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Mercado lácteo mais competitivo – Por Alexandre Guerra*

alexandreDepois de 31 anos de vigência, as cotas de leite na União Europeia (UE) foram revogadas no dia 1º de abril. A limitação obrigava os produtores locais a trabalhar com o freio de mão puxado. Agora, libertos da restrição, eles produzirão mais leite. Alguns pensam em duplicar o seu volume, aumentando o número de vacas ordenhadas. Naturalmente, os países do bloco irão disputar o mercado externo que o Brasil está almejando, principalmente Ásia, Rússia, África. O fim das cotas de leite na UE impõe que o setor lácteo brasileiro se torne mais competitivo. O Rio Grande do Sul, como o segundo maior produtor nacional, pode ter papel de destaque nesse novo cenário. Plantas industriais do Estado já estão certificadas ou em processo de qualificação para venderem produtos lácteos no Exterior. A par disso, é preciso que os produtores de leite se mobilizem para obter a indispensável certificação como livres de tuberculose e brucelose. Eles podem contar com o apoio do Fundesa (Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal do RS), cujo Comitê Técnico é integrado por Fetag, Ministério e Secretária da Agricultura, Farsul e Sindilat, para conseguir o status. Notícias do chamado velho continente indicam que os produtores de maior competitividade e valor, no universo composto pelos 28 países-membros da comunidade europeia, são os da Irlanda, Holanda e Dinamarca. A Irlanda, diante do novo cenário, pretende, por exemplo, reproduzir o desempenho da Nova Zelândia, um dos maiores produtores mundiais de laticínios e grande exportador para a China. A aspiração irlandesa tem fundamento. Em 1984, antes das cotas, produzia os mesmos 5 bilhões de litros que a Nova Zelândia. A Irlanda continuou nesse patamar e a Nova Zelândia saltou para 18,5 bilhões de litros por ano. O Brasil, com uma produção de quase 37 bilhões de litros de leite por ano ano, a qual cresce 7%, está se tornando autossuficiente. A exportação passa a ser um imperativo, como bem externou na recente Expodireto Cotrijal a ministra da Agricultura, Kátia Abreu, disposta a apoiar o setor nesse novo momento. O sucesso na abertura de novos mercados para as empresas também depende do empenho e da agilidade do governo. Enfim, para competir com os players que suprem seus mercados internos e ainda buscam divisas atendendo a demanda mundial por lácteos, o Brasil precisa conjugar qualidade e eficiência. (Zero Hora)

* Presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Estado (Sindilat- RS), diretor administrativo e financeiro da Cooperativa Santa Clara, diretor da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs) e vice-presidente do Conselho Estadual do Leite (Conseleite)

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