITE–PARANÁ - RESOLUÇÃO Nº 06/2020
A diretoria do Conseleite-Paraná reunida no dia 16 de Junho de 2020 atendendo os dispositivos disciplinados no Capítulo II do Título II do seu Regulamento, aprova e divulga os valores de referência para a matéria-prima leite realizados em Maio de 2020 e a projeção dos valores de referência para o mês de Junho de 2020, calculados por metodologia definida pelo Conseleite-Paraná, a partir dos preços médios e do mix de comercialização dos derivados lácteos praticados pelas empresas participantes.
 
 

Os valores de referência indicados nesta resolução para a matéria-prima leite denominada “Leite Padrão”, se refere ao leite analisado que contém 3,50% de gordura, 3,10% de proteína, 500 mil células somáticas/ml e 300 mil ufc/ml de contagem bacteriana.

Para o leite pasteurizado o valor projetado para o mês de Junho de 2020 é de R$ 2,4661/litro. Visando apoiar políticas de pagamento da matéria-prima leite conforme a qualidade, o Conseleite-Paraná disponibiliza um simulador para o cálculo de valores de referência para o leite analisado em função de seus teores de gordura, proteína, contagem de células somáticas e contagem bacteriana. O simulador está disponível no seguinte endereço eletrônico: www.conseleitepr.com.br. (Conseleite Paraná)

Pandemia motiva onda mundial de subsídios agrícolas

Austrália e Nova Zelândia apóiam exportação por avião; nos EUA, ajuda pode atingir US$ 40 bilhões

Austrália e Nova Zelândia, bastante liberais no comércio agrícola, passaram a subsidiar voos para tornar viáveis exportações de alguns produtos com maior valor agregado; os Estados Unidos pagaram a cotonicultores 33 vezes mais do que eles perderam com disrupções no comércio; o Japão introduziu medidas de estímulo ao consumo do bife wagyo, em detrimento do bovino estrangeiro; e, nesses tempos de pandemia, cada vez mais países estabelecem restrições à exportação de alimentos.

Globalmente, agricultores estão recebendo bilhões de dólares em subsídios para compensar perdas provocadas pela covid-19. Os apoios, contudo, ocorrem por meio de programas que levantam suspeitas de violação ao acordo agrícola da Organização Mundial do Comércio (OMC). Um bom número de países está retomando a formação de estoques públicos, alegando preocupação com segurança alimentar. Outros estão criando bancos de alimentos para socorrer setores vulneráveis da população.

No caso dos estoques de alimentos, a questão principal é se estão sendo formados a preços de mercado, o que é permitido. Mas se a estratégia estiver sendo movida por subsídios nos preços, viola regras internacionais.

Outro ponto é o efeito que terá o escoamento futuro de enormes estoques de alimentos quando a crise passar e o comércio internacional voltar à normalidade. Em meio ao risco de apodrecimento de produtos, alguns países certamente vão querer exportar a qualquer preço, o que poderá deprimir cotações internacionais.

O tema estoques de alimentos e a interdição da exportação causa polêmica entre os 164 membros da OMC, que tentam uma solução negociada desde a conferência ministerial de Bali (Indonésia), em 2013.

Também cresce a suspeita de um “retorno disfarçado” de subsídios à exportação, que foram declarados eliminados a partir da conferência ministerial de Nairóbi, em 2015. É o caso do “International Freight Assistance Mechanism (Ifam) australiano, que destina quase US$ 80 milhões para ajudar produtos como lagosta, carnes (bovina, suína e ovinos), leite fresco e iogurte a serem exportados por via aérea para “mercados prioritários”. A Nova Zelândia criou um programa idêntico, com cerca de US$ 215 milhões.

Nesse contexto, um bom número de países fará questionamentos a seus parceiros em reunião virtual do Comitê de Agricultura da OMC, que está agendada para a próxima quarta-feira.

Um dos programas para compensar os efeitos da covid-19 que mais chamam a atenção é o dos EUA, que terá de responder a questões de outros grandes exportadores - Brasil, Austrália, Canadá, União Europeia e Nova Zelândia. Washington já forneceu subsídios adicionais de US$ 28 bilhões para os agricultores do país em 2018 e 2019 em razão de perdas atribuídas à guerra comercial com a China. E, por causa da covid-19, destinou mais US$ 16 bilhões para socorrer um setor que é considerado muito importante para uma reeleição de Donald Trump.

E esse valor deverá aumentar. Tanto economistas do governo como membros do Congresso estimam que os pagamentos poderão chegar a US$ 40 bilhões com outros recursos que poderão ser destinados aos agricultores como compensação contra a pandemia.

No caso da UE, o dinheiro que está sendo liberado já estava previsto no orçamento da Política Agrícola Comum (PAC), segundo fontes consultadas pelo Valor. O que Bruxelas fez até agora foi sobretudo flexibilizar o uso dos recursos fornecidos via “caixa verde” (subsídios autorizados) para a criação de estoques, por exemplo. O segundo pilar da PAC, destinado ao desenvolvimento rural, é estimado entre € 6 bilhões e € 17 bilhões. Também foi liberado apoio para armazenagem privada de lácteos e carnes (bovina, ovina e caprina, mas não frango). A UE insiste que não são subsídios proibidos.

Paralelamente, países como França e Itália adotaram medidas unilaterais para apoiar o segmento de lácteos em seus mercados, apesar da regulação da PAC estabelecer que todo apoio deve ser adotado em nível europeu. Diante da conjuntura, a Áustria aproveitou para lançar um amplo programa bilionário para seus agricultores.

No Japão, o pacote de subsídios para socorrer a economia em geral alcançou US$ 1 trilhão, e o Brasil e outros parceiros querem saber o quanto desse montante é destinado à agricultura, e para quais segmentos. Isso porque o AMS japonês (medida de apoio doméstico que prevê ajuda vinculada à produção e garantia de preços) é limitado a US$ 36,5 bilhões. A indagação é como Tóquio vai explicar que não está violando seus compromissos na área comercial.

O Japão criou também um programa específico para sustentar a venda do bife wagyu, que não é estendido a cortes bovinos importados. Os EUA querem saber porque isso acontece e até que ponto a ação afeta negativamente suas importações.

Já o Canadá praticamente dobrou o montante de ajuda para compra e estocagem de excesso de manteiga e queijo durante a pandemia. O governo anunciou também o “Farm Credit Canadá” com US$ 3,7 bilhões adicionais para dar fôlego aos produtores rurais.

Outro tema que está no radar dos parceiros é um programa de estímulo da Índia, anunciado pelo primeiro-ministro Narendra Modi, que inclui o setor agrícola. Nova Déli já tem um histórico de aumento de subvenções, e a pandemia deu um argumentos adicionais a essa tendência.

Também preocupa membros da OMC, finalmente, o número crescente de países que passaram a restringir ou proibir exportações agrícolas, de arroz a trigo e legumes. No Comitê de Agricultura, os membros questionados desta vez serão Camboja, Egito, El Salvador, Romênia, Honduras, Cazaquistão, Mianmar, Rússia, Turquia, Vietnã, Quirguistão, Macedônia do Norte, Tailândia e Ucrânia. (Valor Economico)
            

Atacarejo: tíquete médio cresce 16% na primeira semana de junho; leite entre itens mais procurados
Na primeira semana de junho, logo após a liberação da 2ª parcela do auxílio emergencial, o valor gasto pelos consumidores nas lojas do setor supermercadista cresceu 8% em relação à semana inicial do mês de maio. A quantidade de itens na cesta de compras subiu 10% na mesma comparação. Os dados são da HORUS, plataforma de inteligência de mercado que reúne dados de compras efetuadas no varejo.  A pesquisa foi realizada em 10 estados, com base em cerca de 10 milhões de notas fiscais de compras enviadas pelos próprios consumidores, por meio do aplicativo colaborativo PINNGO. O formato mais beneficiado foi o atacarejo, no qual o tíquete médio passou de R$ 136 para R$ 158, um avanço de 16%. Nas lojas de cash & carry, o número médio de itens no carrinho de compras passou de 31 no início de maio para 36 na primeira semana de junho. Na avaliação da Horus, os dados revelados pelo levantamento levam a crer que o consumidor direcionou boa parte do recurso recebido no auxílio emergencial para reabastecer sua despensa até o recebimento da próxima parcela do auxílio. Entre os alimentos, feijão, farinha de trigo e leite foram os que tiveram maior aumento no valor do tíquete médio (15%), mostrando que o consumidor investiu mais na compra de produtos básicos de alimentação. (As informações são do SA Verejo)
 
 

 

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