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28/08/2018

Porto Alegre, 28 de agosto de 2018                                              Ano 12 - N° 2.809

Sindilat projeta alta de 10% no leite e teme aumento do frete
 

Os preços do leite ao produtor devem ter aumento de 10%, no se¬gundo semestre de 2018, em compa¬ração com mesmo período do ano passado, quando era cotado em mé¬dia a R$ 0,86, projeta o Sindicato da Indústria de Laticínios do Rio Grande do Sul (Sindilat). "Apostamos nesse incremento, e que o valor não deva ficar abaixo de R$ 1,00, pois o câm¬bio não favorece a importação de leite, as exportações tendem a subir, reduzindo a oferta o que reflete nos preços. Além disso, 2017 foi muito fraco na questão comercial, preços achataram demais, mas não deve¬mos ter valores tão baixos como no ano passado", disse o presidente do Sindilat, Alexandre Guerra. 

Nos cinco primeiros meses de 2018, houve redução dos preços e uma leve recuperação entre junho e julho, chegando a R$ 1,30, recupe¬rando margem para produtor e au¬mentar o faturamento da indústria. "Para agosto e setembro prevemos leve queda, por ser época de pico de produção e aumento da oferta, mas o semestre tende a fechar em alta se comparado com o ano passado." 

A produção de leite no Estado foi de 4,6 bilhões de litros, valor que deve ter aumento de 2% a 3% neste ano. A produção nacional chegou a 33 bilhões de litros. Guerra afirma que as margens permanecem aper¬tadas em 2018 e que o setor teme a aprovação da nova tabela de frete da Agência Nacional de Transportes Ter¬restres (ANTT) que irá dobrar o valor do frete para a indústria. 

"Pela tabela antiga, o frete repre¬senta 10% do preço do leite. Caso a nova passe a vigorar, passará a 20%, custo muito elevado para a indústria e que refletirá em todos os elos da cadeia produtiva. Acreditamos que a lei de mercado e a livre concorrência devem ser soberana", disse o diretor executivo do Sindilat, Darlan Palha¬rini. Para ele, o aumento do valor do frete pode inviabilizar a atividade para alguns produtores. 

A tabela do frete rodoviário foi criada pelo governo federal, pela MP 832, convertida na lei (13.703).O diri¬gente revelou que algumas empresas estão investindo na compra de cami-nhões, apostando em frota própria. "Essa é uma tendência que vai mu¬dar o cenário do transporte de leite". 

Palharini disse que, com a greve dos caminhoneiros, 56 milhões de litros de leite não chagaram à indús¬tria. O Rio Grande do Sul é o tercei¬ro maior produtor de leite do País, chegando a 4,6 bilhões de litros em 2017, dos quais 60% vão para fora do Estado e 40% para consumo interno. (Jornal do Comércio) 

 

 

Decisão sobre tabela de fretes pode ficar para depois das eleições

Cobrado pelo setor produtivo a dar uma resposta imediata para o tabelamento de fretes, o ministro Luiz Fux, relator do tema no Supremo Tribunal Federal (STF), disse nesta segunda-feira (27) que as dezenas de ações judiciais movidas contra a tabela ou pela sua inconstitucionalidade permanecem suspensas, porém, prometeu dar uma decisão "o mais rápido possível" sobre o assunto.

Por outro lado, Fux informou que levará a questão para o plenário do STF, o que na avaliação de empresas que contratam frete e questionam radicalmente o tabelamento pode adiar em meses o julgamento. Dentro da própria Suprema Corte já se cogita, nos bastidores, que Fux possa decidir apenas após as eleições de outubro, já que o tema contém elementos políticos e fez parte de um acordo do governo com a classe dos caminhoneiros para cessar as greves que afetaram o país no fim de maio.

"Estabelecer previsão num caso desses é criar um fator de especulação econômica e é tudo o que não queremos", afirmou Fux, após audiência pública nesta tarde com representantes do setor empresarial e dos transportadores.

O ministro do STF não descartou que pode tomar uma decisão intermediária entre considerar constitucional ou inconstitucional. Ele não deu detalhes, mas advogados familiarizados com o assunto avaliam que, se seguir de fato essa linha, Fux poderá julgar constitucional o tabelamento de fretes, porém com ressalvas, ou seja, estabelecendo que ele seria referencial - não seria obrigatório, como determina a lei. Ou ainda poderia liberar os tribunais de primeira instância para julgarem as ações que lá estão paradas por determinação do próprio Fux.

Como já mostrou o Valor, o segmento empresarial já alimenta um pessimismo em relação a uma possível demora maior do STF em julgar os pedidos de liminares, com o argumento de que só cresce o passivo acumulado com o travamento dos negócios em virtude das incertezas em relação às tabelas de frete.

"O juiz pode julgar procedente, improcedente ou parcialmente procedente uma ação. Então realmente há aí uma solução intermediária possível", acrescentou Fux.

Durante cerca de 2 horas e meia, representantes do setor produtivo, principalmente do agronegócio, e dos caminhoneiros, expuseram motivos radicalmente opostos em audiência no STF, demorando um impasse em torno do assunto.

Bruno Lucchi, superintendente técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), mostrou um estudo feito recentemente pela LCA Consultores, segundo o qual a manutenção do tabelamento de fretes pode implicar redução de 10 mil a 52 mil postos de trabalho no país e numa queda das exportações agropecuárias de até 10%. Ele também apontou o possível impacto danoso ao preço dos alimentos, com uma inflação que poderá ultrapassar 6% ao ano na hipótese de manutenção das tabelas de frete.

Já o presidente da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), Diumar Bueno, argumentou que caminhoneiros não negociam preços de frete e que por muito tempo a categoria ficou em desvantagem tendo que aceitar valores referentes às viagem de volta que pagavam apenas os custos com óleo diesel. "Não podemos ganhar só para pagar o pão", disse. (As informações são do jornal Valor Econômico)

 

Cotações das commodities lácteas no mercado holandês - agosto de 2018

Mercado LTO - Nos Estados Unidos a produção de leite parece que está voltando a crescer. Depois de dois meses estável, houve aumento de mais de 2% em maio. Grandes aumentos foram detectados na Alemanha, Polônia e Itália. A produção de leite na França, Reino Unido e Irlanda ficaram estáveis em maio, mantendo as reduções de meses anteriores.

Houve crescimento fora da Europa. A oferta de leite em países exportadores como Argentina, Austrália, Nova Zelândia, Uruguai e Estados Unidos aumentou em maio. Neste último país, a taxa de crescimento diminuiu, tendo taxas de menos de 1% nos meses de abril e maio. A oferta de leite da Nova Zelândia recuperou em um mês sazonalmente de baixa produção, depois de um período de baixa.

Desde junho, as cotações da manteiga estão sob pressão. Existe uma demanda menor durante o período de férias, inclusive existindo alguns clientes abastecidos até o terceiro trimestre. Além disso, existe oferta suficiente. Os compradores estão sem pressa, e esperam com seus estoques, porque a expectativa é que os preços da manteiga caiam ainda mais. A cotação do leite em pó desnatado também voltou a ser pressionada desde a segunda quinzena de junho. O mercado está muito calmo, e com poucos compradores interessados. A quantidade de leite em pó liberada dos estoques de intervenção pressiona ainda mais o mercado para baixo. Apesar da calmaria do mercado, a cotação do leite em pó integral permanece razoavelmente estável. No entanto, a pressão sobre os preços permanece, e as cotações da manteiga e da proteína, estão limitadas pela demanda. (LTO Nederland - Tradução livre: Terra Viva)

 
 

Reino Unido registra acordo de lácteos com a China

O setor de lácteos do Reino Unido receberá um aumento nas exportações estimado em cerca de 240 milhões de libras (US$ 308 milhões), uma vez que a China concordou em importar produtos lácteos britânicos feitos com leite de outros países. O acordo significa que os produtores terão maior flexibilidade no fornecimento do leite que usam para seus produtos. O secretário do Comércio Internacional do Reino Unido, Liam Fox MP, reuniu-se com a Administração Geral das Alfândegas da China em 23 de agosto para fechar o acordo de cinco anos. A demanda pela maioria das categorias de lácteos cresce mais de 20% a cada ano pelos chineses (é um dos setores que mais crescem no país) e esse mercado é visto como lucrativo para os produtores internacionais.

Melhorando as relações para os negócios
O Reino Unido exportou mais de 96 milhões de libras (US$ 123 milhões) de produtos lácteos para a China em 2017. O Secretário de Comércio Internacional, Liam Fox MP, disse: "esta é a minha quarta visita à China este ano e estou muito satisfeito por ver a conclusão deste acordo, trazendo benefícios significativos aos produtores de leite em todo o Reino Unido em um momento em que as exportações britânicas de alimentos e bebidas estão batendo recordes. A China é o quinto maior parceiro comercial do Reino Unido, com as exportações crescendo 28,5% em 2017, em comparação com o ano anterior".

Sobrevivendo pós-Brexit
O ministro do Meio Ambiente, Michael Gove, disse: "nossos produtores de laticínios de classe mundial já exportam £ 1,7 bilhão (US$ 2,18 bilhões) em produtos por ano. Esse marco ajudará a liberar todo o potencial da indústria de alimentos e bebidas do Reino Unido, estabelecendo novas relações comerciais em todo o mundo". O comissário de comércio para a China, Richard Burn, acrescentou que as importações chinesas de produtos como iogurte, leite aromatizado e queijo tiveram um crescimento rápido, com os consumidores chineses associando cada vez mais esses itens à nutrição e ao bem-estar. (As informações são do Dairy Reporter, traduzidas e resumidas pela Equipe MilkPoint)

 
 
 

Aumento da receita eleva poder de compra do produtor
Custo de produção - Apesar de os custos de produção registrarem altas sucessivas em 2018, a receita do produtor também está em forte elevação. Nesse cenário, há melhora das margens e, consequentemente, do poder de compra, melhorando a viabilidade da atividade leiteira. A competição por matéria-prima entre os laticínios, em função do avanço da entressafra no Sudeste e Centro-Oeste e dos atrasos da chuva no Sul, resultou em expressiva alta de 14% no preço do leite em julho na "média Brasil" (BA, GO, MG, PR, RS, SC e SP), calculada pelo Cepea. Com isso, a relação de troca de litros de leite por saca de milho de 60 kg (Indicador ESALQ/BM&F) ficou favorável ao produtor. Em junho, eram necessários 31,3 litros de leite para comprar uma saca do grão. Em julho, bastavam 25,2 litros para adquirir o produto. É importante ressaltar que a saca de milho está 34% mais cara do que no mesmo mês de 2017, quando tinha média de R$ 27,72, em valores reais deflacionados pelo IPCA de junho de 2018. Em julho, a média foi de R$ 37,22/sc. Por conta da menor produção de milho na segunda safra, o aumento nos itens que compõem a dieta, inclusive, elevou o custo de produção da pecuária leiteira pelo sétimo mês consecutivo em julho. De junho para julho, os grupos de suplementação mineral e concentrado subiram 2,13% e 1,54% na "média Brasil" e o Custo Operacional Efetivo (COE), que representa os desembolsos correntes da propriedade, registrou aumento de 0,93% em relação a junho. Desde o início do ano, a alta acumulada é de 6,6%. (Cepea)

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