Pular para o conteúdo

18/05/2020

Porto Alegre, 18 de maio de 2020                                              Ano 14 - N° 3.220

  Habilitação no Programa Mais Leite Saudável poderá ser feita online
O pedido de habilitação de laticínios e cooperativas de leite no Programa “Mais Leite Saudável” (PMLS), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa),poderá, a partir de agora, ser realizado de forma online. A solicitação deverá ser feita pelo Portal de Serviços do governo federal - www.gov.br

O representante do estabelecimento interessado deverá, ao acessar o portal, clicar na categoria “Agricultura e Pecuária”. Na sequência, em “Licenciamento e Habilitação” e “Mercado Interno”. Neste link estará: "Habilitar Laticínios ou Cooperativas de leite no Programa Mais Leite Saudável" por onde poderá enviar o projeto, via web, de qualquer local do país.

Além de solicitar o acesso ao benefício, nesse espaço há informações gerais e específicas sobre o programa, que permite aos laticínios, inclusive cooperativas, a apuração de créditos presumidos do PIS/Pasep e da Cofins de leite in natura, utilizado como insumo.

O coordenador de Boas Práticas e Bem-Estar Animal do Mapa, Rodrigo Dantas, observa que para participar do programa - com a possibilidade de utilizar os créditos gerados a partir da compra e processamento do leite - os laticínios e cooperativas devem apresentar um projeto, com foco em assistência técnica gerencial. “As ações propostas devem corresponder, no mínimo, a 5% do valor de créditos a que tem direito, beneficie diretamente os produtores rurais de leite, promovendo o desenvolvimento da atividade, aumento de rentabilidade e melhoria na qualidade e produtividade do leite”, afirma.

Mundialmente, ressalta Dantas, o setor leiteiro se destaca por sua grande importância econômica, gerador de emprego e renda. O leite é o terceiro produto agropecuário em produção total e o primeiro em valor monetário, com indicativo de crescente demanda, segundo dados da Global Dairy Platform, uma comunidade que reúne laticínios, associações e órgãos científicos ligados ao tema.

O Brasil está entre os cinco maiores produtores mundiais de leite e o setor tem grande relevância socioeconômica para o mercado interno. A cadeia agroindustrial do leite reúne cerca de 1,2 milhão de produtores, presentes em 98% dos municípios.

“O aumento de produtividade e da produção, resultante de uma gestão profissionalizada e da utilização de ferramentas como inovação e tecnologia, aliados à melhoria na qualidade do produto, credenciará o Brasil como grande exportador de lácteos”, avalia o coordenador. 

Além de possibilitar o acesso a recursos, o "Programa Mais Leite Saudável" representa uma oportunidade para laticínios e cooperativas de leite melhorarem a produtividade e o rendimento de seus processos industriais e produtos finais, uma vez que passam a ter acesso a matérias-primas (leite) de melhor qualidade, com menor descontinuidade no fornecimento, estimulando a profissionalização e a competitividade na cadeia leiteira nacional.

Em 2020, o PMLS completa cinco anos, com 491 empresas participantes, 699 projetos executados ou em execução, beneficiando 67.085 famílias de produtores de leite, localizadas em 2.150 municípios em todo o país.

O Decreto Nº 8.533, de 30 de setembro de 2015, que institui o programa e outras legislações e informações podem ser acessados aqui e aqui

>> Veja vídeo explicativo sobre o serviço (MAPA)

                 

Aumenta concentração da produção brasileira de leite
A captação dos 13 principais laticínios do país aumentou 4,1% em 2019, totalizando 7,8 bilhões de litros de leite. Juntos, os grupos responderam por 23,6% da captação total no país, estimada em 33 bilhões de litros pela Associação Brasileira dos Produtores de Leite (Leite Brasil), responsável pelo ranking.  A tendência de concentração na pecuária leiteira continuou. O aumento na captação dos laticínios no ano passado ocorreu mesmo com um número 7,1% menor de produtores - 33,5 mil. Isso só foi possível porque o volume recebido por produtor cresceu 8%, para 446 litros diários. “O ano passado foi marcado por preços razoáveis em que o mercado conseguiu crescer e o produtor se profissionalizar”, afirmou o vice-presidente da Leite Brasil, Roberto Jank.

O ranking da Leite Brasil, que faz o levantamento sobre a captação de matéria-prima pelos laticínios há 23 anos, não inclui a multinacional francesa Lactalis, maior indústria de lácteos do país, e a Goiasminas, dona da marca Italac. Em 2019, a Lactalis encerrou uma disputa iniciada em 2017 com a mexicana Lala, dona da Vigor, e assumiu o controle da Itambé e também a liderança na captação de leite. Juntas, Lactalis e Itambé captam 2,3 bilhões de litros de leite por ano. Considerando somente as companhias que participam do ranking da Leite Brasil, a Nestlé manteve a liderança em 2019, apesar da queda de 8,3% na comparação com o ano anterior. A empresa captou 1,5 bilhão de litros de leite. Vale lembrar que a multinacional suíça vendeu suas unidades de produção de leite longa vida para a Laticínios Bela Vista, dona da marca Piracanjuba, que é a segunda colocada do ranking, com captação de 1,45 bilhão de litros no ano assado, avanço de 5,1% na comparação anual.

Até a sexta colocação (ver figura), não houve mudanças na lista dos principais laticínios. Na parte de baixo da lista, a alteração mais notável foi a queda da francesa Danone, da oitava colocação para a décima. A captação da multinacional recuou 13,1%, para 293,6 milhões de litros de leite. De modo geral, o ano passado foi marcado por margens apertadas para as indústrias, que esperavam um aumento de demanda e um aquecimento na economia que não se concretizou. Jank, da Leite Brasil, acrescentou que as perspectivas otimistas do começo deste ano deram lugar à incerteza provocada pela crise da covid-19.

Com o canal de alimentação fora do lar (food service), que absorve metade da semanas. “Com o câmbio mais alto, elevando custo de produção e preços mais baixos recebidos das indústrias, o produtor tem um desestímulo duplo”, lamentou o vice-presidente da Leite Brasil. De acordo com ele, o dólar mais valorizado inibe as importações, o que deve tornar a oferta de leite mais enxuta no mercado interno. “Esses fatores poderão gerar problema de oferta”, avaliou Jank. (Valor Econômico)

MG: queijo é vendido pelo WhatsApp
O isolamento social imposto para o controle do novo coronavírus tem feito com que produtores rurais usem a criatividade para tentar superar os obstáculos e manter as vendas, fortemente afetadas pela queda da demanda principalmente em decorrência do fechamento de restaurantes e empórios.

No Estado, os produtores do Queijo Minas Artesanal (QMA), após enfrentarem queda de 100% na demanda nos primeiros dias do isolamento, recorreram ao WhatsApp e às redes sociais para oferecer o produto e evitar a falência dos negócios. A iniciativa deu certo e muitos estão recuperando as vendas e abrindo um novo canal de negócios com o consumidor.

De acordo com o presidente da Associação dos Produtores de Queijo Canastra (Aprocan) e da Associação Mineira dos Produtores de Queijo Artesanal (Amiqueijo), João Carlos Leite, nos primeiros 15 dias de isolamento a situação foi caótica para os produtores de queijo, período em que as vendas caíram 100%. “Foi uma situação inesperada, e tivemos que tomar atitudes drásticas porque ninguém estava preparado para o problema, que veio de uma vez”, disse Leite.

Para reduzir os prejuízos, os produtores suspenderam a ração do rebanho e desmamaram as vacas, com isso, houve uma queda na produção de leite em torno de 50% a 60%.

Outro problema enfrentado foi a devolução dos queijos já negociados. Muitas vendas foram canceladas e em outras foram negociados novos prazos para entrega. Como os produtores não tinham capacidade de estocagem para os queijos foi preciso buscar alternativas.

“A partir da terceira semana de isolamento, ficou definido, de forma mais clara, os setores essenciais e que poderiam continuar abertos, como os supermercados. As vendas foram retomadas, mas em uma condição horrível, com o mercado pagando cerca de 50% a 70% a menos pelos queijos. Tivemos que aceitar para conseguir reiniciar as vendas”, explicou Leite.

Com apoio de diversas instituições, como o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Minas Gerais (Sebrae Minas), Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg) e Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), foram feitas reuniões virtuais em busca de alternativas para evitar a falência dos produtores do Queijo Minas Artesanal.

Colaboração e solidariedade: “Tivemos a brilhante ideia de conversar com amigos de Belo Horizonte, São Paulo, Brasília e de outras regiões para que eles nos ajudassem a vender os queijos, oferecendo para amigos e familiares através do WhatsApp. Gravamos diversos vídeos pedindo ajuda para que o QMA não morresse e as vendas explodiram. Hoje, estamos aumentando as vendas on-line e o delivery. Mandamos os queijos para Belo Horizonte, por exemplo, e nossos amigos chamam um motoboy, que faz a entrega. Fomos salvos pela criatividade e inovação”.

Com a iniciativa, foi possível recompor, quase que por completo, os preços do queijo e a demanda está maior que a oferta. “Agora está faltando queijo, porque tivemos que cortar ração e desmamar as vacas. Esperamos que todo o cenário se restabeleça. O espírito solidário dos amantes do QMA e a contribuição de várias entidades em nos ajudar a encontrar alternativas foram essenciais para a sobrevivência do produtor e do QMA nesse momento de pandemia”, destacou.

As estimativas em relação ao mercado são positivas, principalmente, devido ao início da reabertura do comércio em alguns municípios.

“Após essa pandemia, tudo será diferente. Além de retomar o mercado dos restaurantes e empórios, os produtores ainda terão um novo canal de comercialização, que é a venda direta para consumidores finais de diversas cidades do Brasil feita através do WhatsApp e das redes sociais”, disse Leite.

Serra do Caroula aposta no WhatsApp: O produtor do Queijo Minas Artesanal Serra do Caroula, na região do Serro, Helen Assunção, foi um dos que recorreu ao WhatsApp para alavancar as vendas e reduzir os impactos negativos provocados pelo isolamento social para o controle do novo coronavírus.

Assunção explica que, logo na primeira semana de isolamento, os empórios cancelaram os pedidos, por isso, foi necessário suspender a produção. O leite, que antes era destinado ao queijo, foi vendido no mercado. Houve redução da rentabilidade, uma vez que o valor agregado do queijo é muito maior.

“No começo do isolamento social para controle da pandemia, a queda nas vendas foi muito grande, ficando em torno de 70% a 80%. Passei a comercializar o leite, mas tive prejuízos porque o valor agregado do queijo é maior. Então, tive a ideia de divulgar o queijo nos grupos de WhatsApp e pedir para que os amigos divulgassem o produto. A iniciativa deu super certo e criamos uma clientela de consumidores finais. A medida ajudou muito, e entrego os queijos, em Belo Horizonte, uma vez por mês”, disse Assunção.

A expectativa é de que a demanda dos empórios retome aos poucos, com o relaxamento do isolamento social já adotado em algumas cidades, mas haverá uma diversificação do público a ser atendido.

“Vamos continuar com as vendas para o consumidor final porque é mais um canal de vendas. Quanto mais alternativas, melhor e mais fácil escoar a produção dos queijos”, explicou Assunção.

Estado comemora Dia do Queijo Artesanal: O Dia do Queijo Artesanal Mineiro é comemorado em 16 de maio. Em busca constante do fortalecimento dos produtores do Queijo Minas Artesanal (QMA) e de políticas públicas que impulsionem o setor, foi criada a Associação Mineira dos Produtores de Queijo Artesanal (Amiqueijo). A entidade reúne, até o momento, nove associações representantes das regiões já reconhecidas como produtoras do QMA e que somam mais de 200 empreendedores.

As regiões representadas são Araxá, Campo das Vertentes, Canastra, Cerrado, Mantiqueira, Serra Geral, Serra do Salitre, Serro e Triângulo. A participação de associações de outras regiões também é permitida, porém, elas não terão direito a votos.

“Fundamos a Amiqueijo poucos dias antes da implantação do isolamento social, o que cerceou nosso caminhar, mas estamos conseguindo realizar reuniões semanais e virtuais para discutir os problemas do setor. Um dos principais objetivos é unirmos as associações para buscarmos políticas públicas que são necessárias para o desenvolvimento e fortalecimento do setor. Vamos buscar formas de avançar nas questões legais e na melhoria do marco regulatório”, explicou o presidente da Amiqueijo, João Carlos Leite.

Ainda segundo Leite, a Amiqueijo será importante para centralizar a representatividade do setor, facilitando o contato com os governos e contribuindo para a solução de gargalos. (Diário do Comércio)
                 

Campanha de doação já arrecadou mais de 30 mil litros de leite entre associados da Santa Clara
Os produtores associados à Santa Clara estão fortemente engajados em ajudar os gaúchos em situação de vulnerabilidade neste momento crítico, especialmente aqueles que não tem o básico para sua sobrevivência: o alimento. Para isso, até a manhã desta sexta-feira, 15 de maio, 552 produtores já haviam doado mais de 30 mil litros de leite, que após industrialização e envase na indústria, serão entregues ao Banco de Alimentos do RS e a outras instituições. O associado Leodir Ruppenthal, de Fortaleza dos Valos, foi um dos produtores que optou por contribuir com a iniciativa. “Nós pensamos e vamos colaborar. Somos uma família de pequenos produtores de leite, mas estamos fazendo a doação de coração”, frisou. A campanha de doação de leite organizada pela Cooperativa e protagonizada por seus associados é totalmente voluntária, assim, as doações são feitas se o produtor quiser e com o volume que puder. A arrecadação ainda está no começo e deve aumentar à medida que o contato com os produtores vai sendo reforçado pelos mais diferentes canais, desde via WhatsApp e SMS a ligações. Os interessados em contribuir podem entrar em contato com o Departamento de Política Leiteira (DPL) de sua região, técnicos, vendedores externos, lojas da Cooperativa ou ainda pelo WhatsApp (54) 99704-6290. (Santa Clara)
 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *