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17/02/2020

 

Porto Alegre, 17 de fevereiro de 2020                                              Ano 14 - N° 3.166

 RS: apesar da estiagem, preço do leite anima o produtor

Entra ano, sai ano e o preço do litro de leite segue em pauta. Em janeiro, o valor de referência do leite no Rio Grande do Sul subiu para R$ 1,1267, alta de 0,88% comparado com dezembro de 2019 (R$ 1,1169), conforme nota divulgada pelo Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do Estado do Rio Grande do Sul (Conseleite/RS). 

A alta no preço do litro de leite envolve vários fatores. “Com a diminuição da produção de leite do verão, por causa do calor e da estiagem, regionalmente as indústrias captaram menos leite, mas, além disso, houve uma diminuição de produtores e rebanho, isso ocasiona menor oferta de leite no mercado, com isso passou a ser mais valorizado”, explica o engenheiro agrícola Diego Barden dos Santos, da Emater/RS – Ascar. 
No ano de 2019 foi registrada uma diminuição de 6,24% na produção de leite do estado e também redução de 20,84% no número de vacas leiteiras em comparação a 2015, considerado o ano de maior produtividade no setor. Conforme o engenheiro, o Brasil e outros países produtores de leite também apresentaram uma diminuição na produção e número de produtores.
Em Venâncio Aires, Santos explica que a situação é contrária a do estado, pois a produção de leite aumentou em 2019. A Capital Nacional do Chimarrão tem 138 propriedades que produzem leite para a comercialização. Juntos eles produziram em torno de 9 milhões de litros de leite em 2019. Vale destacar que os índices são referentes ao leite cru, entregue para as indústrias e agroindústrias familiares. 
Produtor
Um dos produtores de leite do município é Elisandro da Costa da Silva, 31 anos, morador de Vila Estância Nova. Na propriedade, onde mora com a esposa e os pais, além do tabaco a família Silva registra uma produção média de 350 litros por dia.
Ele acentua que o valor do litro do leite pago está bom. “Tivemos um bom ano, 2019 foi melhor comparado com os últimos. Mas sentimos uma queda muito grande na produção”, comenta Silva. 
Um dos motivos elencados pelo produtor para a queda na produção é a estiagem. “O pasto, a pastagem, tudo afetou. A silagem está com uma qualidade muito baixa. Dos quatro hectares de milho plantados na safra, o que sobrou é palha. A expectativa é com o safrinha agora”, reforça. 
Apesar da estiagem, a expectativa é de um bom ano. “Se o clima colaborar, iremos recuperar o pasto e a produção ficará normalizada”, acrescenta Silva. Um dos diferencias elencados pelo produtor é o auxílio da Emater com a dieta das vacas. “Faz uns três anos que a Emater está fazendo a dieta das vacas aqui em casa. A gente percebeu uma grande diferença. O custo de produção continuou o mesmo e a produção aumentou”, conta Silva. 
Projeção
Para este ano a projeção conforme o engenheiro agrícola é boa. “O produtor que neste ano conseguir aliar a eficiência produtiva com a gestão de rebanho, vai ter bons resultados na atividade leiteira.” Entretanto, Santos frisa que podem haver dificuldades. “Uma das adversidades que iremos enfrentar é a possibilidade do preço dos insumos aumentar mais que o preço do produto. Esse seria um fator bem complicante”.
Schwendler: a voz dos produtores no Conseleite
Empossado no início deste ano, o Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do Estado do Rio Grande do Sul (Conseleite/RS) definiu nova diretoria para os próximos dois anos. Venâncio Aires tem um produtor representando a categoria.
Lauri José Schwendler, 45 anos, é um dos conselheiros do Conseleite, como representante da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul). “A gente sempre ouvia falar da Conseleite, pesquisava o valor de referência no site deles, mas nunca imaginava fazer parte.” 
O venâncio-airense enfatiza que o importante de participar do Conseleite é a oportunidade de representar a classe dos produtores. “Não se discute só a questão do preço do leite, se discute o setor como um todo, alguns impostos e exigências impostas aos produtores.” 
Agora, a ideia de Schwendler é, junto do Sindicato Rural e da Emater, reunir representantes e produtores de leite do município e elencar algumas demandas. “Não quero ir lá levar as minhas demandas, mas sim representar toda essa cadeia. Por isso, vamos nos reunir e levar demandas de Venâncio Aires e região para serem discutidas no Conseleite”, antecipa o produtor. 
“Acho muito interessante participar do Conselho. São discussões que valem a pena. Mudou muito a forma como o produtor está sendo recebido. Precisa sempre ter o lado técnico e o lado do produtor, uma união que promete grandes discussões.” 
Entre as metas do produtor e dos outros representantes do setor está o recálculo do preço de custo da produção do leite. “O custo de produção está defasado, queremos um novo levantamento que considere os nossos custos, para assim, termos um preço de referência justo.” O produtor comenta que o preço do leite, pago pela indústria não está ruim, comparado com a mesma época em outros anos. Segundo Schwendler, o custo de produção é que está subindo muito. 
Entenda
O Conseleite é uma associação civil, regida por estatuto e regulamentos próprios, que reúne representantes de produtores rurais de leite do estado e de industrias de laticínios que processam a matéria-prima.
O principal objetivo do Conselho é a busca de soluções conjuntas pelos produtores rurais e indústrias para problemas comuns do setor lácteo. Além disso, a associação divulga o valor de referência de leite por mês. O presidente do atual mandato é Rodrigo Rizzo. (Folha do Mate)
 
Projeto concede desconto na conta de luz dos produtores de leite
O Projeto de Lei 6388/19 concede desconto de 30% nas tarifas de energia elétrica relativas ao consumo para produção, armazenagem e beneficiamento de leite in natura por produtores rurais e cooperativas. 
 

O texto, do deputado Adriano do Baldy (PP-GO), tramita na Câmara dos Deputados.

Com a proposta, Baldy espera dar “sustentabilidade econômica a uma atividade que garante a fixação no campo de milhões de famílias e é responsável por uma extensa cadeia produtiva de vital importância para a economia nacional”.
 
O parlamentar observa que a produção, a armazenagem e o beneficiamento do leite exigem cuidados especiais para garantir ao consumidor a qualidade dos produtos, principalmente no que diz respeito ao resfriamento. “A cadeia produtiva já observa integralmente os requisitos necessários, mas a energia elétrica requerida para manutenção das condições ideais tem um peso significativo nas planilhas de custos dos produtores e de suas cooperativas, que já trabalham com margens extremamente apertadas”, justifica.
 
O texto acrescenta a medida à Lei do Setor Elétrico (Lei 10.438/02). Conforme a proposta, o desconto será compensado com recursos da Conta de Desenvolvimento Energético.
 
Tramitação
O projeto tramita em caráter conclusivo e será analisado pelas comissões de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural; de Minas e Energia; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. (Câmara dos Deputados)

Leite/América do Sul
No final de 2019 e início de 2020, a região sudeste do Brasil sofreu um longo período de seca, o que reduziu o volume e a qualidade das forragens em muitas bacias leiteiras. Como resultado, a produção de leite de vaca caiu consideravelmente nesse período. 

Atualmente está havendo recuperação como consequência de chuvas esporádicas que estão beneficiando pastagens e as culturas emergentes de milho nas principais bacias leiteiras e regiões de plantios do sudeste brasileiro. Apesar dessa melhora de produção, o leite oferecido, até o momento, continua abaixo dos níveis verificados um ano antes. Recentemente foi intensificado o abate de vacas leiteiras diante do forte aumento no preço da carne, o que também é reportado como um fator de queda na produção de leite.

Diante desse desequilíbrio, está havendo intensa concorrência entre as indústrias, fazendo com que o preço do leite ao produtor fique em níveis elevados.

Na Argentina e Uruguai, o clima ameno favoreceu o desenvolvimento das culturas de milho e soja, e ajudou a aumentar a qualidade e o volume de forragens nas fazendas leiteiras. A produção de leite estabilizou, mas, a expectativa é de que melhore antes do final do outono. Os componentes do leite – matéria gorda e proteína – permanecem em baixos níveis, contribuído para elevar as bonificações das indústrias. De um modo geral a oferta de leite na Argentina e no Uruguai estão baixas, mas, permanecem adequadas para atender à maioria dos pedidos de leite UHT, queijo e iogurte. No entanto, a oferta de creme é muito limitada, enquanto a demanda de processadores de manteiga, sorvete e sorvete continuam firmes. Também, com a volta às aulas, os pedidos de leites embalados para atender as escolas se intensificam. (USDA) 

 
Leite/Oceania
A Austrália caminha para o final da temporada de leite, em junho. Os volumes são relativamente baixos dentro deste contexto. O governo alertou a população a respeito de possíveis tempestades e inundações em New South, neste final de semana. Isso é importante para apagar focos de incêndios remanescentes, e afastar as condições terríveis que predominaram nos últimos meses na Austrália. O final da temporada do leite na Austrália deve ser antecipado. O impacto dos incêndios está sendo contabilizado agora, e os produtores reduziram seus rebanhos por falta de alimentação. O rescaldo dos incêndios pode matar animais e destruir culturas. Os efeitos negativos serão sentidos ainda nos próximos meses, e ainda por algum tempo. Na maior parte da Nova Zelândia predomina seca, especialmente na Ilha Norte. Analista do setor lácteo acreditam que haverá impacto na oferta de leite em fevereiro, e provavelmente em março. Na Ilha Sul e Costa Oeste o problema é o oposto. Inundações recentes atingiram a região em consequência de fortes chuvas, abrangendo grandes bacias leiteiras. A expectativa, no entanto, é que a seca na Ilha Norte tenha maior impacto na produção de leite do que a unidade da Ilha Sul. Ainda assim as chuvas causaram enchentes, e relatórios registram mais de 100 fazendas de leite severamente afetadas pelas extensas inundações. Muitas delas debaixo d’água ou isoladas, com estradas interrompidas, o acesso cortado e em muitas, até falta de energia. O resultado é que muito do leite produzido terá que ser descartado.  (USDA)
 

 

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