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24/07/2018

Porto Alegre, 24 de julho de 2018                                              Ano 12 - N° 2.784

Alta do frete preocupa laticínios gaúchos 
Os laticínios gaúchos estão preocupados com o reflexo que a nova tabela de frete trará ao preço do leite ao consumidor e seu impacto sobre a inflação no Brasil. O assunto foi alvo de reunião de indústrias associadas ao Sindilat na tarde desta terça-feira (24/7), em Porto Alegre (RS). Segundo o presidente do Sindilat, Alexandre Guerra, a tabela ora divulgada mexe sensivelmente nos custos da produção e distribuição do leite no Rio Grande do Sul, com elevação que oscila entre 20% e 100% no preço do frete de acordo com a região do Estado. "O setor do leite trabalha exclusivamente com transporte rodoviário e não tem alternativa. Desta forma, o impacto será mais expressivo no produto", pontua. O dirigente defende a livre negociação entre os players do mercado brasileiro. "Não existe hoje espaço para a adoção de tabelas de valores mínimos. Este custo quem irá pagar é o consumidor", ressaltou.  A expectativa, alerta ele, é que o Supremo Tribunal Federal (STF) declare a medida inconstitucional.
 
Para driblar a elevação nos custos de frete, algumas empresas do setor estudam absorver a atividade de transporte ou, ao menos, parte dela. O grande dilema está na distribuição do produto acabado, uma vez que exige maior capilaridade. "A captação do leite no campo já é realizada por algumas empresas", informa. O risco, alerta o presidente do Sindilat, é que o encarecimento do frete acabe resultando na revisão de algumas rotas de coleta de leite o que, em último caso, acarretaria em abandono de áreas de pouco volume. "A indústria não quer excluir nenhum produtor, mas a elevação do frete pode tornar algumas operações inviáveis tanto no que se refere à captação quanto à comercialização", completou Guerra. 

Além disso, o dirigente ainda prevê o efeito cascata da alta do frente nos insumos do setor lácteo. "Temos que pensar que o frente da madeira, do papel, das embalagens e insumos também sofrerá impacto, o que cria efeito cascata sobre a  indústria e no produto que chega ao consumidor". (Assessoria de Imprensa Sindilat)


Foto: Carolina Jardine

Chuva e pastagens freiam captação, e leite passa de R$ 1,30

O frio severo das últimas semanas contribuiu para um maior consumo do leite no Rio Grande do Sul e, consequentemente, para a elevação do valor de referência auferido pelo Conseleite. Segundo dados divulgados na manhã desta terça-feira (24/07), na sede do Sindilat em Porto Alegre (RS), o valor de referência do litro projetado para julho é de R$ 1,3080, 5,9% acima do resultado consolidado de junho, que fechou em R$ 1,2350. O levantamento considera apenas os dez primeiros dias do mês. Segundo o professor da UPF Eduardo Finamore, a tendência é uma realidade nacional, e os dados ainda carregam reflexo da greve dos caminhoneiros que interrompeu coleta e abastecimento em diversas praças do país no final de maio. "O frio está ajudando o produtor neste momento", pontuou o presidente do Conseleite, Pedrinho Signori, lembrando que a questão cambial também conteve as importações de leite.
 
O vice-presidente do Conseleite e presidente do Sindilat, Alexandre Guerra, pontuou que os números do Conseleite refletem a lei da oferta de da procura. Ele explica que as pastagens de inverno em 2018 estão mais atrasadas do que em 2017, o que vem freando o aumento da captação típico desta época. "A produção não está crescendo tanto quanto se esperava. Além disso, as chuvas alagaram algumas áreas e prejudicaram o pastejo, impactando na produção dos animais", avaliou. 
 
De acordo com dados do Conseleite, no mês de julho, o queijo prato liderou a alta com reajuste de 24,79%, seguindo do UHT (7,12%). Finamore ainda pontuou que, considerando a correção inflacionária pelo IPCA, o preço de referência real do leite no Rio Grande do Sul está no maior nível desde 2013. "Isso nos mostra que a atividade está trazendo remuneração ao produtor, mas é claro que a viabilidade de cada propriedade depende sempre do grau de investimento de cada tambo", ressaltou Finamore, citando que os cálculos do Conseleite consideram custos como insumos e depreciação de maquinário, por exemplo. (Assessoria de Imprensa Sindilat)
 
 
Foto: Carolina Jardine
 

O promissor mercado de lácteos na América Latina

A América Latina é um dos mercados globais que mais cresce para lácteos, com vendas de US$ 430 bilhões em 2017, enquanto as vendas na Europa caem, segundo a Cargill. Na convenção do Institute of Food Technologists em Chicago na semana passada, a Cargill revelou uma pesquisa global recente que fornece insights do consumidor sobre textura, rótulos limpos e redução de açúcar em produtos lácteos. A equipe pesquisou 13 países e mais de 5.200 compradores de alimentos com foco em iogurte, leite aromatizado, sorvete e laticínios.

Eles descobriram que as atitudes globais em relação aos lácteos estão mudando. O consumidor médio se preocupa principalmente com hormônios, alergênicos e a percepção de insalubridade de um produto, enquanto tanto o valor nutricional quanto o rótulo são tendências que impulsionam o consumo de produtos lácteos.

Produtos lácteos de rótulo limpo estão em ascensão, mais procurados na China e na Indonésia. O Reino Unido, a Alemanha e o Japão ainda não têm um mercado predominante de produtos lácteos de rótulo limpo, enquanto os setores dos EUA e da América Latina estão crescendo. De acordo com Mark Fahlin, desenvolvedor de negócios da Cargill, a indústria de lácteos está vendo um declínio geral devido ao  menor consumo de leite fluido no século XXI.

As marcas estão tentando combater o número estagnado de leite fluido desenvolvendo produtos como "leite ultrafiltrado" e bebidas lácteas funcionais. Os EUA e a Europa registraram aumentos de três dígitos nas vendas alternativas de leite à base de vegetais nos últimos 15 anos, embora a Europa ainda fique um pouco atrás dos EUA na demanda de consumo e na inovação de produtos na categoria. A Cargill vê espaço para um crescimento iminente no mercado de produtos alternativos aos lácteos da Europa.

A América Latina tornou-se um dos mercados de produtos lácteos que mais cresce no mundo e registrou US$ 430 bilhões em vendas em 2017, embora a região gaste menos da metade do que a América do Norte e a Europa gastam em suas indústrias de laticínios.

A maioria dos consumidores da América Latina está escolhendo produtos lácteos devido aos benefícios para a saúde óssea, e mais da metade dos entrevistados preferiu o sabor dos produtos lácteos de verdade às alternativas lácteas. Em toda parte, os consumidores de alimentos e bebidas estão cada vez mais sensíveis e conscientes dos rótulos, embora nem todas as categorias sejam criadas iguais. Guloseimas e lanches ganham alguma liberdade por parte dos compradores, mas categorias de alta prioridade, como produtos para crianças e laticínios, chamam a atenção para o rótulo.

"Há apenas algo inerentemente saudável sobre os produtos lácteos e as expectativas dos consumidores. É bem próximo ao leite materno em termos de um dos primeiros alimentos que uma criança consome", disse Fahlin. (As informações são do DairyReporter, traduzidas pela Equipe MilkPoint)


LEITE/CEPEA: Baixo consumo pressiona cotações do UHT e muçarela
Leite UHT - O baixo consumo de leite UHT e queijo muçarela, devido às férias escolares, e a demanda desaquecida de ambos os produtos no início de julho, por causa de seus preços elevados nesse período, pressionaram as cotações. Segundo levantamento do Cepea, entre 16 e 20 de julho, o UHT se desvalorizou 3,46% frente à semana anterior, fechando com média de R$ 3,1954/litro. Quanto ao queijo muçarela, a queda foi de 1,45%, com preço médio de R$ 19,79/kg no mesmo período de comparação. Para as próximas semanas, agentes do setor consultados pelo Cepea esperam que as cotações se estabilizem. (Cepea)

 

 

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