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13/04/2017

 

Porto Alegre, 13 de abril de 2017.                                               Ano 11- N° 2.480

 

Captação das grandes cai; Lactalis mais perto da Nestlé

O declínio da produção de leite no país no ano passado, que gerou períodos de forte disputa pela matéria-prima no mercado, fez recuar a captação de leite das 15 maiores empresas de lácteos do Brasil em 2016. De acordo com o ranking da Leite Brasil associação que reúne produtores , as 15 maiores empresas de lácteos captaram juntas 9,667 bilhões de litros de leite em 2016, uma retração de 1,9% sobre o ano anterior. Os primeiros lugares no ranking se mantiveram em 2016, mas a pesquisa mostrou que a francesa Lactalis ficou bem mais perto da suíça Nestlé, a maior em captação de leite no Brasil. O levantamento revelou ainda uma queda expressiva no número de produtores que entregaram leite a essas 15 empresas no ano passado  de 8,2%, para 56.452 fornecedores, num reflexo, em parte, da saída de pecuaristas de pequeno porte da atividade e da decisão de empresas de concentrarem as compras dos maiores e mais produtivos. Num ambiente de menor oferta de matéria-prima  conforme o IBGE, o recuo da produção de leite foi de 3,7% , a ociosidade das empresas de lácteos no país aumentou em 2016. Segundo o ranking, considerando a estimativa de capacidade total instalada dessas empresas, a ociosidade ficou em 40% em 2016  havia sido de 38% no ano precedente. 

 

Das 15 empresas do ranking, 10 registraram queda na captação de leite enquanto cinco ampliaram a recepção do produto para processamento. Para Jorge Rubez, presidente da Leite Brasil, o recuo na compra pelos maiores laticínios reflete tanto a restrição de matéria-prima quanto a da demanda por lácteos. Segundo ele, a estimativa é que o consumo per capita de lácteos no país esteja próximo de 170 litros, abaixo dos 180 litros de 2015. "O desemprego e a falta de dinheiro afetam a capacidade de consumo", lamenta Rubez. Primeira no ranking, a Nestlé viu sua captação cair 4,4% no ano passado, para 1,690 bilhão de litros. Em nota, a empresa diz que "esse movimento se explica pelo cenário mais difícil da economia em 2016 aliado à menor produção de leite no Brasil". Sobre a redução do número de produtores que forneceram à empresa, afirma que "muitos produtores estão deixando a atividade leiteira no Brasil. Em contrapartida, houve um aumento na produtividade dos produtores que permanecem no setor". Bem mais próxima da Nestlé no ranking de 2016 que no levantamento anterior, a francesa Lactalis ampliou a captação em quase 2%  para 1,622 bilhão de litros, embora o número de produtores que entregam diretamente à empresa tenha caído. "Adquirimos conforme a necessidade que tínhamos em função da posição de mercado", afirma Guilherme Portella, diretor de relações institucionais da companhia no Brasil. 

 
Segundo ele, 2016 foi um "ano bom" para o leite longa vida. Diante das margens melhores do produto e para atender a demanda, a empresa ampliou as compras de leite no spot (negociação entre empresas) de cooperativas no Rio Grande do Sul. Portella diz que a aproximação da Nestlé no ranking reflete a meta da companhia francesa de "ser líder no Brasil, na captação de leite e na produção de lácteos". Das mudanças mais significativas no ranking, duas se destacaram. A Vigor, controlada pela J&F, caiu da oitava para a 11ª posição na lista ao reduzir a captação de leite em 24,1% em 2016, para 311,3 milhões de litros. Em nota, a empresa afirma "que seus números estão diretamente ligados ao comportamento do mercado no ano passado. Fatores como redução das exportações, diminuição da demanda interna e uma menor oferta de leite cru no mercado brasileiro contribuíram para este cenário". Já o Laticínios Jussara subiu no ranking, exatamente para oitavo lugar antes ocupado pela Vigor. A empresa, com sede em Patrocínio Paulista (SP), ocupava o décimo posto no ranking da Leite Brasil no ano de 2015. A Jussara captou 377,521 milhões em 2016, alta de 2,8% sobre o ano anterior. O número de produtores que forneceu diretamente ao laticínio também caiu. "Compensamos a queda da compra de produtores adquirindo leite no spot", afirma Laércio Barbosa, diretor da Jussara. Em tempos de escassez de oferta, os preços no spot são mais altos, mas Barbosa observa que em 2016 o custo de captação do leite cresceu num momento em que o longa vida estava valorizado. Isso permitiu margens favoráveis. "Foi positivo porque crescemos num ano que as vendas [de longa vida] ficaram praticamente estagnadas", avalia. (Valor Econômico)
 
 
Itambé prevê elevar receita em até 15% 
A Itambé, controlada pela Vigor e pela Cooperativa Central dos Produtores Rurais de Minas Gerais (CCPR), tem vivido mudanças importantes recentemente. Após a saída do CEO Alexandre Almeida da empresa de lácteos, o ex-diretor comercial Antonio Magela assumiu interinamente o cargo. Na CCPR, Jacques Gontijo, que presidia a central, foi substituído na última eleição, em março, por Marcelo Candiotto, que chefiava a Cooperativa Regional de Produtores Rurais de Sete Lagoas (Coopersete), uma das filiadas à CCPR. Na Itambé há cerca de 30 anos, Gontijo era presidente da empresa quando 50% de seu capital foi vendido à Vigor, controlada pela J&F, há quatro anos. Não há sinais, contudo, de que essas mudanças recentes na direção devam afetar a estratégia de crescimento da Itambé no médio prazo. Se em 2016 o foco foi a melhoria de margem por meio da aposta em produtos de maior valor agregado, como refrigerados, neste ano a receita é a mesma. No ano que passou, a empresa elevou o faturamento em 9%, para R$ 3,19 bilhões e aumentou seu resultado líquido em 62% sobre o ano anterior, segundo Ricardo Cotta, diretor de relações institucionais e novos negócios da Itambé, sem divulgar o número final. 

Esse desempenho foi possível, afirma, porque a empresa priorizou produtos com maior margem, como iogurtes, e diminuiu a produção de itens como leite condensado e leite em pó, que têm margens baixas e demandam grandes volumes de matéria-prima. Um efeito disso foi que a empresa reduziu em 5,5% sua captação de leite no país em 2016, que ficou em 1,104 bilhão de litros (ver abaixo). "Em 2015, tivemos uma exportação significativa de leite em pó para a Venezuela, e isso não ocorreu no ano passado", acrescenta, para justificar a menor produção do item. Ao concentrar esforços nos produtos de maior valor, a Itambé conseguiu crescer no mercado nacional de iogurte num ano em que houve queda nas vendas como um todo. 

Citando dados Nielsen, Cotta afirma que as vendas da companhia cresceram 5% em valor em 2016 ao passo que o mercado teve retração de 15%. Uma explicação para o desempenho é a diversificação regional. "Buscamos crescer em áreas onde tínhamos pouca presença", observa o executivo. O resultado foi um avanço de 50% nas vendas de iogurte no Estado de São Paulo e de 75% no Nordeste. Ao mesmo tempo, segundo ele, a empresa se blindou em Minas Gerais, onde tem uma fatia de 25% do mercado de iogurtes. Também contribuíram para o desempenho da Itambé em 2016 o avanço da linha de produtos sem lactose, o investimento em novos canais do food service e na comercialização de itens como misturas lácteas para os setores de panificação e sorveterias. Após o crescimento em 2016, o primeiro trimestre deste ano também foi positivo, segundo Cotta. "O foco continua sendo melhorar o resultado líquido", diz, acrescentando que a previsão é elevar o faturamento em 10% a 15% em 2017. Mais uma vez os novos canais de venda, os refrigerados e os leites especiais serão as prioridades da companhia. Dentro do segmento de leites especiais, a empresa vai ampliar a linha de lácteos com mais proteínas, lançada em 2016. No ano passado, a Itambé investiu R$ 50 milhões em Capex, para ampliação e modernização de linhas. Para este ano, segundo o executivo, a previsão é de aporte também na casa dos R$ 50 milhões, sendo a maior parte disso na linha ampliada de lácteos com maior teor de proteína.(Valor Econômico) 

Valor da produção agropecuária deve alcançar R$ 550 bi

Alavancado pelo bom desempenho das safras de soja e milho, o valor bruto da produção (VBP) agropecuária do país caminha para se recuperar do tombo de 2016, quando adversidades climáticas prejudicaram a colheita desses grãos e de diversas outras culturas, e bater um novo recorde histórico neste ano. Segundo levantamento divulgado ontem pelo Ministério da Agricultura, o VBP do setor deverá somar R$ 550,4 bilhões em 2017, R$ 2,5 bilhões a mais que o projetado em fevereiro e montante 4,2% - ou R$ 22,1 bilhões - superior ao calculado para 2016. 

 

Para os 21 produtos agrícolas que fazem parte da pesquisa, o ministério passou a prever um VBP de R$ 370,9 bilhões, R$ 3,8 bilhões acima da previsão do mês passado. Se confirmado, esse total representará um aumento de 7,8%, ou R$ 26,7 bilhões, em relação a 2016. Para o VBP dos cinco principais produtos da pecuária brasileira, entretanto, a estimativa do ministério caiu para R$ 179,5 bilhões, ante os R$ 180,8 bilhões estimados em março e os R$ 184,1 bilhões de 2016. Entre todos os produtos que compõem o levantamento, a soja é o carro-chefe, com VBP agora projetado em R$ 127,3 bilhões, incremento de 9,6% sobre 2016. Mas o grande destaque continua a ser a recuperação do milho depois das perdas observadas no ano passado. Para o cereal, o ministério elevou sua previsão de VBP em 2017 para R$ 58,1 bilhões, 39,7% mais que em 2016. Entre a soja e o milho estão os bovinos, com VBP que passou a ser estimado em R$ 71,5 bilhões, em queda de 2,2% na comparação com o ano passado. Na sequência vem a cana-de-açúcar (R$ 54,3 bilhões, alta de 2%) e o frango (R$ 48,9 bilhões, baixa de 11,3%). Enquanto a cana continua a se recuperar de uma crise que marcou boa parte desta década, bovinos e frango sentem a pressão, sobretudo, de um mercado doméstico ainda retraído para as carnes. (Valor Econômico)

Índices IFCN do preço do leite e custos de produção - março/2017

Índices IFCN - A relação entre os Índices IFCN do preço do leite/custo da ração, no mês de março de 2017 ficou em 1,63, caindo ligeiramente em relação ao mês anterior. A queda de 4% no índice do preço do leite foi acompanhada pela redução de 3% nos custos dos insumos para ração, mantendo a rentabilidade do produtor praticamente estável nos últimos 7 meses. A variação entre o maior e o menor índice de rentabilidade, em 2016, foi de 85%. De setembro de 2016 a março de 2017, a variação é de 5%. O índice do preço do leite de março de 2017 é 59% maior que o índice apurado em março de 2016. Já o índice do custo dos alimentos apresentou aumento de apenas 9%. Isto representa o ganho que o produtor vem tendo nos últimos meses. Nos últimos dois anos, a diferença entre o maior índice de preço do leite (37,20), ocorrida em fevereiro de 2017, e o menor valor apurado em maio de 2016 (22,10) é de 68%. Enquanto isso, a variação do custo da alimentação no mesmo período, foi de 30%. Pelas previsões da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura), este ano os estoques de cereais estarão confortáveis, não havendo nenhuma previsão de pressão extra sobre o custo da alimentação animal. Portanto, para manter o mercado de laticínios longe da volatilidade que perdurou até oito meses atrás, é preciso focar na produção de leite. 

Qualquer desequilíbrio do lado da oferta implicará em pressões sobre os preços. Esta preocupação foi demonstrada no último relatório do Rabobank, que prevê maior produção na Europa, uma vez que os produtores querem aproveitar os bons preços. O mesmo poderá ocorrer na Nova Zelândia, onde o clima melhorou nos últimos dois meses, e, embora o início da temporada tenha encontrado uma primavera adversa, os produtores querem aproveitar o tempo propício para compensar a perda inicial, inclusive postergando ao máximo o encerramento do ano produtivo que ocorre no final de maio. 
  
- O Índice IFCN dos preços do leite, é uma combinação dos preços médios de uma cesta de commodities lácteas negociadas no mercado mundial. Representa o quanto uma indústria poderia, teoricamente, remunerar seus produtores, se os produtos lácteos fossem vendidos com as cotações vigentes no período.
O indicador IFCN é elaborado da seguinte forma: 1 - Leite em pó desnatado & Manteiga (35%); 2 - Queijos e Soros de leite (45%); e 3 - Leite em pó integral (20%).

- O Índice IFCN dos custos da alimentação representa o nível dos preços no mercado mundial de insumos para ração, farelo de soja e milho.

A relação entre o preço do leite e a cotação da ração, indica a rentabilidade. De uma forma simplificada, mostra quantos quilos de ração o produtor pode comprar com a venda de um quilo de leite. A relação leite/ração maior que 1,5 é considerada favorável. Se o aumento da produção se dá via utilização de concentrados, e a razão continua subindo, o sistema é recomendável.
Por outro lado, se a razão for caindo em direção a 1, ou menos, o concentrado pode significar aumento do prejuízo. (IFCN - Elaboração: Terra Viva)

 

 

Registro ou alteração de produtos devem ser feitos digitalmente a partir de maio
A Divisão de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa) da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Irrigação (Seapi) informa que o encaminhamento de documentação relativa ao registro ou alteração de produtos e rótulos através de formulário em papel deve ser feito até o dia 30 de abril. Após essa data, só serão aceitos procedimentos via sistema informatizado. No entanto, documentos que já iniciaram sua tramitação em papel poderão ainda ser concluídos por esse meio. Mais informações: http://www.agricultura.rs.gov.br/rotulos Telefone: 3288.6231 (SEAPI)
 

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