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04/04/2019

Porto Alegre, 04 de abril de 2019                                              Ano 13 - N° 2.952

    Caem as importações de leite!

Os dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (SECEX) apontam uma redução de 37% na quantidade importada de leite em março em relação a fevereiro, com 82 milhões de litros em equivalente leite importados. Ao compararmos com mar/18, importamos 25% a mais. Confira a evolução no saldo da balança comercial láctea, que foi de -67 milhões de litros nesse mês, no gráfico 1.

Gráfico 1. Saldo da balança comercial de lácteos no Brasil. Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado com base em dados da Secex.

 
Um dos fatores que explica a redução de leite em pó internalizado é o fato de tanto o UHT como a muçarela estarem andando de lado no mercado interno; adicionalmente, com os aumentos de preço no mercado internacional houve redução da competitividade do produto importado aqui no mercado brasileiro.

No mês de março foram importadas 5,2 mil toneladas do leite em pó integral, uma redução de 41% em relação ao mês de janeiro, porém, um aumento de 66% em relação a março de 2018. Para o leite em pó desnatado, as 0,96 mil toneladas internalizadas representam uma redução de 65% em relação a fevereiro, e volume 31% menor do que em mar/18.

A desvalorização cambial em meio às incertezas no Brasil foi fator importante neste movimento de redução das importações. Confira a evolução do dólar no gráfico 2, o qual foi de 3,72 R$/dólar em fevereiro para 3,85 R$/dólar em março.

Gráfico 2. Evolução da moeda dólar americana em relação ao real. Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado com base no BACEN.

 
Já para os queijos, as 2,6 mil toneladas verificadas em março representam um aumento de 14% na quantidade internalizada. Na mesma toada dos leites em pó, as 450 toneladas importadas de manteiga e as 965 toneladas de soro são uma diminuição de -36% e -3% respectivamente. Veja os valores na tabela 1. (Milkpoint Mercado)

Tabela 1. Balança comercial láctea em novembro de 2018. Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado com base em dados da Secex.
                 

Leite/América do Sul

O fenômeno meteorológico El Niño está presente na América do Sul, com impacto mínimo ou chegando a ser nulo em alguns setores agrícolas, pelo menos até o momento, de acordo com especialistas em clima.

Durante as duas últimas semanas, o clima temperado favoreceu o desenvolvimento do milho, soja e algodão, nas principais áreas de plantio dessas culturas. Também houve melhora considerável das pastagens em muitas bacias leiteiras. Muitos produtores de leite começam a ter algum alívio nos custos da alimentação, enquanto o preço do leite ao produtor vem aumentando.  

Na Argentina e Uruguai a produção de leite ficou estagnada em níveis inferiores aos do ano passado. Com a forte demanda por leite fluido, principalmente em decorrência da volta às aulas, o volume de leite destinado à produção de outros lácteos está restrito. Assim sendo, muitas indústrias estão fabricando produtos lácteos exclusivamente para atender a demanda do mercado domésticos.

No Brasil, a oferta de leite está menor do que a necessária para atender as fábricas. Os pedidos de leite fluido/UHT de diversos canais, públicos e privados, continuam fortes. Em comparação com um ano atrás, a demanda interna por produtos lácteos aumentou consideravelmente, apoiada por uma relativa melhora na economia do país. (Usda – Tradução Livre: Terra Viva)

Na Europa, os custos de produção aumentam e os negócios são ajustados

Os produtores de leite da União Europeia (UE) registraram uma diminuição no rendimento líquido em quase todos os sistemas de produção. A causa não está no preço do leite, que se manteve quase estável de um ano para o outro, mas no aumento dos custos. Não apenas os preços dos insumos, os preços da energia e da ração aumentaram, mas também houve cortes na produção de forragem, causados pela longa seca no verão, de acordo com um relatório do Instituto de Pecuária da França.

A meteorologia também afetou a produção de laticínios de muitos produtores. Mesmo os países mais dinâmicos, como a Irlanda e a Polônia, foram afetados. Dada a escassez de forragem, os produtores reduziram o número de vacas. A desaceleração da coleta de leite na Europa no segundo semestre de 2018 facilitou o retorno ao mercado de estoques de intervenção de leite em pó desnatado que a Comissão Europeia vendeu a preços baixos. 

Isto confirma o papel central desempenhado pela União Europeia no mercado mundial de lácteos desde o fim das cotas, embora a Nova Zelândia tenha parcialmente compensado o declínio na Europa, visto que a sua produção de leite foi muito dinâmica no final de 2018, graças às condições meteorológicas muito favoráveis para o crescimento do pasto.

Começo auspicioso do setor leiteiro mundial em 2019
A nível da União Europeia, parece não haver dúvidas de que a produção de leite irá se recuperar nesta primavera, especialmente se as condições meteorológicas forem muito favoráveis. No entanto, existem fatores que ameaçam essas boas perspectivas: a incerteza do Brexit e seu impacto no comércio europeu, ou a deterioração das relações diplomáticas e comerciais entre os principais blocos principais: a UE, os EUA, a China e a Rússia. (As informações são do Agrodigital, traduzidas pela Equipe MilkPoint)
 
Índice de preços de commodities sobe 2,57% em março, informa Banco Central
Os preços das matérias-primas que têm influência sobre a inflação apresentaram alta de 2,57% em março, após variação positiva de 0,25% em fevereiro. No ano, o Índice de Commodities Brasil (IC-Br), calculado pelo Banco Central, caiu 0,80% e, em 12 meses, subiu 13,66%. O indicador é construído com base nos preços das commodities agrícolas, metálicas e energéticas convertidos para reais. Seu equivalente internacional, o “Commodity Research Bureau” (CRB), mostrou variação positiva de 4,72% em março, com alta de 0,19% no ano e de 11% em 12 meses. Um dos três subgrupos que compõem o IC-Br, o de commodities agropecuárias (carne de boi, carne de porco, algodão, óleo de soja, trigo, açúcar, milho, arroz, café, suco de laranja e cacau) mostrou alta de 1,19% no mês de março. No ano, os preços passaram a cair 2,43%, mas, em 12 meses, acumulam alta de 14,89%. O preço das commodities metálicas (alumínio, minério de ferro, cobre, estanho, zinco, chumbo, níquel, ouro e prata) subiu 4,06% no mês passado. No ano, o segmento acumula alta de 4,86%, e, em 12 meses, de 10,21%. As commodities energéticas (petróleo Brent, gás natural e carvão) subiram 5,61% em março. No ano, a variação é negativa em 0,31%. Em 12 meses, a alta é de 14,57%. (As informações são do jornal Valor Econômico)

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