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01/08/2018

Porto Alegre, 01 de agosto de 2018                                              Ano 12 - N° 2.790

Entressafra e resquício de greve fazem preço do leite ter forte alta

A entressafra do leite no Sudeste e Centro-Oeste do país, o ritmo mais fraco da captação de matéria-prima no Sul e os resquícios da paralisação dos caminhoneiros nos últimos dias de maio fizeram os preços ao produtor registrar forte alta, mais uma vez, em julho. Levantamento da Scot Consultoria mostra que no mês passado, os produtores receberam, em média, R$ 1,230 pelo litro do leite entregue em junho. O valor é 5,6% superior ao do pagamento anterior. Em junho, quando os efeitos da paralisação dos caminhoneiros foram mais sentidos, a alta já havia sido significativa, de 4,3%. A pesquisa de preços da Scot é realizada com agentes (como cooperativas e laticínios) em 18 Estados brasileiros. 

Segundo Rafael Ribeiro, analista da Scot, o ritmo de captação de leite no Sul do país está abaixo do esperado para esta época do ano. A razão é o tempo mais seco e os custos de produção maiores em decorrência da alta do milho. O Índice Scot de Captação de Leite mostra que em julho o volume de coletado no Rio Grande do Sul subiu 2% em relação a junho. Os dados são parciais, mas indicam um ritmo de captação bem inferior ao de julho de 2017, quando subiram 5,7% sobre o mês anterior. Na média nacional, houve queda na captação da matéria-prima na mesma comparação, de 1,3%, em função da entressafra no Sudeste e Centro-Oeste. Enquanto os preços de leite cru ao produtor seguiram firmes em julho, a cotação do longa vida no atacado recuou na segunda quinzena do mês, refletindo a demanda desaquecida e a dificuldade das indústrias de repassarem a alta.

 

Conforme o levantamento da Scot, a média na primeira quinzena de julho foi de R$ 3,16 por litro no atacado paulista. Na segunda quinzena, o preço caiu para R$ 3,12. No varejo, saiu de R$ 3,72 por litro para R$ 3,85 na mesma comparação. A expectativa, segundo Ribeiro, é que os preços ao produtor sigam em alta no curto prazo - embora num ritmo mais fraco -, especialmente nos Estados que estão no período de entressafra. 'Pesquisa da Scot sobre os preços do leite nos 18 Estados do país indica que 59% dos entrevistados esperam alta nos preços ao produtor em agosto, 38% acreditam em estabilidade e 3% em queda. (Valor Econômico) 

 

 

Temer critica proposta de rotulagem de alimentos e marca reunião com indústria

Rotulagem de alimentos - Em encontro com empresários ontem em São Paulo, o presidente Michel Temer manifestou contrariedade com uma proposta de rotular alimentos industrializados como forma de alertar para alta concentração de açúcar, sódio ou gorduras saturadas.

Ao participar de um almoço na Fiesp, Temer ouviu críticas a essa iniciativa feitas por Wilson Mello, presidente do conselho da Associação Brasileira da Indústria da Alimentação. Melo disse em discurso que a ideia de colocar triângulos nas embalagens associaria os produtos a um perigo à saúde.

Temer, em sua fala, convocou o empresário para uma reunião na próxima quarta-feira (1º) em Brasília e pediu cautela nessa discussão.

"É importantíssimo. Essa coisa do triângulo, que você [Melo] mencionou, que é sinal de perigo, se não tomar cuidado daqui a pouco bota tarja preta no alimento. Vai prejudicar o setor."

A proposta da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) é incluir nas embalagens uma advertência sobre a presença de alto teor de açúcar, gorduras saturadas e sódio. Um grupo de trabalho da agência constatou que o consumidor tem dificuldades para entender informações hoje presentes nos rótulos.

A proposta é inspirada em normas estabelecidas em outros países, como o Chile, que tornou obrigatórios, por exemplo, octógonos pretos informando o alto teor açúcar nas embalagens.

Mello havia dito em seu discurso que essa iniciativa pode causar desemprego na indústria da alimentação, "que é responsável por 10% do PIB brasileiro".

"Tudo passa por uma escolha que Vossa Excelência [Temer] tomará, que é a escolha do novo presidente da Anvisa. Isso acontecerá nos próximos meses. Nosso único pedido é que seja alguém que continue dialogando com a indústria", disse Mello. 

O representante do setor classificou a iniciativa como desproporcional e disse que detratores "criminalizam" essa indústria. (Bem Paraná)

Indústria prevê perdas com novos rótulos

A mudança no modelo de rotulagem de alimentos industrializados pode gerar um impacto negativo na economia de R$ 30 bilhões a R$ 98,8 bilhões por ano, segundo estudo realizado a pedido de fabricantes do setor. O levantamento foi feito pela GO Associados e encomendado pela Rede Rotulagem, formada por 22 entidades da área de alimentos e bebidas e encabeçada pela Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia). 

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) avalia atualmente duas propostas de rotulagem. Uma foi desenvolvida por um grupo que reúne o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), a Universidade Federal do Paraná e outras 19 entidades. Esse grupo propõe a adoção, na parte frontal da embalagem, de triângulos pretos, advertindo o consumidor sobre o excesso de ingredientes que podem fazer mal à saúde, como açúcar, sódio e gorduras.

 

As indústrias, por sua vez, propõem a inclusão, na parte frontal das embalagens, de um semáforo destacando informações sobre o volume de açúcar, gorduras saturadas e sódio. A quantidade pode ser classificada como "alta" (em vermelho), "média" (amarelo) ou "baixa" (verde). De acordo com o estudo da GO Associados, o modelo de rotulagem por semáforo pode gerar um impacto negativo na economia entre R$ 30 bilhões e R$ 50 bilhões. Já o modelo de advertência, sugerido pelo Idec, causaria a perda de quase R$ 100 bilhões.

Wilson Mello, presidente do conselho da Abia, considera que o modelo de advertência, com triângulos em preto, assustam o consumidor, que acaba deixando de comprar os produtos. Como consequência, o consumo de alimentos industrializados pode apresentar uma queda de 10,34%, gerando impacto negativo na indústria de R$ 24,4 bilhões. Segundo o estudo, o modelo de rotulagem proposto pelo Idec também causaria perda de R$ 32,4 bilhões no setor de serviços, devido à menor produção de insumos e à queda do consumo das famílias.

O setor agropecuário teria uma queda de R$ 13,6 bilhões. O estudo da GO indica ainda que a redução no consumo de alimentos, por causa da rotulagem de advertência, pode gerar uma perda de 1,9 milhão de empregos, reduzindo a massa salarial no país em R$ 14,4 bilhões. Do total de cortes de emprego, 808 mil vagas seriam na agropecuária, 723 mil no setor de serviços e 364 mil na indústria - sendo 163 mil apenas na indústria de alimentos e bebidas. O impacto negativo no setor industrial (excluindo as indústrias de alimentos e bebidas) seria de R$ 28,4 bilhões. E a arrecadação de tributos teria uma redução de R$ 8,9 bilhões por ano.

"A decisão sobre a rotulagem de alimentos não deve ter como premissa principal o aspecto econômico. Mas, considerando que os dois modelos de rotulagem apresentam as mesmas informações para o consumidor, acredito que o impacto econômico deva ser levado em conta", afirma Mello. O executivo acrescentou que a estimativa de perdas apresentada no estudo é conservadora. "No Chile, quando foi adotada a rotulagem de advertência, o consumo de alimentos chegou a cair 16%", diz. Mello vai se reunir hoje com o presidente da República, Michel Temer, para falar sobre o tema.

O modelo sugerido pelo Idec foi recomendado pela Anvisa para adoção no país, em relatório preliminar sobre o assunto divulgado em maio. No documento, a Anvisa ponderou que esse modelo é adotado de forma crescente no mercado internacional e ajudou a reduzir o consumo de produtos com níveis altos de açúcar, sódio ou gorduras. Já o modelo defendido pela indústria não trouxe impactos relevantes no consumo de alimentos com altos níveis de açúcares, gorduras e sódio, nos países onde foi implantado, segundo o órgão.

O relatório da Anvisa levou as indústrias a mudarem seu modelo, aumentando o tamanho das letras e números e incluindo a classificação alta, média ou baixa. As indústrias também encomendaram o estudo de possíveis perdas econômicas, para tentar reverter a avaliação do órgão sobre o modelo de semáforo. Para Ana Paula Bortoletto, nutricionista do Idec, a rotulagem por semáforo confunde-se com as cores das embalagens e não geram entendimento para o consumidor sobre o risco de consumir o alimento.

"No Canadá, onde foi adotado o modelo de advertência, como o sugerido pelo Idec, a economia de gastos com saúde mais do que compensou eventuais perdas da indústria de alimentos", afirma. A nutricionista também considera "superestimado" o valor das perdas potenciais anunciadas pelas indústrias. A Anvisa discute com representantes do setor privado novas regras para a rotulagem de alimentos industrializados desde 2014. A intenção do órgão é incluir nas embalagens informações sobre a presença de altos teores de açúcares, sódio e gorduras saturadas para estimular a adoção de dietas mais saudáveis.

A discussão já passou por várias fases. Entre junho e julho, a Anvisa realizou uma tomada pública de subsídios para discutir o tema. A Anvisa recebeu pouco mais de 3 mil sugestões de consumidores e especialistas. O órgão informou que o próximo passo será a consolidação desses dados para a formulação do texto final sobre a rotulagem. "Se for necessário, o texto será reformulado e poderá passar por uma audiência pública", informa a Anvisa. Em seguida, o documento será encaminhado para deliberação da diretoria colegiada da Anvisa. Segundo o órgão, não há prazo definido para esse processo. Mas as entidades que debatem sobre o tema estimam que as nova regras de rotulagem de alimentos serão definidas até o fim deste ano, para que o novo modelo entre em vigor a partir de 2019. (As informações são do jornal Valor Econômico)

 

RS recebe lote nesta semana
O Rio Grande do Sul deve receber ainda esta semana um novo lote de tuberculina, antígeno utilizado para o teste de tuberculose bovina. Com isso, está mantida a exigência de exame negativo para a doença para a Expointer. O anúncio foi feito ontem, após reunião entre representantes do Ministério da Agricultura (Mapa), Secretaria da Agricultura e entidades do setor produtivo. Segundo o superintendente do Mapa no Rio Grande do Sul, Bernardo Todeschini, o lote da substância já foi liberado pelo Lanagro e deve chegar ao Estado nos próximos dias. (Correio do Povo)

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