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06/09/2018

Porto Alegre, 06 de setembro de 2018                                              Ano 12 - N° 2.816

Sindilat avalia nova tabela de frete

O Sindicato da Indústria de Laticínios do RS (Sindilat) informa que, tendo em vista a publicação da tabela de frete nesta quarta-feira (5/9), submeteu os indexadores a uma consultoria jurídica a fim de avaliar sua aplicabilidade ao setor laticinista. O Sindicato entende que a referida tabela apresenta fragilidades de ordem jurídica e econômica. Um dos pontos que ainda não foi regulamentado diz respeito ao frete de produtos com controle sanitário, como ocorre no transporte de produtos lácteos, em relação aos quais a Lei n° 13.703/2018, art. 4°, § 5° prevê a necessidade de tabela diferenciada. Por ser um produto vivo, entende o Sindilat, que o leite estaria subordinado a um tabelamento diferenciado ainda não detalhado pela ANTT. Desta forma, os valores publicados na data de hoje ainda poderão ser questionados pelo setor.

O Sindilat é contrário a qualquer tabelamento do frete porque entende que esse posicionamento fere a lei de livre mercado. O Sindicato não descarta levar o tema à Justiça, se necessário. (Assessoria de Imprensa Sindilat) 

 

Dólar afeta importações, mas cenário ainda é incerto

De acordo com os dados da Secretaria de Comércio Exterior (SECEX), o Brasil importou, em agosto, cerca de 105,6 milhões de litros em equivalente leite. Uma redução de 11,2% se comparado ao mês anterior, e, levemente maior em relação ao mesmo período do ano passado (+1,3%), o que ajudou a reduzir o déficit da balança comercial de lácteos, agora negativa em 94 milhões de litros, frente aos -113 milhões de litros de julho, como mostra o gráfico 1.

Gráfico 1. Saldo mensal da balança comercial brasileira de lácteos. Fonte: Elaborado pelo MilkPoint a partir dos dados da Secex.
 

Apesar da valorização do dólar frente ao real, o volume importado de leite em pó integral cresceu cerca de 29% e 37% em relação a jul/18 e ago/17 respectivamente. Sustentados pelas exportações de Uruguai e Argentina, onde o leite ao produtor vem se mostrando mais competitivo em relação ao pago no Brasil, e, pelo preço médio do produto que vinha caindo nos últimos meses (US$0,26 mai/18, US$0,23 jun/18, US$0,22 jul/18), o leite em pó integral acumulou mais um mês de aumento no volume internalizado. Olhar tabelas 1 e 2. Outro produto que teve maior volume internalizado, comparado ao mês anterior, foi o soro de leite, que apresentou crescimento de 70% e ainda assim, menor do que o volume importado no mesmo período do ano passado (-33%). Os demais produtos, influenciados pelo real desvalorizado, tiveram níveis de importação menores em relação a jul/18. (MilkPoint) 

Tabela 1. Câmbio (R$/Dólar) x Preço do leite em pó integral - Origem: Mercosul. Fonte: Elaborado pelo MilkPoint a partir dos dados do GDT e BCB.

Tabela 2. Balança comercial láctea em julho de 2018. Fonte: Elaborado pelo MilkPoint a partir dos dados da Secex.

 

'Verão sufocante' europeu prejudica produtores

Os famosos pastos verdejantes e o clima ameno na Irlanda compõem o ambiente perfeito para o gado leiteiro. Mas não neste ano. O verão sufocante "tingiu" os campos de marrom e levou a uma escassez de forragem para as milhões de vacas no país. Os meses secos e quentes causaram problemas em toda a União Europeia. Produtores rurais da Irlanda à Alemanha tiveram de reduzir rebanhos ou interromper a ordenha meses mais cedo. Para a indústria leiteira europeia, um complexo de US$ 12 bilhões, os campos secos fizeram aumentar os custos de alimentação animal, estrangulando os lucros dos pecuaristas. A Autoridade Irlandesa para o  Desenvolvimento da Agricultura e Alimentação, equivalente ao Ministério da Agricultura no Brasil, estima que os produtores devem receber em 2018 apenas metade do que haviam ganhado no ano passado. A situação do abastecimento pode se tornar crítica e a produção de leite cair nos próximos meses, segundo a Arla Foods, maior companhia leiteira do Norte da Europa.

"Em julho, nós consumimos a forragem que deveria ter durado o inverno  todo", afirma Pat McCormack, que tem um rebanho de 100 vacas leiteiras no Condado de Tipperary, na Irlanda, onde trabalha há mais de 20 anos. "Para um produtor sem grama, silagem, dinheiro e com os filhos indo para a faculdade, isso é um grande desafio mental."

As coisas têm ido tão mal que a cooperativa Arla afirmou recentemente que planeja dar um passo sem precedentes: repassar todo o seu lucro aos produtores que enfrentam a pressão provocada pela estiagem. A União Europeia também tem se mexido para socorrer os pecuaristas em dificuldades, acelerando pagamentos ou aliviando a legislação. Na Irlanda, a neve no começo do ano encharcou os pastos de tal maneira que os produtores começaram a recorrer às reservas de forragem antes que a seca tivesse prejudicado o crescimento dos pastos, fazendo com que eles consumissem neste verão os estoques que seriam para o próximo inverno. Alguns tiveram que buscar alimento para o gado fora da porteira, com custos extras, pois não tinham colheita própria para alimentar os animais.

Aqueles que não tinham condições para isso foram obrigados a reduzir o rebanho. Desde junho, o número de vacas abatidas por semana aumentou 16% na comparação com o ano passado, de acordo com o departamento de agricultura da Irlanda. Na Alemanha, os abates estão 50% acima do observado em 2017, conforme o grupo DBV (um grupo de produtores da Alemanha - Deutscher Bauernverband). A produção de leite não tem sido diretamente proporcional ao tamanho do plantel, mas, por enquanto, ainda é cedo para afirmar com segurança o real impacto à cadeia. O DBV avalia que as entregas na região Leste da Alemanha podem cair 10% no comparativo com o ano anterior. Um produtor irlandês acredita que as perdas totais cheguem a US$ 11,70 por vaca. O calor também tem afetado as produtividades. Normalmente, na região, uma vaca produz cerca de 40 litros de leite por dia. Com o tempo mais quente, porém, o rendimento pode cair pela metade e os animais levam mais tempo para se recuperar, explica Peter Paul Coppes, analista sênior do Rabobank em Utrecht, na Holanda. Pecuaristas tiveram que gastar mais com suprimentos alimentares para impulsionar a produção.

Os custos adicionais e a redução produtiva chegam num momento em que os preços do leite na Europa vinham em queda de 4%, de um ano para cá. Na Dinamarca, que reponde por 8% da cadeia leiteira europeia, o impacto da onda de calor pode ter chegado a US$ 1 bilhão, devendo levar a um aumento no preço do leite nos próximos seis meses, segundo o grupo dinamarquês SEGES (departamento que trabalha com todas as questões agrícolas do país).  A indústria pode enfrentar mais problemas, mesmo que as condições climáticas melhorem daqui em diante, pois o calor interfere na fertilidade do gado. "Os resultados ainda são nebulosos pelos próximos nove meses", pontua Chris Gooderham, especialista da Câmara de Desenvolvimento Agropecuário do Reino Unido.

"Isso tudo deve levar a uma crise financeira no setor de pecuária leiteira da Irlanda, a menos que haja um aumento expressivo nos preços", complementa John Robinson, produtor de leite com um rebanho de 130 vacas no Sudeste do país. "O Natal deve ser bem desolador." (As informações são do The Washington Post, publicadas na Gazeta do Povo)


Os indicadores são favoráveis à elevação do preço do leite
Preços/UE - Todos os indicadores detectados no mercado são favoráveis à elevação do preço do leite, mas, a realidade não é assim. Esta é a queixa da Federação Francesa de Produtores de Leite (FNPL) publicado esta semana. Lembraram que a seca limitou o crescimento da produção na União Europeia (UE), que o preço da manteiga continua subindo e que a tendência da economia é positiva. Com este panorama, o preço ao produtor deveria subir. Thierry Roquefeuil, presidente da FNPL, adiantou que a cooperativa Sodiaal (dona da marca Yoplait) paga entre 320 e 340 €/tonelada e lembrou, que antigamente nenhuma indústria pagava menos do que esse preço, mas agora, ninguém respeita essa linha vermelha. Segundo Roquefeuil, a Lactalis revisou seus preços deixando-os em torno de 310 €/tonelada, o mesmo que a cooperativa Agrial. Estes preços estão abaixo dos custos de produção, que a FNPL estima em 320 €/tonelada. Nos últimos meses, o Presidente da República Francesa, Emmanuel Macron, promoveu através dos Estados Gerais de Alimentação, que o preço final do produto é uma sucessão dos incrementos dos preços da cadeia de produção e que em cada elo deve ser levado em conta a situação do mercado. Macron conseguiu o consenso entre as partes, inclusive com documentos e fotos. A FNPL lamenta que aqueles que assinaram os acordos agora não os cumpram e não crê que realmente os esforços de Macron tenham frutos. A indústria e a distribuição culpam um ao outro de ser os responsáveis pelos baixos preços ao produtor. A situação não parece muito diferente da Espanha. (Agrodigital - Tradução livre: www.terraviva.com.br)

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